sábado, 31 de dezembro de 2011

SECTORES DA ESQUERDA PORTUGUESA, DITA «ESQUERDA CAVIAR», ACHAM QUE PORTUGAL É RICO, PORQUE ESTÁ CHEIO DE POÇOS DE PETRÓLEO

Alguns destes elementos sim são ricos, pertencem a estratos abastados da sociedade portuguesa, pertencem à chamada classe média alta. Que façam bom proveito da sua riqueza pessoal.

No entanto são contra o facto de Portugal, um país falido, recorrer àquilo que tem, que é a capacidade de produzir energia hídrica, de construir barragens, para poupar dinheiro na compra de petróleo, esquecem-se que Portugal gasta o que tem e o que não tem para importar petróleo.

É muito bom olhar para Portugal por trás do pedantismo abastado, não é nada fácil ser rico em Portugal, em 2011.

Mas parte da «esquerda caviar» e alguns ecologistas fundamentalistas, querem colocar Portugal na Idade da Pedra, e a gastar fortunas em petróleo. Essas fortunas que Portugal gasta em petróleo, fazem com que muitos portugueses já passem fome.

DESPORTO: OS CAMPEÕES MUNDIAIS DA SELVAJARIA HUMANA PERTENCEM À NATO








Dois dos jogos mais importantes destes países ocorreram em Auschwitz e Hiroxima.

Os gregos inventaram o conceito DEMOCRACIA (governo do povo) mas não inventaram a Democracia, o que havia em Atenas no século V a.C. era um regime chamado «Democracia», mas era semelhante ao apartheid que vigorou na África do Sul e nos Estados Unidos (cerca de um século), ou pior ainda pois praticava a escravatura.

O conceito actual de Democracia foi inventado pelos iluministas franceses do século XVIII, entre os quais se destacou Jean-Jacques Rousseau, que escreveu, em plena ditadura (absolutista) monárquica, que «todos os homens nascem livres e iguais em direitos». E que o governo devia ser escolhido pelos cidadãos em eleições livres e que devia haver Liberdade de expressão do pensamento. E ainda que a monarquia era contra o princípio da igualdade, e por isso devia ser substituída por uma República. Também se destacou Montesquieu ao defender a separação clara entre os 3 poderes do Estado: legislativo, executivo e judicial.

Os iluministas só se esqueceram das mulheres, mas ao defenderam a Liberdade, criaram as condições, para que elas, aproveitando a Liberdade lutassem pelos seus direitos e vencessem.

Foi das ideias de Rousseau que nasceu a ideia de pôr fim à escravatura e à Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, que por sua vez deu origem à actual Declaração Universal dos Direitos do Homem.

As ideias dos iluministas foram tão profundas que deram origem à Revolução Francesa de 1789, que deu início a uma nova Idade na evolução da Humanidade, que é a Idade Contemporânea na qual, actualmente, estamos.

Ora os iluministas criaram a ligação imprescindível entre Democracia e Direitos Humanos.


Os neoconservadores ao chegarem ao poder com G W Bush, nos Estados Unidos, separaram os conceitos Democracia e Direitos Humanos ao teorizarem e aplicarem os conceitos, que deram origem à criação do Campo de Tortura de Guantánamo, que em 2011, continuou a laborar com Barack Obama, baseado no aparelho conceptual neoconservador.





Ao desrespeitar a norma de Montesquieu de separação dos 3 poderes do estado (legislativo, judicial e executivo), ao pôr o poder executivo a ignorar os outros dois, no caso da condenação e execução de Bin Laden, Barack Obama recuou às práticas do absolutismo monárquico, anterior à vitória das ideias iluministas, colocando-se, o presidente dos Estados Unidos BaracK Obama, exactamente ao mesmo nível de Bin Laden, mostrou ser, eticamente, igual a ele.

O caso da conquista colonial da Líbia pela NATO, renegou todas as leis internacionais relativas à soberania dos Estados, utilizando o aparelho conceptual do nazismo sobre a soberania dos Estados que foi condenado pelos Julgamentos de Nuremberga.



É um bocado doloroso constatar, que em 2011 a NATO se rege pela cartilha do nazismo, relativamente à soberania dos Estados, aos Direitos Humanos, à arrogância da exibição do poder, e à prática de fazer o que lhe apetece, só porque tem poderosíssimos meios de destruição e conquista. Não é por acaso que o Campo de Tortura de Guantánamo é o emblema da arrogância da NATO, para aterrorizar todo o Mundo.
 Não foi por acaso que Barack Obama e Hillary Cinton, acusaram, julgaram e mandaram torturar e executar Kaddafi, foi para mandarem uma mensagem ao presidente do Irão, a Hugo Chávez e a Raul Castro, este o chefe de Estado que melhor condenou e fundamentou o comportamento criminoso da NATO.
Esta deriva para a cartilha neoconservadora e para a cartilha hitleriana da NATO foi acompanhada pela transformação da maioria esmagadora dos e das jornalistas europeus e norte-americanos em criminosos mafiosos, não só pela CENSURA RADICAL das imagens das chacinas de civis, incluindo mulheres e crianças, pela blitzkrieg da NATO em Trípoli, como na “transformação” de um pequeno bando de ladrões, raptores, torturadores e assassinos em “exército de libertação da Líbia”. Isto é tão ridículo que se não fosse a blitzkrieg da NATO na Líbia, através de uma invasão aérea, naval e terrestre, este "exército de libertação da Líbia" tinha sido pura e simplesmente aniquilado pelas forças armadas da Líbia soberana (antes de se ter tornado uma colónia da NATO).






sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

DESPREZO PELA LÍNGUA PORTUGUESA NA BLOGOSFERA PORTUGUESA


Uma das constatações chocantes nos blogs é que a língua portuguesa é muito mais respeitada no Brasil do que em Portugal.

A língua portuguesa é a terceira língua europeia mais falada no Mundo,

 estando em 1º lugar, nas línguas europeias, a língua inglesa e em 2º lugar a língua castelhana.

A língua portuguesa é muito mais falada no Mundo do que as duas línguas do directório da União Europeia, que são o alemão e o francês.

Na blogosfera portuguesa pegou moda nos blogs escrever em inglês, também em alguns blogs de Esquerda, nomeadamente na chamada «esquerda caviar».

 «Segundo a última edição do livro “The Ethnologue: languages of the world”, o número de línguas faladas no mundo é de 6912. Confira as dez primeiras línguas mais faladas no mundo e o respectivo número de pessoas.

1º. 
Mandarim - 1051 milhões - China, Malásia e Taiwan.

2º. 
Hindi - 565 milhões - Índia, regiões norte e central.

3º. 
Inglês - 545 milhões - EUA, Reino Unido, Partes da Oceania.

4º. 
Espanhol - 450 milhões - Espanha e Américas.

5º. 
Árabe - 246 milhões - Oriente Médio, Arábia, África do Norte.

6º.
 Português - 218 milhões - Brasil, Portugal, Angola.

7º. 
Bengalês - 171 milhões - Bangladesh, Nordeste da Índia.

8º. 
Russo - 145 milhões - Rússia e Ásia Central.

9º. 
Francês - 130 milhões - França, Canadá, Oeste e Centro da África.

10º. 
Japonês - 127 milhões - Japão.»

Estes dados sobre a língua portuguesa são muito incompletos, omitem Moçambique, a Guiné-Bissau, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe e ainda Timor Leste.

CONSELHEIRA DE ÂNGELA MERKEL ADMITE, PUBLICAMENTE, O FIM DA MOEDA EURO


    
Numa entrevista ao tablóide mais lido na Alemanha, o "Bild",  uma conselheira de Ângela Merkel disse que a sobrevivência do euro exige, entre outros, o compromisso dos países mais endividados de que vão submeter-se ao que chama de "regra de insolvência": a redução da dívida terá de ser o elemento central das respectivas políticas no "longo prazo".
Beatrice Weder di Mauro, economista suíça de 36 anos, é membro do Conselho de Especialistas económicos do Governo alemão.

Em entrevista, ontem ao “Bild”,
disse que o fim do euro seria um desfecho “mau para todos”, mas que isso não é suficiente para o afastar.

Admitiu o eventual fim da moeda euro no ano de 2012. 






MUDANÇAS PROFUNDAS NO SINAL DE TELEVISÃO EM PORTUGAL COM A NOVA TECNOLOGIA TDT


O sinal analógico de televisão vai terminar em Portugal e será substituído pela Televisão Digital Terrestre (TDT).

O apagão do sinal analógico começa a 12 de Janeiro de 2012, em quase toda a faixa litoral, e a 26 de Abril de 2012, atinge todo o território de Portugal.



 Muitos portugueses que não têm televisão por cabo e adquiriram o seu televisor antes de 2009 terão de pagar um aparelho descodificador. São 77 euros mais IVA, com reembolso de 22 euros pela PT para os pensionistas com menores rendimentos e outras pessoas mais desfavorecidas. É preciso um televisor com tomada SCART ou HDMI.

Poucos serão os televisores sem tomada SCART, porque é uma tecnologia já muito antiga.

 Se alguém tiver um televisor sem tomada SCART ou HDMI tem de comprar um modulador de sinal RF, o qual não é comparticipado. Ou então tem de comprar um televisor novo.

Mas há uma grande falha na operação TDT,  porque o novo sinal TDT não atinge cerca de 13% da população. Neste aspecto há um retrocesso.

 A alternativa disponibilizada para estes cerca de 13% dos portugueses, implica a colocação de uma antena parabólica, porque os espaços onde não chega o sinal TDT tradicional só terão o sinal TDT via satélite.

É evidente a melhoria da qualidade da imagem e do som com a tecnologia TDT, muito superior à tecnologia analógica.

Sendo a televisão a distracção mais comum em Portugal, porque praticamente toda a população tem televisão em casa, o problema é que esta melhoria tecnológica exige despesas a pessoas com rendimentos muito baixos, nomeadamente alguns pensionistas e desempregados.

Parece injusto que não sejam disponibilizados os canais da estatal RTP que só são emitidos por cabo, visto que toda a população paga na conta da electricidade uma taxa para a RTP (e para rádio estatal, a RDP)


A Espanha tem 48 canais na TDT, a Estónia tem 44, a Alemanha 53 e a Itália 70 canais.

Portugal será o país europeu com o menor número de canais na plataforma TDT.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O CEPTICISMO DOS NÚMEROS ANALISADO PELO ECONOMISTA JOÃO FERREIRA DO AMARAL




«Quanto a Portugal, assegura, nunca teve alguma «década tão má» como a começada com a introdução das notas e moedas de euro em 2002, «pelo menos desde a II guerra mundial».
Para Ferreira do Amaral, Portugal «já está» numa situação «pior que há dez anos»: «Não só pior em termos de rendimento ‘per capita’ como pior nas desigualdades, pior em termos de estrutura produtiva».
O economista sugere assim que Portugal deveria abandonar a moeda única.
«A manutenção na zona euro vai implicar estarmos décadas a viver à custa de empréstimos fornecidos pela União. Décadas. Porque não temos condições de crescimento nenhumas, e o nosso aparelho produtivo continuará talvez anda mais ineficiente que agora», afirma Ferreira do Amaral. «Portanto, de uma ou duas décadas de ajuda ninguém nos tira, numa situação dessas. Penso que isso é insustentável, mesmo do ponto de vista político».
O professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG) não considera que os atuais problemas se devam a erros políticos tanto como ao «fracasso» do projecto europeu: «Um bom projecto é o que resiste a erros de política económica. Não me parece, com toda a franqueza, que tenha havido erros monstruosos de política económica» na zona euro.
«A nossa questão orçamental é apontada como um grande desregramento, mas não é verdade, tivemos maior desregramento antes de entrar na zona euro», continua Ferreira do Amaral, para quem se o problema fosse o despesismo dos governos «teríamos um défice muito maior, porque as receitas cresceram pouco, e a actividade [económica] cresceu pouco».
Para Ferreira do Amaral, a «transferência de recursos de sectores de bens transaccionáveis para bens não transaccionáveis” é resultado de Portugal fazer parte de um espaço com uma “moeda forte».
«O aparelho produtivo reorientou-se para sectores protegidos da concorrência externa, porque a moeda é forte e não fazia sentido concorrer com produtos importados», argumenta. «Isso não foi um erro de política económica, o erro foi aderir a essa zona [de moeda forte]».
Ferreira do Amaral também critica a União Europeia por se ter «aberto sem condições» ao comércio mundial: «A liberdade do comércio é boa em termos gerais», mas teria sido preferível «uma gradual liberalização».
(In jornal «Sol»)



«A última década foi a pior de que há memória para a economia portuguesa e o mau desempenho deve-se mais às restrições causadas pela união monetária do que a erros políticos, diz o economista João Ferreira de Amaral» (In jornal «Publico» on-line)


«Nunca tivemos uma década tão má como a do euro, diz João Ferreira do Amaral (JFA). A medíocre performance económica, sem precedentes, foi responsável pela triplicação do desemprego, mesmo antes da austeridade em força. É a vida fácil, de que fala Cavaco. Adicionem a inserção dependente, fomentada por uma moeda forte e pela abertura irrestrita aos fluxos financeiros, e temos um padrão que muitos países do Sul global já conheceram. Sem uma reconfiguração profunda da moeda única, e admitindo a sua sobrevivência, a próxima década, de ajustamente estrutural ditado por Bruxelas-Frankfurt, será ainda pior. JFA foi dos poucos economistas académicos portugueses que, na década de noventa, escreveu sobre a forma como o neoliberalismo inspirou, em Maastricht, o desenho da UEM. Uma UEM forjada para destruir o Estado social e o mundo do trabalho organizado, fazendo do salário directo e indirecto a variável de ajustamento. Estou a pensar, por exemplo, num artigo que reli recentemente, publicado num número da Notas Económicas de 1998, e cujo título exprime bem o que hoje está em causa -"Maastricht: um Tratado contra o Modelo Social Europeu".

Durante vários anos, alguma literatura de economia política comparada, que poderá ter influenciado a complacência social-democrata na Península, afirmou que o euro seria compatível com modernização social e com convergência económica do Sul. A modernização do sistema fiscal, ainda que incompleta, ou a queda das taxas de juro foram alguns dos mecanismos que evitaram a desvalorização social e salarial aberta, assim retirando força à tese de JFA, mesmo que se tenham confirmado, em Portugal, os problemas económicos então previstos. Na realidade, a neoliberalização da economia, com alguma incrustração social legitimadora, que até correspondia num PS sob hegemonia social-liberal à divisão de tarefas intelectuais e políticas entre economistas e sociólogos ortodoxos, à divisão entre as finanças e a solidariedade social, revelar-se-ia cada vez mais insustentável, o produto de uma separação artificial cada dia mais frágil, destinada a ser destruída pela inserção dependente gerada. A natureza de um arranjo monetário revela-se totalmente em alturas de uma crise à qual não é alheia, nas respostas de política pública que permite ou não. Hoje é claro que sem alterações na moeda única, as respostas só podem ser retintamente anti-keynesianas, retintamente neoliberais, o que significa a destruição do Estado social. É por isso que estamos obrigados, à esquerda, a fazer política com p grande, aquela que trabalha na reforma das estruturas, sem separações artificiais entre economia e sociedade. As nossas armas, a partir da periferia, são, paradoxalmente, financeiras.» (In blog «Ladrões de Bicicletas»)

A CRISE DA ZONA EURO E SARKOZY

Não é possível salvar o euro sem mudar as leis do euro. O Banco Central Europeu tem que ser semelhante à Reserva Federal dos EUA, em tudo.

Sem democratizar a União Europeia, acabando com o directório Merkel + meio Sarkozy a moeda euro não vai longe.  Não é possível salvar a moeda euro destruindo a economia, a independência dos países mais pequenos e as democracias nacionais. Não se pode sacrificar tudo em nome da moeda euro. Somente com a reconstrução do BCE e das outras instituições da União Europeia é possível sair do caminho recessivo sintetizado em: vamos baixar os défices, vamos baixar os défices, o desenvolvimento económico e social que se lixe.

«A democratização da economia, a vertente económica da democracia, exige a subordinação do poder económico ao poder político, a propriedade pública de sectores básicos e estratégicos, a participação dos trabalhadores no processo de gestão das empresas de propriedade pública e uma maior igualdade económica entre os cidadãos. É o contrário de tudo isto que o Governo de Portugal tem feito e projecta vir a aprofundar. É notória a crescente subordinação do poder político ao poder económico e financeiro nacional e internacional, bem como aos ditames da troika externa que democraticamente não respondem perante o povo.»

Há uma importante esperança, que é a possibilidade de Sarkozy perder as eleições presidenciais de 2012, na França.

Há uma importante esperança: Sarkozy fora.



quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A CANALHICE HUMANA DOS COMENTADORES "INDEPENDENTES" E DOS "TECNOCRATAS "- DOIS EM UM

«Na qualidade de Presidente do ISEG, Presidente do Grupo de Trabalho para a definição do conceito de serviço público de comunicação social e/ou comentador político João Duque desdobrou-se, há pouco mais de um mês, em declarações bombásticas sobre a RTP – sobre serviço público de comunicação social o relatório é mais do que escasso. Mas o economista não se limitou a defender que a RTP deixasse a publicidade para os canais privados. Afirmou que a actual informação da RTP estaria manipulada tecendo inúmeras considerações sobre os seus trabalhadores ou que a RTP África e Internacional deviam ser instrumentos de propaganda do poder vigente num argumentário fascistas que o Daniel Oliveira bem caracteriza. Os holofotes tilintavam e Duque inchava com a sua sabedoria. Mas eis que chega o pedido da Assembleia Regional da Região Autónoma dos Açores para que esclarecesse as seguintes e repetitivas passagens do douto relatório sobre a RTP Açores:

22. Sobre a RTP Açores e RTP Madeira, consideramos que a sua missão histórica está terminada. Dado que existe, também nas Regiões Autónomas, a tendência do poder político para tornar cativos os canais, recomendamos que se apliquem as mesmas recomendações atrás feitas relativas aos canais nacionais

(…)

65. Sobre a RTP Açores e a RTP Madeira, consideramos que os mesmos cumpriram a sua missão histórica de afirmação das autonomias e de ligação entre si e ao Continente. Todavia, consideramos que essa missão está terminada nos termos até agora seguidos. Dado que existe, também nas Regiões Autónomas, a mesma tendência do poder político para tornar cativos os canais, consideramos que devem aplicar-se-lhes as mesmas recomendações atrás feitas relativas aos canais nacionais.

Perante a escassa e enfática repetição do fim da “missão histórica” e de “cativação” política da televisão regional dos Açores, o órgão de soberania correspondente achou que devia ouvir o Professor/Doutor/Comentador que presidiu ao Grupo de Trabalho. Atarefado entre Carnaxide, Queluz de Baixo e Cabo Ruivo, numa primeira fase, o professor mandou dizer que o o seu trabalho havia terminado com a publicação do relatório para, mais tarde, responder com inesperada humildade que pouco sabia de comunicação social e que apenas tinha sido nomeado para o grupo de trabalho para fazer as contas e marcar as reuniões.
Em resposta à Assembleia Regional, Duque justifica deste modo o declinar do convite:

Salvo melhor opinião, entendo que a prestação de declarações ou esclarecimentos enquanto primeiro subscritor e ex-coordenador do referido Grupo de Trabalho não terá o mérito de esclarecer sobre quaisquer questões substantivas ou materiais no âmbito do trabalho desenvolvido pelo Grupo de Trabalho dado que, como é publicamente conhecido, a minha maior intervenção neste Grupo de Trabalho se processou apenas pela sua coordenação administrativa e pela vertente económica que alguns dos temas envolvem.

Mais adiante, sugere:


(…) parece-me que a Comissão Parlamentar a que Vossa Excelência preside ficaria melhor esclarecida sobre qualquer tema ou assunto relativo ao Grupo de Trabalho para a definição do conceito e serviço público de comunicação social se procedesse à audição de outras individualidades com reconhecido mérito científico na área da comunicação social e também componentes do Grupo de Trabalho que, ao contrário de mim, com formação exclusiva na área económica, têm formação científica específica na área.

Na verdade, Duque teme sair da sua zona de conforto. Ontem à noite era vê-lo tilintar banalidades de circunstância, na qualidade de Comentador SIC/Presidente do ISEG, sobre a futura lei do arrendamento. Sem contraditório, sempre.» (In blog «5 dias»)

DA COREIA DO NORTE AOS CRIMES CONTRA A HUMANIDADE DAS DEMOCRACIAS



Temos tido uma «overdose» sobre a ditadura da Coreia do Norte, a propósito da morte natural do respectivo presidente da República.

No entanto há um debate, que não se faz, sobre as selvajarias praticadas, por políticos eleitos em eleições livres.

Convém, já agora, não esquecer, que Hitler ganhou as eleições livres, promovidas pela chamada República Alemã de Weimar.

Mas o que interessa aqui são os crimes dos políticos eleitos em eleições livres, que conservam a democracia formal.

1)      George W Bush cometeu crimes selváticos no Iraque, matanças variadíssimas, torturas variadíssimas, incluindo tortura até à morte.

2)      G W Bush criou em Guantánamo um CAMPO DE TORTURA para exibir ao Mundo, para intimidar.

3)      G W Bush criou uma rede de campos de tortura associados a Guantánamo e teve a calorosa colaboração da França, da Alemanha (com um curriculum invejável no domínio dos “Direitos Humanos”) e de todos os outros países da NATO, da Polónia a Portugal, passando pela Noruega dos prémios Nobel da “Paz” e por Kaddafi.

4)      Barack Obama mentiu que se fartou na campanha eleitoral e chegado à cadeira do poder passou a ser um G W Bush II, exibindo Guantánamo e a sua rede.

5)      A última orgia de CRIMES CONTRA A HUMANIDADE da NATO foi em Trípoli. Chacinou civis com bombas de fósforo, que são proibidas pela ONU. Os governadores da Líbia colonial não são em nada melhores que Kaddafi, um ex-aliado dos EUA contra a Al Quaeda, digamos que  esta era um inimigo comum.



A selvajaria com que os sul-coreanos festejam a morte natural de um homem, mostra que a condição humana é em grande parte canalhice pura.

E depois vamos à CENSURA – na civilização Ocidental a CENSURA é total relativamente aos CRIMES CONTRA A HUMANIDADE da organização TERRORISTA NATO, esta coligação de matadores e torturadores é terrorista, pois é especializada em ATERRORIZAR todos os países do Mundo, excepto os países que têm bombas atómicas.

Voltando à Coreia, porque não dizem as televisões que os EUA invadiram a Coreia do Norte, donde foram corridos, com pesadíssimas baixas, pelo exército da China e pela força aérea da Rússia, então incluída na União Soviética. Foi a única vez em que os russos e os norte-americanos combateram uns contra os outros, cara a cara. Foi a China que pediu à Rússia apoio aéreo e os aviões da Rússia e dos EUA combateram no espaço aéreo da Coreia do Norte. Hoje é politicamente incorrecto dizer que a maior derrota militar de sempre dos EUA foi a sua expulsão total da Coreia do Norte pelo exército da China e pela força aérea da Rússia. Foi uma derrota muito mais pesada que a do Vietname.


É curioso que os meios de comunicação social da civilização Ocidental criticam a dinastia dita comunista da Coreia do Norte. A civilização Ocidental está cheia de regimes anacrónicos dinásticos a que chamam monarquias. QUALQUER MONARQUIA É ANACRONISMO PURO, as dinastias europeias estão nos palácios “por direito divino”.

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

PIB DO BRASIL À FRENTE DO PIB DO REINO UNIDO





«O Brasil conquistou o posto de sexta maior economia do mundo, ultrapassando o Reino Unido, de acordo com pesquisa publicada pelos principais jornais britânicos na segunda-feira. É a primeira vez que o país fica atrás de uma nação sul-americana, de acordo com informações divulgadas pelo Daily Mail.


A crise bancária de 2008 e a recessão foram factores determinantes para a queda do Reino Unido, segundo o jornal The Guardian, que ainda destaca que a América do Sul tem crescido a partir das exportações para a China e Oriente.


"O Brasil tem batido os países europeus no futebol por um longo tempo, mas batê-los na economia é um fenômeno novo", comparou Douglas McWilliams, responsável do Centro de Economia e Pesquisa de Negócios, consultoria encarregue da pesquisa.»


PARA QUEM VÃO OS SUBSÍDIOS DE FÉRIAS E DE NATAL - QUE MARAVILHA


segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

SENTIR VERGONHA DE SER PORTUGUÊS


A imagem que mais me chocou no dia de Natal foi a do ministro da defesa do governo PSD-CDS, um vigarista qualquer, cujo nome nem sei, mostrando as tropas portuguesas que invadiram e ocuparam o Afeganistão, às ordens de George W Bush e de Barack Obama, tal como as que invadiram e ocuparam o Iraque, às ordens de George W Bush.

Ficámos a saber que Portugal conquistou a independência depois de uma terrível guerra contra o Afeganistão e contra o Iraque, os dois únicos países que fazem fronteira com Portugal.

As tropas norte-americanas abandonaram o Iraque sem terem encontrado as ARMAS DE DESTRUIÇÃO MACIÇA, mas encontraram os poços de petróleo. Saíram as tropas norte-americanas, mas ficaram as companhias petrolíferas dos EUA. Digamos que o lóbi das ARMAS DE DESTRUIÇÃO MACIÇA perdeu a guerra, mas o lóbi das companhias petrolíferas norte-americanas ganhou a guerra do Iraque.

Portugal, um país falido, cheio de homens, mulheres e crianças a passar fome, tem dinheiro para invadir e ocupar o Afeganistão. Comprou uns submarinos à Alemanha para atacar os portos de mar do Afeganistão.

O vigarista-mor do governo PSD-CDS, Pedro Passos Coelho tem-se fartado de aparecer na televisão para dizer, o que se esqueceu, deliberadamente, de dizer durante a campanha eleitoral. Se tivesse dito o que agora anda a dizer tinha perdido as eleições. As mentiras que disse na campanha eleitoral é que lhe deram a vitória. Ganhar umas eleições a mentir não é democracia é ditadura.

Mas consolemo-nos com as mentiras das democracias. Filmagens da blitzkrieg da NATO sobre Trípoli não passam nas televisões das democracias pois parecia mal ver os aviões de Obama, Sarkozy e Cameron a queimarem mulheres e crianças vivas com bombas de fósforo, parecia mal ver a cabeça de uma criança separada do resto do corpo, por isso as verdades inconvenientes dos CRIMES CONTRA A HUMANIDADE da NATO na Líbia são substituídas por imagens da Coreia do Norte. Só que as democracias da civilização ocidental fazem o mesmo que a Coreia do Norte em aspectos fulcrais, as imagens inconvenientes são censuradas. Os franceses que invadiram a Líbia são iguais aos franceses que invadiram a Argélia, as Torturas praticadas pela NATO na Líbia foram copiadas das torturas praticadas pelos democratas franceses na GUERRA DA ARGÉLIA. Tal como na guerra da Líbia a França era uma democracia, na GUERRA DA ARGÉLIA a França era uma democracia (e especializada em tortura e outras selvajarias).

Os norte-americanos na guerra da Líbia fizeram coisas mais selváticas do que na GUERRA DO VIETNAME, o que significa que da guerra do Vietname para a guerra da Líbia os norte-americanos tornaram-se mais bárbaros, houve, digamos, uma involução.

Estamos à espera de ver fotografias e filmagens das selvajarias da NATO durante a blitzkrieg sobre Trípoli. Podemos esperar, mas só nos mostram imagens da Coreia do Norte. A CENSURA E A MENTIRA em democracia são sempre por razões democráticas.





sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

O NATAL DA RECESSÃO ÉTICA



Amanhã é a véspera de Natal. Independente de ser ou não ser religioso, o cidadão é produto de uma cultura e de uma civilização. Mesmo para os ateus europeus parece-me que faz sentido comemorar o Natal, porque não esqueçamos o Natal é uma adaptação das elites cristãs romanas da festa romana anterior ao cristianismo que era conhecida por Saturnais.

Quer queiramos ou não, nós europeus estamos, profundamente, marcados pela cultura grega e pela cultura romana. Não esqueçamos que eu estou a escrever usando o alfabeto dos romanos, que é o mais simples que existe no planeta Terra. E ao escrever em português, a terceira língua europeia mais falada no Mundo (depois do inglês e do castelhano) estou a escrever numa língua que tem por base a língua dos romanos, conhecida por latim.

Fala-se muito na Alemanha na Europa mas há muitas mais pessoas no Mundo a falar português do que a falar alemão.

A Alemanha lançou-nos na recessão económica e financeira.

Os Estados Unidos já nos tinham lançado na recessão ética, com a política imperial-colonial de George W Bush com a agenda dos neoconservadores, que implicou a arrogância de tornar o Campo de Tortura de Guantánamo um exemplo para o Mundo. No essencial, Barack Obama prossegue a política imperial-colonial de George W Bush e tem o Campo de Tortura de Guantánamo a laborar, servindo de exemplo a todo o Mundo.


No meio de tantas recessões a recessão ética da civilização Ocidental é extremamente dolorosa.
Esta época de Natal faz-nos reflectir sobre ela. A crise financeira e económica agrava a recessão ética, com a perda dos valores humanistas, com o desprezo pelos Direitos Humanos, com o salve-se quem puder como puder!



«A Saturnália era um festival romano em honra ao deus Saturno que ocorria no mês de Dezembro, no solstício de Inverno (era celebrada no dia 17 de Dezembro, mas ao longo dos tempos foi alargada à semana completa, terminando a 23 de Dezembro). As Saturnálias tinham início com grandes banquetes e sacrifícios; os participantes tinham o hábito de saudar-se com io Saturnalia, acompanhado por doações simbólicas. Durante estes festejos subvertia-se a ordem social: os escravos se comportavam temporariamente como homens livres; elegia-se, à sorte, um "princeps" - uma espécie de caricatura da classe nobre - a quem se entregava todo o poder. Na verdade a conotação religiosa da festa prevalecia sobre aquela social e de "classe". O "princeps" vinha geralmente vestido com uma máscara engraçada e com cores chamativas, dentre as quais prevalecia o vermelho (a cor dos deuses).
Segundo Pierre Grimal, Saturno é um deus itálico e seu culto foi importado da Grécia para Roma, como ocorreu com diversos outros deuses. Ele teria sido expulso do monte Olimpo por Zeus e se instalado no Capitólio, onde fundou um povo chamado Saturnia. Acredita-se também que foi acolhido por Jano, igualmente oriundo da Grécia. Seu reinado na região do Lácio ficou conhecido como a "Idade do Ouro", pela paz e prosperidade alcançadas. Segundo os relatos lendários, nesse período Saturno teria continuado a obra civilizadora de Jano e ensinou à população a prática da agricultura»


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

CARTA ABERTA A PEDRO PASSOS COELHO POR MYRIAM ZALUAR E COMENTÁRIO DE UM EMIGRANTE





Exmo Senhor Primeiro Ministro:


Começo por me apresentar, uma vez que estou certa que nunca ouviu falar de mim. Chamo-me Myriam. Myriam Zaluar é o meu nome “de guerra”. Basilio é o apelido pelo qual me conhecem os meus amigos mais antigos e também os que, não sendo amigos, se lembram de mim em anos mais recuados.
Nasci em França, porque o meu pai teve de deixar o seu país aos 20 e poucos anos. Fê-lo porque se recusou a combater numa guerra contra a qual se erguia. Fê-lo porque se recusou a continuar num país onde não havia liberdade de dizer, de fazer, de pensar, de crescer. Estou feliz por o meu pai ter emigrado, porque se não o tivesse feito, eu não estaria aqui. Nasci em França, porque a minha mãe teve de deixar o seu país aos 19 anos. Fê-lo porque não tinha hipóteses de estudar e desenvolver o seu potencial no país onde nasceu. Foi para França estudar e trabalhar e estou feliz por tê-lo feito, pois se assim não fosse eu não estaria aqui. Estou feliz por os meus pais terem emigrado, caso contrário nunca se teriam conhecido e eu não estaria aqui. Não tenho porém a ingenuidade de pensar que foi fácil para eles sair do país onde nasceram. Durante anos o meu pai não pôde entrar no seu país, pois se o fizesse seria preso. A minha mãe não pôde despedir-se de pessoas que amava porque viveu sempre longe delas. Mais tarde, o 25 de Abril abriu as portas ao regresso do meu pai e viemos todos para o país que era o dele e que passou a ser o nosso. Viemos para viver, sonhar e crescer.
Cresci. Na escola, distingui-me dos demais. Fui rebelde e nem sempre uma menina exemplar mas entrei na faculdade com 17 anos e com a melhor média daquele ano: 17,6. Naquela altura, só havia três cursos em Portugal onde era mais dificil entrar do que no meu. Não quero com isto dizer que era uma super-estudante, longe disso. Baldei-me a algumas aulas, deixei cadeiras para trás, saí, curti, namorei, vivi intensamente, mas mesmo assim licenciei-me com 23 anos. Durante a licenciatura dei explicações, fiz traduções, escrevi textos para rádio, coleccionei estágios, desperdicei algumas oportunidades, aproveitei outras, aprendi muito, esqueci-me de muito do que tinha aprendido.
Cresci. Conquistei o meu primeiro emprego sozinha. Trabalhei. Ganhei a vida. Despedi-me. Conquistei outro emprego, mais uma vez sem ajudas. Trabalhei mais. Saí de casa dos meus pais. Paguei o meu primeiro carro, a minha primeira viagem, a minha primeira renda. Fiquei efectiva. Tornei-me personna non grata no meu local de trabalho. “És provavelmente aquela que melhor escreve e que mais produz aqui dentro.” – disseram-me – “Mas tenho de te mandar embora porque te ris demasiado alto na redacção”. Fiquei.
Aos 27 anos conheci a prateleira. Tive o meu primeiro filho. Aos 28 anos conheci o desemprego. “Não há-de ser nada, pensei. Sou jovem, tenho um bom curriculo, arranjarei trabalho num instante”. Não arranjei. Aos 29 anos conheci a precariedade. Desde então nunca deixei de trabalhar mas nunca mais conheci outra coisa que não fosse a precariedade. Aos 37 anos, idade com que o senhor se licenciou, tinha eu dois filhos, 15 anos de licenciatura, 15 de carteira profissional de jornalista e carreira ‘congelada’. Tinha também 18 anos de experiência profissional como jornalista, tradutora e professora, vários cursos, um CAP caducado, domínio total de três línguas, duas das quais como “nativa”. Tinha como ordenado ‘fixo’ 485 euros x 7 meses por ano. Tinha iniciado um mestrado que tive depois de suspender pois foi preciso escolher entre trabalhar para pagar as contas ou para completar o curso. O meu dia, senhor primeiro ministro, só tinha 24 horas…
Cresci mais. Aos 38 anos conheci o mobbying. Conheci as insónias noites a fio. Conheci o medo do amanhã. Conheci, pela vigésima vez, a passagem de bestial a besta. Conheci o desespero. Conheci – felizmente! – também outras pessoas que partilhavam comigo a revolta. Percebi que não estava só. Percebi que a culpa não era minha. Cresci. Conheci-me melhor. Percebi que tinha valor.
Senhor primeiro-ministro, vou poupá-lo a mais pormenores sobre a minha vida. Tenho a dizer-lhe o seguinte: faço hoje 42 anos. Sou doutoranda e investigadora da Universidade do Minho. Os meus pais, que deviam estar a reformar-se, depois de uma vida dedicada à investigação, ao ensino, ao crescimento deste país e das suas filhas e netos, os meus pais, que deviam estar a comprar uma casinha na praia para conhecerem algum descanso e descontracção, continuam a trabalhar e estão a assegurar aos meus filhos aquilo que eu não posso. Material escolar. Roupa. Sapatos. Dinheiro de bolso. Lazeres. Actividades extra-escolares. Quanto a mim, tenho actualmente como ordenado fixo 405 euros X 7 meses por ano. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. A universidade na qual lecciono há 16 anos conseguiu mais uma vez reduzir-me o ordenado. Todo o trabalho que arranjo é extra e a recibos verdes. Não sou independente, senhor primeiro ministro. Sempre que tenho extras tenho de contar com apoios familiares para que os meus filhos não fiquem sozinhos em casa. Tenho uma dívida de mais de cinco anos à Segurança Social que, por sua vez, deveria ter fornecido um dossier ao Tribunal de Família e Menores há mais de três a fim que os meus filhos possam receber a pensão de alimentos a que têm direito pois sou mãe solteira. Até hoje, não o fez.
Tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: nunca fui administradora de coisa nenhuma e o salário mais elevado que auferi até hoje não chegava aos mil euros. Isto foi ainda no tempo dos escudos, na altura em que eu enchia o depósito do meu renault clio com cinco contos e ia jantar fora e acampar todos os fins-de-semana. Talvez isso fosse viver acima das minhas possibilidades. Talvez as duas viagens que fiz a Cabo-Verde e ao Brasil e que paguei com o dinheiro que ganhei com o meu trabalho tivessem sido luxos. Talvez o carro de 12 anos que conduzo e que me custou 2 mil euros a pronto pagamento seja um excesso, mas sabe, senhor primeiro-ministro, por mais que faça e refaça as contas, e por mais que a gasolina teime em aumentar, continua a sair-me mais em conta andar neste carro do que de transportes públicos. Talvez a casa que comprei e que devo ao banco tenha sido uma inconsciência mas na altura saía mais barato do que arrendar uma, sabe, senhor primeiro-ministro. Mesmo assim nunca me passou pela cabeça emigrar…
Mas hoje, senhor primeiro-ministro, hoje passa. Hoje faço 42 anos e tenho a dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: Tenho mais habilitações literárias que o senhor. Tenho mais experiência profissional que o senhor. Escrevo e falo português melhor do que o senhor. Falo inglês melhor que o senhor. Francês então nem se fale. Não falo alemão mas duvido que o senhor fale e também não vejo, sinceramente, a utilidade de saber tal língua. Em compensação falo castelhano melhor do que o senhor. Mas como o senhor é o primeiro-ministro e dá tão bons conselhos aos seus governados, quero pedir-lhe um conselho, apesar de não ter votado em si. Agora que penso emigrar, que me aconselha a fazer em relação aos meus dois filhos, que nasceram em Portugal e têm cá todas as suas referências? Devo arrancá-los do seu país, separá-los da família, dos amigos, de tudo aquilo que conhecem e amam? E, já agora, que lhes devo dizer? Que devo responder ao meu filho de 14 anos quando me pergunta que caminho seguir nos estudos? Que vale a pena seguir os seus interesses e aptidões, como os meus pais me disseram a mim? Ou que mais vale enveredar já por outra via (já agora diga-me qual, senhor primeiro-ministro) para que não se torne também ele um excedentário no seu próprio país? Ou, ainda, que venha comigo para Angola ou para o Brasil por que ali será com certeza muito mais valorizado e feliz do que no seu país, um país que deveria dar-lhe as melhores condições para crescer pois ele é um dos seus melhores – e cada vez mais raros – valores: um ser humano em formação.
Bom, esta carta que, estou praticamente certa, o senhor não irá ler já vai longa. Quero apenas dizer-lhe o seguinte, senhor primeiro-ministro: aos 42 anos já dei muito mais a este país do que o senhor. Já trabalhei mais, esforcei-me mais, lutei mais e não tenho qualquer dúvida de que sofri muito mais. Ganhei, claro, infinitamente menos. Para ser mais exacta o meu IRS do ano passado foi de 4 mil euros. Sim, leu bem, senhor primeiro-ministro. No ano passado ganhei 4 mil euros. Deve ser das minhas baixas qualificações. Da minha preguiça. Da minha incapacidade. Do meu excedentarismo. Portanto, é o seguinte, senhor primeiro-ministro: emigre você, senhor primeiro-ministro. E leve consigo os seus ministros. O da mota. O da fala lenta. O que veio do estrangeiro. E o resto da maralha. Leve-os, senhor primeiro-ministro, para longe. Olhe, leve-os para o Deserto do Sahara. Pode ser que os outros dois aprendam alguma coisa sobre acordos de pesca.
Com o mais elevado desprezo e desconsideração, desejo-lhe, ainda assim, feliz natal OU feliz ano novo à sua escolha, senhor primeiro-ministro


e como eu sou aqui sem dúvida o elo mais fraco, adeus


Myriam Zaluar, 19/12/2011










Olhe Myriam,
acabei de ler o seu ‘post’ e as lágrimas escorrem-me. Sim Myriam, sou homem e choro, de pena, de comiseração e de raiva, aqui em Paris, onde vim passar uns dias com o meu filho e nora, Paris onde estive por um curto tempo exilado em 1965 pa ra não fazer a guerra colonial, mas que acabei por fazer desgostado com as intrigas e a desunião já nesse tempo entre os outros jovens meus compatriotas e exilados.
Tenho muita pena que o País que quisemos melhor, por que lutámos, sofremos e sonhámos seja esta merda, que este Povo afinal – na sua esmagadora maioria – não preste, seja aquilo que penso e não nomeio. Lutámos, muitos de nós, Myriam, por um País mais justo, solidário e tolerante, sem exploração de uns pelos outros (sempre muitíssimo menos os exploradores do que os explorados…), sem opressão, ‘mobbying’ e outras coisas (que também o conheci em certas instâncias da Europa ditas democráticas). Conheci, com muitos companheiros de luta (optámos ou divergimos nos caminhos, mas éramos/somos companheiros de luta contra a PIDE e a DGS (quero dizer, a PIDE reciclada), a guerra colonial e suas injustiças, os crimes e a opressão de cuja participação as Forças Armadas portuguesas se recusam ainda hoje a fazer a sua autocrítica – para os seus porta-vozes é sempre a defesa da Pátria… -, conhecemos o PREC e a sua esperança, as suas traições e desuniões. Porque alguém, vários traíram
Tudo isso, Myriam, conhecemos, sofremos, ansiámos por uma sociedade melhor, supondo que, no fim, os sofrimentos teriam sido o preço por uma vida mais feliz, não para mim, não apenas para a minha família e amigos e companheiros, mas para todos. Juro-lhe que nas celas de Caxias, no exílio e na depressão da minha participação na guerra de opressão em Angola, era nesse futuro melhor para todos que eu pensava. Tudo teria merecido a pena.
Por isso lhe digo Myriam, enquanto escrevo directamente no ‘post’, sinceramente com as lágrimas a escorrerem-me pela cara, triste, com amargura, após ‘exílios’ sucessivos em África e na Europa nos anos 80, 90 e 2000, que a sua carta aberta desperta em mim um urgente sentido de solidariedade e, ao mesmo tempo, a muita pena por sermos afinal impotentes para pôr fim à injustiça e canalhice que campeiam e governam o País que julguei ser o nosso – seu e meu.
Tenho quase 68 anos, o meu filho não terá qualquer futuro risonho em Portugal – dei-lhe em 4 de Dezembro de 1975 um nome que reflectia ainda a aliança entre o Povo e o MFA -, e a minha filha, que apesar das suas múltiplas qualificações, não terá talvez grandes oportunidades no rectângulo europeu extremo-ocidental.
Um abraço fraterno, Myriam, e os votos de que finalmente encontre com os seus filhos as oportunidades e a justiça que bem merecem. Sinceramente.

Armando Cerqueira