quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Crítica à destruição da qualidade de vida da maioria dos portugueses realizada por Passos Coelho

  «A ponta do golpe em curso


O discurso do Pontal de Passos Coelho foi uma defesa encapotada de um Bloco Central com um PS de direita. Foi uma chamada às armas para dentro de um certo PS e uma manobra de envolvimento de um certo PSD que habitualmente faz frente a Passos Coelho, como o próprio Presidente da República, e que trabalha arduamente na criação de um novo Bloco Central entre PS e PSD.

Uma jogada de antecipação - antes que as eleições autárquicas de Outubro de 2017 levem Passos Coelho - e de esvaziamento dessa ala do PSD que deverá se afirmar pós-eleições, em 2018. Mas foi uma tentativa sem muito jeito.

Daí as críticas à direita: para a próxima, Passos Coelho devia trazer um discurso escrito, o que é o mesmo que dizer que Passos nunca poderá ser a cara desse projecto de isolar a esquerda do PS e a esquerda à esquerda do PS. Mas o programa desconchavado desse envolvimento foi traçado. 

Delimitação de sectores. Passos quer um golpe constitucional (mais uma vez!) e obrigar o Governo a atar as suas mãos, como forma de impedir a “estatização", a "nacionalização”, sem que que haja uma maioria qualificada (leia-se, com o PSD) no Parlamento. Essa é a reforma do Estado que Passos (e não só ele) defende, mas que não teve coragem de assumir. Para colmatar as suas debilidades, tentou galvanizar os comentadores políticos e jornalistas que, de 2011 a 2013, o incentivaram - em vão - a ser mais célere na reforma do Estado: “Porque é que não se avançou nada na reforma do Estado? Por que não é reclamada no espaço público”.

Uma reforma laboral ao nível da empresa. “Era muito importante que nas empresas se chegasse a entendimentos entre quem lá trabalha e quem gere as empresas”. Até defendeu o papel da comissão de Trabalhadores da AutoEuropa... mas que, num “mau prenúncio”, “não conseguiu resistir à pressões dos grandes sindicatos”. A ideia nem é nova nem vem da ala do PSD. O actual ministro das Finanças  defende-a. Emmanuel Macron aprovou-a recentemente em França. Até Temer no Brasil, Que tudo se passe ao nível da empresa – onde a relação de forças é mais desequilibrada a favor da parte patronal. Tudo em detrimento de uma contratação colectiva. Ai esta palavra “colectiva” faz tanta comichão!

Reforma da Segurança Social. “Nós estamos disponíveis para dar confiança...” Claro que estão: contas individualizadas (proposta no programa de governo PSD/CDS), fim da solidariedade intergeracional, plafonamento de contribuições (Passos defende-o), redução das prestações sociais, aumento dos valores dos apoios às instituições não públicas, como o terceiro sector e o sector social...

Reforma educativa. Não se sabe muito sobre o que defende Passos, apenas o que o seu Governo fez e da guerra levantada aos cortes aprovados pelo actual governo aos apoios públicos a escolas privadas... 

Reforma da Saúde. Para Passos Coelho, a reforma que ele acha que fez foi... pôr as contas em dia com os fornecedores do SNS! O resto – a desarticulação e asfixia financeira do SNS, com redução de pessoal e contratação externa de especialistas através opacamente de empresas fornecedoras de trabalho (muitas vezes, contratando médicos que nem sabiam falar português...). Políticas que dificultam agora a actual governação, enquanto Passos Coelho quer cavalgar – desavergonhadamente – as críticas à realidade que ele contribuiu para aprofundar!

Pelo caminho de todo este programa de revisão do programa eleitoral do PS e de um golpe no acordo parlamentar, ficou mais uma vez aquela – má – técnica de criticar sem ter a coragem de dizer o que se quer.

Subida do emprego. Passos acha que a subida do emprego e a descida do desemprego se deve às reformas laborais feitas em 2012. Mas – integrando no seu discurso uma crítica feita à esquerda - achou por bem criticar que o emprego cresce, mas é um emprego de baixos salários, esquecendo-se que essa foi precisamente a finalidade essas reformas! Até na subida do desemprego, só que foi além do esperado... E agora essa política está de facto a dar frutos: mais emprego, com menos salários! E isso acontecendo mesmo dos contratos permanentes. Porque é que, na sua opinião, isto acontece? Não disse! Para Passos, se os salários não crescem, isso deve-se ao facto de o actual Governo... não fazer mais reformas laborais. “O que fazer para termos rendimento a crescer? Era necessário prosseguir reformas”, disse. Mas quais? Não disse!


Modelo de economia: Passos criticou António Costa por ter defendido na oposição uma economia de salários altos, quando na realidade, com Costa no Governo, o emprego apenas tem subido, sem crescimento de salários. “São os baixos salários que estão a sustentar a economia”. Mas fica-se sem se saber se Passos critica mais Costa de falta de coerência ou de defender REALMENTE um modelo de baixos salários, que o deveria encher de contentamento porque essa foi precisamente a finalidade das reformas de 2012 e seguintes: uma desvalorização interna (salarial) e que concretizou, entre outras medidas, através de um corte nas remunerações extraordinárias, no fim de descanso compensatório (transformado em tempo de produção), no fim de feriados e dias de férias (transformados em dias de produção), no corte nas compensações por despedimento e no subsídio de desemprego, na desarticulação da contratação colectiva e na demonização do papel dos sindicatos. Passos deveria, antes, abraçar Costa por estar a trabalhar num objectivo de direita... Mas como tem vistas curtas, não o faz. 

Capacidade reformista. Passos criticou Costa de não fazer reformas na segunda metade da legislatura. Talvez Passos devesse olhar para a sua própria segunda legislatura, quando a partir de 2013 e com o apoio da Troika - borregou tudo o que era suposto fazer. Reforma do Estado? Zero. Reforma da Segurança Social? Promessas para Bruxelas de cortes que nunca disse nem assumiu.

Passos Coelho - e nisso tão-pouco Assunção Cristas - nada disse do que defende. Mais uma vez, conviria que a comunicação social lhes perguntassem como faria se estivessem no Governo. Mas no concreto, que medidas adoptariam.

Passos esbraceja, mas afoga-se a cada dia. Outro - mais competente e envolvente - virá. Como vai o PS responder?»

[João Ramos de Almeida in blog «Ladrões de Bicicletas»]

O maior perigo para a Humanidade é o único país que praticou genocídio com bombas atómicas - foi em Hiroxima e em Nagasáki. É deste país que o Japão e a Coreia do Sul devem ter medo, os cidadãos comuns sim, os corruptos do poder é que não

Os Estados Unidos já praticaram a guerra nuclear, imitando os genocídios nazis de homens, mulheres e crianças de todas as idades, só que com mais rapidez e com mais sofrimento para parte das vítimas.
Este país pode voltar a praticar genocídio com bombas atómicas. O presidente da Repúbica deste país, Donald Trump, do Partido Republicano, já disse que estava disposto a fazer muito pior do que Truman, do Partido Democrata, fez em Hiroxima e em Nagasáqui.
O maior perigo de uma guerra nuclear sempre veio dos Estados Unidos, o único país do planeta Terra que já a praticou. Os corruptos que têm governado o Japão e a Coreia do Sul, acham que quem bombardeou Hiroxima e Nagasáqui com bombas atómicas foi a Coreia do Norte, mas os povos desses países acham que não.

Câmaras de filmar com gravação áudio na via pública


«Autorizada gravação de conversas por câmaras de videovigilância





No Bairro Alto já foi dada autorização para que o sistema de videovigilância faça gravações áudio

A lei permite que em caso de "perigo concreto", sem definir os casos, possa ser captado e gravado som em locais públicos.
O Ministério da Administração Interna (MAI) está a autorizar a captação e gravação de som através dos sistemas de videovigilância operados pela PSP e pela GNR. No Bairro Alto, a polícia já pode fazer estas "escutas" para prevenir crimes, de acordo com o que está publicado na renovação da autorização do respetivo sistema de videovigilância deste ano, ao contrário do que acontecia anteriormente. Na validação de 2014, por oposição da Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD), que desta vez não foi ouvida, tinha ficado excluída a "recolha e gravação" de som neste equipamento. O MAI remete para a lei em vigor e tem o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR). Garante, no entanto, que no Bairro Alto, apesar de a PSP estar autorizada, as câmaras de vídeo em funcionamento não estão a captar ou a gravar os sons. A decisão para escutar as conversas nas ruas cabe à força de segurança e é validada pela tutela, não havendo intervenção judicial (do Ministério Público ou do tribunal) prévia como é exigido no Código de Processo Penal para as interceções telefónicas, incluindo as escutas ambientais.
A lei de videovigilância admite este recurso, quando houver um "perigo concreto para a segurança das pessoas e bens", mas não define os casos, tendo a CNPD por regra não o autorizar. As dúvidas legais, todavia, surgem: "Tem de ser muito bem avaliado se a captação de som traz mais vantagens ou inconvenientes. Deve haver um aproveitamento desses recursos, mas tem sempre de ser visto à luz da proporcionalidade e sempre com controlo da autoridade judiciária. Ou seja, terá sempre de haver uma intervenção judiciária, no mínimo, através do Ministério Público (MP). Estamos perante uma situação em que esta captação e gravação de som em locais públicos, equivalente às chamadas escutas ambientais, podem ser autorizadas apenas administrativamente, uma vez que a decisão cabe apenas à força de segurança. E isso tem os seus riscos", alerta o constitucionalista Jorge Bacelar Gouveia, que também presidiu ao Conselho de Fiscalização das secretas.


No âmbito do processo de revisão da videovigilância, confirmado publicamente pela secretária de Estado da Administração Interna, Isabel Oneto, a PGR foi consultada sobre a "admissibilidade" destas "escutas". No parecer publicado no passado dia 28 de julho em Diário da República, cujo relator foi o procurador Paulo Dá Mesquita, a PGR concorda com a "admissibilidade" do procedimento, embora avise que, quando no raio da captação do equipamento puderem ser abrangidas "casas ou edifícios habitados", será necessária "uma autorização judicial". Isenta o governo de pedir parecer à CNPD, recordando que para a captação de imagens a validação da comissão deixou de ser vinculativa desde 2012.
A CNPD não quis comentar a posição do governo nem da PGR, remetendo para os seus pareceres publicados anteriormente. No Bairro Alto, a CNPD considera que, dada a estrutura das ruas e o local onde estão fixadas as câmaras, é grande a hipóteses de se captarem conversas no interior de habitações e questiona mesmo a gravação de sons num espaço público de diversão sem a fundamentação do "perigo concreto" exigido por lei.
Na recente visita do Papa Francisco, a CNPD abriu uma exceção e autorizou a GNR a captar e gravar o som através das câmaras espalhadas pelo Santuário de Fátima. A ameaça terrorista e a possibilidade de ocorrerem outros crimes graves sustentaram os argumentos policiais. O que não é o caso em todos os locais onde existem estes sistemas, como o Bairro Alto.
Tem sido entendimento desta comissão que a lei fixa uma proibição geral de captação de som, admitindo excecionalmente tal operação no caso de perigo concreto para segurança de pessoas e bens. Todavia, tal exceção está limitada, não podendo ser autorizada sempre que afete, de forma direta e imediata, a intimidade das pessoas, ou resulte na gravação de conversas de natureza privada.
Polícias avaliam a "proporcionalidade"
entre segurança e privacidade

O Ministério da Administração Interna não quis dar informações sobre as alterações que pretende fazer à lei, mas diz que, no caso do Bairro Alto, o despacho de renovação "foi elaborado no âmbito da legislação em vigor, não existindo qualquer relação entre o seu conteúdo e as alterações que, em sede de revisão legislativa, estão a ser executadas". O gabinete de Constança Urbano de Sousa diz que "a alteração visa, tão-só, conformar a autorização ao texto da lei", não devendo "o decisor ir além ou ficar aquém do âmbito que a lei lhe determina". Salienta que, "no caso em concreto, o sistema de videovigilância em funcionamento no Bairro Alto não proceda à captação e gravação de som". Reconhece que a lei "não contém a definição de "perigos concretos" e que "este conceito tem construção de matriz constitucional e legal, conforme pode ler-se no parecer do Conselho Consultivo da PGR". Essa definição, diz a PGR, "depende do juízo da força ou serviço de segurança, sobre a necessidade, adequação e proporcionalidade dessa captação em face dos específicos fins de manutenção e segurança e ordem públicas e prevenção da prática de crimes prosseguidos, bem como dos efeitos colaterais sobre direitos individuais à privacidade e palavra". Para a PGR, as "conversas realizadas em espaço público de utilização comum, a circunstância de se destinarem a um uni- verso restrito de ouvintes unidos por uma expectativa de reserva e sigilo, não determina uma proteção irrestrita contra a suscetibilidade de captação de sons, sendo certo que, em regra, as conversas com relevo para a prevenção de infrações penais e que envolvem perigo concreto para a segurança de pessoas e bens compreendem pactos de silêncio e pretensões de que o seu conhecimento seja reservado aos diretamente envolvidos".» [In «DN» pt]

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Passos Coelho quer o regresso aos cortes nos rendimentos da maioria dos portugueses quer a Troika a arruinar Portugal outra vez, quer as selvajarias que ele praticou baseado na Lei da Selva


«Querias, não era ?

A palavra que sempre falta ...



... e este rapaz 
tem cá um azar !
 
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[In blog «O TEMPO DAS CEREJAS 2»]

A Extrema-Direita estadunidense

"Racistas unidos




«É possível que Donald Trump não seja racista mas é improvável. Ele certamente conta com os votos de racistas. Nos Estados Unidos da América essas contas estão sempre a ser feitas e a política americana não se compreende sem falar de racismo.
É estranho que Trump não se importe de passar por racista. Mais estranho ainda é que ele se recuse a denunciar os nazis. Denunciar os nazis não prova que não se é racista. Apenas prova que se é contra os nazis. Estes podem chamar-se alt right ou suprematistas brancos ou neo-nazis.
Mas o que é que têm de neo? Nada. São nazis e os nazis são sempre, por definição, racistas. Aliás a ideologia do nazismo é notoriamente pobre por ser, para todos os efeitos, 100 por cento racismo.
Sabe-se o que aconteceu com o nazismo. Matou muitos milhões. É por isso que é preciso denunciá-lo, para não encorajá-lo. O racismo é sempre perigosíssimo porque simplifica todo o pensamento. É uma preguiça altamente contagiosa. É o contrário de avaliar cada ideia e cada pessoa uma a uma, conforme os casos e conforme as alturas, os comportamentos e as informações disponíveis.
Se calhar Trump, como pato bravo que é, só vê números. Os números dele dependem de pessoas racistas de raça branca, desde os paternalistas aos nazis, passando por todas as graduações e por todas as subtilezas que o racismo tem. Quanto menos óbvio o racismo mais ele tem de ser pensado.
É banal tentar esconder o racismo através da denúncia dos nazis, os mais racistas de todos. Nem isso Trump fez.»
Miguel Esteves Cardoso" [Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

O nazismo não está só nos partidos nazistas. O nazismo convive connosco no dia a dia. São as pessoas malvadas, que não respeitam as leis, que mostram o prazer de fazer mal como afirmação, que são sádicas, que gostam de fazer mal a terceiros, que sentem prazer em fazer mal, que são desumanas, que têm comportamentos desumanos, em que mostram o desprezo absoluto por terceiros, que são absolutamente insensíveis ao mal que fazem a terceiros.

O filme «A Lista de Schindler», excepto a parte final a cores, é excelente a mostrar o nazismo,  a mostrar a essência do nazismo que é a crueldade, que é a selvajaria, a mostrar a crueldade, a mostrar o prazer de fazer mal. O nazismo é sobretudo isso - o mal absoluto, a ausência de consciência moral humanista, o prazer de fazer mal.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

A Direita e a Extrema-Direita na net, o blog Observador. com saudades da Inquisição ou Santo Ofício

"P." de padre


Hitler resolveu
o problema nas calmas

 Gonçalo Portcarrero de Almada, para quem não saiba, é uma espécie de João César das Neves de batina e distinguiu-se, entre outras bafientas causas, no combate à despenalização da interrupção voluntária da gravidez. Ah, e estejam descansados que eu não o mando para lado nenhum nem lhe proponho qualquer internamento.

Os crimes de guerra são julgados por criminosos e criminosas de guerra

Rapto e prática da escravatura foram Crimes contra a Humanidade cometidos pelos tribunais da NATO, que ficam na Holanda, dirigidos por criminosos de guerra e por criminosas de guerra.

Milosevic foi raptado e comprado no mercado de escravos
pela NATO e pelos tribunais holandeses, chamados de internacionais, que são uma divisão para cometimento de crimes de guerra pela NATO.
Raptores e esclavagistas são os juízes e juízas dos tribunais ditos internacionais da Holanda, também cúmplices da tortura, incluindo tortura até à morte, procedimentos correntes nos países da NATO. 



A política social económica e financeira da Alemanha



«Que caminhos para as finanças públicas da Alemanha, pós-eleições?

Wolfgang Schäuble, ministro das finanças da Alemanha desde 2009, é um dos principais arquitectos da política de austeridade da zona euro.
Mas, se nos habituamos a criticar Schäuble pelo desastre económico que se abateu sobretudo sobre os países da “periferia” (Grécia, Irlanda, Itália, Portugal, Espanha), afigura-se que a política económica de Schäuble é, também, no longo prazo, prejudicial para a Alemanha.
No que respeita à política orçamental da Alemanha, o objectivo do ministro das finanças parece ser o de que as contas públicas sejam permanentemente excedentárias. São-no desde 2014, e próximas de zero desde 2011. O saldo das administrações públicas foi de +0,8% do PIB em 2016, muito ajudado pelo programa de expansão quantitativa do BCE, que contribuiu para a redução da despesa com juros, para níveis historicamente baixos, relativamente ao actual nível de dívida pública da Alemanha.
E é certo que a despesa pública, excluindo juros, tem vindo a crescer a uma taxa robusta (entre 3,2% e 4,5% desde 2013, 4,5% em 2016), com a despesa “social”, que inclui pensões e apoios a refugiados a crescer 4,4% em 2016. As pensões de reforma, que no passado em alguns anos estiveram congeladas, aumentaram a partir de 1 de julho de 2016, 4,25% na Alemanha Ocidental e 5,95% na Alemanha de Leste. Contudo, as receitas também crescem de forma robusta (+4,2% em 2016) e de forma “mais dinâmica” do que o PIB, que cresceu +3,3% em termos nominais no ano passado.
Em Maio, o grupo de trabalho que prevê as receitas fiscais reviu em alta as previsões de receitas fiscais para 2017 e anos seguinte (+7,9 mil milhões de euros em 2017, +16,6 mil milhões de euros em 2021).
Mas já antes desta nova previsão, o governo alemão antecipava que a Alemanha iria registar saldos orçamentais positivos entre 0,25% e 0,5% do PIB até 2021. Ou seja, perspectiva-se uma folga orçamental crescente.
Em parte em consequência, Schäuble está a ser criticado na Alemanha, mesmo pelos conservadores, por querer poupar demais. Adiou uma redução dos impostos para a próxima legislatura: prometeu 15 mil milhões de euros de redução de impostos, o que representaria “apenas” 0,45% do PIB da Alemanha.
Políticos da própria CDU (o partido de Schäuble) acham pouco. Os impostos e contribuições para a segurança social, embora garantindo condições mínimas para todos os cidadãos e bons serviços públicos, são insuficientemente progressivos para os rendimentos mais elevados. Em particular, os rendimentos tributáveis acima de 54 mil euros por ano estão sujeitos à taxa marginal máxima de 42%. E rendimentos acima de 76 mil euros estão isentos de contribuições para as pensões de reforma e seguro de desemprego públicos, o que torna estes sistemas de seguro menos redistributivos (e menos progressivos) do que, por exemplo, os sistemas comparáveis portugueses.
A pensão pública máxima, em teoria, para alguém que contribuiu durante 45 anos, seria de 2742 euros por mês. Mas esse máximo teórico não é pago a nenhum beneficiário. Em média, os pensionistas alemães auferem uma pensão de 1003 e 610 euros, por mês, respectivamente no caso de homem e mulher, sujeitos ainda a impostos sobre os rendimentos, montante que pode ser complementado por um rendimento mínimo garantido, para os rendimentos mais baixos.  Não obstante, a pensão estatal representa um montante insuficiente, por si só, para assegurar um nível de vida condigno para a maior parte dos cidadãos, particularmente se considerado o aumento do preço das rendas das casas, em curso. A pobreza e a desigualdade têm aumentado.
Como já referi num artigo anterior, apesar do crescimento do emprego e da baixa taxa de desemprego, a pressão sobre os salários e sobre os preços de bens e serviços é enorme, o que se deverá certamente, à política orçamental do governo actual, mas também, pelo menos em parte, às reformas do mercado de trabalho introduzidas pelo Governo de Gerhard Schroeder (SPD) em 2003. Por exemplo: o Deutsche Post, procura poupar nos salários, contratando distribuidores dos correios com salários mais baixos; e a banca alemã, ressente-se das consequências de uma União Bancária mal desenhada, em que a burocracia ganhou. É preciso é agradar ao supervisor único e o crédito à actividade produtiva e às pequenas e médias empresas ressente-se.
Ou seja, afigura-se que o principal desafio da política orçamental e económica da Alemanha (e para a União Europeia) é assegurar que o rendimento disponível das famílias, em particular salários e pensões, aumente adequadamente, ou seja, uma reforma com sentido contrário à do Governo Schroeder em 2003. Também se afigura necessário, por um lado tornar o sistema fiscal e de contribuições mais progressivo, reduzindo a carga tributária sobre a classe média, e por outro lado, aumentar o investimento público que está ao nível dos países afectados pela crise.
Não parece que Schäuble vá por aí! Parece sim, mais do mesmo!»

[Ricardo Cabral in «Público» pt]

domingo, 13 de agosto de 2017

A guerra é o programa político do governo da Itália



«Em Órbita Optsat-3000, Statélite Espião “Italiano”


| Roma (Itália)
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Foi lançado ontem, na Guiana francesa, num foguete Vega da Agência Espacial Europeia, o satélite OPTSAT-3000 do Ministério da Defesa italiano, construído em Itália pela Avio. O satélite não é italiano, mas israelita. Foi comprado em 2012, ao abrigo de um acordo de cooperação militar entre Roma e Tel Aviv, segundo o qual a Alenia Aermacchi (empresa Finmeccanica, agora Leonardo) forneceu a Israel 30 aviões militares de treino avançado M-346 e as Indústrias Aeroespacias de Israel viabilizaram à Itália, o OPTSAT-3000 e um primeiro avião G550 CAEW (consulte il manifesto, 31 de Julho de 2012).
O OPTSAT-3000, colocado numa órbita pouco distante da Terra (a 450 km de altitude), não serve para uma “observação genérica da Terra”, mas para fornecer imagens detalhadas de alta resolução de “qualquer parte da Terra” para operações militares em teatros de guerra distantes. As imagens recolhidas pelo Optsat-3000 chegam a três centros de Itália: o Centro Conjunto de Sensoriamento Remoto por Satélite, de Pratica di Mare (Roma), o Centro de Gestão e Controlo SICRAL, de Vigna di Valle (em Roma) e o Centro Espacial de Fucino Telespazio (em L’Aquila).
O OPTSAT-3000 está ligado em simultâneo a um quarto centro: o MBT Divisão Espacial, das Indústrias Aeroespaciais de Israel, em Tel Aviv. Isto confirma que o acordo militar prevê não só a colaboração entre as indústrias militares, mas uma cooperação estratégica cada vez mais estreita entre estes dois países. No quadro do mesmo acordo de 2012, as Indústrias Aeroespaciais de Israel entregaram à Força Aérea Italiana, em Dezembro de 2016, o primeiro de dois aviões L-550 CAEW: são os Gulfstream 550, aviões a jacto de luxo para executivos fabricados nos EUA, que as Indústrias Aeroespaciais de Israel transformaram em aviões de guerra sofisticados. Dotados dos sistemas de radar mais avançados de espionagem e comunicações, adequadas aos padrões da NATO, esses aviões são a ponta de lança de um sistema de comando e controlo para o ataque em teatros de guerra distantes.
Tudo isso custa. O OPTSAT-3000 custou à Itália 182 milhões de dólares, além dos custos consideráveis envolvidos pela colocação em órbita e gestão do satélite, cujo “tempo de vida” é estimado em cerca de sete anos. Os dois aviões CAEW G-550, com centros de comando e controlo, custaram cerca de US $ 800 milhões. No total, mais de um bilião de dólares pagos com dinheiro público. Os biliões de dólares, produto da venda a Israel dos aviões de treino 30 M-346, entram nos cofres do Leonardo SpA, nova razão social da Finmeccanica, na qual o Tesouro detém uma quota de 30%.
Assim, chega o Livro Branco sobre Defesa e Segurança Internacional e de Defesa, assinado pela Ministra Pinotti, e, no passado mês de Fevereiro, transformado em lei que delega ao governo, “a revisão do modelo de funcionamento das Forças Armadas”. Modelo em que a indústria militar assume o papel de "pilar da economia nacional", em que as Forças Armadas têm o dever de defender "os interesses vitais do país", intervindo em áreas que abrangem o Mediterrâneo - Norte de África, Médio Oriente e Balcãs - e , fora dessas áreas, o Afeganistão e todo o mundo em que estejam em jogo os interesses ocidentais representados, principalmente, pela NATO sob o comando americano.
A aquisição de sistemas militares, como o satélite espião OPTSAT-3000 e os aviões G-550 CAEW não deixa dúvidas de que a via traçada, demolindo os pilares constitucionais da República Italiana, é cada vez mais o caminho da guerra.
Fonte
Il Manifesto (Itália)»

[In «Red Voltaire»]

As lutas de classes existem e os detentores e gestore do grande capital financeiro estão a vencer e a enriquecer ainda mais

«Toda uma história da economia política



Realmente, Gillian Tett do Financial Times tem razão: o gráfico acima, retirado de um estudo convencional, é um dos mais impressionantes, ajudando a compreender o contexto da última crise, cujo início faz agora dez anos. Nele podem ver como as fases de “desregulação financeira”, ou seja, de regulação conforme aos interesses da finança, foram acompanhadas, desde o início do século XX até à actualidade, de um aumento dos salários no sector financeiro em relação aos que são pagos no resto da economia dos EUA. Aposto que isto vale para a generalidade das economias financeirizadas, incluindo a nossa: lembrem-se das inacreditáveis justificações para os salários dos Paulos Macedos desta banca, com o sector público a ser contaminado pelas lógicas de um sector privado por reformar. Deve ser por causa da produtividade...

Enfim, o primado de uma regulação consciente dos desmandos da finança de mercado tem sido acompanhada de uma normalização, de uma maior moralização, digamos, dos rendimentos neste sector crucial. Este retrato é ainda mais impressionante quando o juntamos com outro gráfico histórico de alguma forma relacionado: a circulação irrestrita de capitais à escala internacional (a vermelho), a tal mobilidade de capitais indissociável dos períodos de liberalização financeira, é acompanhada por um aumento do número de crises bancárias (a azul); pelo contrário, e como o gráfico abaixo também ilustra, os períodos de menor mobilidade são muito mais tranquilos financeiramente. Reparem, por exemplo, nos chamados trinta gloriosos anos a seguir à Segunda Guerra Mundial. É toda uma história da economia política dos capitalismos realmente existentes.

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[João Rodrigues in blog «Ladrõesde Bicicletas»]

sábado, 12 de agosto de 2017

A Turquia não tem petróleo ou os mídia são divisões de guerra

«País da Nato é outra coisa !

Com a emenda teria sido
manchete nos jornais e
primeiro tema de telejornais


 JN de ontem»

[In blog «O TEMPO DAS CEREJAS 2»]

Alice no Planeta das Maravilhas – blognovela, capítulo II



II

Alice não queria morrer de joelhos, queria morrer deitada.
Fez uma petição para ser executada com uma injecção de veneno. Alice era racionalista e achava muito mais interessante ser executada por um médico e por um enfermeiro e por uma enfermeira do que por um homem de capuz com uma espada na mão. Por outro lado, na terra onde faziam muitos filmes executavam as pessoas com uma injeccção de veneno, acção que, por isso, lhe parecia muito criativa. Adepta da modernidade e das tecnologias de ponta parecia-lhe mais cool ser executada como na terra que lidera estas modernidades, que era a mesma dos filmes.
No corredor da morte, Alice sonhava com uma cama cheia de brancura, que lhe fazia lembrar pisagens lindíssimas de neve, de uma beleza pura e sublime, estilo maca, deitada na qual gostaria de ser executada. Sabia que ser executada com uma espada era muito menos doloroso do que com a injecção de veneno; sabia que a morte pela espada era muito rápida e que a morte com a injecção de veneno demorava muito mais tempo teria uma agonia lenta, seria uma morte lenta. Preferia sacrificar a comodidade de uma morte rápida à modernidade de uma morte lenta.

(Continua)