quinta-feira, 18 de outubro de 2012

ASCENSÃO E QUEDA DA UNIÃO EUROPEIA


Foi na Itália, em Roma, que foi assinado o tratado que criou a Comunidade Económica Europeia (CEE) com a finalidade de estabelecer um mercado comum europeu. Assinaram a França,  a Itália, Alemanha Ocidental  e os três países do Benelux (Bélgica, Holanda e Luxemburgo).
A ideia base era que os Estados signatários se ajudassem uns aos outros com o objectivo de todos terem vantagens e desvantagens. Mas a ideia chave era que as desvantagens que todos teriam seriam compensadas pelas vantagens, os prejuízos seriam inferiores aos benefícios.
E assim foi crescendo a CEE até se transformar na União Europeia.
Porém, a entrada, em força, da ideologia neoliberal neste grupo criou condições perigosas. O Tratado de Maastricht está cheio de ideias neoliberais. Foi assinado em Fevereiro de 1992 e entrou em vigor em 1993. Neste acordo, a União Europeia continua com o seu mercado comum e a CEE, transformada em União Europeia, marca uma nova etapa no processo de união. O tratado cria a cidadania europeia, permitindo residir e circular livremente nos países da comunidade, assim como o direito de votar e ser eleito em um estado de residência para as eleições europeias ou municipais. Foi também decidida a criação de uma moeda única, o Euro, que entraria em circulação em 2002 sob controlo do “Banco Central Europeu”.
A moeda euro foi criada sem Banco Central. Em vez de um verdadeiro Banco Central foi criado um falso banco central chamado «BCE», um banco, escandalosamente, capturado pelas altas burguesias financeiras. Aberração das aberrações, o tal «BCE» foi obrigado a dar lucros ilegítimos aos bancos privados, na movimentação do dinheiro, proibido, em condições normais, de emprestar dinheiro directamente aos Estados, obrigado a dar lucros criminosos de intermediação aos bancos privados.
Esta legislação dá privilégios ilegítimos à alta burguesia.
Depois não foi prevista uma situação de grave crise financeira na Zona Euro. Além de beneficiar a alta burguesia financeira a arquitectura legislativa da moeda euro e do ilegítimo «BCE» acabou por beneficiar alguns Estados à custa da ruína dos outros.
A União Europeia, enquanto conjunto de países que se ajudam uns aos outros já não existe. Neste momento existe uma guerra económica e financeira dentro da Zona Euro de alta intensidade e de menor intensidade fora da Zona Euro.
A União Europeia está em queda livre, na prática, já não existe, formalmente, está a caminho da desintegração.
Os alemães já fazem algumas contas sobre a implosão parcial da Zona Euro. Seria bom que começassem a fazer as contas sobre a implosão total da Zona Euro.
Aqui vão a seguir as contas da implosão parcial da Zona Euro. No entanto, penso que a implosão parcial como está estudada pelos alemães é meramente académica, porque a implosão não ficaria por aqui, mas continuaria o processo até à implosão total.
«Um estudo de um «think tank» (grupo de reflexão) alemão, citado por "Spiegel Online", prevê perdas de 17 biliões de euros (17 000 000 000 000, 00 €) caso os países do sul da Europa abandonassem a moeda única.
Caso a Grécia, Portugal, Espanha e Itália abandonassem a Zona Euro, o crescimento global teria de absorver perdas na ordem dos 17 biliões de euros. As contas partem de um novo estudo de um grupo de reflexão germânico, o «Prognos», citado hoje, quarta-feira, por "Spiegel Online".

O instituto Prognos estima perdas de 17,2 biliões de euros no crescimento global que se registará até 2020. O cálculo é feito com as perdas que os credores teriam de assumir e o impacto económico nas principais economias mundiais.

Como salienta a revista alemã, uma saída da Grécia da Zona Euro teria um "impacto relativamente reduzido sobre a economia mundial". Caso fosse apenas a Grécia a abandonar a união monetária, seria algo que se conseguiria gerir, pelo menos do ponto de vista económico. Isso iria custar 73 mil milhões de euros do PIB alemão entre 2013 e 2020, de acordo com o estudo citado pela publicação alemã.

Apesar de só representar 2,9% do PIB alemão, a saída helénica do euro poderia ditar o abandono de outras nações europeias. Aí, o impacto sobre a economia mundial poderia ser "devastador".

Se Portugal seguisse a Grécia e abandonasse a região, as perdas sentidas a nível global seriam de 2,4 biliões de euros até 2020. 225 mil milhões de euros seriam suportados pela Alemanha, que teria de reconhecer imparidades na ordem dos 99 mil milhões de euros, segundo  "Spiegel Online". Os Estados Unidos teriam perdas de 365 mil milhões de euros, enquanto a China sofreria um impacto de 275 mil milhões de euros.

O estudo aponta ainda para perdas possíveis com as saídas de Espanha e Itália. Com o primeiro caso, a destruição de riqueza seria de 7,9 biliões de euros. Se o país transalpino também se separasse do euro, "a situação sairia totalmente do controlo".

O estudo, feito por uma entidade alemã, faz a avaliação da situação económica germânica nesta eventualidade. Aí, a Alemanha iria perder 1,7 biliões de euros do Produto Interno Bruto (PIB). Mais de um milhão de germânicos iriam juntar-se à lista de desempregados até 2015.» (In «Jornal de Negócios» online)

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