quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

A REESTRUTURAÇÃO DA DÍVIDA DA ALEMANHA, COM PERDÃO PARCIAL


Uma verdade «inconveniente» pouco divulgada é o chamado resgate à Alemanha e a reestruturação da dívida da República Federal da Alemanha, que incluiu perdão parcial da dívida.



«27 de Fevereiro de 1953: o resgate alemão»
«FEVEREIRO 28, 2013 - 5:13PM»

«A bancarrota dos estados é vista, há muito tempo, como um problema longínquo, próprio do chamado Terceiro Mundo (o Sul Global). Hoje não está de modo algum distante, mas precisamente à nossa porta. Uma emergência económica, decorrente do excesso de endividamento, ameaça a própria existência da união monetária europeia. A devastação social e política dos países atingidos pela crise ameaça o tecido social desses países. No entanto, a Alemanha parece manter-se à parte, com uma economia relativamente bem sucedida e florescente. Mas não foi sempre assim.

Poucas pessoas sabem que a Alemanha beneficiou de um generoso perdão parcial de dívida no início do seu «milagre económico». De entre as reestruturações de dívida soberana modernas, o «Acordo de Dívida de Londres» para a Alemanha, cujo 60º aniversário assinalamos a 27 de Fevereiro, é um exemplo precoce e pouco conhecido. Isto é tanto mais surpreendente quanto se trata de um caso de sucesso na restauração da sustentabilidade da dívida da Alemanha Ocidental. No fim das negociações, metade de todas as dívidas (no valor de 30 milhões de marcos alemães) tinha sido cancelada e o restante fora reescalonado de forma tão inteligente, que a Alemanha nunca mais enfrentou um problema de dívida.


Às crianças alemãs não é habitualmente ensinado nada acerca deste acordo nas aulas de História, e nos media pouca atenção lhe é dedicada. No entanto, seria hoje prudente lembrarmo-nos de como a bancarrota iminente de um estado foi evitada através de negociações atempadas, rápidas, exaustivas e justas.

O contraste entre o tratamento histórico da Alemanha e o atualmente imposto à Grécia e a Portugal não podia ser mais óbvio. A Alemanha beneficiou de um perdão alargado e, como consequência, a sua economia cresceu rapidamente e de forma sustentável. Pelo contrário, a Grécia e Portugal estão a ser forçados a «consolidar-se» a si mesmos em direção a uma recessão dolorosa e destrutiva, que abala as fundações da sociedade. Um dos países mais generosos com a Alemanha em 1953 foi, já agora, a Grécia, apesar dos crimes de guerra cometidos durante a ocupação alemã poucos anos antes.

Poucas reestruturações de dívidas soberanas marcaram tão claramente a transição de uma condição de endividamento crítico para uma situação em que a dívida deixa de constituir um obstáculo ao desenvolvimento económico e social como a de 1953. O acordo encontrado é ainda hoje um dos melhores exemplos históricos de quão razoável e sustentável uma renegociação de dívida pode ser, se houver vontade política.

Vale a pena reexaminar hoje «Londres 53», como exemplo e fonte de inspiração para as atuais discussões sobre renegociação de dívida, tanto para os países do Sul Global, como no contexto das crises de insolvência na Zona Euro. Lembremo-nos deste pedaço vital de História esquecida!

Bodo Ellmers (European Network on Debt and Development, Bélgica)

Eric LeCompte (Jubilee USA Network, EUA)

Isabel Castro (Iniciativa para uma  Auditoria Cidadã à Divida Pública – IAC, Portugal)

Iolanda Fresnillo (Plataforma Auditoria Ciudadana de la Deuda – PACD, Espanha)

Kristina Rehbein e Jürgen Kaiser, erlassjahr.de – Entwicklung braucht Entschuldung e.V. (Alemanha)

Nessa Ní Chasaide (Debt and Development Coalition, Irlanda)

Andy Storey (Debt Justice Action's Anglo: Not Our Debt, Irlanda)

Nick Dearden (Jubilee Debt Campaign, Reino Unido)»

(In blog «AUDITORIA CIDADÃ À DÍVIDA»)

LUÍS FIGO APOIA A CONVOCATÓRIA DO BRASILEIRO LIMA PARA A SELECÇÃO DE PORTUGAL, NAS MESMAS CONDIÇÕES DOS BRASILEIROS DECO, PEPE E LIEDSON


Luís Figo é o jogador que mais representou a selecção de Portugal de futebol A. Formado nas escolas do Sporting C P, foi o primeiro jogador português a receber o prémio da FIFA para o melhor jogador do Mundo, na qualidade de jogador do Barcelona e do Real Madrid, no mesmo ano de 2001. O segundo foi Cristiano Ronaldo, também formado nas escolas do Sporting, que recebeu a bola de ouro para o melhor jogador do Mundo, quando jogava no Manchester United, em 2008.
Eusébio, quando jogava no S L Benfica, também recebeu a bola de ouro, mas nessa altura, era a bola de ouro para o melhor jogador de futebol a actuar na Europa.
Figo apoia a convocatória do avançado brasileiro Lima, actualmente a representar o Benfica, para a selecção de Portugal de futebol A, da mesma maneira (e nas mesmas condições) que apoiou as de Deco e Pepe, ambos na primeira convocatória a jogarem no F C Porto e de Liedson, então no Sporting. 

BARBÁRIE POLICIAL NA ÁFRICA DO SUL PÓS-NELSON MANDELA



Polícias sul-africanos torturaram até à morte, em público, um taxista moçambicano de 27 anos arrastando-o preso a uma carrinha.


VERDADES INCONVENIENTES SOBRE A PRÁTICA POLÍTICA III


«A Internacional Socialista está em crise profunda porque os partidos que dela fazem parte cortaram as suas raízes históricas, abdicaram de ter um pensamento próprio, autónomo, original, e julgaram erradamente que se renovavam catrapiscando ideias e propostas dos seus adversários da direita neoliberal e neoconservadora. Os resultados estão à vista.» (Alfredo Barroso, ex-governante socialista, em texto divulgado no jornal «Público»)

Para a análise do marxismo-leninismo na teoria e na prática o método objectivo é a análise da ascensão (Outubro de 1917) e queda do regime comunista na Rússia/União Soviética. A Rússia foi transformada na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (ou União Soviética simplificando) em 1922 por Lenine. A URSS ou União Soviética implodiu em 1991.
A obra mais complexa de Marx é «O Capital».


Livro 1 - o processo de produção do capital 1867
Único dos Livros publicado em vida por Marx beneficiou de melhorias entre edições, acréscimos de posfácios do próprio autor e lançamentos das versões Alemã, Inglesa, Russa e Francesa (ligeiramente distintas, sendo a 4° edição Alemã de 1893 considerada a versão definitiva devido às correcções de Engels e Eleanor Marx e por isso usada para a tradução para outras línguas).
Livro 2 - o processo de circulação do capital 1885
Publicado depois da morte de Marx, ficando a edição a cargo de Engels. A diferença no estilo dos Livros 2° e 3° em relação ao 1° faz com que alguns atribuam a sua autoria a Engels. Engels, no túmulo de Marx, disse que Darwin mostrou a lei do desenvolvimento da natureza orgânica, e Marx a da natureza humana.
Livro 3 - o processo global da produção capitalista 1894
Com a publicação desse 3° Volume Engels termina a tarefa de tornar pública a teoria económica de Marx sobre o conjunto do sistema capitalista. Em algumas partes ele relata que teve de preencher as lacunas como um co-autor, mas que identificou os tais acréscimos para que não houvesse dúvidas quanto ao que Marx queria dizer. O problema da transformação refere-se à relação entre valor e preço e estende-se pelos três livros de O Capital. O debate tornou-se um dos pontos mais discutidos na economia marxista e uma solução definitiva para o problema ainda não foi encontrada, apesar dos significativos avanços ao longo do século XX sobre a questão.
Livro 4 - Teorias da mais-valia 1905
Karl Kautsky, após a morte de Engels publica o 4° Livro, comentários de Marx a outros autores de Economia Política. O Livro 4 é o menos conhecido justamente por ter sido publicado após a explanação da teoria económica marxista por Marx e Engels. Acrescente a isso o agravante de Kautsky ter optado por publicar invertendo o título e subtítulo: «Teorias da Mais-Valia - A história crítica do pensamento económico (Livro 4 de O Capital)».
Inclui considerações sobre outras teorias do valor e de fontes que podem ter sido inspiração para as críticas dos antagonismos de classe
Capítulo VI inédito de O Capital
Excluído por Marx do plano de publicar junto com o Livro 1, é estudado actualmente por conter notas de transição do Livro 1 e Livro 2 (depois que a mercadoria é produzida, ela tem de circular).

Em síntese, o marxismo defende a nacionalização das empresas ou colectivismo e a ditadura do proletariado como regime provisório para chegar a uma sociedade sem classes.

Ao colectivismo marxista, Lenine foi buscar a forma política e económica da sua fase provisória: a ditadura do proletariado, que na prática, se tornou na ditadura da classe política. O objectivo desta ditadura seria a preparação da futura sociedade, que seria o comunismo integral ou uma sociedade sem classes. Nesta fase, o regime económico foi o colectivismo autoritário e centralizado, tendo todos os meios de produção nacionalizados. Foi Estaline quem pôs em prática o colectivismo total. Uma nova etapa deveria conduzir ao comunismo integral, a «fase definitiva e superior da sociedade comunista», segundo Lenine.
Esta nova sociedade seria caracterizada pela máxima liberdade possível, sem constrangimentos financeiros, isto é, acabaria a miséria e a pobreza e todos teriam uma boa situação financeira. Na fábrica livre «cada um produziria de acordo com sua capacidade» e a repartição da produção seria feita «de acordo com as necessidades de cada um».

O resultado não foi o esperado, desta experiência resultou, na prática, a queda do regime comunista na Rússia, substituído por um capitalismo de base feudal, visto que as empresas foram doadas, na prática, aos amigos dos políticos no poder.

Contrariamente ao que muitos marxistas dizem não foram erros e abusos que conduziram à implosão do regime comunista na Rússia e na União Soviética, mas a teoria marxista-leninista em si. A prática demonstrou que tem que ser profundamente reformulada a teoria marxista-leninista, na minha opinião, excluindo para sempre a ditadura do proletariado ou outra ditadura qualquer e excluindo também a nacionalização de todas as empresas.

Mas não chegámos a «o fim da História». Há necessidade de inventar novas teorias que possibilitem a diminuição progressiva das desigualdades sociais.

Paralelamente à implosão do marxismo-leninismo na Rússia houve uma muito acentuada viragem à Direita dos partidos da chamada «Internacional Socialista».


A IMPLOSÃO DO PARTIDO COMUNISTA ITALIANO (PCI) DEU ORIGEM, INDIRECTAMENTE, À ASCENSÃO DO COMEDIANTE BEPPE GRILLO EM 2013

A implosão do marxismo-leninismo na Rússia deu origem à implosão de muitos partidos comunistas. O maior partido comunista da Europa Ocidental era o Partido Comunista Italiano que implodiu e deu origem a um partido muito parecido com os partidos da chamada «Internacional Socialista» (chamados de socialistas democráticos ou de sociais-democratas como o SPD). Em 1991, o PCI implodiu, dando origem ao Partito Democratico della Sinistra (PDS, Partido Democrático da Esquerda, que mais tarde passou a ser designado por Democratici di Sinistra, DS, Democratas de Esquerda), ao Partito della Rifondazione Comunista (PRC, Partido da Refundação Comunista) e ao Partito dei Comunisti Italiani (PdCI, Partido dos Comunistas Italianos).
O Partido Democrático (em italiano: Partito Democratico, PD) é um partido político de centro-esquerda da Itália fundado em 14 de Outubro de 2007 a partir da fusão de diversos partidos do Centro e da Esquerda que fizeram parte da coligação eleitoral L'Unione nas eleições de 2006. Vários partidos deram origem ao PD, mas grande parte dos seus membros integrava o Partido Democratas de Esquerda, em síntese o principal partido que resultou da implosão do Partido Comunista Italiano, em 2013, é o Partido Democrata.
Esta viragem muito acentuada à Direita do que era o PCI, criou um grande vazio teórico e uma grande desorientação teórica. Neste contexto houve uma ascensão do voto de protesto no partido do comediante Beppe Grillo, nas eleições de Fevereiro de 2013.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

SÁBADO 2 DE MARÇO É PRECISO SAIR À RUA CONTRA O GOVERNO PSD-CDS-TROIKA


«Os locais das manifestações do 2 de Março: o Povo é quem mais ordena

9
1


2 de marco
(32 manifestações, em actualização)
  • Aveiro:  Estação CP -> Praça da República - Evento no Facebook
  • Barcelona: 17:00, Consulado de Portugal 
    Ronda Sant Pere, 7 – Evento no Facebook.
  • BejaEvento no Facebook
  • Boston18:00 na Boston Public Library (700, Boylston Street) –Evento no Facebook
  • Braga15:00 na Avenida Central – Evento no Facebook
  • Castelo Branco: 16:00 Pr. do Município – Evento no Facebook
  • Caldas da Rainha: 14:30 na Praça 25 de Abril – Evento no Facebook
  • Chaves: 16:00 no Largo das Freiras – Evento no Facebook
  • Coimbra: 15:00 Pr. República -> Pr. da Canção –  Evento no Facebook
  • Covilhã: 15:00 Pr. do Município – Evento no Facebook 
  • Entroncamento: 16h, em frente à estação da CP – Evento noFacebook
  • Faro16:00 - Largo do Carmo/Jardim Catarina Eufémia - Evento no Facebook
  • Funchal: 16:00 na Praça do Município – Evento no Facebook
  • Guarda: 16:00 na Pr. Velha à frente da Sé Catedral - Evento no Facebook
  • Horta: Praça da República - Evento no Facebook
  • Leiria: 16:00 na Fonte Luminosa Evento no Facebook
  • Lisboa: 16:00 na Pr. Marquês de Pombal Evento no Facebook:
(Maré Branca da Saúde: Rua Viriato): 14:30 na Maternidade Alfredo da Costa Evento no Facebook -  Maré de Educação: 14:00 no Minist. da Educação (Av. 5 de Outubro) Evento no Facebook  - Maré dos Reformados: 16:00 na APRe! (Associação de Aposentados, Reformados e Pensionistas – Av da Liberdade, junto ao monum. mortos da Grande Guerra)
  • Londres: 15:00 na Embaixada Portuguesa em Londres (11, Belgrave Square, SW1X 8PP) Evento no Facebook
  • Loulé: 16:00 no Mercado Municipal - Evento no Facebook 
  • Marinha Grande: 15:00 Parque da Cerca - Evento no Facebook
  • Paris: 15:00 Consulado Geral de Portugal  rue Georges Berger,  Evento no Facebook.
  • Ponta Delgada: 15:00 Largo 2 de Março -> Rua de Lisboa -> Campo de São Francisco -> Avenida Marginal -> Praça Vasco da Gama -> Portas da Cidade – Evento no Facebook
  • Portalegre: 16.30 horas na Praça da República, Evento noFacebook
  • Portimão: 16:00 Pr Manuel Teixeira Gomes (Casa Inglesa) – Evento no Facebook
  • Porto16:00 na Praça da Batalha - Evento no Facebook
  • Tomar: 15:00 noJardim em frente ao Colégio-  Evento no Facebook
  • Torres Novas: 14:00 Pr. 5 de Outubro – Grupo no Facebook
  • Santarém: Centro de Emprego, Prc Alves Redol - Evento no Facebook
  • Setúbal: 16:00, Largo José Afonoso – Evento no Facebook
  • Viana do Castelo: 15:00 na Praça da República - Evento no Facebook
  • Vila Real: 16:00 Câmara Municipal - Evento no Facebook
  • Viseu: 16:00 Jardim Santa Cristina - Evento no Facebook» (In blog «Aventar»)

ANGOLA E O RACISMO NEOCOLONIAL PORTUGUÊS


«O kota (*) Ribeiro tá uatema (**), meu irmão
27/02/2013 Por Carlos Fonseca Deixa um Comentário
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«O editorial a que o ‘Público’ se refere, de autoria de José Ribeiro, foi publicado no passado dia 24 de Fevereiro no ‘Jornal de Angola’. Poderá ser lido aqui.»

«Conheço bem Angola, sem nunca ter lá vivido. Durante duas décadas as minhas doze a catorze deslocações e estadias por ano no terreno contribuíram, decisivamente, para tecer uma rede de amigos que ainda conservo – pretos, brancos e mestiços, sem distinções de cor de pele, quase todos afectos ao MPLA. Mesmo no Huambo (Nova Lisboa anterior) conversei, bebi e até dancei músicas tropicais, ao som do merengue e de bombardeamentos da UNITA posicionados ao redor da cidade – em 1992 estive lá dez dias em negociações de produtos alimentares com o comissário de então, entretanto falecido, e o director local do Banco Nacional de Angola.
Tive ainda a oportunidade de conhecer o Dr. Bernardino, branco e jovem médico. Homem de ímpar generosidade e humanismo que cuidava daquela desgraçada gente. Infelizmente viria a ser assassinado por homens da UNITA.
O assassinato do Dr. Bernardino adensou o meu anterior repúdio pela UNITA. Nunca entendi e critiquei sempre o apoio de Mário Soares ao movimento de Jonas Savimbi e as visitas de políticos portugueses à Jamba.
Em 1989, estava em Angola, quando se despenhou o avião na Jamba (cidade-estado da UNITA), em que viajavam João Soares (PS), Rui Gomes da Silva (PSD e agora comentador de futebol na SIC) e Nogueira de Brito (CDS). Sempre achei insensato e ofensivo dos direitos da soberania territorial a atitude de visitar a Jamba, por parte de políticos portugueses.» (Falta dizer que João Soares, Rui Gomes da Silva e Nogueira de Brito eram apoiantes-colaboracionistas do infame regime do Apartheid da África do Sul)
«Quanto à minha opinião sobre a UNITA e Jonas Savimbi, estamos conversados. Todavia, os artigos do director do ‘Jornal de Angola’, repescando inopinadamente as relações entre políticos portugueses e Jonas Savimbi são, a meu ver, coisa diferente – zelo e submissão por parte de um órgão de informação, beneficiário de ser jornal diário único do País e obviamente do regime, de 1975 a 2008.
Sobretudo, os artigos do género são inequívoca prova de que, na alma do director do diário angolano, permanece um ódio contra certos portugueses que se relacionaram com Savimbi, sendo grave tornar extensivo esse mesmo ódio a todo um País, Portugal, onde há imensos cidadãos amigos de Angola e incapazes de se rever na loucura do Ministério Público português.
De súbito e desmioladamente, o citado órgão de justiça português decide instaurar processo atrás de processo a políticos e dirigentes angolanos, deixando arrastar, se necessário até à prescrição, outros processos que envolvem personalidades portuguesas, de banqueiros a políticos, em alegados (adoro este jargão) actos de suspeita e elevada criminalidade – incluindo, a evasão fiscal.



Entidades portuguesas, incluindo as estruturas da justiça e certa imprensa, deveriam ser mais prudentes no que decidem e escrevem sobre Angola – ou sobre outra qualquer ex-colónia portuguesa, Brasil incluído. Na reestruturação própria da globalização, países emergentes, detentores de vastos recursos em alguns casos, são autónomos, independentes e poderosos no aproveitamento desses mesmos recursos outrora explorados por potências coloniais.
Em termos de corrupção, em Angola ou Portugal, aos poderes não há espaço para defender uns a favor de outros. Do Futungo de Belas ao Musseque do Prenda a distância é a mesma que da Quinta da Marinha ao Bairro das Marianas . Não é medida em metros ou quilómetros, mas através do abismo social entre quem se apropria das riquezas de um país e aqueles que sofrem de privações de vida minimamente digna, de pobreza e até de miséria.
Portanto, rogo-te ‘kota’ (*velho) Ribeiro que não estejas ‘uatema’ (**zangado). Combate também a corrupção nas tuas terras, que é visível e mantém contactos privilegiados com a aristocracia empresarial portuguesa.
O pós-colonialismo inverteu as relações entre povos. Chamam-lhe ‘neocolonialismo’. Eu chamo-lhe outra coisa, bem mais simples: multiplicar os plebeus, a favor dos privilegiados por fortunas ilegítimas e em expansão dos ex-colonizadores e ex-colonizados. Se estiveres atento, verás que, de um e de outro lado, eles, os investidores, se associam amigavelmente. Aqui ou aí. Evito citar nomes. Tanto quanto eu, tu conhece-los e em relação a alguns tens especial reverência – entendo, mas não aceito.» (In blog «Aventar»)

VERDADES INCONVENIENTES SOBRE A PRÁTICA POLÍTICA II



«A Internacional Socialista está em crise profunda porque os partidos que dela fazem parte cortaram as suas raízes históricas, abdicaram de ter um pensamento próprio, autónomo, original, e julgaram erradamente que se renovavam catrapiscando ideias e propostas dos seus adversários da direita neoliberal e neoconservadora. Os resultados estão à vista.» (Alfredo Barroso, ex-governante socialista, em texto divulgado no jornal «Público»)

O conceito liberalismo foi utilizado significando a ideia de liberdade. Nesta época o escocês Adam Smith (1723-1790) publicou o livro «A Riqueza das Nações» (1776) contra o que restava do feudalismo e contra as restrições do mercantilismo. Esta obra deu origem ao chamado liberalismo económico. No entanto, Adam Smith nela escreveu que a «mão invisível» do mercado faria descer o preço das mercadorias e faria subir os salários.
Tudo isto foi no século XVIII. No século XIX, os filósofos alemães Karl Marx (1818-1883) e Friedrich Engels (1820-1895) consideraram que a Igualdade tão defendida na Revolução Francesa de 1789-1799 não se concretizou e que a tal «mão invisível do mercado» não fazia subir os salários, mas tinha dado origem a salários de miséria. Já os socialistas utópicos tinham constatado que o capitalismo dera origem a salários muito baixos que tornavam a vida dos operários miserável.
Depois de estudarem a fundo a Filosofia Clássica alemã (sobretudo Hegel), a Economia Política britânica (sobretudo Adam Smith e David Ricardo, 1772-1823) e o Socialismo Utópico francês e britânico (Saint-Simon, 1760-1825, Charles Fourier, 1772-1837, Louis Blanc, 1811-1882, e Robert Owen, 1771-1858) Marx e Engels inventaram uma nova teoria política e económica a que chamaram comunismo, sintetizada na obra conjunta «Manifesto do Partido Comunista» (1848). A crítica mais aprofundada ao capitalismo escreveu-a Marx em «O Capital» (1867, 1ª Ed.).
As igrejas cristãs de um modo geral estavam ao lado dos mais ricos e daí surgirem as obras chave da filosofia ateísta escritas por Karl Marx e por Friedrich Engels. Marx fez um doutoramento na Universidade de Iena com a tese «Diferença entre a Filosofia da Natureza de Demócrito e de Epicuro» em 1841 onde salienta o facto de Epicuro ter buscado encontrar um lugar para a liberdade do homem em face da natureza, opondo-se ao determinismo natural de Demócrito. Marx escreveu «Crítica da Filosofia do Direito de Hegel», 1843, «Teses sobre Feuerbach», 1884, e  Friedrich Engels «Anti-Dühring» (1878) e «Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Clássica Alemã», 1888. Karl Marx foi um académico e Friedrich Engels foi um autodidacta porque era filho de um rico industrial e não precisava da carreira universitária para a sua subsistência, sendo o objectivo do pai ensiná-lo a gerir as suas fábricas.
Marx e Engels foram apenas uns teóricos, não tendo as suas ideias dado origem a qualquer regime político de um país enquanto foram vivos. Foi o filósofo e político russo Lenine (Vladimir Ilitch Ulianov, 1870-1924) que desenvolveu as ideias de Marx e Engels para as aplicar à prática governativa, sendo a síntese dos estudos destes três homens  conhecida por marxismo-leninismo (conceito um pouco injusto para com Engels, que assim ficou por uma questão de simplificação).
Lenine tomou o poder no maior país do Mundo, a Rússia, através da Revolução Russa de Outubro de 1917 (Novembro no calendário gregoriano ou europeu ocidental). Devido ao gigantismo da Rússia, Lenine subdividiu-a em repúblicas a que chamou União Soviética, em 1922 (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas). Marx, Engels e Lenine definiram a ditadura do proletariado como um regime transitório que iria dar origem a uma nova forma de democracia e a uma sociedade sem classes. A ditadura do proletariado, na prática, deu origem à ditadura da classe política e o regime fundado por Lenine implodiu, isto é, autodestruiu-se nos finais do século XX, em 1991. As repúblicas criadas por Lenine foram substituídas, mais tarde, por repúblicas étnicas pelos seus seguidores. Do regime comunista criado por Lenine apenas ficaram as fronteiras das repúblicas étnicas, que vigoravam em 1991. A Rússia com Lenine tinha um regime misto de propriedade estatal e propriedade privada, o seu sucessor Estaline levou à letra as ideias de Marx e Engels, e nacionalizou todas as empresas de todos os ramos, excepto algumas cooperativas agrícolas. Com a implosão do regime surgiu o primeiro caso na História da Humanidade de privatização de empresas que foram parar à posse de pessoas que não tinham dinheiro para as comprar, porque não havia ricos no sentido financeiro do termo na União Soviética. A classe  política não era proprietária, mas usufrutuária. Assim, em vez de compradas as empresas estatais foram dadas, na prática, aos amigos de quem estava no governo, tendo surgido, pela primeira vez na História da Humanidade, uma alta burguesia através do método feudal de concessão de bens aos amigos. A alta burguesia russa actual é uma alta burguesia de origem feudal.
Paralelamente ao marxismo-leninismo desenvolveu-se na Europa o chamado socialismo democrático (ou social-democracia) que partiu do revisionismo das ideias de Marx, adaptando-as e associando-as às ideias democráticas dos iluministas do século XVIII, como a Jean-Jacques Rousseau e à sua obra «Contrato Social».
Teve importância decisiva, neste processo, o SPD da Alemanha, fundado em 1890 (27 anos antes da Revolução Russa de Outubro de 1917), Partido Social-Democrata da Alemanha (Sozialdemokratische Partei Deutschland). Teve origem no SAPD, criado em 1875, (Sozialistische Arbeiterpartei Deutschlands) «Partido dos Trabalhadores Socialistas da Alemanha».
Karl Kautsky (1854-1938) foi um teórico político alemão, um dos fundadores da ideologia social-democrata. Foi uma das mais importantes figuras da história do revisionismo do marxismo, tendo editado o quarto volume de «O Capital» («Das Kapital»), de Karl Marx, a Teoria da Mais-Valia, que continha a avaliação crítica de Marx às teorias económicas dos seus predecessores.
Kautsky estudou História e Filosofia na Universidade de Viena em 1874, tornou-se membro do Partido Social Democrático da Áustria (SPÖ) em 1875. De 1885 a 1890, ele viveu em Londres, onde se tornou amigo de Friedrich Engels. Em 1891 foi co-autor do Programa de Erfurt do Partido Social Democrata da Alemanha (SPD) com August Bebel e Eduard Bernstein.
Eduard Bernstein (1850-1932) foi um político e teórico alemão, que estudou, aprofundadamente, as obras de Marx e Engels, com o objectivo de as rever e enquadrar alguns dos seus objectivos na democracia parlamentar. Foi um revisionista da teoria marxista e um dos principais teóricos do chamado socialismo democrático ou social-democracia.

O SPD, um partido criado por defensores do socialismo, que, no entanto,  se foi afastando, cada vez mais,  da ideia da tomada do poder através de uma revolução e adoptou o objectivo de chegar ao poder através de eleições. Esse objectivo foi ficando cada vez mais próximo à medida que o SPD ia subindo nos resultados eleitorais.
August Ferdinand Bebel (1840-1913) foi um social-democrata alemão e um dos fundadores do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD).
Foi o fundador do Sächsische Volkspartei (Partido Popular da Saxónia) em 1867 junto com Wilhelm Liebknecht, e do SDAP (Sozialdemokratische Arbeiterpartei, Partido dos Trabalhadores Social-Democratas da Alemanha) em 1869, que se fundiu com o ADAV (Allgemeiner Deutscher Arbeiterverein, "Associação Geral dos Trabalhadores Alemães") em 1875 para formar o SAPD (Sozialistische Arbeiterpartei Deutschlands, "Partido dos Trabalhadores Socialistas da Alemanha"), que mudou o nome para Partido Social Democrata da Alemanha em 1890.
O SPD da Alemanha foi um dos criadores do, actualmente, chamado modelo social europeu.
A implosão do marxismo-leninismo na União Soviética e nos restantes países europeus deu também origem a uma grande viragem à Direita dos partidos agrupados na «Internacional Socialista», uns chamados de «Partidos Socialistas» e outros «Sociais-Democratas» como o SPD alemão.
Entretanto houve uma corrupção e subversão total da palavra liberalismo pelo fascista Milton Friedman (1912-2006), da Universidade de Chicago, o criador do chamado «neoliberalismo». Friedman foi um fascista praticante, foi assessor do torturador, ladrão e assassino Pinochet, no Chile, durante a ditadura fascista. Liberalismo hoje não significa o que significava no século XVIII. Neoliberalismo significa usar o Estado para criar leis que permitam  o domínio opressor da alta burguesia e a sensação de medo nos assalariados com o despedimento sem justa causa, em síntese, liberdade para a alta burguesia e insegurança e empobrecimento para os assalariados.
O «neoliberalismo» do fascista Milton Friedman tornou-se dominante na Europa, está por detrás do Tratado de Maastricht, da criação da moeda euro e do falso «BCE».
A crueldade da dupla fascista Pinochet-Milton Friedman passou para o chamado PPE («Partido Popular Europeu») a que pertence Ângela Merkel, e também Passos Coelho e Paulo Portas.
Contrariamente ao que pretendia Adam Smith que era uma subida de salários, os «neoliberais» querem baixar os salários para níveis próximos do trabalho escravo. Os partidos da «Internacional Socialista» têm pactuado com o neoliberalismo.
A crise da Zona Euro é uma crise imposta pelos neoliberais europeus, cuja crueldade, em termos éticos e morais é igual à da dupla fascista neoliberal Pinochet-Milton Friedman.
O assassinato da economia da Grécia pelos neoliberais é de um nível de crueldade igual à da dupla Pinochet-Milton Friedman. E querem também assassinar a economia de Portugal, da Irlanda, da Espanha e da Itália.
O neoliberalismo é uma Ditadura da alta burguesia, praticada quer no fascismo, quer, paradoxalmente, em democracias, com o chamado discurso das «inevitabilidades», do caminho «único». O objectivo do neoliberalismo é maximizar o enriquecimento da alta burguesia, empobrecendo, o mais possível, o factor trabalho.
É altamente preocupante a entrada do neoliberalismo na «Internacional Socialista». Foi a ideologia neoliberal que esteve por detrás da nacionalização dos prejuízos do banco BPN por José Sócrates e, pasme-se, não nacionalizou os activos da SLN (Sociedade Lusa de Negócios) proprietária do banco BPN, em que houve um desfalque de, pelo menos, 7 mil milhões de euros.
(Este artigo continua neste blog)

VERDADES INCONVENIENTES PARA O SENHOR DA GUERRA FRANÇOIS HOLLANDE



«El ministro francés de Exteriores niega su responsabilidad en muerte de fotógrafo en Siria


  


El ministro francés de Relaciones Exteriores, Laurent Fabius, expresó muy justamente su pesar por la muerte del fotógrafo francés Olivier Voisin en la región de Idlib, durante un combate entre elementos de al-Qaeda y fuerzas del Ejército Árabe Sirio.
El ministro francés enfatizó, sin embargo, que «los Estados están obligados a garantizar la protección de los periodistas, incluso en caso de conflictos armados». Como acostumbra a hacerlo, el jefe de la diplomacia francesa atribuía así la responsabilidad del drama al gobierno de Siria.
Lo que no mencionó el ministro francés es que Olivier Voisin había entrado en Siria de forma ilegal. El fotógrafo francés trabajaba para Reporteros Sin Fronteras, asociación francesa financiada por la NED –una fachada legal de la CIA–, y se hallaba en Siria como periodista «embedded» [en español, “incrustado”] en una unidad combatiente de al-Qaeda.» (In «Red Voltaire»)

CRÍTICA FUNDAMENTADA AO NEOLIBERLALISMO


Os melhores jornalistas portugueses já não têm acesso às televisões, porque são perigosos para os interesses da alta burguesia. Por enquanto ainda têm acesso aos jornais tradicionais, como é o caso de Baptista-Bastos. No dia em que o elemento da alta burguesia comercial Alexandre Soares dos Santos do «Pingo doce», que foge ao Fisco, alegremente, indo pagar os impostos à Holanda, graças às leis criminosas da União Europeia, veio dar lições aos outros de uma moral que ele não tem, foi publicado um bom texto de Baptista-Bastos. Alguém consegue imaginar Baptista-Bastos na TVI 24, todas as semanas, com o mesmo tempo de antena do vigarista Medina Carreira e de dois propagandistas-vigaristas ex-líderes do PSD, um na TVI 24 e outro aos domingos na TVI de sinal aberto?

«Tudo indica que o Grande Manitu das finanças portuguesas não passa de uma fraude. O homem, tido e havido como um génio sem par, não lhe acerta uma. De cada vez que se põe a prever, a projectar números e concepções, sai tudo errado; pior: acontece o contrário, com a consequência nefasta de afectar milhões de nós. Só agora, as indignações e os vitupérios começaram a surgir. E posta em causa a competência de Vítor Gaspar. Não se lhe exige que seja uma pitonisa de Delfos, dispondo de poderes premonitórios quase divinos. Mas pede-se-lhe, unicamente, que faça bem o seu trabalho: analise, compare, estatua as previsibilidades do mercado. A experiência ideológica aplicada a Portugal, de que ele é um obediente serventuário, conduz a um esvaziamento do próprio animus colectivo, resultado de um empreendimento de sujeição baseado no medo, na violência e na unilateralidade de pensamento.
No domingo, durante o programa Prós e Contras, de Fátima Campos Ferreira, um dos melhores que vimos, o general Loureiro dos Santos referiu que, nas Forças Armadas, um oficial superior que se enganasse tanto e tantas vezes, já tinha sido despedido. Aliás, durante a sessão, as críticas às definições e às decisões do Governo foram das mais lúcidas interpretações que tenho ouvido acerca da maneira e do modo como estamos a ser conduzidos e governados. Todo o poder encontra sempre uma resistência, sobretudo quando actua admitindo não haver possibilidade de escolha e de alternativa. As decisões são aceitas e tomadas em conjunto.
É, pois, preciso não esquecer de que a desgraça que nos atinge estende-se, na sua imperiosa e grave crueldade, à culpa de todos os membros do Executivo. Nenhum é inocente e cada um e todos terão de ser punidos, para lá do que as urnas disserem. A correlação entre acção e indulgência, que se tornou uma absurda normalidade, tem de ser interrompida, e os governantes responsabilizados. Recordo que a França, após a Libertação, criou a figura jurídica de "indignidade nacional" aplicável aos que haviam tripudiado sobre "a honra da pátria e os direitos de cidadania."
O lado "punitivo e ideológico", de que fala a eurodeputada socialista Elisa Ferreira, foi por eles criado e desenvolvido com inclemência e zelo. Resgatar a tragédia aplicando-lhes o mesmo remédio é uma tese que faz caminho, como resposta de justiça, nunca como retaliação ou vingança. Justiça, pura e simplesmente
O que este Governo nos tem feito representa a mais grave contraconduta social, política, cultural e humana verificada em Portugal desde o salazarismo. O discurso oposicionista não pode, somente, ser "diverso" e incidir, apenas, na "actualidade" portuguesa. Os sicários deste projecto encontram-se espalhados transversalmente por todos os sectores da actividade europeia, mas não há batalhas inúteis, nem lutas sem sofrimento.» (Baptista-Bastos, in «DN» net)

O SEMANÁRIO «EXPRESSO» PROPAGANDISTA DA DIREITA PORTUGUESA E INTERNACIONAL FOI MARCADO PELA ACÇÃO DO VIGARISTA HENRIQUE MONTEIRO


A seguir vai uma resposta a esse vígaro Henrique Monteiro, cuja profissão é tentar enganar os portugueses. É pago para enganar os portugueses. Esta profissão de propagandista dos interesses da alta burguesia é uma profissão para mentirosos.
Neste blog há textos e documentação sobre as falsidades do jornal «Expresso», nomeadamente fotografias de páginas do livro «Cette nuit la liberté»,

copiadas por Miguel Sousa Tavares, outro indivíduo do «Expresso», para o livro «Equador».

"«Que se lixe a troika e a seguir faz-se o quê? Lixa-se os agentes da troika. Uma resposta a Henrique Monteiro
Publicado em Fevereiro 27, 2013 por António Paço
«Que se lixe a troika! Ok! E faz-se o quê?», interroga Henrique Monteiro no Expresso e no Facebook, para concluir que não há alternativa à troika e que «não é possível fazer milagres».

Conheci o Henrique Monteiro «há muitos anos, quase 40» quando, acha ele agora, era um «idiota útil». Baixo, magrinho, usava uma gabardina sebenta estilo «inspector Columbo» e um sorriso malandro na cara. Era-me simpático, embora nunca tenhamos chegado a ser amigos. Diz ele que na altura alinhava em coisas como «unimo-nos todos contra uma coisa e, depois, logo se vê do que somos a favor». Na verdade, não era bem isso: ele era a favor do que achava que existia na China, e frequentemente as discussões políticas acabavam, à falta de melhor argumento, com ele a invocar os 800 milhões de chineses que supostamente defendiam o que ele dizia. Nisso, parece que a única coisa que mudou foi o número de chineses: agora são mais…

«Como pagamos aos credores as nossas dívidas, se os mercados nos cortam o crédito e a troika não dá mais dinheiro?», pergunta Henrique Monteiro.


Tantos erros no ditado, Henrique Monteiro! As dívidas não são nossas. São essencialmente dívidas privadas, contraídas pelos bancos, que foram buscar dinheiro a outros bancos e instituições financeiras: sobretudo alemãs, francesas, inglesas. Estados como o português, o irlandês, o espanhol ou o grego fizeram-se garantes dessas dívidas privadas e põem os cidadãos contribuintes a pagá-las. E quem são os beneficiários desses pagamentos? Mistério. Jörg Rasmussen, do directório do BCE, disse a Harald Schumann, jornalista do canal Arte, que não se pode divulgar quem são os beneficiários dos pagamentos que todos os cidadãos estão a fazer para salvar a banca por que «isso está protegido pelo segredo industrial e comercial».

Mas não é escandaloso gastar milhares de milhões de euros dos contribuintes para financiar o reembolso de credores/especuladores privados sem que se saiba sequer quem são esses credores/especuladores? O dinheiro «emprestado» a Estados como Portugal, Irlanda, Espanha e Grécia faz apenas uma viagem de ida e volta. Volta para os bolsos dos especuladores que, a partir de bancos alemães e outros, investiram dinheiro em projectos privados sem garantias reais de serem viáveis. Num texto de hoje, curiosamente, H. Monteiro afirma que «o único prejudicado de uma má escolha é o próprio». Porém, está a defender o contrário: um capitalista pode ter lucro, mas também se arrisca a ter perdas. Ora o que está a acontecer é que alguns capitalistas que fizeram más escolhas querem transferir as perdas para os contribuintes dos países do Sul da Europa. E estão a contar para isso com a colaboração dos governos desses países, entre eles o nosso.

«Não pagamos? Sendo assim, como nos financiamos?» Eis outra pergunta interessante.

Estas dívidas não são pagáveis. Todos, a começar pelo BCE e pela UE, o sabem. Chegará sempre um dia em que não poderão ser pagas. Mas entretanto que acontece: vamos «dando sangue» aos bancos alemães, franceses, britânicos. E governos como o de Passos Coelho aproveitam a oportunidade para destruir o Estado social, cortar salários e subsídios, promover despedimentos. Na verdade, o objectivo mais importante do «pagamento da dívida» é operar uma contra-reforma de dimensões gigantescas e fazer uma transferência maciça de recursos do trabalho para o capital.

A actividade económica só poderá ser relançada se estas dívidas assumidas pelos Estados forem anuladas. Ou seja, mais tarde ou mais cedo, será necessário cancelar a dívida. A continuação desta política, em que os Estados assumem a dívida essencialmente de investidores privados, acabará por ir bater às portas da Alemanha (de onde proveio boa parte do financiamento desses investimentos privados). Por isso haverá financiamento, Henrique Monteiro. Os capitalistas do Norte da Europa não querem prescindir da força de trabalho do Sul. Muito pelo contrário.

 Wolfgang Schäuble, ministro das Finanças da Alemanha, diz que é preciso salvar os bancos porque, como eles estão todos ligados, se um perde a credibilidade, todos podemos perguntar-nos se os outros são credíveis. Por isso, a intervenção do BCE, diz Jörg Rasmussen, teve como critério garantir a estabilidade dos preços e a estabilidade dos mercados financeiros. Não, evidentemente, salvar a economia dos países do Sul da Europa.

Mas afinal, se afirmam que os resgates são indispensáveis para salvar o sistema, ao menos dêem-nos as provas dessa afirmação. Isso ninguém até agora o fez." (In blog «5 Dias net»)

CRISTIANO RONALDO - JOGOU MUITO MELHOR QUE MESSI - PARA ESQUECER UM POUCO A ESPIRAL RECESSIVA


terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

ELEIÇÕES LEGISLATIVAS NA ITÁLIA – DERROTA COLOSSAL DO EX-DITADOR TROIKISTA MÁRIO MONTI


A colossal derrota do ex-ditador pró-troika Mário Monti (ex-quadro do banco Goldman Sachs) abalou a  Alemanha de Ângela Merkel e toda a Zona Euro.


(In «CORRIERE DELLA SERA» net)