sábado, 31 de outubro de 2015

Francisco de Assis, homem dos 'tachos' do «Centrão dos Interesses», representa a direita neoliberal-germanófila, cavalo de tróia da Máfia de Bilderberg

Era muito interessante que Francisco de Assis, fosse trabalhar fora dos 'tachos' partidários. Um indivíduo que não trabalha no mercado de trabalho, despreza quem vive do seu trabalho assalariado e presta vassalagem às máfias das altas burguesias, nomeadamente à Máfia de Bilderberg, que pontifica na SIC, no Expresso e na TVI.
Defensor acérrimo do regime do Apartheid para Portugal devia ir para a África do Sul tentar restaurar lá o regime do Apartheid. Francisco de Assis, licenciado em Filosofia, curso que não dá para ganhar muito dinheiro, viu na política a oportunidade de enriquecer. Cavaquista, defende as posições reaccionárias e seninófilas de Cavaco Silva.

Assis anda a organizar uma rebelião dentro do PS, que se assuma como cavaquista e defensora do Regime do Apartheid.


«Gincana de torcidelas

Assis igual a si próprio,
só é pena não lhe dar para o bem





Hoje dou-me ao luxo de citar generosa e longamente passagens do artigo de Francisco Assis no Público confiando que, por si mesmos, os leitores descubram as viciações a que ele procede.

«(...)1. A comunicação presidencial da semana passada teve, entre outras, a consequência nefasta de consolidar a ideia de que ao longo dos últimos 40 anos se viveu num regime de apartheid político com a exclusão dos partidos situados à esquerda do PS. Com o apoio activo de alguns sectores do Partido Socialista – nuns casos por pura má-fé,» [Francisco (de) Asssis anda na política de má-fé, é um arrivista, cujo objectivo é enriquecer, colocando-se do lado da alta burguesia, do lado do Capital contra o mundo do Trabalho] «noutros por manifesto desconhecimento da nossa história democrática – os partidos da extrema-esquerda têm vindo a impor a tese segundo a qual foram objecto de uma ostensiva marginalização parlamentar de carácter não democrático. Ora isso pura e simplesmente não é verdade. 

« (...) O conceito de “arco da governação” nunca teve, da parte de quantos perfilham os princípios e valores de natureza demo-liberal, um significado ontológico ou sequer normativo. Tão-pouco ele resultou de uma vontade premeditada de exclusão de quem quer que fosse do debate político nacional. E de tal forma assim foi que em bom rigor essa exclusão jamais se verificou. Senão vejamos: os deputados do PCP e do Bloco de Esquerda – uns logo desde o início da Segunda República e os outros mais recentemente – contribuíram para a tomada de decisões parlamentares da maior relevância pública. Foram determinantes para derrubar governos, concorreram para a aprovação de legislação de inegável importância, participaram activamente no processo de fiscalização da acção executiva. Carece por isso de qualquer fundamento a proclamação em voga de que esses partidos vão agora ser resgatados a uma espécie de condição de clandestinidade parlamentar a que estariam votados. (...)»
«(...) Como tal, só é possível extrair uma conclusão séria: a extrema-esquerda parlamentar optou deliberadamente – com uma legitimidade, de resto, inatacável – por um acantonamento político impeditivo de qualquer participação não só na esfera estrita da governação, como no horizonte mais vasto de definição das grandes prioridades nacionais. Não foi excluída: auto-excluiu-se em nome da fidelidade a um modelo de regime e de organização económica e social claramente repudiado pela maioria dos cidadãos portugueses. Tentar inverter a situação releva de despudorado cinismo político.» [ Francisco (de) Assis é, ele próprio, um campeão do cinismo político (e do arrivismo social, subiu na vida arrivisticamente)] «Seria bom que alguns actuais deputados do Partido Socialista que andam por aí levianamente a proferir barbaridades olhassem com mais rigor para a históriada «auto-exclusão» do partido que conjunturalmente representam. (...)».


Francisco (de) Assis e a «II República»
O conceito República opõe-se a Monarquia. Ora Portugal teve a I República de 5 de Outubro de 1910 a 28 de Maio de 1926, a II República de 28 de Maio de 1926 a 25 de Abril de 1974 e a III República começou em 25 de Abril de 1974.

Américo Tomás não foi presidente da Monarquia, mas presidente da República. República não se opõe a ditadura, se assim fosse a rainha de Inglaterra era rainha da República do Reino Unido.

E, face a esta gincana de sofismas e entorses argumentativos, só quero deixar três breves observações :

1.  Por mim, jamais falei de «apartheid» contra o PCP ou o BE em termos globais e totais até porque isso seria desvalorizar a relevantíssima contribuição do PCP para a discussão e antes parlamentar de numerosos avanços de carácter progressista as mais diversas áreas (a título de mero exemplo, lembro que foi em 1982 que, sózinho e sem êxito, o PCP propôs a despenalização do aborto).

2. É espantoso que Francisco Assis comece por citar a comunicação do PR e nem isso o leve a perceber que o que mais está em causa é um «apartheid» no que  respeita à participação ou infuência governativa.

3. Quanto à teoria franciscana da «auto-exclusão» , muitos agradeceriamos penhorados que Assis contasse e documentasse que diligências sinceras, sérias e de boa-fé fez o PS junto do PCP antes de formar governo com o CDS e depois com o PSD e mesmo depois antes da formação dos seus governos minoritários.» (In blog «O tempo das cerejas 2)


«A vez da esquerda



A leitura na internet dos comentários sobre a possibilidade de o país vir a ter um governo do PS, com o apoio parlamentar do BE e PCP, tem sido muito instrutiva. É particularmente interessante ler o que escrevem as pessoas ansiosas pela mudança de governo que se avizinha. Percebe-se que o sofrimento infligido pelas políticas do anterior governo não desapareceu e deixará marcas profundas na sociedade portuguesa. Como é comum nas redes sociais, as emoções andam à solta e turvam a avaliação dos riscos e das potencialidades desta solução política. Mesmo as pessoas ponderadas, e até com instrução superior, têm dificuldade em criar o distanciamento necessário a uma avaliação crítica da conjuntura política. Este clima psicossocial torna mais difícil uma intervenção realista que não queira assumir o papel de Cassandra.

Num contexto de grande alívio para a maioria da população, por finalmente nos vermos livres do governo da PàF, percebe-se como é delicado fazer uma avaliação do que pode ganhar o país com esta experiência governativa. Antes de mais, é possível melhorar a vida de muitos cidadãos revogando legislação com evidente marca ideológica e escasso impacto orçamental em vários sectores, a começar pela legislação laboral. Depois, consegue-se evitar dois rudes golpes sobre o sistema de pensões. O primeiro, sobre as pensões mínimas, num valor para quatro anos estimado em 1020 milhões de euros. Graças ao acordo à esquerda, os militantes socialistas evitam passar pela vergonha de ver um governo da PàF aplicar uma medida que está no programa do PS e transformar um direito social – a pensão mínima como direito conferido pelo trabalho – numa medida de assistência pública sujeita a condição de recursos.

O segundo golpe, a redução da TSU, diz respeito à utilização dos descontos para a Segurança Social como instrumento de política económica, o que frontalmente viola o contrato social que sustenta a nossa democracia. Este autonomizou o orçamento da Segurança Social e conferiu-lhe uma gestão tripartida no âmbito da concertação social. A medida constituiria o precedente necessário para, mais tarde, permitir tratar a TSU como um imposto que, de facto, não é – como contribuição* social, é receita consignada que confere o direito a uma contraprestação –, o que sujeitaria o financiamento da Segurança Social aos ciclos políticos esquerda-direita. Seria o golpe final no legado histórico das lutas de gerações de trabalhadores por uma vida decente e pela mutualização dos riscos sociais. Para formar governo, o PS teve de deixar cair uma medida que foi bem acolhida pela PàF.

Há também uma distribuição um pouco mais justa do rendimento nacional que resultaria de uma política orçamental que, tanto quanto possível, transferisse alguns custos da austeridade para as classes de maior rendimento e património. Neste ponto, resta saber se a Comissão Europeia não invocará um imaginário impacto orçamental negativo dessas medidas para as recusar no exame prévio que fará ao Orçamento. E isto leva-nos ao ponto decisivo nesta experiência de “governo à esquerda”. Em que medida é possível fazer deslizar as metas do défice orçamental para acomodar os impactos das mudanças na política interna e da estagnação mundial? Como manter uma consistência mínima nesta política de esquerda, respeitadora das regras da direita, no quadro de um previsível endurecimento da atitude da CE e do Eurogrupo?

A forma como as esquerdas vão explicar ao povo as dificuldades que António Costa encontrará em Bruxelas para aprovar o seu primeiro Orçamento determinará a percepção da nova maioria social quanto à margem de manobra que nos sobra para o exercício da democracia. Esta experiência governativa deve conduzir a um alargamento da consciência popular de que o euro é a causa desta crise. Esta é uma oportunidade que a esquerda não pode desperdiçar. Para que Portugal tenha futuro, os que se identificam com Cavaco Silva na submissão ao ordoliberalismo alemão têm de ser derrotados. O dia 1 de Dezembro de 1640 não foi esquecido.

(O meu artigo no jornal i)

* Por lapso, no artigo está "prestação"» (Jorge Bateira in blog «Ladrões de Bicicletas»)

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Falta de honestidade e de inteligência de um professor de Direito Constitucional... um caso de insucesso escolar...

«Paulo Rangel ou...


... um caso perdido de
desonestidade congénita


Em artigo hoje no Público, Paulo Rangel arrota um desmedido elogio ao discurso do seu companheiro de partido Cavaco Silva e alinhava pressupostos que parecem directamente inspirados pelo artº 37º que ironicamente eu inventei para uma Constituição do Cavaquistal.

Para não ter de voltar a todos os truques, entorses e sofismas que esta gentinha anda a debitar, limito-me a dois exemplos:

1. A dado passo, Paulo Rangel (não posso abreviar para P.R. por causa do que se sabe) acusa o BE de «reivindicar, à semelhança do PCP, uma saída imediata da NATO» Ora já aqui demonstrei que do Programa Eleitoral do PCP consta efectivamente a defesa da «dissolução da NATO» mas não está lá nenhum reclamação de saída unilateral de Portugal daquela injustificável organização.

2. Depois, quase no fim, Paulo Rangel debita esta extraordinária pérola: «Enquanto o PCP conversa com o PS, os seus três deputados europeus convidaram todos os restantes (portugueses incluídos)  a assinar uma proposta  de emenda  ao orçamento europeu para se constituir uma linha financeira de apoio a uma saída negociada do euro. Em Lisboa, o PCP aceita ficar no euro mas em Bruxelas tudo faz para Portugal saia da zona euro. Não adianta desafiar Paulo Rangel a explicar o que é que uma parte atrás sublinhada tem que ver com a outra ou como é que  a criação daquela linha financeira (de eventuais, indistintos e abstractos beneficiários) tem que ver com a saída de Portugal do euro. Como, de igual modo, não adianta perguntar a Rangel se ele não leu a confissão de Schäuble de que 18 ministros do Eurogrupo tinham defendido o Grexit.


Francamente, caros leitores, depois
 do que todos temos gramado,
começo a desconfiar de que a
única maneira de discutir
com este pessoal ressabiado
é com argumentos ad absurdum.
 E, por isso, aqui fica
esta inocente pergunta :»


«


(In blog «O tempo das cerejas 2»)

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A eleição de Ferro Rodrigues mostrou que há uma nova maioria absoluta no Parlamento, parece estar para breve (Novembro de 2015) um governo apoiado por essa maioria

A queda do segundo governo de Passos Coelho está marcada para 8 e 9 de Novembro de 2015. 

«Pedimos desculpa pelo incómodo causado, mas a linha de fractura mudou de lugar
A insistência obsessiva de Cavaco Silva no «consenso», como garante da «estabilidade», assentou sempre no quadro mental que pressupõe a existência de uma linha de fronteira entre o «arco da governação» e os recorrentemente designados «partidos de protesto» (BE e PCP/PEV). E que, no âmbito do «arco da governação», compreende os sectores do centro esquerda (PS) e do centro-direita e direita (PSD e PP). Sejamos justos: este é o quadro mental com que, até ao passado dia 4 de Outubro, a sociedade portuguesa se habituou genericamente a encarar e a interpretar o espectro político português e a própria composição da AR. Nestes termos, a linha de fractura parlamentar atravessa o território da esquerda, sinalizando nomeadamente os distintos posicionamentos face à Europa e os diferentes graus de disponibilidade para governar.


Nas últimas eleições legislativas, como bem sabemos, os partidos de esquerda obtiveram a maioria dos lugares no parlamento (122, contra os 107 da coligação PàF) e 50,7% dos votos válidos (contra os 38,4% da coligação de direita). Mas esse não foi o dado mais relevante dos resultados eleitorais. A novidade, com um alcance verdadeiramente histórico, reside na disponibilidade efectiva para que PS, BE, PCP e PEV cheguem a um acordo que assegure o apoio no parlamento a um governo de esquerda e que, desse modo, garanta a «estabilidade» e o «consenso» a que Cavaco Silva tanto apelou. Sim, uma maioria parlamentar, só que situada à esquerda e com um entendimento diferente daquele em que o presidente estava a pensar.

As implicações deste novo quadro de relacionamento à esquerda são profundas, ameaçando tornar obsoleto o mapa mental a que por tradição se recorre para interpretar a vida política, a representação parlamentar e a própria governabilidade do país. Os denominadores comuns desse consenso - que se estão a desenhar a partir da observação dos compromissos internacionais, da defesa do trabalho, das políticas sociais públicas e do papel do Estado, bem como a partir da recusa de um modelo económico de subdesenvolvimento, assente nos baixos salários e na desqualificação - forçam a deslocação da linha de fractura convencional para o lugar onde esquerda e direita verdadeiramente se dividem. E isolam, na actual conjuntura, uma direita que glorifica a austeridade como pedra angular de todo um projecto político e legislativo. Ou seja, a direita da selvajaria neoliberal que, se se olhar ao espelho, já não consegue nele ver reflectido qualquer traço de social-democracia ou de democracia cristã. Aliás, foi a sua fúria e extremismo que muito contribuiu para o reforço e a convergência das esquerdas, instadas pelos eleitores, durante a campanha, a dialogar e a entender-se.

Como num movimento telúrico de tectónica de placas, esta deslocação da principal linha de fractura suscita medos e perplexidades. À direita, sobressai o medo que o Pedro Nuno Santos assinalou aqui, de forma particularmente cristalina: o medo de que a convergência à esquerda seja bem sucedida, apesar de todos os arremedos golpistas, dasabotagem em curso e da invocação artificial de fantasmas e demónios. À esquerda, a perplexidade de se constatar que ainda há quem considere que é possível e desejável, nas actuais circunstâncias (e com os actuais protagonistas), chegar a um acordo de merceeiro com a coligação PàF, como se água e azeite se pudessem, de súbito, misturar. Não percebendo (ou preferindo não perceber) que às vezes não há nada melhor, para se conseguir um bom avanço quando se está em posição desfavorável, do que fingir recuar.» (In blog «Ladrões de Bicicletas»)

«Ser ou não ser?



«Cavaco Silva, julga-se, ainda é Presidente da República. Marcelo Rebelo de Sousa, mesmo olhando para uma bola de cristal que adivinha o futuro, ainda não é. Mas Marcelo, não sendo PR, tem a noção da função que Cavaco, por motivos que só os deuses descortinam, deixou de ter.

Talvez por cansaço. Ou por distracção. Ou por convicção desleixada. Marcelo disse duas coisas simples: não é hora de dividir os portugueses em bons e maus e não é tempo de apostar num Governo de gestão que seria uma espécie de carrinho de choques sem travões. O ainda PR deveria escutar aquele que poderá ser o futuro inquilino de Belém. É certo que Cavaco vive o dilema que Sérgio Godinho cantou: "Pode alguém ser quem não é?" É difícil. É, para Cavaco, uma tarefa própria de um montanhista que quer escalar o Evereste, mas que se esqueceu de trazer botas apropriadas.

É certo que Cavaco é austero e dá-se bem com a austeridade. Mesmo a das ideias. Por isso torna-se evidente que ninguém, bafejado pelo juízo, vê vantagens num Governo de gestão. Torpedeado, todos os dias, pelo Parlamento que não o deixaria fazer umas coisas e o impeliria a fazer outras. Isto no meio de um OE inexistente. Componentes perfeitos para uma nova temporada de "The Walking Dead".

Cavaco pode não ser bom em estratégia e ser deficitário em táctica política, mas teria de sair da sua câmara de eco, onde a única voz que escuta é a sua. Há grupos de "heavy metal" que fazem isso, mas depois sofrem as consequências auditivas da sua atitude. Portugal precisa de um Governo sensato. Que perceba que não vai repor salários e pensões ou o confisco do IRS por inteiro. Um Governo que não diga, antes das eleições, que devolve 35% da sobretaxa de IRS. E que agora só dá 9,7%. Que finge dar com uma mão e depois faz desaparecer a oferta com um gesto mágico. Também não quer um Governo que, Quixote na luta contra os poderes instituídos, é uma alma santa que polvilha os lugares públicos com "boys" que poderiam ficar desempregados. Por isso Cavaco deveria ter-se resguardado. E ser, ainda, PR.»

Fernando Sobral» (Cit in blog «Entre as brumas da memória»)

«CAVACO E O RESTO DA DIREITA


AS DUAS POSIÇÕES DA DIREITA

O resto da direita está dividido quanto ao discurso de Cavaco. Simplificando, pode dizer-se que os apoiantes de Marcelo Rebelo de Sousa afirmam que do discurso se não pode deduzir que Cavaco não dê posse a um governo de António Costa, se houver uma maioria parlamentar que o apoie com base num acordo. Enquanto, a outra parte, mais fiel aos princípios que a regem, entende que o discurso de Cavaco se situou no âmbito dos seus poderes constitucionais, sendo, portanto, igualmente legítimas qualquer das opções que com base nele venha a adoptar.

Os apoiantes de Rebelo de Sousa não querem defrontar-se com a situação de o seu candidato ser obrigado durante a campanha eleitoral a ter de responder sobre o que fará uma vez eleito. Se Cavaco deixasse perpetuar até ao fim do seu mandato o governo rejeitado de Passos Coelho, Rebelo de Sousa não tinha como fugir à pergunta do que fará ele uma vez eleito: dissolve o Parlamento e marca novas eleições ou dá posse a um governo que goze de apoio parlamentar maioritário? Perante esta situação, Marcelo não pode esquivar-se. Vai ter que tomar posição e ambas as respostas o prejudicam, como mais ainda o prejudicaria a ausência de qualquer resposta.

Pelo contrário, os outros, entre os quais se conta Santana Lopes, embora reconheçam que o discurso de Cavaco teve o efeito perverso de ajudar a unir a esquerda, não deixam de sublinhar que as palavras de proferidas pelo Presidente da República aquando da indigitação de Passos Coelho se situaram no âmbito da constitucionalidade e não são assim tão diferentes das que outros presidentes, no passado, igualmente proferiram perante situações semelhantes, devendo atribuir-se a uma campanha orquestrada pela esquerda a ideia de que o discurso de Cavaco se situa fora dos poderes presidenciais.
Quanto à posição de Rebelo de Sousa e dos seus apoiantes, pouco haverá a dizer. Marcelo afirmou durante anos que o candidato presidencial de direita só poderia ganhar a eleição presidencial se tivesse capacidade para cativar cerca de dez por cento do eleitorado que tradicionalmente vota à esquerda ou se o candidato da esquerda fosse muito fraco. É essa a estratégia de Marcelo. Ela passa, primeiro, por dividir a esquerda e depois por tentar seduzir aquela parte do voto da esquerda que se situa mais à direita. Portanto, para Marcelo nada melhor do que Cavaco dar posse a António Costa, se a rejeição de Passos se confirmar. E nada pior do que a manutenção em funções de um governo de direita rejeitado.

Já quanto àquela parte da direita, mais fiel aos seus princípios antidemocráticos, que admite como igualmente válidas e politicamente aceitáveis qualquer das decisões que Cavaco venha a adoptar, no fundo o que essa direita verdadeiramente pretende é que Cavaco não dê posse a António Costa, mantenha Passos em gestão até ao fim do seu mandato e que o novo presidente convoque novas eleições para serem ganhas pela direita. Estes são os três objectivos que a direita tem em vista e todos eles assentam num único pressuposto: a esquerda não tem legitimidade para governar. Pode ter assento no Parlamento, até convém que tenha, mas governar está fora de questão.

Santana Lopes, agora bem mais próximo do Santana Lopes que conhecemos nos fins da década de setenta e durante a década de oitenta do século passado, é o que melhor e com mais clareza exprime este pensamento. Claro que Santana Lopes, como não é tão ignorante como Cavaco e como também conhece os meandros do direito constitucional, procura refugiar-se em pretensos lugares paralelos da história da democracia portuguesa para fundamentar a sua posição. E então invoca duas situações em defesa do seu ponto de vista.

A primeira, ocorrida em 1983 – portanto, já depois da revisão constitucional que altera os poderes do Presidente da República (1982) -, quando o Presidente Eanes, tendo dissolvido o parlamento maioritariamente formado pelos deputados da Aliança Democrática, composta pelo PSD/CDS/PPM, que haviam concorrido coligados e vencido as eleições de 1980, manteve Balsemão em funções por largos meses – até à tomada de posse de Mário Soares à frente do IX Governo Constitucional.
Não há semelhança nenhuma entre as duas situações, nem as coisas se passaram assim. Em primeiro lugar, o Governo Balsemão (VIII Governo Constitucional) caiu por dentro em virtude das desavenças entre Freitas e o Primeiro-ministro. Freitas nunca aceitou ser segundo de Balsemão, de modo que quando Eanes anunciou a decisão de dissolver o parlamento e depois a concretizou em Janeiro de 1983, não só não havia nenhuma outra alternativa política com apoio parlamentar como o próprio governo já tinha pedido a demissão. As eleições foram marcadas para o dia 25 de Abril e o Primeiro-ministro seguinte (Mário Soares) tomou posse quando constitucionalmente tinha que tomar. Não houve, portanto, qualquer prorrogação do governo em funções de mera gestão por o Presidente se negar a dar posse a uma outra solução de governo integrada por partidos diferentes dos que haviam até então governado. Como se vê por este simples exemplo, o passado está cada vez mais difícil de “prever” do que o futuro…

A segunda, ocorrida em 204, refere-se ao XVI Governo Constitucional presidido por Santana Lopes. Diz-se que o Presidente de então, Jorge Sampaio, condicionou a posse do governo à aceitação de uma espécie de “caderno de encargos” por ele imposto. Também não há qualquer semelhança entre a situação então ocorrida e actual, salvo a que decorre de em ambos os casos ficar bem patente que as eleições legislativas são eleições para deputados e não para primeiro-ministro! De facto, Sampaio, depois da demissão de Durão Barroso, para ocupar o lugar de Presidente da Comissão Europeia, hesitou longamente sobre se deveria ou não empossar Santana Lopes, que nem sequer deputado era, como primeiro-ministro. E acabou por concluir que, mantendo-se a coligação pós-eleitoral que apoiava o Governo Barroso e que sendo esta maioritária no Parlamento, deveria empossar como Primeiro Ministro a personalidade por ela indicada. A coligação indicou Santana Lopes e Sampaio deu-lhe posse. É verdade que no discurso de posse – e não antes – Sampaio teceu várias considerações sobre o caminho que o Governo deveria seguir. Considerações que se poderiam justificar se se destinassem a marcar a posição do Presidente relativamente ao Executivo, mas que já seriam descabidas, como foram, se tivessem a pretensão de balizar a acção do Governo. Tratou-se porventura do momento mais infeliz da Presidência Sampaio (sem esquecer a intervenção da NATO na Jugoslávia à margem do Direito Internacional), parecendo que subjacente a essas considerações havia uma espécie de má consciência ditada pela posse, como primeiro-ministro, alguém que nem sequer às legislativas havia concorrido.

De qualquer modo, Sampaio cumpriu a Constituição ao dar posse a Santana Lopes, devendo as ditas considerações sobre a acção do governo, proferidas na posse e não antes, entender-se como reveladores da sua posição perante o Governo e não como uma sujeição do programa do Governo à vontade do Presidente. Essa função, de apreciação do programa de governo e das eventuais consequências dessa apreciação, cabe no ordenamento jurídico-constitucional português inequivocamente ao Parlamento!


Assim, por mais que a direita tente justificar o discurso de Cavaco e a eventual recusa de um Governo de esquerda nenhuma dúvida poderá subsistir de que semelhante comportamento violaria gravemente a Constituição.» (J M Correia in blog «Politeia»)

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Vilafrancada, Abrilada, Cabralzada, DomCarloszada, Cavacada - golpes de Estado de Direita, para o rei D. Carlos I é que as consequências foram as piores...

O anunciado golpe de Estado, já conhecido por Cavacada, pode ter recuos. A direita PSD-CDS ganhou as eleições de 4 de Outubro de 2015, e por isso já elegeu Fernando Negrão, presidente do Parlamento. Ou será que me enganei... e foi Ferro Rodrigues eleito... e logo com os chamados votos inúteis, dos ditos deputados e deputadas inúteis?...

[Vilafrancada e Abrilada – golpes de Estado de Direita de D. Miguel (D. Miguel I)

Cabralzada (golpe de Estado de Direita de Costa Cabral)


Carloszada ou DomCarloszada (golpe de Estado de Direita do rei D. Carlos I, que suspendeu a Constituição, colocou João Franco como primeiro-ministro em regime de ditadura. Perigoso demais este golpe de Estado – o rei D. Carlos I foi assassinado em 1908, juntamente com o herdeiro do trono, D. Luís Filipe, em Lisboa no Terreiro do Paço, pelos republicanos; seu filho D. Manuel II subiu ao trono, mas não conseguiu evitar a implantação da Reública em em 5 de Outubro de 1910)]

«Cavaco e Darth Vader



«Depois de ter indigitado, e bem, Pedro Passos Coelho, Cavaco Silva conseguiu, e mal, dividir ainda mais a sociedade portuguesa. Como se vivêssemos num episódio da "Guerra das Estrelas" e os portugueses estivessem divididos entre guerreiros Jedi, os do Bem, e Sith, os do Mal.
Nesse aspecto o PS tanto pode estar de um lado ou de outro, mas para Cavaco, António Costa é Darth Vader. Antes do seu infeliz discurso, o PR talvez devesse ter escutado Yoda: "O medo é o caminho para o lado negro. O medo leva à raiva, a raiva leva ao ódio, o ódio leva ao sofrimento." Não ouviu. Tantas vezes arauto do consenso, Cavaco agarrou numa espada e dividiu dolorosamente Portugal ao meio. Seguindo a Constituição, deu a Passos Coelho luz verde para avançar. Nada de errado. Mas deveria, a seguir, ter-se abstido de comentários que acabam por ser delimitadores da sua própria actuação no futuro e que são tiros pela culatra. (...)
Os PR devem ter opiniões. Mas devem saber que, no quadro constitucional português (semi-presidencialista), são um fiel da balança. Se deixarem de o ser, dissolvem a sua função. Agora, se face às circunstâncias, o PS aparecer, comprometendo-se com o euro, o Tratado Orçamental e com os acordos com os credores, mas tendo o apoio parlamentar da esquerda, com uma solução de Governo, que faz Cavaco? Bloqueia tudo? À espera que a PàF tenha maioria absoluta lá para Junho? Em vez de unir, Cavaco contribuiu para desintegrar. Esperava-se outra coisa dos seus últimos dias em Belém.»

Fernando Sobral» Cit In blog «Entre as brumas da memória»)

sábado, 24 de outubro de 2015

A Cavacada ou a tentativa de golpe de Estado de Cavaco Silva

Como disse o escritor António Lobo Antunes «os portugueses foram tratados como cães», nos últimos 4 anos pela Coligação PSD-CDS. Cavaco quer que este tratamento continue… Para a Direita neoliberal-germanófila os bens dos portugueses só podem ser defendidos pelo PAN (Partido dos Animais e da Natureza)...
«Leituras


«A indigitação de Pedro Passos Coelho como primeiro-ministro pelo Presidente da República é juridicamente sustentável e politicamente legítima e não constitui uma surpresa. Se a declaração do Presidente da República se ficasse por aqui, não haveria muito mais a dizer (...). Só que Cavaco Silva (...) quis sugerir que irá até onde for preciso para manter o BE e o PCP fora do poder ("é meu dever tudo fazer para impedir que sejam transmitidos sinais errados às instituições financeiras, aos investidores e aos mercados, pondo em causa a confiança e a credibilidade externa do País"). (...) Pode esta loucura anti-democrática de Cavaco levá-lo a manter um governo de gestão PSD-CDS no poder até que outro presidente possa dissolver a Assembleia da República? A resposta sensata é não.»

José Vítor MalheirosA Cavacada

«Cavaco não usou justificações democráticas e constitucionalmente sustentadas. Pelo contrário, adotou uma postura autocrática, tornando claro a uma parte do país que o seu voto e ideias cheiram mal - parte do país que, curiosamente, serviu para derrubar em 2011 um governo contra o qual reclamou "um sobressalto cívico". Para Cavaco, BE e PCP só dão jeito para deitar abaixo governos, nunca para os sustentar. E se os portugueses decidiram nas urnas virar a página, Cavaco cá está para lhes emendar a mão. Independentemente da vontade dos eleitores, o homem que ocupa Belém com a mais baixa votação e pior aprovação de sempre quer impor a sua, brandindo, como tantos, de Avillez a Barreto, fizeram nos últimos dias, a sua moca de Rio Maior. Ganha a verdade e a clareza, se tivéssemos dúvidas.»

Fernanda CâncioCavaco de Rio Maior

«Cavaco tem ainda razão noutro ponto do seu discurso: é ao Parlamento e aos deputados que cabe, em consciência, apreciar o programa de Governo. Ou seja, não lhe cabe a si. A intervenção de Cavaco foi por isso boa para um líder de claque. Decididamente, não é uma intervenção de um Presidente da República. (...) O discurso presidencial foi, na verdade, um insulto à democracia. Cavaco andou uma semana a apelar ao compromisso e ao diálogo, mas falou ao país de fantasmas e fez uma "declaração de guerra". Em resumo, o voto de um milhão de pessoas do nosso país não conta: a CDU e o Bloco de Esquerda seriam uma espécie de excrescência da democracia, vedados do direito de fazer parte de qualquer solução governativa.»


«O senhor presidente da República disse que tinha acabado aqui o tempo do presidente. Eu infelizmente não vi nenhum presidente. O que eu vi foi uma declaração golpista de direita, que sequestra o parlamento e que faz uma coisa ainda pior (...), a exclusão de três partidos políticos, que são legais e que desenvolvem a sua actividade de forma legal em Portugal, que participam em eleições. E outra coisa que o senhor presidente da República fez hoje, que foi apelar a uma sublevação num grupo parlamentar de um partido que tem regras. E portanto, a todos os níveis, não foi a intervenção de um presidente da República, foi a intervenção de um golpista, absolutamente inaceitável e lamentável. Envergonha o país, envergonha a Constituição da República Portuguesa, devia envergonhar qualquer democrata.»

João Galamba (programa As Palavras e os Actos)» (In blog «Ladrões de Bicicletas»)

"L'État c'est lui?




Excertos de um texto de Manuel Loff no Público de hoje:
«Crispado. Furioso. Cavaco comportou-se como um banal chefe de partido que, sem que a Constituição lho permita, quer abrir um precedente perigoso em qualquer democracia: barrar o caminho do poder à maioria dos representantes legítimos da vontade popular. (...) A ameaça velada de Cavaco de que não dará posse a um governo que “dependa do apoio de forças políticas” que, na sua perspectiva, são “antieuropeístas” não tem precedente na nossa história democrática e aproxima-se de precedentes como o dos militares chilenos que queriam impedir a tomada de posse de Salvador Allende, mal ele foi eleito, em 1970, com o apoio de socialistas e comunistas. Três anos depois, foi o que se viu... (...)
O mesmo Cavaco que gastou os seus dez anos de governo (1985-95) a atacar a lei fundamental do nosso regime por entendê-la contaminada pelo “colectivismo do 11 de Março” e por uma “indiscriminada estatização da economia” (discursos de 1988 e 1990) atreve-se hoje a dizer ser “este o pior momento para alterar radicalmente os fundamentos do nosso regime”. Foi, de facto, tudo quanto ele fez naqueles dez anos... Mas quais fundamentos? Nesta espécie de l'État c'est moi versão estrépito final cavaquista, este homem quer arrogar-se o direito de definir os fundamentos de um regime que ele imagina ser o seu: “participação na NATO”, “adesão plena à União Europeia e à zona euro”, “relação transatlântica” e CPLP. (...)
Com quem, afinal, se preocupa o Presidente da República, quando tem de decidir sobre o novo governo dos portugueses? Quem considera ele ser titular de interesse legítimo sobre a condução dos negócios da polis portuguesa? “As instituições financeiras, os investidores e os mercados”, a quem ele quer “impedir que sejam transmitidos sinais errados”. É essa a sua comunidade de cidadãos. Não a dos portugueses comuns, os desempregados de longa duração, os jovens forçados a deixar o seu país, os milhões de ofendidos, roubados e maltratados. (...)
Creio que me não enganei ao longo de todos estes anos quando interpretei a devastação neoliberal e austeritária como um processo de transição para um novo regime, em ruptura radical com um passado em que a democracia não se concebia sem justiça social, mesmo que, afinal, não tivesse sido mais o de um capitalismo minimamente limitado pela capacidade de controlo democrático da política económica. Cavaco, a direita, demasiada gente, vive já com este novo regime austeritário e de capitalismo de casino na cabeça. É por isso que quer agora acusar de intuitos revolucionários os que, com toda a legitimidade democrática, tentam retomar o caminho da democracia. Pura inversão da leitura histórica: é a direita que quer mudar o regime democrático, que quebrou o contrato social, que nunca aceitou a sua lei fundamental. Isso, sim, teria sido uma mudança de regime.» " (Cit in blog «Entre as brumas da memória»)

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O Apartheid de Cavaco Silva, Passos Coelho, Paulo Portas, Francisco Assis e Sérgio Sousa Pinto


Estes cinco representantes da Direita portuguesa defendem o regime de Apartheid. Consideram que os pretos e as pretas que votaram no BE e no PCP deviam ir para Auschwitz... ou para Treblinka... os seus votos não valem nada, não servem para nada, logo os votantes no BE e no PCP deviam ser exterminados...

Como disse o escritor António Lobo Antunes «os portugueses foram tratados como cães», nos últimos 4 anos pela Coligação PSD-CDS. Cavaco quer que este tratamento continue… Para a Direita neoliberal-germanófila os portugueses só podem ser representados pelo PAN (Partido dos Animais e da Natureza)...


«Golpista e sabotador


Lembrando esse grande filósofo político chamado Francisco Assis, “o silêncio é um refúgio eticamente inabitável” sobretudo quando confrontados com a declaração de guerra do Presidente da República, que assim procura reassumir o papel de chefe da direita portuguesa perante a desorientação em que esta entrou desde as eleições.

Cavaco confirma assim pela enésima vez que é o que sempre foi: um garante da dependência nacional, da financeirização do capitalismo português, que os seus governos e as suas acções políticas promoveram denodadamente, o que de resto é confirmado por um discurso que coloca precisamente os interesses “das instituições financeiras, dos investidores e dos mercados” no centro das prioridades políticas.

Cavaco procura convocar os tais mercados para ajudar na sabotagem de quaisquer veleidades progressistas num país desarmado, qual profecia auto-realizada, como assinalou o insuspeito Vital Moreira, promovendo desta forma o máximo de instabilidade que politicamente lhe é possível. Só faltou mesmo apelar directamente ao pós-democrático BCE para que o objectivo da sabotagem, tomando o precedente grego como inspiração, fosse politicamente ainda mais transparente. Temos um presidente que tem de ser tratado como um sabotador.

E temos um presidente golpista, ou pelo menos com tentações golpistas, como bem assinalou João Galamba. Os termos do seu discurso são absolutamente desrespeitadores do lugar e da proeminência do parlamento, da casa da democracia, são desrespeitadores da vontade popular maioritária que a partir dele vai emergir. Suspeito, dada a natureza da direita a quem estalou o verniz, que ainda não vimos nada em matéria de desrespeito pelo regular funcionamento das instituições democráticas. Temos um presidente que tem de ser tratado como um golpista.

E não, não é possível ajudar Cavaco a acabar o mandato com dignidade, tendo ainda em conta que, no fundo, ele está a defender os interesses dos que acham que tudo tem um preço...» (In blog «Ladrões de Bicicletas»)

«O PEDRO E O ANTÓNIO


LES BEAUX  ESPRITS SE RENCONTRENT

O Pedro e o António ainda não perceberam o que é ganhar as eleições legislativas. O Pedro e o António raciocinam em termos futebolísticos, o que muito admira que António o faça, porque, ao contrário de Pedro, é pouco dado a futebóis. As eleições legislativas não são um campeonato de futebol em que necessariamente ganha a equipa que faz mais pontos. Nas eleições legislativas não é necessariamente assim: nem sempre o partido ou a coligação que tem mais votos (ou deputados) ganha as eleições. Em alguns casos é, noutros não é.

Nas democracias parlamentares as eleições legislativas têm em vista eleger um Parlamento que, entre as múltiplas funções que qualquer Constituição lhe atribui, tem uma que acaba sempre por ser primordial: permitir formar um governo que possa governar apoiado pelos deputados que o suportam.

Este objectivo nem sempre pode ser alcançado pelo partido ou coligação que teve mais votos ou deputados. Se essa maioria for absoluta (metade mais um do número de deputados), o Governo apoiado pelos deputados que o suportam pode iniciar a sua actividade e manter-se em funções pelo período correspondente ao da legislatura, a menos que venha a perder a confiança dos deputados (ou de alguns deles) que o suportam ou não seja capaz de assegurar o regular funcionamento das instituições e o Presidente da República o demita com base nesse fundamento.

Mas se a maioria que o suporta for apenas relativa, esse governo para entrar em funções carece que os restantes deputados o não rejeitem mediante a aprovação de uma moção de rejeição votada pela maioria absoluta dos deputados em exercício de funções. Se essa moção de rejeição não tiver sido votada ou, tendo-o sido, não tiver sido aprovada, esse governo só pode manter-se se contra ele não for votada uma moção de censura aprovada pela maioria absoluta dos deputados em exercício de funções ou se não for aprovada uma moção de confiança.

Portanto, a conclusão inevitável que daqui decorre é que não basta ter mais votos ou mais deputados para se conseguir formar governo; e mesmo quando se consegue formar governo nestas condições nada garante que o governo não caia durante a legislatura.

Conclusão: ter mais votos ou mais deputados e ganhar as eleições não são sinónimos. Tanto o Pedro como o António sabem isto perfeitamente. Quando dão a entender outra coisa estão a tentar enganar-nos!

Mas não é somente nesta questão que o Pedro e António estão muito próximos. Eles também coincidem na apreciação de outras questões. Ninguém se recorda de o Pedro e António terem perguntado ao PSD e ao CDS qual era o conteúdo do acordo que estes dois partidos fizeram para governar coligados depois das eleições legislativas de 2011. Nem o Pedro, nem o António, nem o Presidente da República exigiram que lhes fosse mostrado o acordo então assinado entre os dois partidos. O que o Pedro e o António divertidamente discutiram em público foi quem era quem no Governo. Com que pastas ficava o CDS e quem as ia ocupar. Essa era a única preocupação. Uma preocupação lúdico-política.

O Pedro e António também não exigiram que Portas lhes garantisse que não haveria deputados do CDS a votar contra o acordo.

Agora tudo mudou. E o Pedro e António estão muito mais exigentes. Pedro não está seguro de que não haja deputados do PS com “dores de barriga” na hora da votação. Pedro espera mesmo que isso aconteça ou, no mínimo, admite essa hipótese como muito provável. Já António, relativamente a essa matéria, por decoro, é mais reservado.

Todavia, tanto Pedro como António querem ver o acordo, escrito e assinado, entre os partidos de esquerda, e querem avaliá-lo, querem conhecê-lo ponto por ponto. Não lhes basta que O Secretário geral do PS, a Porta voz do Bloco e o Secretário Geral do PC garantam a existência de um acordo. Querem Vê-lo e aprová-lo! E certamente que não seria suficiente para saciar a curiosidade de ambos um acordo como o assinado entre o CDS e o PSD em 2011 - um acordo que não refere uma única medida concreta, um acordo meramente proclamatório

Mas Pedro quer mesmo mais: quer que tanto o PC como o Bloco declararem publicamente que deixaram de ser quem são. Que digam preto no branco que não são contra a NATO, contra a União Europeia, contra o Euro, contra a renegociação da dívida. António está inclinado a dizer que o Pedro tem razão.

Mas  Pedro não pára nas suas exigências. Quer que o PR volte a apresentar um conjunto de condições que tanto o Bloco como o PC não possam aceitar. António, sempre tão alegre e loquaz, fica sisudo e nada diz.

E agora digam-me lá: Vocês acreditam mesmo que esta direita é democrática?» (J M Correia Pinto in blog «Politeia»)

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Cavaco Silva nomeia Passos Coelho primeiro-ministro e se os deputados do PS não virarem apoiantes de Passos Coelho este cairá

Se os deputados do PS não desertarem o Parlamento fará cair Passos Coelho dentro de 15 dias.

Cavaco Silva parece estar a preparar um golpe de Estado, impondo o Apartheid e excluindo os votantes que no dia 4 de Outubro de 2015 votaram no BE e no PCP.


Cavaco Silva nunca foi o presidente de todos os portugueses. Agora parece que não é o presidente dos 62% de votantes, que em 4 de Outubro de 2015 votaram contra a coligação Alemanha à Frente de Coelho e Portas.

A sórdida ala direita do PS defensora do Apartheid, de Francisco de Assis e de Sérgio Sousa Pinto, despreza a Democracia e o direito de voto


Sousa Pinto e Francisco de Assis deviam era entrar para o PSD e deviam ser  obrigados a trabalhar, fora dos 'tachos' partidários.

A Máfia de Bilderberg que pontifica na SIC no Expresso e na TVI passou ao ataque à democracia e ao direito de voto.


A ala direita do PS quer que os portugueses continuem a ser trados como cães (como disse o escritor António Lobo Antunes), pela seita neoliberal-germanófila do Coelho, do Portas, do Vítor Gaspar e da Maria Luís Albuquerque.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

A coligação Alemanha à Frente, Coelho-Portas, tratou os portugueses como cães

O  escritor António Lobo Antunes afirmou que a coligação PSD-CDS tratou os portugueses como cães.

Respostas sinceras e profundas à selvajaria da coligação Coelho Portas-Vítor Gaspar-Maria Luís Albuquerque foram a greve demográfica e a emigração em massa ou o fugir à desgraça.

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Está a ser preparado o fim do Apartheid em Portugal, por António Costa e pelo PS


António Costa e o PS + Catarina Martins e o BE + Jerónimo de Sousa e o PCP estão a preparar o fim do regime do Apartheid em Portugal.

Passos Coelho ganhou uma derrota, porque não tem apoio parlamentar, a nova maioria absoluta foi constituída pelos 62% dos votantes que no dia 4 de Outubro de 2015 votaram contra Passos Coelho e Paulo Portas.

O regime do Apartheid (também chamado de '«Arco da governação» e dos tachos' em Portugal treme

«A propósito de bicicletas e das convergências à esquerda (I)


É mais ou menos isto, não é?» (In blog «Ladrões de Bicicletas»)

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

O coelho quer o regime de Apartheid em Portugal mas 62% dos votantes em 4 de Outubro de 2015 votarm contra ele

«Não são lugares, pá. É a política


«O que nos separa não são lugares no governo, que recusámos desde o início, ou o relacionamento pessoal - bastante cordial, devo reconhecê-lo - mas a imperiosa necessidade do país e a soberana vontade dos portugueses de uma reorientação de política, que persistem em não aceitar.»

António Costa, na carta hoje enviada a Pedro Passos Coelho (em que responde ao desafio do primeiro ministro para que o PS integrasse o governo da coligação de direita).» (In blog «Ladrões de Bicicletas»)

domingo, 18 de outubro de 2015

A direita portuguesa anda obcecada pelo regime do Apartheid em Portugal 2015


62% dos votantes em 4 de Outubro de 2015 votaram contra a coligação Alemanha à Frente, Coelho + Portas + Cavaco, e a coligação de direita acha que ganhou as eleições…


Este discurso delirante e anedótico-macabro continua ser difundido pelas televisões…

sábado, 17 de outubro de 2015

O escândalo do Apartheid de Portugal 2015


Cavaco Silva disse logo que Portugal tem um regime de Apartheid que exclui os  ‘pretos’ a ‘pretalhada’ que votou no BE e no PCP.

Contra Coelho e Portas votaram 62% dos votantes em 4 de Outubro de 2015.


Rejeitaram a coligação Alemanha à Frente de Coelho Portas e Cavaco 62% dos votantes em 4 de Outubro de 2015. Rejeitaram a ditadura germanófila dos últimos 4 anos que arruinou a maioria absoluta dos portugueses, desprezando as opiniões do PS. A loucura esteve no poder nos últimos 4 anos, uma loucura germanófila, altamente desonesta, altamente injusta, altamente hipócrita e altamente sádica.


Contra 62% dos votantes a coligação Alemanha à Frente não pode governar em democracia.

Como pode ter ganho as eleições quem recebeu um Não de 62% dos votantes?


A ala direita do PS, defensora do Apartheid, devia emigrar para a África do Sul e tentar lá restaurar o Apartheid.
E se Sérgio Sousa Pinto tivesse que trabalhar… fora do esquema partidário?...

E se Francisco (de) Assis tivesse que trabalhar… fora do esquema partidário?...


«O empobrecimento competitivo

Assinalando o Dia Internacional da Erradicação da Pobreza (17 de outubro), o Instituto Nacional de Estatística apresentou ontem - num documento síntese que vale a pena ver na íntegra - os dados definitivos do mais recente «Inquérito às Condições de Vida e Rendimento». O balanço da legislatura que agora termina não podia ser mais claro: Portugal converteu-se num país mais pobre e mais desigual, como demonstram os resultados obtidos pelo INE.


Risco de pobreza, que se manteve em cerca de 18% até 2011 dispara, em 2013, para 20%. Intensidade da pobrezasofre um agravamento sem precedentes: aumentando apenas cerca de meio ponto percentual durante a crise financeira (2008-2011), regista um acréscimo de dois pontos percentuais desde então (para passar a situar-se, em 2013, nos 30,3%). A Privação material severa, que traduz a carência forçada num conjunto de itens (como a capacidade para pagar a renda, ter uma refeição de carne ou de peixe pelo menos de 2 em 2 dias, ou manter a casa adequadamente aquecida) atinge os 10,6% (quando entre 2008 e 2011 tinha descido de 9,7 para 8,3%). Por último, a Desigualdade na distribuição do rendimento atinge um rácio de 6,2 na diferença entre a proporção do rendimento dos 20% da população com maiores rendimentos e o rendimento auferido pelos 20% com menores rendimentos).

Poderá pensar-se que estes são os custos inevitáveis do «ajustamento», mesmo quando os dados desmentem a «ética social na austeridade», prometida pelo governo no início da legislatura. Mas o que sucede, na verdade, é que o empobrecimento constitui um dos vectores essenciais da proclamada «mudança estrutural da economia portuguesa», assente na competitividade à custa de cortes nos salários directos e indirectos (e que implica, por seu turno, a desestruturação do mundo do trabalho e o reforço das «zonas de conforto» e dos rendimentos do capital).

É por isso, aliás, que muito do que está em causa nos dias que correm é a escolha, para o nosso futuro, entre uma economia medíocre, que aprofunda o empobrecimento do país, e uma economia aposta na qualificação do trabalho, na modernização dos tecidos produtivos e na coesão social. Pensar que uma e outra se podem conciliar e calibrar, num qualquer Orçamento de Estado negociado com a direita, é não perceber o que se passou nos últimos anos e subestimar a agenda ideológica que se pretende prosseguir, com a ajuda e cumplicidade das instituições europeias. Já bastam, de facto, as dificuldades e constrangimentos que teremos de enfrentar.» (In blog «Ladrões de Bicicletas»)

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

António Costa deu entrevista clarificadora à TVI



António Costa disse  por potras palavras recusar o regime de Apartheid que exclui os votantes no BE e no PCP.

José Sócrates foi libertado pelo Tribunal da Relação



Não sei o que os outros andam a fazer, mas penso que ninguém deve ser preso a não ser que haja provas de que cometeu algo concreto de ilícito.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

AS MÁFIAS DA DIREITA ASSUMEM QUE PORTUGAL TEM REGIME DE APARTHEID

As máfias da direita já não escondem que o regime do Apartheid acabou na África do Sul e que continua em Portugal.

A direita do PS quer tachos, quer institucionalizar o regime de Apartheid, esse Apartheid que exclui quem votar no BE e no PCP.

Ferreira do Amaral do PSD esteve no governo onde facilitou a vida à Lusoponte de onde saiu para um ‘tacho’ na Lusoponte. É o  chamado «Centrão dos interesses» ou «Centrão dos tachos», que quer um regime de Apartheid, do Apartheid dos tachos.

A Máfia de Bilderberg ao ataque em Portugal associada a todas as máfias que acham que Portugal tem um regime de Apartheid



A Máfia de Bilderberg, que pontifica no jornal «Expresso», na SIC e na TVI tem consciência de que é uma organização criminosa, porque as selvajarias que dizem os seus membros e convidados não têm direito a actas, porque selvajarias são selvajarias.

As máfias internas já utilizam argumentos anedóticos... como a Máfia do «Diário Económico», convencida de que Portugal tem um regime de Apartheid, cujos pretos são os votantes no BE e no PCP...


«A lógica do cherne

Se os eleitores do PS não votaram neste partido para que se constituísse «um governo com o PCP e o Bloco» não sabemos. Tal como não sabemos se os eleitores do PSD e do CDS/PP queriam, em 2011, que estes dois partidos formassem governo depois das eleições. Entre os eleitores do Partido Socialista haverá hoje, como é natural, a quem agrada e a quem desagrada o processo em curso de convergência e compromisso, à esquerda.
Mas o que já parece razoável supor é que os eleitores que votaram na coligação PàF não o fizeram para que PSD e CDS/PP viessem, depois das eleições, adoptar o programa eleitoral do Partido Socialista
(In blog «Ladrões de Bicicletas»)

«A epidemia de Outubro de 2015

Ó Raposinho, olha que, por detrás
dos números (800 mil votos perdidos 
pela PAF) há outras tantas pessoas !


Desde o dia 4, sem condições para o registar aqui, lá fui assistindo à mais alta concentração de mentiras, fantasias e javardices políticas de que tinha memória em tão curto espaço tempo. E, pronto, isto não acrescenta nada mas é só para que a história de «o tempo das cerejas» não passe ao lado da epidemia de raiva e trafulhice que atingiu a direita portuguesa.» (In blog «O TEMPO DAS CEREJAS»)

Este Henrique Raposo respira e exprime indigência intelectual e boçalidade.





«GOVERNO DE GESTÃO POR TEMPO INDETERMINADO


UMA MANOBRA QUE A DIREITA PODE USAR

Pondo de parte a hipótese de uma cisão no grupo parlamentar do PS a qual, para ser eficaz, pelas minhas (pessimistas) contas, careceria de, pelo menos, de 7 deputados – hipótese em que, apesar de tudo o que tem sido dito, não acredito pela extrema gravidade do acto em si (acho que se ficarão por umas declarações de voto) – pondo de parte esta hipótese, dizíamos, parece óbvio que a direita já está a jogar no governo de gestão por tempo indeterminado.

A crítica de Santana Lopes ao Presidente da República vai nesse sentido, embora, juridicamente, o que Santana Lopes hoje defendeu ainda não seja possível. Como pode o PR indigitar Passos sem os resultados eleitorais estarem apurados e sem ouvir os partidos? Não pode. Vai ter de esperar.

Dentro daquilo que parece ser o cenário provável, o PR da República depois de ouvidos os partidos ficará a saber duas coisas: a primeira é que o Governo de Passos será rejeitado; a segunda, que os partidos que rejeitaram o programa de governo do PAF concluíram entre si um acordo para viabilizar um governo presidido por António Costa.

Neste contexto Cavaco não teria margem político-constitucional para indigitar Passos; poderia fazê-lo, mas estaria a violar grosseiramente os mais elementares princípios de boa-fé e de cooperação institucional que está obrigado a respeitar. Não são deveres de cortesia, nem simples praxes constitucionais - são deveres jurídicos.

Cavaco tem, porém, uma saída – uma saída deselegante, é certo – na qual ele se pode estribar para indigitar Passos. A saída consistiria na incerteza que paira sobre o voto do grupo parlamentar do Partido Socialista. Se Costa lhe não garantir a unanimidade de voto e a presença dos deputados, é muito provável que Cavaco se agarre a esta probabilidade para indigitar Passos.

Qual o interesse do Governo de gestão? A direita tem todas as vantagens em lá continuar. Primeiro porque tem tempo mais do que suficiente para tirar todos os esqueletos do armário; depois, porque continua a governar, limitadamente é certo, mas a governar e a capitalizar politicamente com toda essa matilha de comentadores que tem ao seu serviço; finalmente, porque Cavaco pode enrolar esta questão, deixando-a para o seu sucessor, o qual poderá, a partir de Abril, dissolver o parlamento.


Este é um esquema que a direita pode montar e que a esquerda não pode descartar como hipótese improvável. Por ser um esquema de extrema gravidade, pelo desrespeito que representa pela vontade parlamentar, convém desde já que os partidos de esquerda e todos nós, pelos meios ao nosso alcance, comecemos por denunciar esta manobra junto da opinião pública e insistamos na ideia de que Cavaco tem obrigação de indigitar imediatamente António Costa, depois de rejeitado Passos e ouvidos os partidos com assento parlamentar.» (J M Correia Pinto in blog «Politeia»)