segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Il Manifesto, o jornal da Esquerda italiana, entrevistou Ricardo Paes Mamede

«A minha entrevista ao Il Manifesto para não falantes de italiano


O jornal Il Manifesto publicou ontem a entrevista que dei ao Goffredo Adinolfi, correspondente do diário italiano em Lisboa, sobre a situação política e económica em Portugal. Fica aqui a versão traduzida.

Q: Finalmente, com um atraso de alguns meses, o Orçamento do Estado para 2016 (OE2016) está na recta final: que avaliação é possível fazer ao governo das esquerdas liderado por António Costa?

R: O esforço para distribuir melhor os rendimentos é o aspecto mais positivo. Esta foi uma preocupação central dos acordos feitos entre os partidos de esquerda e isso foi conseguido principalmente através de duas vias: a política orçamental e o aumento do salário mínimo. O aspecto menos positivo do OE2016 tem a ver com o facto de continuar a trajectória de redução severa do défice orçamental, que vai de 3,1% para 2,2% do PIB, num momento em que o desemprego ainda é muito elevado (muito mais do que os números oficiais mostram).

Q: Valeu a pena?

R: Tendo em conta a alternativa valeu seguramente a pena, mas ainda é insuficiente considerando as condições em que o país se encontra.

Q: A direita e os meios de comunicação estão a tentar fazer passar a ideia de que o aumento de impostos previsto no OE2016 prejudica a classe média e as empresas.

R: A direita e grande parte dos meios de comunicação tiveram uma reacção que é quase risível. Começaram por criticar a proposta de OE2016 porque consideravam os valores pouco fiáveis. Depois passaram a dizer que o OE não estava em conformidade com as regras europeias. Em seguida tentaram sustentar que os aspectos de redistribuição de rendimentos estavam ausentes. Finalmente, argumentaram que a estratégia do Orçamento – aumentar a procura interna – não iria funcionar na prática. Esta atitude dá a entender que a direita olha com grande nervosismo para a busca de alterativas.

Q: O OE2016 respeita os critérios impostos pela União Europeia. Isso significa que a austeridade também pode ter uma interpretação de esquerda?

R: Isso é parcialmente verdadeiro, mas há limites. Este Orçamento mostra que é realmente possível distribuir melhor os esforços de consolidação orçamental, mas também mostra que dentro das regras europeias não há nenhuma possibilidade de ter uma política que promova decisivamente o emprego. De facto, a “austeridade de esquerda” dá um contributo modesto para a resolução da crise social em Portugal.

Q: Ao contrário do que se poderia pensar, a Comissão Europeia deu o seu aval ao Orçamento do governo de Costa, depois de exigir uma série de medidas compensatórias. Isto é um sinal de que algo está a mudar também em Bruxelas?

R: Não, não creio que tenham ocorrido grandes mudanças de atitude. A Comissão Europeia teve em todo este processo uma postura extremamente agressiva com o Governo Português, e as coisas só não foram piores porque a posição negocial da Comissão não é a melhor neste momento. Seria um erro pensar que a Comissão teve uma atitude transigente. Em Bruxelas há uma grande preocupação em relação tanto ao resultado do referendo britânico como ao problema dos refugiados. Além disso, a Comissão Europeia teve de ter em conta os erros cometidos durante o programa de ajustamento. Um dos mais importantes que surgiram no contexto da negociação deste Orçamento foi o facto a Comissão ter tratado como medidas permanentes o que, na realidade, eram apenas medidas temporárias do anterior governo (tais como o corte dos salários da função pública). Isto criou dificuldades acrescidas ao actual governo português.

Q: Algumas críticas também vieram da esquerda, especificamente foi dito que as medidas favorecem principalmente a classe média...

R: Creio que a grande maioria das pessoas e organizações de esquerda vêem este Orçamento como o menor dos males possíveis. Em parte, é verdade que o tipo de medidas tomadas beneficia principalmente a classe média, mas isso também acontece porque foi a classe média o grupo mais penalizado em termos fiscais durante o programa de ajustamento. Mas é preciso ter em conta que há também importantes medidas que visam apoiar os rendimentos mais baixos: o aumento do salário mínimo, o aumento das transferências sociais e a alteração dos benefícios fiscais para os filhos. Por isso não é inteiramente verdade que o OE2016 penaliza as classes mais baixas em favor das classes médias. Dito isto, é preciso fazer muito mais para reduzir os elevados níveis de desigualdade que existem em Portugal.

Q: Um aspecto-chave que está a emergir fortemente nos últimos meses tem a ver com o resgate dos bancos pelo Estado, que, segundo alguns cálculos, ascendem a cerca de 40 milhões de euros...

R: Basicamente, existem dois motivos que levaram ao fracasso de quatro bancos, incluindo aquele que era o terceiro maior do país: por um lado, houve casos de má gestão; mas 15 anos de crescimento económico medíocre foram definitivamente o factor que mais determinou a acumulação de grandes quantidades de empréstimos malparados. É um fenómeno diferente do ‘subprime’ ou de outros activos tóxicos. Num país que está há muitos anos em crise também a actividade bancária acaba por ser penalizada.

Q: É possível calcular quanto o Estado terá de gastar como consequência da falência de bancos?

R: Não, é muito difícil fazer esse cálculo, porque há uma suspeita de que as dívidas incobráveis ainda não foram totalmente contabilizadas pelos bancos, a fim de manterem os seus rácios de solvabilidade.

Q: O governo de Costa deveria, então, reduzir ainda mais as expectativas...

R: É um dos muitos riscos que o governo irá enfrentar. Outros incluem a evolução muito incerta da economia internacional, a política monetária europeia e o impacto dos estímulos previstos no OE2016.

Q: Quais foram os resultados de quatro anos de Troika?

R: O programa de ajustamento Português teve três objectivos principais: assegurar a sustentabilidade das finanças públicas, melhorar a competitividade da economia e estabilizar o sistema financeiro. Hoje vemos que o sucesso nos dois primeiros eixos - as finanças públicas e da competitividade - é muito questionável. E no que respeita à estabilidade do sistema bancário parece que ainda está tudo por fazer.

Q: Diz que o OE2016 tem muitos aspectos positivos, mas que é manifestamente insuficiente para resolver os problemas estruturais...

R: No actual contexto Português é impossível simultaneamente criar emprego, pagar a dívida nos termos previstos e cumprir as regras orçamentais europeias – é o que eu chamo o triângulo das impossibilidades da política orçamental. A opção da troika e do Governo anterior consistiu em concentrar-se na aplicação das regras orçamentais e no pagamento da dívida pública, deixando o desemprego crescer. Um governo que queira contribuir para a criação significativa de emprego terá de abdicar de cumprir um dos dois outros objectivos. A não ser que as condições de pagamento da dívida as regras orçamentais venham a ser alteradas na União Europeia, não é possível fazer as três coisas ao mesmo tempo...

Q: ... Logo?

R: Logo, ou tomamos a iniciativa de renegociar a dívida e/ou de desrespeitar as regras orçamentais, sujeitando-nos à enorme pressão das lideranças europeias (como se viu no caso grego) ou desistimos de recuperar a economia, assistindo a mais 15 anos de estagnação, com efeitos dramáticos sobre o emprego e a emigração.

Q: O rácio dívida pública/PIB, que passou nos últimos quatro anos de 100 a 130%, é sustentável?

R: Portugal paga cada ano cerca de 4,5% do PIB em taxas de juros sobre a dívida pública. Isto significa que para o Orçamento estar equilibrado é necessário cortar todos os anos na despesa pública. Na verdade, não há nenhum país que tenha conseguido pagar uma dívida tão elevada sem ser num contexto de forte crescimento económico...

Q: ... Mas depois do programa de ajustamento não deveria ter ocorrido esse crescimento?

R: Portugal não pode crescer porque não tem controlo sobre sua moeda, não pode promover as exportações, ao mesmo tempo que tem de prosseguir uma política de contenção orçamental. Neste contexto, a reestruturação da dívida torna-se uma questão fundamental e acredito que, na realidade, todos o reconhecem, sem querer dizê-lo abertamente.

Q: Por reestruturação da dívida entende a redução dos montantes ou o alargamento dos prazos?

R: Do meu ponto de vista, o objectivo é reduzir significativamente os juros a pagar todos os anos, é pouco relevante como se lá chega. A economia portuguesa não pode recuperar se 4,5% do PIB têm de ser alocados anualmente ao pagamento dos juros da dívida. Este é um suicídio lento, pelo que tem de ser encontrada uma solução, seja qual for a via.

Q: Considera possível reestruturar a dívida? Há sensibilidade para esta solução ou a alternativa é a saída do euro?

R: A saída do euro ou uma situação de confronto unilateral entre o país e a UE é um cenário muito pouco provável, por duas razões: primeiro, porque o poder de negociação de Portugal é actualmente muito limitado; segundo, porque os custos de saída do euro são muito mais visíveis para o público do que os custos associados ao contexto austeritário actual. Dito isto, não posso descartar por completo a possibilidade de Portugal entrar em rota de colisão, levando ao abandono da moeda única. Em qualquer caso, os problemas fundamentais causados pela disfunção da zona do euro vão continuar, o que vai levar a um aumento das tensões políticas na UE e o desfecho é difícil de prever.

Q: Qual é a lógica por detrás de uma política económica suicida?

R: Portugal tem três tipos de desequilíbrio macroeconómico fundamentais: as finanças públicas, a dívida externa e o desemprego elevado. Não é possível corrigir os três ao mesmo tempo. O FMI privilegia a redução da dívida externa até mais do que a dívida pública. Na perspectiva do FMI, a dívida externa pode ser reduzida através da desvalorização interna, o que tem um efeito duplo: por um lado, permite ganhar competitividade baixando o preço das exportações; e, por outro lado, leva a uma redução das importações, porque o investimento e o consumo diminuem.

Q: Com que consequências?

R: Os efeitos dessas políticas são devastadores não apenas sobre o emprego, uma vez que criam as condições para uma recessão permanente, mas também sobre as contas públicas, porque o impacto positivo das exportações sobre as finanças públicas é muito baixo. O Estado ganha mais quando os produtos das empresas são vendidos internamente, por meio de impostos sobre o consumo, do que quando são vendidos no exterior. Logo, a opção por privilegiar a correcção da dívida externa põe em causa a prossecução dos outros dois objectivos: crescimento do emprego e finanças públicas.

Q: Se as consequências das políticas austeritárias são claros para todos, por que se insiste no erro?

R: Não é possível ter economias com estruturas produtivas tão diferentes como as que existem na UE e, ao mesmo tempo, viver com as mesmas regras de política monetária, a menos que se verifique uma de duas coisas: ou há uma enorme transferência de recursos (como aqueles que existem, por exemplo, entre o norte e o sul de Itália); ou então há um empobrecimento acelerado e duradouro das economias que têm estruturas de produção menos competitivas. A maioria das instituições internacionais considera politicamente inviável a primeira hipótese – e, provavelmente, têm razão. Sendo assim, a solução para a preservação da zona euro tem de passar por promover a flexibilidade e a desvalorização interna das economias mais fracas.

Q: A coligação entre PS, PCP e BE demonstrou nas últimas semanas grande solidez, o que se pode esperar no futuro?

R: O facto de haver hoje em Portugal uma direita convictamente neoliberal é o maior seguro de vida para o actual governo, porque nenhum dos partidos de esquerda quer ser visto com responsável pelo regresso a políticas extremamente agressivas para a população, que a direita continua a defender. Assim, embora o BE e o PCP enfatizem a sua posição crítica em relação ao comprometimento do PS com as regras orçamentais europeias, enquanto for possível obter políticas mais favoráveis para os trabalhadores e para o conjunto da população não espero que haja uma ruptura da coligação que permitiu a formação deste governo.

Q: Como tem sido percepcionado pelo público o novo Orçamento de Estado: com entusiasmo, oposição ou indiferença?

R: Por enquanto, não existe nem uma grande oposição, nem um grande entusiasmo. Parece-me que há boas razões para que não haja nem uma coisa nem outra, porque o que temos é o menor dos males – e o menor dos males nunca suscitou muitos ódios nem muitos amores.» [In blog «Ladrões de Bicicletas»]

sábado, 27 de fevereiro de 2016

O IV Reich visto por Pacheco Pereira


Os que perdem as guerras perdem-nas mesmo. A fronteira Leste da Alemanha, em 1945 recuou mil anos, do século XX para o século X, para a linha Óder-Neisse. No século X os alemães atravessaram o rio Óder e o rio Neisse e iniciaram a expansão militar para Leste, avançando para territórios eslavos, porque eram mais fortes.

Em 1945 os eslavos eram mais fortes, meteram mais de dez milhões de alemães em comboios de mercadorias e de passageiros, expulsaram-nos casa a casa, para Oeste dos rios Óder e Neisse, para Oeste da linha Óder-Neisse.


A decadência galopante da França e da Itália e o novo Eixo Washington-Berlim que emergiu no século XXI, permitiram a formação do Império dos Vencidos, chamado «União Europeia», que é, na prática, o IV Reich alemão.




A decadência galopante da França e da Itália e o novo Eixo Washington-Berlim que emergiu no século XXI, permitiram a formação do Império dos Vencidos, chamado «União Europeia», que é, na prática, o IV Reich alemão.

"Há uma certa tristeza nisto tudo




Excertos do texto de José Pacheco Pereira no Público de hoje:
«Há uma certa tristeza nisto tudo, mas as coisas são como são. O país conhece um ritmo depressivo quotidiano. De vez em quando, há um crime hediondo. Uma mãe mata as filhas. De vez em quando, é preso alguém importante e respeitável. Um procurador. De vez em quando, há um pequeno sobressalto porque alguém quer pôr árvores a servir de separadores de uma estrada. De vez em quando, há um pequeno sobressalto porque alguém quer deitar abaixo umas árvores. De vez em quando, há uma jovem actriz de telenovelas que tem cancro e, como não sabe viver fora dos holofotes, leva o seu cancro a tudo quanto é capa. As melhoras. De vez em quando, há mais um caso de violência doméstica. De vez em quando, um pescador ou um operário ou um desempregado que arredonda o seu orçamento apanhando bivalves no Tejo morre afogado. De vez em quando.
Há uma certa tristeza nisto tudo, mas as coisas são como são. Quase sempre, a todas as horas, há futebol. Discute-se antes, durante, depois. Os canais noticiosos, que deviam acrescentar-se aos canais desportivos, são tanto ou mais desportivos e cada vez menos noticiosos. Se um começa um painel sobre futebol, nenhum outro se atreve a fazer qualquer outra coisa que não seja outro painel sobre futebol. Nada mobiliza mais os portugueses, em particular como espectadores, telespectadores, ouvintes, conversantes, tertulianos e habitantes de mesas de café, do que a bola.
Há uma certa tristeza nisto tudo, mas as coisas são como são. Na política, o país está num impasse, mas parece que não. Como acontece por toda a Europa, a impotência do poder político democrático face ao poder económico castrou governos eleitos e submeteu-os a entidades obscuras como os “mercados”, onde o grosso do dinheiro que circula não tem pai nem mãe, a não ser numa caixa de correios das ilhas Caimão. O sistema político democrático, a representação partidária tradicional, está numa crise que parece não ter saída. Os partidos do “arco da governação”, ou seja, os que têm o alvará de Bruxelas, do senhor Schauble, da Moody’s e da Fitch, ainda ganham as eleições num ou noutro país, mas ninguém os quer ver a governar outra vez, pelos estragos que fizeram à vida dos homens comuns para salvar a banca, não tendo no fim salvado coisa nenhuma. (…)
Há uma certa tristeza nisto tudo, mas as coisas são como são. Como não saímos da cepa torta, habituamo-nos depressa a considerar a cepa torta como a “realidade”. Já não nos governamos, para gáudio de alguns, indiferença de muitos e preocupação de um punhado de lunáticos, que ainda pensam que votam em Portugal, para que governantes portugueses eleitos por esse voto governem Portugal. Ainda são fiéis ao principio da revolução americana de que “no taxation without representation”, e por isso é o Parlamento português que deveria fazer o Orçamento e não uma mistura de governantes estrangeiros acolitados por uma burocracia escolhida pela fidelidade ao cânone alemão. Há uma certa tristeza nisto tudo, mas as coisas são como são. Num certo sentido, eu percebo por que razão o futebol é tão importante. É como cantar blues, ponderada a diferença de qualidade. Seria melhor arranjar um Django, mas não aparecem a pedido.» "
[Cit. in blog «Entre as brumas da memória»] 

O Orçamento de Estado de 2016 foi aprovado pelo PS + BE + PCP + Os Verdes, apesar das ameaças de Berlim via Bruxelas e Frankfurt

António Costa conseguiu aprovar o  OE 2016, pela maioria de Esquerda no Parlamento. A Direita portuguesa germanófila rói as unhas e deseja o pior para Portugal e para os portugueses.

Berlim, via Bruxelas e Frankfurt, deixou passar o OE 2016 para Portugal. Adiou novos ataques contra Portugal.

"A series «of fortunate events»




«O OE 2016 foi, finalmente, aprovado. Pela primeira vez na democracia portuguesa, um OE foi aprovado com os votos favoráveis do PCP, BE e PEV. A geringonça ganhou o Paris-Dakar. (…)
Num momento histórico para a esquerda, não podiam faltar as citações de cantores revolucionários como Sérgio Godinho, Zeca Afonso, Jorge Palma e outros. Parecia o festival do Avante ou a futura tomada de posse de Marcelo. Foi estranho ver as bancadas responderem com citações. A "este é o primeiro dia das nossas vidas", dito por Centeno, respondia João Almeida com: "Ai Portugal, Portugal", de Jorge Palma. Nunca Jorge Palma foi citado por alguém que se embebeda com bombons de ginja. Não foi agradável. Parecia que os deputados estavam a usar as letras, a poesia, dos nossos maiores artistas como os miúdos usam as cartas de poderes. (…)
Foi uma espécie de discussão no trânsito usando letras de canções em vez de insultos básicos. Fez muita falta uma parte da letra de José Mário Branco sobre o FMI. A aprovação do OE de 2016 foi um momento histórico sob vários pontos de vista, excepto o de Portas, que não apareceu.
A esquerda unia-se, numa "coligação impossível", para aprovar um OE "sem acordo entre as partes" previamente "chumbado por Bruxelas". O OE passou todas as pragas do Egipto. É como se todos velhos do Restelo tivessem feito zero no cartão do bingo da desfortuna. A azia dos comentadores era indisfarçável. O Orçamento do Estado de 2016 fez as acções da farmacêutica da Kompensan galgar a bolsa.
Era suposto que uma série de desagradáveis eventos acabasse com a história do trio. Mas não foi assim. Desde um acordo numa folha de papel que se desfazia com o toque, ao olhar mortal de chumbo de Aníbal, passando pela trituradora de alternativas da Comissão Europeia e acabando no terror dos mercados, a geringonça galgou tudo. Eu vendia a geringonça à NASA. Citando o Armstrong, o que não é da música, foi um pequeno passo para a humanidade.»
João Quadros" [Cit. in blog «Entre as brumas da memória»]

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

A Troika e os Julgamentos de Nuremberga

Os Julgamentos de Nuremberga representaram o julgamento de crimes políticos praticados pelo Estado.

O Estado da Alemanha foi julgado em Nuremberga.
No século XXI os Estados Unidos passaram a apoiar o imperialismo alemão e todos os seus crimes.
A Troika ( CE + BCE + FMI) representa uma aliança entre o imperialismo alemão (CE + BCE) e o imperialismo norte-americano ou estadunidense (FMI).

Os Estados Unidos julgaram e condenaram o Estado da Alemanha nos Julgamentos de Nuremberga de 1945-46.
O estado da Alemanha no século XXI goza de total impunidade graças ao apoio de Washington.

Berlim e Washington numa aliança imperialista propagam os ideais do neoliberalismo, e impõem esses ideais através da Troika. A Troika age criminosamente como agia o III Reich, mas a Troika age criminosamente e impunemente.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

A Troika não vai para Londres nem para Budapeste

Os alemães querem os portugueses a empobrecer, querem os portugueses a passar fome e usam os seus lacaios da CE e do BCE para tal, e ainda têm sido apoiados por Washington, via FMI. 

Com os ingleses é bem diferente, os alemães cedem aos ingleses e cedem bastante.

"Ajoelhar no milho




«No tempo do Marquês de Pombal existiam castigos muito comuns que se aplicavam aos alunos mal comportados: a palmatória ou o ajoelhar no milho. Este consistia em que o aluno se ajoelhasse com os joelhos nus sobre grãos de milho cru.
Além da dor e dos vestígios que deixava (hematomas profundos), funcionava como humilhação. O vexame caiu em desuso. Nos últimos dias muitos membros da nossa pequena e média elite têm discorrido sobre o facto de o Governo ter "ajoelhado" perante Bruxelas. Gostariam do regresso do castigo de ajoelhar no milho. Uns clamam contra o facto para que os portugueses se esqueçam que eles próprios ajoelharam em silêncio e em privado perante a troika de uma forma ainda mais ostensiva: ajoelhando-se ainda antes de alguém pedir isso, para mostrarem o seu afinco e fé. Outros, aparentemente, saúdam o facto porque acham que Portugal, para se redimir, deve estar debaixo de uma tutela ou de uma canga por parte dos iluminados de Bruxelas, "para aprender".
Ajoelhar é um sinal de submissão. Quem se levanta vive. Bruxelas e o seu coro de Schäubles, Dijsselbloems e Moscovicis desejam que Lisboa se ajoelhe perante eles. Não têm coragem para pedir o mesmo a Londres, mas isso é outro assunto. Que tem mais que ver com ser forte com os fracos e fraco com os fortes.
Portugal é, há muitos séculos, um servo da dívida. Mas sempre garantiu alguma soberania, apesar das suas elites. Por isso o que custa não é este ajoelhar contínuo. É o secreto prazer que alguns têm em louvá-lo. Como se o nosso destino fosse sempre ter de haver um mestre-escola, de preferência estrangeiro, a dar-nos reguadas pelo mau comportamento, a empobrecer as gentes deste país, a destruir qualquer ponta de orgulho nacional que nos possa restar.
Há quem deseje que não sejamos independentes. Preferem que sejamos um colonato de Bruxelas e a praia de Frankfurt. Alguns devem estar desejosos de ser os concessionários locais dessa empreitada. Porque já empenharam o seu orgulho.»

Fernando Sobral" [Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Carlos Costa é uma relíquia muito cara para os contribuintes do Cavaquismo-Coelhismo

"Um homem só



«Quando, há alguns anos, os GNR cantavam sobre os "homens temporariamente sós", não estavam a pensar em Carlos Costa. Até porque o governador do Banco de Portugal é, há muito, um homem definitivamente só.
Não apenas porque as condições meteorológicas exteriores aconselhavam há muito o seu recolhimento noutras latitudes, mas também porque o trabalho incessante que tem desenvolvido no Banco de Portugal tem-se revelado um prodígio de nulidade. Nada que tivesse demovido o anterior Governo de o reconduzir, depois de ele ter sido o bode expiatório de muitas decisões governativas e de ter sido atacado directamente por membros do anterior Executivo. E de Carlos Costa ter aceitado manter-se, mesmo sabendo que as eleições legislativas estavam à porta. Pior: sucessivas intervenções (ou falta delas) mostraram sempre um governador em busca do seu destino. Há dois casos recentes (e já nem se fala do BES, ainda por explicar convenientemente, e do Banif) que mereciam que o Banco de Portugal deixasse de se colocar numa torre de marfim, ao abrigo do seu estatuto de independência, como se não tivesse de abrir a boca sobre nada.
Por um lado, seria conveniente que o Banco de Portugal explicasse como foi possível que José Veiga estivesse prestes a comprar um banco em Cabo Verde e que, depois de a bolha ter explodido, ter vindo dizer confortavelmente que o processo estava nas mãos do Novo Banco. Por outro, seria conveniente que Carlos Costa explicasse, se isso não fosse um incómodo muito grande, porque continua a não partilhar um relatório da Boston Consulting Group para avaliar a sua acção no BES. Como se o BdP tivesse gasto 300 mil euros num documento secreto que é uma espécie de pudim flã só para um comensal. São demasiadas ideias amarrotadas e adulação pelo segredo para passarem sem uma chamada de atenção. Ao criticar Carlos Costa, António Costa tem um volume de argumentos inatacável. Pode pôr-se em causa o método. Ou o efeito na frágil imagem de Portugal no mundo. Mas isso não iliba o solitário Carlos Costa.» " (Fernando Sobral cit. in blog «Entre as brumas da memória»)

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Portugal é um país de salários baixos e de grande insegurança no emprego e a Direita portugesa e Bruxelas querem colocar a maioria dos portugueses ainda pior

Passos Coelho, durante 4 anos tratou os portugueses como cães, apoiado por Berlim (via Bruxelas e Frankfurt) e andou em guerra aberta contra o Tribunal Constitucional.  

"Os limites da «economia do empobrecimento competitivo» (II)


Um estudo recente mostra que «Portugal é um dos piores países da OCDE para trabalhar», com elevados níveis «de insegurança no mercado de trabalho e sendo um dos dez piores países em termos de qualidade das remunerações». Aliás, na generalidade dos indicadores do relatório, Portugal surge de forma sistemática em posição desfavorável. Em 25 países, é o 3º com maior «risco de desemprego»; o 4º com maior «insegurança laboral» e «desigualdade de rendimentos»; o 9º com níveis mais elevados de «stress laboral»; o 19º em matéria de «qualidade do rendimento» e «rendimento médio»; o 16º na «protecção no desemprego». No indicador síntese da Qualidade do Mercado de Trabalho, estabelecido a partir deste conjunto de variáveis, Portugal ocupa a 20ª posição, apenas superando a Polónia, a Hungria, a Grécia, a Eslováquia e a Turquia.


À escala europeia, o retrato que o estudo permite traçar é bem revelador das assimetrias existentes e do fosso de diferenciação entre centro e periferia, relembrando os círculos concêntricos de Heinrich von Thünen. Os elevados níveis de qualificação do mercado de trabalho nos países do centro e Norte europeu têm como contraponto a desqualificação do mercado de trabalho nos países da periferia e do Sul, num processo de clivagem e divergência que as políticas de austeridade e empobrecimento acentuaram nos últimos anos.

Não por acaso, de facto, muitos dos países pior posicionados no ranking de qualidade do mercado de trabalho são os que registam uma evolução particularmente negativa em termos de saldos migratórios (como sucede no caso de Portugal, Espanha ou Grécia). Do mesmo modo que muitos dos países melhor posicionados em termos de qualidade do mercado de trabalho são os que registam ganhos migratórios mais expressivos nos últimos anos (como é o caso do Luxemburgo, da Alemanha ou da Áustria).


O mercado de trabalho não é pois imune às leis da oferta e da procura, reagindo aos processos de desregulação laboral, empobrecimento e alegado «ajustamento» das economias. Como referia há tempos o Luís Gaspar, «baixam-se os salários no pressuposto que o trabalho é demasiado caro. O trabalho vai-se embora. Mesmo para o mais ortodoxo dos economistas, isto deveria querer dizer que o trabalho não estava caro. A única transformação estrutural da economia arrisca-se a ser esta: em vez de serem os salários que se "ajustam" à economia, é a economia que se ajusta aos salários baixos». Ou seja, as políticas de austeridade não são almoços grátis, como dizia o outro. Têm contradições e limites intrínsecos, que as tornam contraproducentes e que se pagam caro, no presente e no futuro.

Deve aliás ser a partir de dados como estes que João César das Neves conclui, nas Jornadas Parlamentares do PSD, ser necessário diminuir a «rigidez do mercado laboral» de um país que considera «em vias de extinção», devido à falta de nascimentos e à emigração. Para enaltecer, logo a seguir, o facto de o anterior governo ter sido «o que mais liberalizou o mercado de trabalho», não tendo mesmo assim conseguido aproximar Portugal dos seus parceiros europeus: «estamos à frente da tropa toda», remata César das Neves. Como se pode constatar, claro." [In blog «Ladrões de Bicicletas»]

Análise da ditadura imperial-colonial da Alemanha sobre a União Europeia e dos seus lacaios em Portugal e na UE




"Tudo está armadilhado




Longos excertos do texto de José Pacheco Pereira no Público de hoje:
«Eu já não estou muito para surpresas, mas ainda tenho alguma capacidade de ficar surpreendido. E por isso me surpreende a ligeireza, para não dizer irresponsabilidade, como que os partidos da actual maioria tomam o que estão a fazer, ou melhor, o que não estão a fazer. Ou seja, meteram-se num curso muito arriscado, perigoso, cheio de dificuldades, e comportam-se como se houvesse uma qualquer normalidade na actual situação que ajudaram a criar, e como se pudessem continuar a fazer política “habitualmente”. (…)
No actual contexto europeu, o que se está a passar em Portugal, sendo na verdade apenas uma tímida mudança, é tratado quase como uma revolução e, como tal, mobiliza as gigantescas forças que estão preparadas para matar no ovo qualquer desvio menor que seja ao cânone alemão. O governo de Costa tem todas as probabilidades de ser derrubado pela Europa do PPE e dos socialistas colados aos alemães, seja directamente por um qualquer “chumbo” europeu, seja indirectamente pela obrigação de aplicar políticas que lhe retirem o apoio parlamentar do BE e do PCP. (…)
Aliás, a dureza e hostilidade que existem contra o governo de Costa, contrastam com a vontade dos principais dirigentes europeus darem a Cameron medidas que significam recuos importantes (e que também estão nos Tratados) em matéria de liberdade de movimentos e direitos sociais dos emigrantes, para que este volte com um frágil papel para convencer os eleitores ingleses que afinal, com uma longa lista de opting out, ainda podem continuar na Europa. Ou seja, em matéria de direitos sociais, a mesma Europa que não cede a Portugal uma décima no défice sem vilipendiar um governo eleito, está disposta a abdicar perante a pressão inglesa. Na economia do “ajustamento”, não há um milímetro de cedência às “regras”, nos direitos sociais, tudo é negociável. Por tudo isto, a “Europa” actual, Schäuble, Dijsselbloem, Moscovici, Dombrovskis, mais as suas cortes de funcionários zelosos, a última coisa que desejam é que possa haver qualquer mitigado sucesso de um governo que está a cometer esse crime de lesa-economia que é “reverter” salários e pensões, taxar fundos e bancos e não ao contrário. (…)
PS, PCP e BE incitaram a sua experiência fora do “arco da governação”, derrubando um governo assente no partido que ganhou as eleições, e apoiando um partido que as perdeu. (…) Tem a hostilidade aberta dos meios de comunicação social, salvo raras excepções, que se comprometeram com as principais ideias do “ajustamento”, quer com proselitismo, como aconteceu com muita imprensa económica, quer interiorizando o modo como se colocam os problemas com a “gramática” dos “ajustadores”. O “não há alternativa” entrou profundamente no espaço mediático e no espaço público e, por isso, qualquer inversão, “reversão” como agora se diz, é vista como uma blasfémia incompetente, uma cornucópia de custos por pagar, um risco de bancarrota ao virar da esquina. (…)
Face a esta ecologia, o PS comporta-se como se pudesse continuar a governar como sempre fez, dá umas coisas a uns e espera sentado pela sua fidelidade; tira umas coisas a outros e depois assusta-se, recua e avança como pode. Ainda não interiorizou o preço que tem a pagar se esta experiência falhar e não tem sentido de urgência face aos riscos, principalmente europeus que estão aí à porta. A “Europa” actual quer a queda do governo Costa e por isso o humilha com novo pacote de austeridade, e força a ruptura com o BE e o PCP. Sim, porque o PS num dilema, vai escolher a “Europa” e deixar o país ao PSD e CDS.
Por sua vez, BE e PCP parecem também não ter percebido que vai haver um antes e um depois dos acordos que fizeram, e que nada voltará a ser como dantes, conforme eles falharem ou tiverem sucesso. Se falharem voltarão a ter uma função meramente tribunícia, agravada pelo desespero dos seus eleitores quando, por uma governação à direita que será agressiva e vingativa, perceberem o país sem esperança em que estão. Partirão por dentro pela radicalização e perderão ainda mais relevo social para fora das suas fronteiras militantes.
PS, BE e PCP ou reforçam de qualquer modo a coordenação política, que lhes permita ganhar algum ânimo colectivo e defrontar em conjunto e de forma capaz toda a tempestade que cai e vai cair sobre o governo, ou vão ter um lindo enterro. Lindo porque deve estar sol, mas só por isso.» " [Cit. in blog «Entre as brumas da memória»] 

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

A expansão para Leste e para Sul da NATO em 2016





«El arte de la guerra

Avance de la OTAN en el este y el sur

Invocando diversos pretextos, la OTAN despliega sur fuerzas en Europa. Oficialmente, se trata de enfrentar el empuje ruso y de luchar contra el Emirato Islámico. En realidad, la alianza atlántica está tratando por todos los medios de preservar un espacio para ese grupo terrorista mientras se prepara para invadir Libia.

| Roma (Italia)
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Llegada del secretario de Defensa de Estados Unidos, Ashton Carter, a la Cumbre de ministros de Defensa de la OTAN, en Bruselas, el 11 de febrero de 2016.
Los ministros de Defensa de la OTAN han decidido «reforzar la presencia avanzada en la parte oriental de nuestra alianza». Eso sirve para «defendernos de las grandes amenazas provenientes de Rusia», aclaró el secretario de Defensa estadounidense, Ashton Carter.
Con ese objetivo, Estados Unidos cuadruplica el financiamiento para la «Iniciativa de Reaseguramiento de Europa». Con una rotación de fuerzas (unos 6 000 soldados), esa iniciativa permitirá hacer más ejercicios militares de la OTAN (parece que no basta con los más de 300 ejercicios realizados en 2015), mejorar los aeropuertos, así como el preposicionamiento de armamento pesado y el despliegue permanente de unidades acorazadas en el este. Esto, subrayó Ashton Carter, «permitirá a Estados Unidos formar en Europa una fuerza armada de alta capacidad para desplegarla rápidamente en el teatro regional».
Acusando a Rusia de «desestabilizar el orden de la seguridad europea», Estados Unidos y la OTAN han reabierto el frente oriental, arrastrando así a Europa en una nueva guerra fría, que corresponde fundamentalmente a los deseos de Washington de interrumpir las relaciones entre Rusia y la Unión Europea, relaciones que no convienen a los intereses estadounidenses.
Al mismo tiempo, Estados Unidos y la OTAN están preparando otras operaciones en el frente meridional. En Bruselas, el jefe del Pentágono «acogió» (como si Europa fuese su propia casa) a los ministros de Defensa de la «Coalición Global contra Daesh», entre los que se cuentan –bajo el mando de Estados Unidos, junto a Italia– Arabia Saudita y otros patrocinadores del terrorismo de «marca islamista».
La reunión promovió un, tampoco bien precisado, «plan de la campaña militar» en Siria e Irak, donde las cosas no están funcionando bien para la coalición, no porque el Emirato Islámico esté ganando sino precisamente porque está perdiendo. Con el respaldo de Rusia, las fuerzas gubernamentales sirias están liberando partes cada vez más grandes del territorio que ocupaban el Emirato Islámico y otras formaciones armadas, que también están perdiendo terreno en Irak.
Después de haber simulado durante años que estaban luchando contra el Emirato Islámico, mientras lo abastecían secretamente desde Turquía, Estados Unidos y sus aliados piden ahora en Siria un alto al fuego por «razones humanitarias». Lo que que en realidad pretenden es que el gobierno sirio pare de liberar su propio país del Emirato Islámico porque –según ha declarado el secretario de Estado John Kerry, invirtiendo la realidad de los hechos– «mientras más terreno conquista Assad, más terroristas logra crear». Al mismo tiempo, la OTAN refuerza las «medidas de reaseguramiento» de Turquía, que está tratando de ocupar una franja de territorio sirio en la zona fronteriza.
En el norte de África, la coalición dirigida por Estados Unidos se prepara, afirmando que va a liberarlas del Emirato Islámico, para ocupar las zonas costeras libias de mayor importancia económica y estratégica. La intensificación de los vuelos desde el nudo aéreo de Pisa, limítrofe con la base aérea de Camp Darby, indica que la operación «bajo conducción italiana» ya se inició, con el transporte de armamento hacia las bases desde donde debe desarrollarse.
En el mismo marco estratégico se sitúa la decisión de los ministros de Defensa de la OTAN, adoptada «a pedido conjunto de Alemania, Grecia y Turquía», de desplegar en el Mar Egeo el Segundo Grupo Naval Permanente de la OTAN, actualmente bajo el mando de Alemania y que acaba de terminar «amplias operaciones con la marina turca».
La misión oficial de esa flota de guerra «no es detener o rechazar las embarcaciones de los refugiados sino proporcionar información contra el tráfico de seres humanos» colaborando con la agencia Frontex de la Unión Europea. Con el mismo objetivo «humanitario», también se envían, a solicitud de Estados Unidos, varios aviones radar AWACS, verdaderos puestos de mando volantes para el manejo del campo de batalla.
«La movilización atlántica es una buena señal», comenta Il Fatto Quotidiano [1], recordando que «no es la primera vez que la alianza atlántica se implica en una acción humanitaria». Exactamente como en Yugoslavia, Afganistán y Libia.

Traducido al español por la Red Voltaire a partir de la versión al francés de Marie-Ange Patrizio
[1] Il Fatto Quotidiano es un diario italiano clasificado como de izquierda.
Red Voltaire
Voltaire, edición Internacional
(In «Red Voltaire»)

O jornalismo português económico germanófilo

O jornalismo português, especialmente o das televisões, está do lado da direita portuguesa e  da direita europeia, está do lado do Capital contra o Trabalho.

«Estamos a regressar a 2011? - 1


Quem veja televisão e leia jornais parece que, desde que o Partido Socialista chegou ao Governo, Portugal está em risco de voltar a 2011, mas antes da entrada da troika. Hoje, Passos Coelho repete aquela velha máxima desse tempo: "pusemo-nos a jeito", frase que é uma antecâmara do prato forte - um programa endurecido - bem regado com molho "não há alternativa" porque "temos de fazer o que os mercados querem". Um prato que, como se sabe, não saiu muito bem e ainda hoje está por digerir.

Este "revivalismo" não é um acaso. E isso ficou bem patente no debate organizado pelo Observatório sobre Crises e Alternativas", dedicado ao tema "A narrativa da crise e crise das narrativas", que se realizou ontem em Lisboa, no ISCTE.

Na minha participação, expus - muito sucintamente - a evolução entre 2010 e 2014 do pensamento de seis jornalistas económicos da nossa praça - Pedro Santos Guerreiro (PSG), Helena Garrido (HG), Camilo Lourenço (CL), António Costa (AC), Nicolau Santos (NS) e João Vieira Pereira (JVP). Em linhas gerais, o que se verificou nesse período foi um progressivo e crescente criticismo à eficácia da aplicação do programa de ajustamento. NS contra a própria filosofia subjacente; PSG, HG, AC e JVP dando conta dos fracos resultados do programa, mas criticando o Governo de falta de iniciativa; e CL defendendo veementemente a filosofia original do programa. A exposição - na presença de HG, NS e JVP - tornava evidente a alteração de posições dos jornalistas: desde uma recusa à vinda da troika, passando pelo seu entusiástico acolhimento, pela defesa da aplicação do programa e de um Governo PSD/CDS, pela crítica posterior aos técnicos da troika, antes erguidos - por eles - como "popstars" e que afinal demontraram o seu falhanço; pela crítica ao vazio do poder da direita no poder. E tudo terminava com citações recentes de jornalistas, já em 2016, defendendo a necessidade de um programa de austeridade que nos tire o bafo dos mercados no nosso pescoço. Tal como acontecera em 2011.

Mas - culpa minha - não concluí de forma mais clara.

Quando os jornalistas presentes mais visados foram ouvidos, frisaram 1) que mudaram de opinião e isso não tem mal (HG); 2) que, na verdade, não mudaram porque se o programa falhou foi porque foi mal aplicado: dever-se-ia ter cortado na despesa pública e isso não foi feito, e que nenhuma reforma estrutural fora levada a cabo, o Estado continua capturado por interesses (HG e JVP).

Ora, essa é que é a questão: a volatilidade dos jornalistas não mostra que tenham mudado o seu sistema de crenças. Na sua opinião, os magros resultados do programa não podem descredibilizar a "narrativa" de que mais cortes promoverão o crescimento económico. Pelo contrário. Tal como aconteceu em 2010/11 com o Governo Sócrates, defende-se que a austeridade então aplicada relutantemente não teve resultados por causa disso mesmo: eram insuficientes. E cada insucesso é um sucesso. Recusa-se o seu carácter intrinsecamente recessivo. Nega-se que a austeridade nunca pode ser expansionista, como ficou provado pela realidade. 

A questão que se põe é: e se tivesse sido? A resposta oficial é: nunca saberemos. Mas na verdade, nem Governo, nem troika insistiram muito na aplicação integral do programa. E por alguma razão foi.

Em conclusão: todo o edifício cego de defesa da austeridade ainda está de pé e pronto a ser usado de novo. A ideia de base foi reforjada, reformatada, reconstruída das cinzas do fracasso. E vai ser reafirmada por completo, como se nada se tivesse passado e com um total despudor. Até por Passos Coelho. Como já se assiste...» [João Ramos de Almeida in blog «Ladrões de Bicicletas»]  

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Maria Helena Mira Mateus odeia a lógica nos argumentos que apresenta para defender a aberração que é o último acordo ortográfico

Simplificar a escrita está sempre bem, porquê? Assim uma péssima modificação é sempre uma evolução!
Diz, no jornal «Público», que se deve escrever como se fala.
Ora, o padrão lisboeta e das televisões é muito infeliz, porque a grande Lisboa é uma região para onde convergem pessoas de todo o país e daí uma mistura de pronúncias. Ao longo de muitos séculos Coimbra foi o padrão da pronúncia.
Por outro lado, um dos critérios fundamentais para a escolha de jornalistas de televisão é não saberem ler português, nem saberem falar português.

Ora vejamos, no Brasil escreve-se ruptura e em Portugal rutura. De acordo com o próprio acordo rutura é um erro ortográfico, porque se baseia na pronúncia de quem não sabe falar português, a pronúncia correcta é ruptura, como no Brasil.

Jacques Sapir considera que o Euro está a destruir a União Europeia e os valores que ele pretende representar como a democracia, a liberdade e a paz.

O economista francês Jacques Sapir, nascido em 1954, salienta que a Grã-Bretanha, a Suécia, a Hungria  e a Polónia não quiseram nem querem a moeda euro e que não estão pior por isso, antes pelo contrário.
Considera que oconflito em 2015 entre as instituções europeias e o governo grego demosntra que a UE faz o contrário dos altos valores que pretende representar.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Detesto citar o Expresso, o jornal 'oficioso' do PSD, mas há lá um dissidente

O Deutsch Bank anda a meter água, muita água, mas o problema está em Portugal...

Os holandeses praticam o 'desvio fiscal', nomeadamente contra o Estado de Portugal...

«Assim vamos



Nicolau Santos no Expresso diário de 15.02.2016»
[Cit. in blog «Entre as brumas da memória»]

Mais uma análise do Orçamento de Estado de 2016

«E ainda: o OE2016 promove ou não uma melhor redistribuição de rendimentos?


Eu sei que já cansa, mas o tema não está esgotado. O DN volta hoje à carga num artigo com um título nada inocente, "Orçamento distribui mais dinheiro a quem ganha mais". O argumento, basicamente, é este: a devolução de salários na função pública e o corte da Contribuição Extraordinária de Solidariedade em 50% beneficiam rendimentos mais elevados, que foram aqueles que foram mais prejudicados no passado. Logo, são estes os escalões de rendimentos que mais beneficiam. Isto é verdade e não é.

Como tenho escrito, o OE cumpre várias funções, uma delas é melhorar a redistribuição de rendimentos, outra é repôr a normalidade constitucional. A reposição dos salários da função pública tem mais a ver com o segundo objectivo do que com o primeiro. Mas isto não significa que o OE2016 não beneficie os rendimentos mais reduzidos.

Vejam a tabela abaixo, construída com base nas simulações publicadas no Jornal de Negócios do passado dia 10/2. As simulações têm em conta várias medidas previstas ou já em vigor: Reposição dos salários da Função Pública de forma gradual; Eliminação total ou parcial da sobretaxa de IRS; Aumento do salário mínimo nacional de 505 para 530 euros; Reforço do Rendimento Social de Inserção; Aumento do abono de família; Aumento do Complemento Solidário de Idosos para os reformados muito pobres; Actualização em 0,4% das pensões abaixo de 600 euros; e Redução da Contribuição Extraordinária de Solidariedade.

A variável "vencimento público equivalente", que acrescentei, divide o valor total dos vencimentos brutos pelos membros da família (com cada adulto a valer um e cada filho a valer 1/2), de modo a aproximar-se das necessidades de cada família. O quadro mostra-nos que os maiores benefícios, em termos propocionais, vão para agregados de baixos rendimentos (que tipicamente estão no sector privado ou são reformados).



Em geral, o impacto das medidas adoptadas pelo governo beneficia mais os rendimentos inferiores. Mas há excepções que saltam à vista. Sem surpresa, entre os agregados com rendimentos mais elevados aqueles que mais beneficiam são os funcionários públicos - o que traduz o facto de terem sido os principais afectados pelos cortes dos últimos anos. Entre os rendimentos mais baixos são também de funcionários públicos os agregados menos beneficiados pelas medidas agora propostas, por razões semelhantes às que referi.

Com base nestes dados (que são apenas exemplificativos) a conclusão que parece emergir é esta: a orientação geral do OE parece a correcta, tendo em conta os objectivos a atingir. Ainda assim, poderão ser introduzidos no OE2016 alguns ajustamentos pontuais, em sede de debate na especialidade na Assembleia da República, de modo a torná-lo um instrumento mais coerente e eficaz.» [Ricardo Paes Mamede in blog «Ladrões de Bicibletas»]   

sábado, 13 de fevereiro de 2016

A escravatura germanófila


Os germanófilos consideram que Portugal, em 2016, é uma colónia da Alemanha, colónia essa da Alemanha sujeita a todas as humilhações e a todas as atrocidades germânicas e dos lacaios de Berlim colocados em Bruxelas e no BCE.

"Escravatura por dívida



De um texto de José Pacheco Pereira no Público de hoje:
«A história conheceu e conhece muitas circunstâncias em que, por não pagamento de uma dívida, uma pessoa perdia a sua liberdade e ia preso ou, pior ainda, era reduzido a um estatuto de escravatura, temporária ou definitiva. Estas práticas existiam na Grécia antiga, com a sempre especial excepção de Atenas, onde Sólon as proibiu. E mais ou menos espalhadas continuaram na Índia praticamente até aos nossos dias, tendo conhecido formas variadas de trabalho forçado durante a expansão colonial europeia. Hoje, uma das formas modernas de escravatura por dívida é praticada pelos grupos mafiosos que exportam mão-de-obra e emigrantes para a Europa e América e mulheres para redes de prostituição, retirando-lhes os documentos, em nome da dívida que contraíram ou as suas famílias para "pagar" a viagem e a entrada ilegal nos países mais ricos. Estamos a falar, como é óbvio, de actividades criminosas, visto que a escravatura é um crime.
Ah!, afinal não é bem assim. Se se tratar de um Estado soberano que tenha uma grande dívida, por exemplo, Portugal, este pode ser obrigado, sob pena de morrer à fome ou de uma qualquer forma de intervenção estrangeira mais ou menos agressiva que o transforme num pária, como aconteceu na Grécia, a aceitar uma qualquer forma de escravatura por dívida. (…)
O problema não é de "desconfiança", é de hostilidade [ao governo Costa] — ele não é dos nossos, não é o que foi Passos Coelho, logo, vamos ensiná-lo como fizemos aos gregos. Com os resultados brilhantes que se vêem na Grécia.
O contentamento mal escondido da direita radical com as dificuldades do Governo Costa coloca-a com entusiasmo ao lado da vozearia que vem de Bruxelas e Berlim, alguma de uma arrogância que devia ofender já não digo um patriota, mas um português que gosta do seu país. Responsáveis do Eurogrupo, altos funcionários sob a capa das fugas anónimas, antigos e actuais ministros das Finanças europeus, holandeses, bálticos, alemães, dão entrevistas pronunciando-se sobre um governo legítimo da União Europeia com uma desenvoltura que nunca tiveram com os responsáveis políticos húngaros e polacos cujas malfeitorias em direitos e liberdades são-lhes bastante menos importantes do que uma décima no défice português. E quando alguém acha que todas estas vozes, falando também para as agências de rating e para os "mercados", são demais, eles encolhem os ombros e dizem que um país em bancarrota é escravo da dívida.
Não, não é só isso — é que eles gostam do que ouvem, pena é que Schäuble não fale mais vezes para varrer este Governo do Syriza português, mais o PCP e o BE. Pensam acaso que eles estão muito preocupados com a dívida? Enganam--se. Tanto mais que a aumentaram consideravelmente quando estiveram no poder e que em segredo sussurram que "no fim de tudo tem de haver uma reestruturação da dívida". Não é a dívida que os preocupa, é o poder político deles e dos seus e a prossecução de uma política que faça recair sobre uma parte dos portugueses, aqueles a que se tornou maldito restituir salários e pensões, o ónus do défice e da dívida e, acima de tudo, que o alvo desses custos não sejam outros. A escravatura do país é para eles bem-vinda, ajuda-os a manter o poder, "porque não há alternativa". Conheço vários exemplos na história destes "não há alternativa" e nenhum acabou bem.»" [Cit. in blog «Entre as brumas da memória»]