domingo, 25 de junho de 2017

A NATO apoia o neonazismo na Europa




"A Otan e o neonazismo na Europa


| Roma (Itália)
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Andriy Parubiy recebido por amigos da NATO.
A Ucrânia, de fato já na Otan, quer agora entrar oficialmente na organização. O parlamento de Kíev, votou no dia 8 de junho por maioria (276 contra 25) uma emenda legislativa que torna prioritário esse objetivo.
A sua admissão na Otan não seria um ato formal. A Rússia é acusada pela Otan de ter anexado ilegalmente a Crimeia e de conduzir ações militares contra a Ucrânia. Em consequência, se a Ucrânia entrasse oficialmente na Otan, os demais 29 membros da Aliança, com base no Artigo 5, deveriam “ajudar a parte atacada empreendendo ações julgadas necessárias, inclusive o uso da força armada”. Em outras palavras, deveriam declarar guerra à Rússia.
O mérito de ter introduzido na legislação ucraniana o objetivo de entrar na Otan é do presidente do parlamento Andriy Parubiy. Cofundador em 1991 do Partido nacional-social ucraniano, segundo o modelo do Partido nacional-socialista de Adolf Hitler; chefe das formações paramilitares neonazistas, usadas em 2014 no golpe da Praça Maidan, sob a direção dos EUA e da Otan, e no massacre de Odessa; chefe do Conselho de Defesa e Segurança Nacional que, com o Batalhão Azov e outras unidades neonazistas ataca os civis ucranianos de nacionalidade russa na parte oriental do país e efetua com esquadrões especiais espancamentos de militantes do Partido Comunista, devastando as suas sedes e queimando livros no perfeito estilo nazista, enquanto o mesmo Partido está para ser posto oficialmente na ilegalidade.
Este é Andriy Parubiy que, como presidente do parlamento ucraniano (cargo que lhe foi conferido pelos seus méritos democráticos em abril de 2016), foi recebido em 5 de junho no Palácio Montecitorio pela presidenta da Câmara, Laura Boldrini. “A Itália – sublinhou Boldrini – sempre condenou a ação ilegal realizada há anos em uma parte do território ucraniano”. Assim, ela avalizou a versão da Otan segundo a qual a Rússia teria anexado ilegalmente a Crimeia, ignorando o fato de que a escolha dos russos da Crimeia de separar-se da Ucrânia e reingressar na Rússia foi tomada para impedir de ser atacada, como os russos do Donbass, pelos batalhões neonazistas e as demais forças de Kíev.
O cordial colóquio foi encerrado com a assinatura de um memorando de entendimento que “reforça ulteriormente a cooperação parlamentar entre as duas assembleias, tanto no plano político como no administrativo”. Reforça-se, assim, a cooperação entre a República italiana, nascida da Resistência contra o nazi-fascismo, e um regime que criou na Ucrânia uma situação análoga àquela que levou ao advento do fascismo nos anos 1920 e do nazismo nos anos 1930.
O batalhão Azov, cuja marca nazista é representada pelo emblema decalcado do símbolo das SS do Reich, e incorporado na Guarda nacional, foi transformado em unidade militar regular e promovido ao status de regimento de operações especiais. Foi, assim, dotado de veículos blindados e peças de artilharia. Com outras formações neonazistas transformadas em unidades regulares, é treinado por instrutores estadunidenses da 173ª divisão aerotransportada, trasferidos de Vicenza (Itália) para a Ucrânia, ao lado de outros instrutores da Otan.
A Ucrânia é assim transformada em “berço” do renascido nazismo no coração da Europa. Para Kíev confluem neonazistas de toda a Europa, inclusive da Itália. Depois de treinados e postos à prova em ações militares contra os russos da Ucrânia no Donbass, regressam aos seus países. Doravante, a Otan vai rejuvenescer as fileiras da Gládio.
Tradução
José Reinaldo Carvalho
Editor do site Resistência
Fonte
Il Manifesto (Itália)"

[In «Red Voltaire»]

Políticos ladrões da Direita não vão para a cadeia

«Uma História por fazer


Há uma vantagem no SIRESP, aquele sistema que deveria ter custado no máximo 100 milhões de euros, mas que o Estado aceitou pagar quase 500 milhões, tendo por intermediários aquela fina-flor dos actores mais badalados quanto a fraudes por julgar.

É que, com a sua compra, veio à borla um pacote eficaz de detergente e anulador de maus cheiros cuja patente deveria ser registada.

Apesar de tudo, apesar dos nomes dos personagens que se repetem, das quase evidentes cumplicidades aos mais diversos níveis patentes em todas as coincidências dos processos, apesar da trama que se entretece e que se pressente a emergir naquelas comissões que transitam pelos paraísos fiscais e naqueles financiamentos públicos obscuros a entidades políticas, apesar de tudo isto, o sistema é suficientemente opaco para impedir um Ministério Público de espetar asas no painel da investigação.

Está, pois, por ser feita a História Negra das Privatizações e de todas as Parcerias Público-Privadas.

O interessante de todo este processo de evangelização das virtudes do sector privado, da função espartana do lucro na afectação dos recursos e na supervisão da sua aplicação, da ideia da falta de vocação natural do sector público para exercer funções essenciais para a vida em comunidade, é que todos esses argumentos foram lançados e partilhados por todos aqueles, cujas caras nos vamos habituando a identificar como impróprios. Perversamente, são essas pessoas - tal como uma deficiente gestão dos entes colectivos - que dão a má imagem ao Estado, a qual justificará a jogada seguinte contra o sector público.

Nada, pois, como um sector privado, com uma actividade sem risco, em que o seu empreendorismo reside em montar esquemas - com a parceria necessária de pessoas a ocupar altos cargos políticos - para melhor assaltar o aparelho público ou o OE, financiados essencialmente pela maioria que quase nada tem. Ou seja, conquistar o Estado para, qual vírus, subverter a sua função redistribuidora e transformá-la numa função perversa de redistribuição invertida do rendimento.

Por que não é possível haver uma gestão correcta e eficaz do sector público, em que o valor acrescentado é de todos e não de uma grupo selecto de accionistas?»

[João Ramos de Almeida in blog «Ladrões de Bicicletas»]   

sábado, 24 de junho de 2017

e-mails - é fácil mandar e-mails utilizando a password de qualquer pessoa, desde que se tenha acesso a ela

E-mails - e o futebol português entrou em guerra total de clubes.
Através do cibercrime é possível ter aceesso à password de uma pessoa e mandar e-mails em nome dela.
Através do cibercrime é fácil ter acesso ilegal a e-mails, mas repito, também enviar e-mails em nome de outra pessoa é fácil através do cibercrime, na conta autêntica dessa pessoa.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

A V República da França proíbe a representação proporcional dos eleitores por deputados

Na V República da França a Constituição proíbe que os eleitores sejam representados no Parlamento por deputados, proporcionalmente.

"Se isto não o é, o que é então
um «escrutínio de ladrões» ?




como seria com um método proporcional
 puro em círculo nacional





Não é demais chamar a atenção para que os defensores de sistemas eleitorais maioritários (a uma ou duas voltas) verdadeiramente o que estão a defender é a desigualdade na eficácia de voto entre cidadãos ou, dito de outra maneira, que em termos eleitorais há votos de cidadãos que valem muito mais do que os votos de outros." 

[In blog «O TEMPO DAS CEREJAS 2»]

Os mídia oficiosos do PSD e do CDS, liderados pelo pasquim «Expresso» e pela SIC, são tão militantes da Direita, que até parece que andam a pagar a pirómanos

"O estranhíssimo caso de Sebastião Pereira




«Nos últimos dias, à semelhança de toda a imprensa espanhola, o El Mundo (Espanha) tem publicado inúmeras notícias sobre o incêndio de Pedrógão Grande. Mas ao contrário da generalidade dos jornais, como o El Pais e outros que o têm feito de forma neutra, o El Mundo tem publicado textos, sem excepção, que demonstram uma orientação claramente anti-governamental e que procuram atribuir responsabilidades a António Costa, Ministros e autoridades portuguesas.
Alguns exemplos: “Caos no maior incêndio da história de Portugal: 64 mortos, um avião-fantasma e 27 aldeias evacuadas.”, “gestão desastrosa da tragédia”, "A evidente falta de coordenação entre as autoridades, provocou uma enxurrada de críticas à gestão do desastre por parte do Governo do primeiro-ministro António Costa, e em particular da ministra da Administração Interna, Constança Urbano de Sousa, a menos de quatro meses das eleições legislativas.”
O caso atinge mesmo proporções políticas colossais. Não só é sugerido que o caso pode fazer cair ministros e até todo o governo, sugere ainda que pode mesmo “pôr fim à carreira política de António Costa.” É este o clima que o El Mundo diz que se vive em Portugal.
A torrente de notícias duras e o tom crítico não tardaram a chegar a Portugal, e a imprensa portuguesa, na sua maioria, deu eco às críticas do El Mundo: Sábado, SIC Notícias, Jornal Económico, Observador, Expresso, Correio da Manhã são exemplos de órgãos que foram publicando notícias sobre aquelas notícias. Casos destes são frequentes: recorrer à imprensa internacional para validar posições sobre questões internas; ver o que “o que se anda a dizer de nós lá fora” e, se disserem mal, há quase automaticamente um enorme potencial mediático.
O autor de todos estes textos do El Mundo é sempre o mesmo: Sebastião Pereira. E é justamente aqui que o problema começa. Até ao último Sábado, Sebastião Pereira nunca tinha escrito um único texto no El Mundo ou em qualquer outro órgão de comunicação social português ou espanhol. Uma conclusão que resulta de uma pesquisa em todos os arquivos online. Não há também qualquer registo com o nome de Sebastião Pereira na Comissão da Carteira Profissional de Jornalista (CCPJ), a única instituição que pode habilitar jornalistas portugueses a exercer a profissão em Portugal. Nas redes sociais, nas escolas de jornalismo e entre jornalistas que estiveram no local do incêndio, ninguém sabe ou ouviu falar de tal nome.
Segundo o El Mundo, Sebastião Pereira é um freelancer a actuar em Lisboa, que, no Sábado, se ofereceu directamente ao jornal para fazer a cobertura dos incêndios florestais de Pedrógão Grande, aproveitando para isso o facto de já estar pela zona.
É este o estranhíssimo caso de Sebastião Pereira, o jornalista-fantasma.
Neste momento, e depois de investirmos algumas horas no assunto, podemos afirmar com segurança que o "jornalista português Sebastião Pereira" não existe, logo:
1. Ou Sebastião Pereira não é jornalista e, usando o seu nome próprio ou um pseudónimo, enganou um dos maiores jornais espanhóis e a imprensa portuguesa foi de arrasto num enorme logro.
2. Ou Sebastião Pereira é um jornalista português com carteira (ou carteira de estagiário) que está a usar um pseudónimo para dissimular a sua verdadeira identidade (na consciência, talvez, de que a verdadeira identidade cortaria a corrente mediática que se formou e que deu origem às notícias em Portugal)
3. Ou o El Mundo está a enganar todos os seus leitores e não contratou nenhum jornalista, estando apenas a reproduzir textos de outros órgãos, criando a assinatura de uma personagem fictícia.
Em qualquer das hipóteses, o caso é gravíssimo por várias razões. Desde logo, porque podemos já dizer que grande parte da imprensa portuguesa foi caixa de ressonância de uma notícia que tem, no mínimo, um problema de consistência enorme no plano da autoria. Mas pode ainda ser mais grave, dependendo do que vier a saber-se a partir deste preciso momento.
Entendemos que o El Mundo tem de dar explicações sobre este caso, identificando inequivocamente Sebastião Pereira. Tem de dar explicações urgentes. É nesse sentido que propomos a todos os nossos seguidores que nos ajudem a contactar Paco Rosell (Diretor) e Silvia Roman (Jefa Sección Internacional), para que ambos se pronunciem sobre o que se está a passar.
Apelamos que nos façam chegar todas as informações que considerem úteis.
Regressaremos ao tema logo que se justifique.»"

[In blog «Entre as brumas da memória»]

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Cristiano Ronaldo não gosta de ser tratado como delinquente

«Según la 'Cadena Cope', el portugués le dijo a su técnico por teléfono que quiere irse "porque en España le tratan como un delincuente"» (In «Marca» es)

Não sei o que se passa com Cristiano Ronaldo, mas sei que os mais selváticos criminosos do fascismo espanhol, conhecidos por falangistas, cometeram Crimes Contra a Humanidade iguais aos dos nazis que foram julgados e condenados em Nuremberga. Esses falangistas e os seus selváticos crimes são muito bem aceites pelo actual regime espanhol.

Crítica ao caos florestal


«Como passámos a ter estradas onde corremos o risco de ser incinerados

Não me vou alongar demasiado com a história do desastre da cobertura florestal deste desgraçado país, pois está explicitada no artigo "Os incêndios e a desertificação de Portugal florestal", publicado no PÚBLICO, há cerca de dez anos. Apesar de andar a alertar para as causas dos piroverões anuais que acontecem há cerca de quatro dezenas de anos e como se pode resolver o problema, os governos sucessivos que temos tido, não só nada fizeram, como também têm sido colaboracionistas na florestação mono-específica, contínua e contígua, sem o mínimo de ordenamento e regras.

Sabemos que antes da última glaciação (Würm) a laurisilva [floresta (silva, em latim) sempreverde, com predominância de árvores da família dos loureiros (laurus, em latim)] era a floresta que tínhamos no país. Durante o período glaciar, esta floresta praticamente desapareceu em Portugal Continental (existem apenas algumas espécies reliquiais), teve uma cobertura florestal semelhante à actual taiga que circunda a parte continental norte do globo terrestre, em torno do círculo polar árctico. São disso testemunho as relíquias do pinheiro-de-casquinha (Pinus sylvestris) que ainda se encontram em algumas das zonas montanhosas mais frias do Gerês. Finda essa glaciação, isto é, após o início do período actual, o Holoceno (Antropogénico), com o desaparecimento da laurisilva e da taiga, o respectivo nicho ecológico continental foi ocupado por uma nova floresta na qual predominam árvores da família das Fagáceas (Fagaceae), como carvalhos, a faia e o castanheiro. Designo por fagosilva este tipo de floresta, em consonância com a referida laurisilva. Quando o homem inicia o cultivo de cereais e a domesticação de animais, há cerca de 8-7 mil anos, inicia-se a degradação da fagosilva. Os Descobrimentos e respectiva Expansão provocaram uma tremenda devastação da fagosilva, completada, mais tarde, com a construção da rede de caminho-de-ferro, cujas travessas das vias férreas eram de madeira de carvalho.

Assim, as montanhas, particularmente as da região entre o Douro e o Tejo, foram praticamente desarborizadas. Com as montanhas desarborizadas, a população passou a viver do pastoreio. A pastorícia intensiva também teve grande impacto na destruição da flora portuguesa. Os fogos e a prática das queimadas nas regiões agrícolas e também nas regiões de pastoreio contribuíram e continuam a contribuir para a desertificação das nossas montanhas. A partir de certa altura, essas áreas de mato foram rearborizadas com o pinheiro bravo (Pinus pinaster). Particularmente depois da criação dos Serviços Florestais e da política de arborização do Estado Novo, Portugal passou a ter a maior área de pinhal contínuo da Europa.

As nossas montanhas transformaram-se então num imenso pinhal, outrora cobertas fundamentalmente por carvalhais caducifólios.

O povo que vivera da floresta primitiva (caça, bolota, castanha, etc.), após a destruição desta, passou a viver dos matos (pastorícia), passando, seguidamente, a viver do pinhal, que lhe dava madeira, lenha, resina, plantas para “cama” para o gado, depois adubo para os campos de cultivo e muitos objectos manufacturados artesanalmente, como colheres, garfos e até facas.

A partir de meados do século passado (XX), muitos pinhais foram substituídos por eucaliptais e eucaliptaram-se muitíssimas outras áreas. Os eucaliptos interessam mais às celuloses por serem árvores de crescimento mais rápido do que os pinheiros. Nas últimas décadas incrementaram-se tão desenfreadamente as plantações de eucaliptos que se criou em Portugal a maior área de eucaliptal contínuo da Europa.

Com as montanhas ocupadas por eucaliptais, deu-se o êxodo rural pois, como os eucaliptos são cortados periodicamente de dez em dez anos, o povo não fica dez anos a olhar para as árvores em crescimento sem ter mais nada que fazer. Assim, o povo, além do abandono rural a que foi “forçado”, ficou ainda numa dependência económica monopolista, um risco para o qual não é, nem nunca foi, alertado. Desta maneira, as nossas montanhas passaram a estar cobertas por florestas mono-específicas, com árvores altamente inflamáveis (o pinheiro por ser resinoso e o eucalipto por ter produtos químicos aromáticos, arremessando ramada inflamada à distância, por esses produtos serem voláteis e explosivos). Por isso, designo este tipo de floresta por ignisliva (do latim ignis=fogo e silva=floresta), ou melhor, por sugestão da Prof. Maria de Fátima Silva, hilépiros (do grego hyle=floresta e pyr=fogo) ou xilópiros (do grego xylon=madeira e pyr=fogo). Como estamos habituados ao termo laurisilva, talvez seja melhor adoptar ignisliva para a floresta que agora temos. Mas, como há muito designo por piroverões os Verões que temos tido há umas décadas, talvez prefira o termo xilópiros, pois temos estado a plantar floresta para termos madeira para arder.

Quando a floresta era de pinhal continuo, os Serviços Florestais controlavam-na e não tínhamos Verões com tantos incêndios, nem tão devastadores. A partir da década de 80 do século passado, governos sucessivos resolveram não só acabar com os Serviços Florestais, como também delapidaram toda a técnica (material e humana) existente, assim como todo o património construído (as designadas Casas dos Guardas Florestais). Por outro lado, como já foi referido, deu-se a desumanização do meio rural, além do abandono a que foram votadas as montanhas pela diminuição de técnicos florestais. Sem profissionais florestais habilitados (engenheiros florestais e silvicultores, técnicos e guardas florestais), não só se pinheirou e eucaliptou sem regras, criando-se áreas contínuas e contíguas da dita floresta ígnea.

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Passámos então a ter Verões com incêndios devastadores (os tais piroverões) e risco de transitar em determinadas estradas, ladeadas desse tipo floresta durante muitos quilómetros sucessivos. Há concelhos perigosíssimos, como aqueles aonde agora aconteceu a última desgraça. Assim, quando amigos meus estrangeiros querem visitar Portugal viajando de automóvel, indico-lhes os concelhos por onde não devem transitar (neste devastador incêndio morreu um francês). É só irem ao Google e verem como estão muitas estradas (nacionais e municipais) para se capacitarem de que não só não estou a mentir, como também para se acautelarem. Actualmente, em Portugal, corre-se o risco de ser incinerado numa estrada.

Na minha opinião, enquanto não efectuarem o ordenamento do território, não criarem novamente Serviços Florestais e os apetrecharem tecnicamente e com profissionais habilitados, nunca vamos deixar de ter piroverões. Não é com voluntários que o problema se resolve, mas com profissionais e no terreno TODO O ANO. Podem dizer-me que os Serviços Florestais eram uma estrutura muito “pesada” (onerosa) e que exigia muito pessoal habilitado. Mas, conheço muita estrutura política “pesadíssima” e com pessoal a mais, mas a que nenhum governo conseguiu pôr fim a tal despesismo DESNECESSÁRIO. Bastam alguns exemplos. A Madeira tem uma superfície de 741 km2 e tem 11 câmaras. O Algarve tem uma superfície de 4.997 km2 (mais do que seis vezes a da Madeira) e 16 Câmaras. Portanto, a Madeira deveria ter apenas duas câmaras (seria uma diminuição brutal de pessoal e estruturas). Ainda por cima tem uma Assembleia Legislativa com 47 deputados. A Região Autónoma da Madeira é “pesadíssima” comparada com os Serviços Florestais. Temos imensas freguesias com menos de 5000 habitantes. Que desperdício em pessoal político e burocrático. E argumenta-se que os Serviços Florestais - a única estrutura profissionalizada e habilitada para gerir a floresta e evitar incêndios - teve que ser suprimida por ser muito “pesada”!!!...


É melhor ficarmos por aqui, pois eu, como português que me honro de ser, tenho VERGONHA de viver num país que importa madeira de carvalho para mobiliário, por não replantar a floresta nativa.»

[Jorge Paiva in «Público» pt]

terça-feira, 20 de junho de 2017

Os incêndios como expressão do caos e da austeridade

«Porra de Sísifo




O maior de todos os incêndios na nossa história. Metade da área ardida da UE nos últimos anos. A maior proporção do território dedicada ao eucalipto no mundo. Afinal não há só Eurovisão e futebol em Portugal, afinal não crescemos vinte centímetros.
Mas responder à irresponsabilidade é mais difícil do que chorar a desilusão, como se viu: no tempo de um fósforo, alguma televisão passou a exibir histórias de morte e de pessoas em estado de choque, fazendo delas um espectáculo de voyeurismo, é como se este Portugal quisesse voltar a ser pequenino. Depois, no mesmo fósforo, veio o ajuste de contas político, a falange da direita atira-se ao Presidente, o despeito move montanhas: do CDS, que quer fazer esquecer que Cristas foi ministra da pasta, o tiro vai para os “beijinhos”, enquanto os comentadores da cor desprezam os “abracinhos” e tudo o que for. São fiéis à sua natureza.
Se é verdade que sabemos muito pouco sobre se a resposta à emergência foi adequada nas circunstâncias difíceis, sabemos pela certa que o que desencadeou esta tragédia foi um acontecimento excepcional. O problema é que sabemos também que haverá cada vez mais fenómenos extremos, considerando a montanha russa das alterações climáticas. E sabemos, há décadas que se sabe, que o efeito de tenaz de duas mudanças económicas é devastador: de um lado, a desertificação do interior e o abandono do mundo rural implica que a mata não é limpa, usada e protegida, de outro lado a eucaliptização transforma o interior num barril de pólvora. Para mais, o Estado tem 3% da floresta, na União Europeia tem em média 59% e olhe que são liberais. Não é portanto a meteorologia que nos diferencia de Espanha, Itália ou Grécia: é o factor humano, a floresta não dá votos mas dá lucro.
E aí temos a incúria organizada nesta que será das mais graves faltas de autoridade do Estado. Sempre por austeridade, um governo PS extinguiu o corpo dos guardas florestais; depois, o PSD-CDS, pela mão de Cristas, terminou com os serviços florestais e desmantelou as normas que obrigavam à autorização de novos eucaliptos, até baldios e zonas de regadio foram entusiasticamente prometidas às empresas da celulose, promovendo-se a economia do desastre – mas a ministra anunciava rezar piamente para que chovesse quando a floresta ardia.



Chegado a este ponto, lembro que o desastre do Funchal (foi no ano passado) e uma nova vaga de incêndios (é todos os anos) levou a uma discussão que se parece a papel químico com a que se vai agora iniciando: que não podemos esperar pelo inverno, quando então tudo estará esquecido e já teremos as iluminações de Natal, que é preciso fazer alguma coisa, que há tempo que não se faz nada. Maldito Sísifo.
No fim do verão passado, discutiu-se uma lei que permitisse ao Estado ocupar as terras não tratadas e obrigando-o a ocupar-se delas, dando aos proprietários 15 anos para as reclamarem. Discutiram-se formas de acelerar o cadastro das propriedade rurais, usando mapas militares, georeferenciação e o conhecimento local e agilizando a informação sobre heranças e proprietários. Um ano depois, tudo por decidir. Houve quem se opusesse, as Câmaras Municipais disseram que não têm meios e que há eleições no outono, na esquerda houve quem esgrimisse com a Constituição, tudo em marcha atrás. O governo reuniu em outubro e esperou até em março deste ano para apresentar uma proposta de lei que recua em relação ao que sugerira: em vez de obrigação pública, propõe a criação de empresas financeiras para gerir a floresta abandonada, o que significa a concentração da propriedade. Para mais, oferece novos financiamentos para a investigação nas empresas de celulose, para as compensar de qualquer inconveniente, sem criar qualquer mecanismo concreto para controlar a proibição da extensão do eucalipto. Em vez de gestão pública ou associativa da floresta, convida a raposa para o galinheiro; em vez de arrendamento compulsivo das parcelas abandonadas, aceita a regra da operação financeira.
Maldito Sísifo, nem sequer conseguimos por uma vez voltar ao cimo da montanha para parecer que se fez alguma coisa.
Francisco Louçã»

[Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

O aquecimento global já chegou à Europa e em Portgal provoca altas temperaturas e seca, o que favorece o crescimento dos incêndios

O aquecimento global é já uma evidência em muitos pontos da Terra. Portugal sentiu-o em 2016 e volta a senti-lo em 2017.

É preciso mudar as florestas, é preciso adaptá-las ao aquecimento global que está a aumentar, progressivamente.

O aquecimento global já provoca mortes em Portugal, no meio das florestas.

domingo, 18 de junho de 2017

Os negócios macabros do caos florestal


«[…] Isto é a primeira coisa que deve ser dita, de forma geral e abstracta. Dito isto, há um segundo aspecto, aquele que é mais importante — é que qualquer calamidade natural (mesmo com origem artificial) desenvolve-se numa paisagem e numa ecologia que é quase toda construída pelos homens, moldada por actividades humanas, seja do domínio da agricultura, da indústria, da energia, do espaço habitável, das construções, etc. E aqui já as calamidades não são puramente naturais, mas sim ajudadas ou desajudadas pelo modo como manipulamos o espaço natural em que vivemos. No caso português quase cem por cento do território como ele existe hoje é obra humana. Talvez escapem umas ilhas e pequenas partes de vales profundos, mas o que define com muita certeza, aquilo que pega fogo com facilidade, aquilo que propaga o fogo, aquilo que se inunda numa cheia, aquilo que cai ou aguenta num terramoto, os espaços mais seguros ou os muito inseguros, e, num sentido mais lato, a preparação de cada um, na medida das suas possibilidades para saber fugir, saber para onde não deve ir, conhecer a ecologia onde está ou onde desenvolve a sua vida, é obra humana. Dito de outra maneira, na maioria das calamidades (não todas) é a natureza artificial que conta, porque há muito que a natureza natural, perdoe-se o pleonasmo, já não existe. E se é obra humana, artificial, remete para uma cadeia de responsabilidades de todo o tipo. Umas são individuais, outras são colectivas, umas são privadas, outras estatais, e no seu conjunto é na hierarquia dessas responsabilidades que se pode encontrar irresponsabilidades e culpas. Por isso mesmo, há sempre responsabilidades a pedir, conforme o que aconteceu num determinado evento, numa calamidade. Sempre. Nós mexemos com a coisa, nós desequilibramos a coisa, umas vezes a nosso favor, outras vezes estragando-a e agravando os nossos riscos. E a Lei de Murphy diz-nos com clareza que é até um dia, e um dia acontece.

O que é mais grave nesta questão dos fogos é que há muito tempo que depois de cada fogo, em particular os que levam vidas humanas, há uma discussão recorrente, e um eflúvio legislativo, sobre o que é preciso fazer para alterar as características da floresta portuguesa, e as medidas de prevenção necessárias, o aumento de penas para os incendiários, com bastante unanimidade de técnicos e especialistas e autarcas e políticos nacionais e membros do governo. E, no entanto, fogo a fogo, muito pouco se faz, ou pelo menos o que se faz parece estar longe de resolver, quanto mais minimizar o problema.

Por isso, estamos diante de um exemplo notável da impotência do poder político, que junta vários aspectos muito reveladores daquilo que é o nosso statu quo pantanoso em muitas matérias. Há lobbies poderosos na área dos incêndios, dos madeireiros às grandes empresas de celulose, aos bombeiros e toda a panóplia de negócios à volta do fogo, uma das áreas em que se conhecem casos concretos de corrupção, nepotismo e tráfico de influências. Não são segredo para ninguém.

Motivada por interesses ou pela inércia, há uma enorme falta de autoridade do Estado, do governo central às autarquias, às forças policiais (esquecemo-nos muitas vezes que uma parte muito significativa do país não tem qualquer espécie policiamento, seja pela PSP, seja pela GNR). Não preciso de ir muito longe do sítio onde estou a escrever para encontrar terrenos abandonados ao mato, à espera de arder, ou de ouvir foguetes em tudo quanto é festa. Para tudo isto há legislação, mas ninguém verdadeiramente quer saber e todos fecham os olhos com a mesma força com que são capazes de ir à procura de culpados quando as coisas correm mal.

Também todos sabemos das mudanças estruturais na agricultura, na pecuária, na exploração de matos e florestas. Está tudo mais que escrito, mas como não há nenhum Serviço Nacional de Camas de Gado, o tojo continua por apanhar e, como dizia uma senhora retirada dos recentes incêndios, como é que se pode esperar que quem tem uma reforma que não chega aos 300 euros possa pagar a limpeza dos seus terrenos. O nosso problema é também o da pobreza nos campos, associado ao fim da agricultura como a conhecemos, que já não sustenta uma população rural considerável.

São processos inelutáveis? São. Mas pode-se partir daí para fazer mais, nem sequer novas leis, uma praga portuguesa, mas aplicar as leis que já existem e são flagrantemente ignoradas. Não resolve tudo, mas ajuda.»

[Pacheco Pereira in «Público» pt]

Contra o caos florestal


«“Estás a ver no que dá terem acabado com os Serviços Florestais?”

18 de Junho de 2017, 17:06 Partilhar notícia

Nos momentos em que escrevo estas linhas está a desenrolar-se uma das maiores tragédias florestais em Portugal, senão mesmo a maior. E estas notas não terão a ver directamente com o caos dos incêndios que nesta altura atacam o centro do nosso país mas têm indirectamente. E a resposta está no telefonema que me foi feito, a meio da manhã, pelo Prof. Jorge Paiva da Universidade de Coimbra, que me dizia desesperado: “Estás a ver no que dá terem acabado com os Serviços Florestais?”


Numa primeira abordagem, esta tragédia de hoje deveu-se a um conjunto de situações atmosféricas que seriam imprevisíveis, e sobretudo porque, ao acontecerem perto da noite, inviabilizaram a intervenção dos meios aéreos de combate aos incêndios.

Mas alguém garante que na grande extensão e propagação do fogo não estavam como causa também as más condições de limpeza das matas? Alguém garante que não foi o barril de pólvora que está contido nas falta de limpeza do sub-bosque das matas? O Comandante Jaime Soares em poucas palavras, numa entrevista a Victor Gonçalves da RTP, disse o que muitos de nós andamos a dizer há décadas: a montante destas tragédias está a falta de uma politica florestal correcta, de ordenamento, limpeza e vigilância das matas.

Chamemos as coisas pelos seus nomes: foi num Governo PS que foi extinto o Corpo de Guardas Florestais que existia nos Serviços Florestais e os seus efectivos foram integrados na GNR. Erro crasso, naquela perspectiva neo-liberal de “menos Estado para melhor Estado”.

Está-se mesmo a ver, não está ?

Os guardas florestais não eram polícias, eram actores fundamentais da vigilância das matas, integrados numa cadeia de comando especializada que ia dos velhos Mestres Florestais aos Administradores Florestais e ate aos Chefes de Circunscrição. Eles não têm que ser comandados por sargentos ou tenentes. têm de ser comandados por quem sabe dos problemas das florestas,

Depois desta asneira socialista, o Governo PSD/CDS pela mão do sábio e secretário de Estado do queijo limiano, e perante a apatia da ministra do CDS e dos sociais-democratas (que tinham obrigação, pelo seu historial , de serem mais competentes em matéria ambiental) acabou de vez com os serviços florestais e integrou-os no Instituto da Conservação da Natureza. Cereja em cima do bolo da asneira!!

É preciso ter bom senso e acabar de vez com esta situação anómala de sermos talvez o único país do mundo com tanta área florestal e não termos Serviços Florestais nem um Corpo de Guardas Florestais.

Perdeu-se a grande sabedoria do velhos Mestres Florestais, senhores das serras e das matas que eles conheciam como as suas próprias mãos; mas ainda há na GNR umas centenas de antigos guardas florestais que podem ser o embrião de um novo corpo especializado.

Tenham vergonha de dar a mão a palmatória e façam aquilo que desfizeram, reponham os Serviços Florestais no Ministério da Agricultura e Florestas (chamem-lhe Instituto, chamem-lhe o que quiserem), com a dignidade que eles nunca deviam ter perdido, reponham a funcionar a quadrícula de casas e postos florestais que são quem pode assegurar a vigilância permanente das serras do país, dêem a esses postos as novas tecnologias e os novos meios de comunicação e dêem de novo aos guardas florestais a capacidade legal de continuarem a vigiar as matas, de obrigarem os proprietários a limpar e a ordenar as matas.

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Também acabaram com os guarda-rios e nunca mais as margens e leitos da maior parte das ribeiras foram limpas, como eram quando esses agentes obrigavam os proprietários marginais das linhas de água a limparem as margens dos seus terrenos.

A terrível tragédia que nos aflige, que ao menos sirva de aviso para o que pode acontecer este Verão, com tanta área de pastos secos debaixo de temperaturas cada vez mais quentes, já que ninguém liga aos avisos dos cientistas, portugueses e internacionais, sobre as alterações climáticas graves que estão em curso e que afectarão muito em especial o Mediterrâneo e a nossa Península. Lá que o Trump não acredite nisso é lamentável mas para quem é poucochinho não se pode exigir mais. Mas a governos responsáveis temos de exigir muito mais.


A minha voz não tem peso político nem público, mas tem a experiência de muitos anos embrenhados nestes problemas. Outras vozes com maior ressonância certamente me darão razão.»

[Fernando Santos Pessoa in «Público» pt]

Eleições parlamentares na França - 2ª volta

[In «Le Monde»]

Macron consegue maioria absoluta no Parlamento. A abstenção é estimada em 56%.