sexta-feira, 12 de outubro de 2012

PAUL KRUGMAN E A CRISE DA ZONA EURO


«Paul Krugman. Era possível acabar com esta crise já. Se “eles” quisessem»
«Por Ana Sá Lopes, publicado em 24 Set 2012 - 11:58 | Actualizado há 2 semanas 3 dias»
«Os instrumentos económicos existem mas a opinião política dominante proíbe o fim da crise. Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia, apela ao fim dessa corrente austeritária, sacrificial e assassina de empregos. Ana Sá Lopes leu e gostava de assinar por baixo.» (In jornal «i» online)
Há que chamar a atenção para este facto – o «Prémio Nobel da Economia» não existe nem nunca existiu. Há sim o Prémio do Banco Central da Suécia, que devido a publicidade enganosa é chamado de «Prémio Nobel da Economia». Os banqueiros suecos até podem multiplicar por dez ou mais o valor do cheque que dão, mas será sempre o cheque do Banco Central da Suécia, nunca um Prémio Nobel.
Por que razão há esta publicidade enganosa? O Prémio do Banco Central da Suécia é dado aos economistas que defendem, de diferentes maneiras, os interesses das altas burguesias financeiras.
«Nestes últimos três anos caiu-nos uma depressão em cima da cabeça, e o que fizemos? Procurámos culpados. O “viver acima das nossas possibilidades” e “os malefícios do endividamento” são duas cantigas populares dos últimos anos. E, no entanto, antes de a crise ter rebentado na América e de se ter propagado à Europa, o nível de endividamento de alguns dos países do sul da Europa, como Portugal e Espanha, tinha vindo a reduzir-se. Os gráficos estão lá e mostram que sim (como mostram que o gigante alemão também está fortemente endividado). Mas por que é que as pessoas não querem acreditar nisto? Nem sequer apreender o facto de terem sido “praticamente todos os principais governos” que, “nos terríveis meses que se seguiram à queda do banco de investimento Lehman Brothers, concordaram em que o súbito colapso das despesas do sector privado teria de ser contrabalançado e viraram-se então para uma política orçamental e monetária expansionista num esforço para limitar os danos”? A Comissão Europeia e a Alemanha estavam “lá”. E, de repente, tudo mudou.
Uma das maiores dificuldades de lidar com esta crise é, em primeiro lugar, o facto natural de tanto o cidadão comum como Jesus Cristo não perceberem nada de finanças, a menos quando lhe vão ao seu próprio bolso (ou perde o emprego). A outra é o poder da narrativa do “vivemos acima das nossas possibilidades”, aquilo a que Krugman chama a “narrativa distorcida” europeia , “um relato falso sobre as causas da crise que impede verdadeiras soluções e conduz de facto a medidas políticas que só pioram a situação”. Krugman ataca “uma narrativa absolutamente errada”, consciente de que “as pessoas que apregoam esta doutrina estão tão relutantes como a direita americana em ouvir a evidência do contrário”.
(…)
Krugman refuta a explicação popular e maioritária sobre a situação actual na Europa – países sob tutela de troika e pedidos de resgate à média de dois por ano. “Eis, então, a Grande Ilusão da Europa: é a crença de que a crise da Europa foi essencialmente causada pela irresponsabilidade orçamental. Diz essa história que os países europeus incorreram em excessivos défices orçamentais e se endividaram demasiado – e o mais importante é impor regras que evitem que isto volte a acontecer”.
Krugman aceita que a Grécia incorreu em “irresponsabilidade orçamental”, mas recusa a “helenização” do problema europeu (e Portugal, “embora não à mesma escala”). “A Irlanda tinha um excedente orçamental e uma dívida pública reduzida na véspera do deflagrar da crise (...) A Espanha também tinha um excedente orçamental e uma dívida reduzida. A Itália tinha um alto nível de endividamento herdado das décadas de 1970 e 1980, quando a política era realmente irresponsável, mas estava a conseguir fazer baixar de forma progressiva o rácio do endividamento em relação ao PIB”. Ora um graficozinho do FMI demonstra que, enquanto grupo, “as nações europeias que se encontram actualmente a braços com problemas orçamentais conseguiram melhorar de forma progressiva a sua posição de endividamento até ao deflagrar da crise”. E foi só com a chegada da crise americana à Europa que a dívida pública disparou. Explicar isto aos “austeritários” é uma tarefa insana. (…)
Vejam como ele explica a crise espanhola, que considera a crise emblemática da zona euro: “Durante os primeiros oito anos após a criação da zona euro a Espanha teve gigantescos influxos de dinheiro, que alimentaram uma enorme bolha imobiliária e conduziram a um grande aumento de salários e dos preços relativamente aos das economias do núcleo europeu (Alemanha, França e Benelux). O problema essencial espanhol, do qual derivam todos os outros, é a necessidade de voltar a alinhar custos e preços. Como é que isso pode ser feito?”». Krugman «explica: “Poderia ser feito por via da inflação nas economias do núcleo europeu. Imagine-se que o BCE seguia uma política de dinheiro fácil enquanto o governo alemão se empenhava no estímulo orçamental; isto iria implicar pleno emprego na Alemanha mesmo que a alta taxa de desemprego persistisse em Espanha. Os salários espanhóis não iriam subir muito, se é que chegavam a subir, ao passo que os salários alemães iriam subir muito; os custos espanhóis iriam assim manter-se nivelados, ao passo que os custos alemães subiriam. E para a Espanha seria um ajustamento relativamente fácil de fazer: 1920”. não seria fácil, seria relativamente fácil”. (…)
Krugman lembra bem que estranhamente “estão (…) esquecidas as memórias relativas às políticas deflacionárias do início da década de 1930, que foram na verdade aquilo que abriu caminho para a ascensão daquele ditador que todos sabemos quem é”.
O que trama as nações fracas do euro (como Espanha e Portugal) é, não tendo meios de desvalorizar a moeda – como fez a Islândia no rescaldo da crise com sucesso – estão sujeitas ao “pânico auto-realizável”. O facto de não poderem “imprimir dinheiro” torna esses países vulneráveis “à possibilidade de uma crise auto-realizável, na qual os receios dos investidores quanto a um incumprimento em resultado de escassez de dinheiro os levariam a evitar adquirir obrigações desse país, desencadeando assim a própria escassez de dinheiro que tanto receiam”. É este pânico que explica os juros loucos pagos por Portugal, Espanha e Itália, enquanto a Alemanha lucra a bom lucrar com a crise do euro – para fugir ao “pânico” os investidores emprestam dinheiro à Alemanha sem pedir juros e até dando bónus aos alemães por lhes deixarem ter o dinheirinho guardado em Frankfurt.
(…) “A troika tem fornecido pouquíssimo dinheiro e demasiado tardiamente” e, “em resultado desses empréstimos de emergência, tem-se exigido aos países deficitários que imponham programas imediatos e draconianos de cortes nos gastos e subidas de impostos, programas que os afundam em recessões ainda mais profundas e que são insuficientes, mesmo em termos puramente orçamentais, à medida que as economias encolhem e causam uma baixa de receitas fiscais”. Conhece esta história, não conhece?» (In jornal «i» online)
Ora Paul Krugman não fala do problema fulcral que é o facto de a moeda euro não ter um Banco Central, o aberrante «BCE» não é um Banco Central.
Sem Banco Central a moeda euro irá implodir. A Alemanha quer ser da Zona Euro para extorquir dinheiro aos outros países da Zona Euro. A Alemanha não quer pagar para estar na Zona Euro, criando um Banco Central para a moeda  euro e automaticamente surgiriam os «eurobonds». A Alemanha não quer resolver a crise da Zona Euro, a Alemanha quer que exista crise na Zona Euro para poder lucrar com ela.
Só quando a crise chegar em força à França é que a situação se irá tornar decisiva. François Hollande é um falso socialista que mentiu para ganhar as eleições. A rebelião social é mais tardia quando a dita Esquerda está no poder. Mas, a Alemanha está a tentar levar à falência as indústrias concorrentes, como esperam que aconteça com a indústria automóvel da França e da Itália. A moeda euro é a arma das indústrias alemãs para tentarem destruir as concorrentes da Zona Euro.
Uma moeda única com um verdadeiro Banco Central tem prós e contras para todos os países. Só que a Alemanha não quer os contras, só quer benefícios, sem olhar a meios.

Sem comentários:

Enviar um comentário