quinta-feira, 31 de março de 2016

Há duas extremas-direitas na Europa: 1 – A CE + BCE + Eurogrupo + FMI e 2 - a tradicional



A extrema-direita mais perigosa na Europa é constituída pela «Comissão Europeia» + «Banco Central Europeu» + Eurogrupo + FMI. As selvajarias cometidas por estas instituições mafiosas têm sido roubo, fraude fiscal, tortura e homicídio, as selvajarias referidas atrás e a ideia de «Não há alternativa» baseiam-se no fascismo e no nazismo.


A extrema-direita tradicional baseia-se no fascismo e no nazismo, que por sua vez se inspiram na Inquisição Católica.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Os atentados de Bruxelas - à procura de explicações fundamentadas


«O móbil dos atentados de Paris e de Bruxelas

Não se sabe, de momento, quem comanditou os atentados de Paris e de Bruxelas. Diferentes pistas foram aventadas. No entanto, apenas a hipótese de uma operação montada pela Turquia está hoje em dia estabelecida. Thierry Meyssan relata o conflito escondido que assombra as relações entre a União Europeia, a França e a Turquia desde há cinco anos.

| Damasco (Síria)
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Em 2011, Alain Juppé pela França e Ahmet Davutoğlu pela Turquia acordavam, secretamente, criar um Sunnistão a cavalo sobre o Iraque e a Síria(o que será a função real do Daesh-E.I.) e um pseudo-Curdistão, afim de para lá expulsar os Curdos da Turquia. O seu projecto era apoiado por Israel e pelo Reino Unido.
É muito cedo para designar, com certeza o comanditário dos atentados que atingiram Paris, a 13 de Novembro de 2015, e Bruxelas, a 22 de Março de 2016. Entretanto, de momento, apenas os elementos que exporemos fornecerão a propósito uma explicação razoável.

* * *

Exactamente após a morte do fundador do islamismo turco, Necmettin Erbakan, e na altura em que acabava de começar a «primavera árabe», o governo Erdoğan concluía um acordo secreto com a França. Segundo um diplomata que estudou este documento, ele fixa as condições de participação da Turquia nas guerras contra a Líbia (que acabava de começar) e contra a Síria (que se ia seguir). A França representada pelo seu ministro dos Negócios Estrangeiros Alain Juppé, compromete-se nomeadamente a resolver a «questão curda» sem «comprometer a integridade do território turco» ; uma fórmula rebuscada para significar que se criará então um pseudo-Curdistão e que se expulsará para lá os membros do PKK. Este projecto de limpeza étnica, que não é novo, havia até aí sido exclusivamente evocado na literatura militar israelita que descrevia o novo Estado a cavalo sobre a Síria e o Iraque.
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A 31 de Outubro de 2014, François Hollande acompanha Recep Tayyip Erdoğan à escadaria de saída exterior do Éliseu. Um outro convidado acabava de sair discretamente pela porta das traseiras, o Curdo Salih Muslim.
A 31 de Outubro de 2014, o presidente François Hollande aproveita uma visita oficial de Recep Tayyip Erdoğan, a Paris, para organizar um encontro secreto no Eliseu com o co-presidente dos Curdos da Síria, Salih Muslim. Este último, traindo os Curdos da Turquia, e o seu líder Abdullah Öcalan, aceita tornar-se o presidente do pseudo-Curdistão que deveria ser criado por ocasião do derrube do presidente, democraticamente eleito, Bashar el-Assad.
É a altura da batalha de Kobane(Ayn al-Arab). Durante vários meses, os Curdos sírios defendem a cidade face ao Daesh. A sua vitória sobre os jiadistas vai inverter o tabuleiro político: se realmente se quer combater os jiadistas é preciso aliar-se aos Curdos. Ora, os Curdos sírios só tinham obtido a cidadania(síria-ndT) no início da guerra, até então eram refugiados políticos turcos na Síria expulsos do seu país durante a repressão dos anos 80. Os Estados membros da OTAN consideravam então o PKK, a principal organização Curda da Turquia, como uma organização terrorista. Agora, eles irão distinguir o mau PKK turco do bom YPG sírio, embora as duas organizações sejam irmãs.
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No seguimento da batalha de Kobane, François Hollande muda de campo e marca o seu apoio aos Curdos recebendo no Eliseu, a 8 de Fevereiro de 2015, uma delegação do YPG.
Golpe de teatro, a 8 de Fevereiro de 2015, a França desiste do seu anterior compromisso. François Hollande recebe no palácio do Eliseu, oficialmente desta vez, a co-presidente dos Curdos da Síria fiel à Öcalan, Asya Abdullah, e a comandante Nesrin Abdullah em uniforme camuflado. Salih Muslim está ausente da reunião.
Recep Tayyip Erdoğan reagiu comanditando um atentado ao Daesh, em Suruç, contra uma manifestação pró-Curdos, a 20 de Julho de 2015. Apoderando-se da retórica Ocidental anti-terrorista, ele declara, então, a guerra ao mesmo tempo ao Daesh e aos Curdos, mas só utiliza o seus meios militares contra os últimos. Ao fazê-lo, ele pôs fim ao cessar-fogo e relança a guerra civil no seu próprio país. À mingua de um pseudo-Curdistão na Síria, ele provocará o êxodo dos Curdos para a Europa.
A 3 de Setembro de 2015, a publicação da fotografia de uma criança curda afogada marca o início de uma vasta vaga de migração a partir da Turquia em direcção à União Europeia, principalmente para a Alemanha. Durante as primeiras semanas, os dirigentes alemães felicitam-se por este afluxo maciço de novos trabalhadores do qual a sua indústria pesada tem grande necessidade, enquanto os média exprimem a sua compaixão pelos refugiados que fugiriam da ditadura síria. Mais ainda, a 29 de Setembro, os dirigentes franceses e alemães aproveitam-se da empatia para com os migrantes para avaliar a possibilidade de subvencionar a continuação da guerra vertendo € 3mil milhões de euros à Turquia; um donativo que se apresentará à opinião pública como uma ajuda humanitária para os refugiados.
No fim de Setembro de 2015, a Rússia inicia a sua operação militar contra os jiadistas de todas as cores. Recep Tayyip Erdoğan vê assim o seu projecto evaporar-se. Então, ele empurra Salih Muslim a lançar uma operação de Curdização forçada no Norte da Síria. Brigadas curdas expulsam os professores árabes e assírios das escolas e substituem-nos por professores curdos. Os Sírios revoltam-se e apelam aos Russos que acalmam a situação, não sem evocar uma possível federalização posterior da Síria. A França é um dos subscritores ausente.
A 13 de Novembro, a Turquia exasperada pelas reviravoltas de François Hollande toma a França como refém e comandita os atentados em Paris, fazendo 130 mortos e 413 feridos.
Eu escrevia então: «Os sucessivos governos franceses formaram alianças com Estados cujos valores são o oposto dos da República. Eles comprometeram-se, progressivamente, a fazer guerras secretas por sua conta, antes de retractarem. O presidente Hollande, o seu chefe de Estado-maior pessoal, o general Benoit Puga, o seu ministro dos Negócios Estrangeiros Laurent Fabius e o seu predecessor Alain Juppé são, hoje em dia, o alvo de uma chantagem, da qual eles só poderão sair revelando em que engano é que eles enfiaram o país». [1].
Aterrorizada, Paris regressa precipitadamente ao plano Juppé de 2011. Com Londres, faz adoptar a 20 de Novembro a Resolução 2249 pelo Conselho de Segurança. Sob o disfarce da luta contra o Daesh, trata-se de justificar a conquista do Norte da Síria para aí criar, finalmente, este pseudo-Curdistão, para onde Erdoğan poderá expulsar «os seus» Curdos. Mas, os Estados Unidos e a Rússia retocam ligeiramente o texto de tal modo que a França e o Reino Unido não podem lá intervir sem serem solicitados pela Síria; uma situação que não deixa de lembrar a operação colonial falhada em 1956, quando as tropas franco-britânicas tentaram ocupar o Canal do Suez com o apoio de Israel e da Turquia, mas em que tiveram que se retirar face ao franzir de sobrancelhas dos E.U.A e da URSS.
Durante os cinco meses e meio da intervenção russa na Síria, as relações turco-russas não cessaram de se degradar. O atentado contra o vôo 9268 Metrojet, no Sinai, as acusações de Vladimir Putin na cimeira do G20, em Antalya, a destruição do avião Sukhoi-24 e as sanções russas contra a Turquia, a publicação de fotografias aéreas da roda-viva de camiões-cisterna transportando petróleo roubado pelo Daesh através da Turquia, etc. Depois de ter encarado entrar em guerra contra a Turquia, a Rússia decide, finalmente, jogar mais subtilmente e apoiar o PKK contra a administração Erdogan. Sergei Lavrov consegue convencer o seu parceiro norte-americano a aproveitar a desestabilização a surgir na Turquia para organizar o derrube do ditador Erdoğan. O regime turco que sabe estar ameaçado, ao mesmo tempo, pela Rússia e pelos EUA tenta refazer aliados. O primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu, dirige-se, a 5 de Março, a Teerão, enquanto o ministro iraniano dos Negócios Estrangeiros(Relações Exteriores-br), Mohammad Javad Zarif, visita Ancara, a 18 de Março. Mas a República Islâmica não tem a intenção de se embrulhar com os dois Grandes.
A 14 de Março, Vladimir Putin anuncia a retirada dos aviões-bombardeiros russos, o projecto do pseudo-Curdistão torna-se outra vez, pois, possível. Mas, Moscovo e Washington fazem uma jogada de antecipação: eles começam a fornecer indirectamente armas ao PKK.
Azar, desta vez é a U.E. que não quer ouvir falar mais de colonização do Norte da Síria. A maior parte dos Estados-Membros segue a política externa imposta por Paris, desde há cinco anos, com a falta de sucesso que se conhece. Para marcar o seu nervosismo, vários Estados, entre os quais a Bélgica, concederam asilo político a líderes curdos turcos. Eles mostram o seu mau humor aquando da cimeira U.E-Turquia, a 17 e 18 de Março, no decurso do qual são forçados a adoptar, em definitivo, a concessão de E$ 3 mil milhões (bilhões-br), anuais, a Ancara.
Eu denunciava então o comportamento das elites europeias que, cegas pela sua obsessão anti-síria, reproduziam o mesmo erro de 1938. À época, obcecados pelo seu anti-comunismo, elas tinham apoiado o chanceler Hitler aquando da anexação da Áustria e durante a crise dos Sudetas (acordo de Munique), sem se dar conta que armavam o braço que os ia golpear [2].

Durante a cimeira U.E-Turquia, e portanto independentemente das decisões que aí foram tomadas, o presidente Erdoğan pronuncia um discurso televisionado, por ocasião do 101º aniversário da batalha de Çanakkale («a batalha dos Dardanelos» ; a vitória do Império Otomano sobre os Aliados) e em memória das vítimas do atentado perpetrado em Ancara alguns dias antes, onde ele declara :
« Não há nenhuma razão para que a bomba que explodiu em Ancara, não expluda em Bruxelas ou em qualquer outra cidade europeia (…) Assim, eu lanço um apelo aos Estados que abrem os braços, que, directa ou indirectamente, apoiam as organizações terroristas. Vós alimentais uma serpente no vosso seio. E esta serpente que vós alimentais pode a todo o momento morder-vos. Talvez mirar pelos vossos ecrãs de televisão as bombas que explodem na Turquia nada signifique para vocês; mas, talvez, quando as bombas começarem a explodir nas vossas cidades, vocês percebam, com certeza, aquilo que nós provamos. No entanto, aí já será bastante tarde. Parai de apoiar acções, que vós não tolerais jamais no vosso próprio país, mas que são as mesmas que atingem a Turquia» [3].
Quatro dias mais tarde atentados sacodem Bruxelas, fazendo 34 mortos e 260 feridos. E. para que não se pense numa coincidência mas sim num acto deliberado, a imprensa turca da véspera alegra-se pela punição infligida à Bélgica [4].
Desde que o presidente Erdoğan relançou a guerra civil, ela já custou a vida mais de 3. 500 pessoas na Turquia.
Tradução
Alva
Rei da Jordânia acusa a Turquia de preparar a jiade na Europa”, Tradução Alva, Rede Voltaire, 29 de Março de 2016.
[1] “A República Francesa feita refém”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 19 de Novembro de 2015.
[2] “O suicídio Europeu face à Turquia”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 22 de Março de 2016.
[3] “Erdoğan ameaça a União Europeia”, Recep Tayyip Erdoğan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 18 de Março de 2016.
[4] “Turquia reivindica o banho de sangue de Bruxelas”, Savvas Kalèdéridès, Tradução Alva, Rede Voltaire, 28 de Março de 2016.» [In «Red Voltaire»]

terça-feira, 29 de março de 2016

A revolução fascista brasileira dirigida pela alta corrupção - Retrato de uma bandido chamado Eduardo Cunha

O bandido número 1 da revolução fascista brasileira é um ladrão de grandes quantias e chama-se Eduardo Cunha este delinquente. Os roubos do ladrão Eduardo Cunha são apoiados por juízes corruptos, pela Rede Globo, pela Folha de São Paulo, Pela SIC, pela TVI, pela RTP, pelo canal CM e por outras instituições, que como as atrás referidas,  se dedicam ao crime organizado.

Eduardo Cunha, presidente da Câmara, e a mulher, Cláudia Cruz, ex-jornalista da Globo




«O GOLPE DO MEIO BILHÃO COM O SULTÃO E SUA BANCADA À FRENTE


O processo de impeachment contra a presidenta Dilma é um golpe em dois sentidos: político e financeiro. Não tem qualquer traço de legalidade. Há um trem pagador de mais de R$ 500 milhões de reais (meio bilhão) que patrocina o golpe contra uma presidente eleita e contra a qual não pesa sequer uma acusação de corrupção. O trem pagador tem um maquinista, Eduardo Cunha.

Segundo documentos do Ministério Público da Confederação Suíça enviados à Procuradoria Geral da República, o esquema suíço liderado por Cunha com outros participantes movimentou R$ 411 milhões em 29 contas bancárias entre 2007 e 2014 (o valor não inclui, portanto, o ano de 2015). Isso é apenas uma fração, aquilo que foi identificado Suíça. Há ainda o dinheiro não localizado na própria Suíça e mais uma série de paraísos fiscais não mensurados neste montante (veja reportagem do Correio Braziliense sobre os documentos suíços clicando aqui).

Entrevistado pelo programa Espaço Público TV Brasil da EBC em novembro de 2015, o ex-ministro Ciro Gomes estimou que deste volume imenso de recursos Cunha usou R$ 350 milhões para montar seu próprio bloco parlamentar: “Eduardo Cunha roubou algo ao redor de meio bilhão de reais e deve ter distribuído uns 350 (milhões de reais) por uns 150 a 200 picaretas”  –assista aqui e veja a afirmação de Ciro sobre a montagem da bancada de Cunha, a tropa de choque do impeachment, aos 8min05 da entrevista. Se as contas de Ciro estiverem corretas (e use-se o número mais modesto, 150), Cunha repassou algo como R$ 2 milhões para cada um de seus apoiadore$ apenas na “operação Suiça”.
Mas não é só. Como a planilha da Odebrecht já deixou patente, Cunha é padrinho de muitas outras doações$. A planilha indica o poder de Cunha como intermediário. Tomo emprestada a formulação da jornalista Helena Sthephanowitz no blog da Helena, na Rede Brasil Atual sobre o assunto: “Eduardo Cunha aparece como beneficiário de uma doação do Grupo Odebrecht de R$ 1,1 milhão para seu partido, o PMDB. Se foi ou não devidamente registrada é outra discussão e deverá ser objeto de novas investigações. O curioso é ele aparecer como 'padrinho' de uma doação bem maior, de R$ 3 milhões, para o diretório nacional do PSC, atual partido do deputado Jair Bolsonaro. Cunha aparece também na planilha como 'padrinho' de outra doação, de R$ 900 mil, para o PR. Ou seja, só por essas indicações na planilha, em 2010 Eduardo Cunha operou como captador de R$ 5 milhões – isso apenas junto ao Grupo Odebrecht – para três partidos, justamente os que em Brasília compõem a chamada 'bancada do Cunha', ou seja, o grupo de parlamentares de vários estados que acompanha fielmente a liderança do atual presidente da Câmara em todas as votações.” – leia a íntegra da coluna aqui.
É impressionante. Cunha apadrinha R$ 5 milhões apenas na planilha de uma empreiteira em uma eleição.  É a bancada da mala, estimada por Ciro Gomes em 150 deputados . Fiéis a Cunha até o fim –enquanto ele continuar doando, é claro. É disparadamente a maior bancada da Câmara, praticamente o dobro do maior bloco parlamentar da Casa, que conta com 87 deputados (PP, PTB, PSC e PHS).
É a tropa de choque de Cunha, majoritária na Comissão do Impeachment e capaz de tudo para impedir o prosseguimento do processo contra o “capo” na Comissão de Ética.
Mas há mais, muito mais dinheiro para comprar o impeachment de Dilma.  Segundo o deputado Paulo Pereira da Silva, “tem muita gente querendo financiar esse negócio do impeachment”.  Ouça aqui.  É só o parlamentar interessado sinalizar que a grana aparece, segundo o deputado, conhecido como Paulinho da Força, líder do partido Solidariedade e que conhece um tipo de solidariedade que o fez réu em processo por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e crimes contra o sistema financeiro e figura em mais três inquéritos –ele está na comissão do impeachment, por óbvio.
Cunha é algo como um herói, um ícone para Paulinho. Na mesma gravação em que afirmou que está chovendo e vai continuar a chover nas hortas dos deputados golpistas,  ele fez questão de ressaltar que ”esse negócio (isso mesmo, “negócio”) do impeachment tá indo, eu vou falar a verdade, por causa do Eduardo Cunha. O impeachment só tá acontecendo por causa do Eduardo Cunha.” Paulinho está certo. Retire-se Cunha e o processo de impeachment terá enorme dificuldade de seguir adiante, sem o devido combustível.
O cenário da Câmara dos Deputados é desolador e faz do Brasil o centro de um escândalo ao redor do mundo. O condutor do processo, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, é réu numa ação no Supremo por recebimento de propina e distribuiu recursos da ordem de centenas de milhões de reais; 61% dos deputados da comissão encarregada do processo receberam R$ 9 milhões de empresas investigadas na operação Lava a Jato (leia aqui); 31 dos 130 integrantes da comissão (titulares e suplentes) respondem a inquérito ou ação penal no Supremo, acusados de formação de quadrilha, corrupção e lavagem de dinheiro, entre outros crimes (leia aqui).
O relator da comissão do impeachment, deputado Jovair Arantes, é funcionário (ops, aliado) de Cunha. Atua no Conselho de Ética como um coronel do exército de Cunha nas manobras para paralisar o processo contra o chefe. Assumiu a relatoria do impeachment apenas depois de garantir aos golpistas que  condenará Dilma –leia aqui.  Jovair é um aliado de valor: teria cobrado R$ 4 milhões apenas para apoiar a recondução ao cargo do presidente da Agência Goiana de Meio Ambiente. Quem veiculou a denúncia? É até engraçado, mas foi a Veja! Isso mesmo, Veja desceu o cacete no deputado em 2012, quando considerava que isso prejudicava o governo do PT. Disse a revista na ocasião: “Num documento de 24 páginas assinado e entregue formalmente ao Ministério Público em dezembro passado, ele diz que, quando estava de saída da agência ambiental, ouviu uma proposta nada ortodoxa: Jovair, a quem caberia indicar o novo presidente do órgão, pediu 4 milhões de reais para apoiar sua recondução. ‘O deputado queria R$ 4 milhões para que o infraescrito fosse indicado para continuar na titularidade do órgão público’, escreveu”. Está tudo no link aqui, mas como Jovair agora é da famiglia dos Civita, não se sabe até quando estará no ar.
O crime contra o país acontece em clima de farra no Congresso –e numa escalada fascista sem precedentes na sociedade de nas ruas.
Farra para Cunha e os seus.
E que farra. A Procuradoria Geral da República (PGR), na denúncia apresentada ao Supremo contra Cunha em 4 de março de 2016 apresentou a vida de sultão de Cunha ao país (não, ao país não, porque a Globo e suas congêneres de menor expressão preferiram silenciar sobre o que você lerá a seguir pois, afinal, o pedalinho era mais importante).  A expressão “vida de sultão” foi um preciso achado da reportagem de El País sobre a denúncia da Procuradoria –leia aqui e, se quiser, clique no link logo no início da reportagem para ter acesso à íntegra da peça da PGR).
Os números são dignos de um sultão mesmo, é só ir à denúncia, ler e deixar o queixo cair:
Virada de 2012/2013 - Em nove dias, numa viagem a Miami para a passagem de ano (entre 28 de dezembro e 5 de janeiro) Cunha, mulher e filha torraram R$ 170 mil. Isso mesmo! Mais de R$ 18 mil por dia (a cada dia ele gastou mais do que o salário mensal de um parlamentar à época, de R$ 17.794,76). Em Miami, a gastança foi antológica. Tudo em nove dias (a seguir apenas alguns exemplos dos gastos):  almoço e jantar em restaurantes em Miami Beach em 28 de dezembro pela bagatela de R$ 7.500; uma refeição para celebrar o início de 2013 com a família no restaurante Prime Italian, em 01 de janeiro, no valor de R$ 6 mil;  outras contas de valor similar em diversos restaurantes;  apenas no dia 29 de dezembro, R$ 24.520 em comprinhas na Saks e na Salvatore Ferragamo. Mas não foi suficiente. Em 2 de janeiro, mais comprinhas, agora na Giorgio Armani e Ermenegildo Zegna, duas das grifes mais requintadas do planeta, somando outros R$ 20.504. Parece mentira, não é? Mas tudo registrado nos cartões de crédito do futuro “capo” do impeachment.
2013 estava apenas começando – em fevereiro, depois do festival Miami,  Cunha, que não é de ferro, foi a Nova York. O ritmo não se reduziu. Entre 9 e 12 daquele mês, a PGR flagrou gastos de R$ 36.732 entre hotel, restaurantes e as grifes preferidas de Cunha. O atual presidente da Câmara é rápido no gatilho; dia 12 de fevereiro a gastança começou cedinho em NYC e continuou à noite em Zurique, na Suíça (ah, a Suíça): entre a noite de 12 e a manhã do dia 15 de fevereiro, a conta ficou em R$ 18.716. Mas não foi tudo: na noite de 15 de fevereiro, lá estava ele sentado à mesa do Le Grand Vefour, em Paris, para uma refeição de R$ 9.984. No dia 16, pagou R$ 23.900 de hospedagem no famoso Hotel Crillon, em Paris, cidade onde chegara na véspera! Fevereiro acabara, mas em março a festa precisava continuar: no dia 25, pagou uma conta de R$ 12.288 no Hotel W. Barcelona, na cidade do mesmo nome. Não há distâncias nem limites para Cunha: em 20 de  junho, lá estava ele no restaurante Russkiy Ampir, em São Petesburgo (Rússia): conta de mais de R$ 12 mil. Este foi o padrão em 2013, que se repetiu em setembro, de novo em Nova York.
Os sapatos de Cunha – o presidente da Câmara gosta de conforto para os pés. Parece que estava adivinhando que seria eleito presidente da Casa e tratou de cuidar dos pezinhos. Em setembro de 2013, em Nova York, torrou R$ 32.464 na loja de sapatos masculinos Pravda Abbigliamento. Isto em apenas uma compra de sapatos. Podemos imaginar que Cunha não parou por aí, mas os documentos da PGR não alcançam outras aquisições de lotes de sapatos. Mas grifes como Zegna e Ferragamo, suas preferidas, têm linhas de calçados que não devem ter escapado ao seu interesse.
2014 – Cunha não parava -e não parou até hoje. Atravessou o Atlântico já em janeiro de 2014 para continuar a festança com o seu dinheiro em Paris. No dia 12, pagou uma conta de quase R$ 40 mil reais no Hotel Meurice, na Cidade Luz, sem contar as comprinhas de sempre. Em março, já estava em Roma, logo depois em Veneza e Florença –entre 2 e 7 daquele mês, lá se foram mais R$ 37 mil só em hotéis, algo como R$ 6.200 de diárias. Como Cunha não é de ferro, não custava nada (para ele) uma esticadinha à terrinha. Dia 8 de março lá estava o comandante das forças contra a corrupção em Cascais, porque afinal em Portugal é tudo mais barato, não é? Mais R$ 9.472 em dois dias de hospedagem no Grande Real Villa Hotel (quase uma pechincha para o deputado, que pagara diárias superiores a R$ 6 mil apenas dois dias antes na Itália!).  Não, não acabou. Em abril, o sultão certamente sentiu-se em casa: mais R$ 23.708 no hotel Burj Al Arab, em Abu Dabi.
2015 - Até o início do último ano, Cunha não era ainda presidente da Câmara. A eleição, em 1 de fevereiro de 2015, não constrangeu o sultão. Lá estava ele, 15 dias depois de sua eleição, cuidando de renovar o guarda roupa em Paris. Uma conta de mais de R$ 32 mil reais na Textiles Astrum France. Hospedagem? Nada de monotonia. O Crillon, em 2013, e o Meurice, em 2014, não estavam à altura do terceiro homem na linha sucessória: era chegada a hora do Plaza Athenee! Cinco noites por R$ 63.520 (quase R$ 13 mil a diária). Era preciso mesmo celebrar, e de novo na terrinha, mais uma conta de quase R$ 6 mil reais por uma refeição no restaurante Os Arcos, em Paço D’Arcos e de novo no Grande Real Villa Hotel, em Cascais (ele gostou!): mais R$ 11.700.
 A singeleza da mulher de Cunha, Cláudia – nada de listas extensas. Só os destaques. Em 2014: em Paris, em janeiro, R$ 30.828 na Chanel e mais R$ 16.736 na Charvet Place Vêndome (só os destaques, lembre-se); em Roma, em março, R$ 17.988,00; em Lisboa, também em março, outros R$ 14.144 na Louis Vuitton; e, claro, Dubai –R$ 15.196 na Chanel. Os destaques de 2014 (só os “high lights”!) somaram quase R$ 100 mil reais em roupas, sapatos e bolsas. Chanel é sempre Chanel: pra a grife, quase a metade, R$ 46.024. Importante mencionar duas compras de  2015 porque, afinal, o maridão estava eleito presidente da Câmara e era preciso caprichar e pensar nele; na favorita Charvet Place Vêndome com suas opções para homens e mulheres, R$  26.148; e mais R$ 6.704 em gravatas na Hermès pra Cunha fazer bonito presidindo a Câmara. Tudo em fevereiro, um mês de compras pra família Cunha (junto com março, setembro, outubro, dezembro e janeiro compõem o semestre dourado dos cunhas anualmente).
A filhinha Danielle e suas delícias – a lista é enorme e tá cansando, começa a ficar monótono. Mas vale o registro que moçinha não deixou barato. Da extensa lista de Danielle, três que merecem realce: em janeiro de 2014, enquanto papai e mamãe passeavam na Europa, ela gastou quase R$ 21 mil na Chanel, em Nova York; mais R$ 20 mil na Neiman Marcus em Orlando, em abril do mesmo ano; e mais R$ 18.508 na Fendi em Nova York –afinal, Europa é pra velhos, não é?
Cunha gasta com um sultão. É o sonho de todos os manifestantes dos domingos na Paulista, das matilhas fascistas, dos pequenos, médios empresários e até alguns grandes empresários, dos parlamentares e  jornalistas a serviço do golpe: querem todos gastar como sultões. Por isso Cunha desperta uma relação mal escondida de inveja e admiração: pois ele de verdade gasta como um sultão.
É um sultão que presta serviço ao ódio dos que desejam ser sultões como ele, mas, sobretudo, preferem a morte a ver um país em que os ricos tenham de abrir mão de parte de sua fortuna para que os pobres possam viver com dignidade. Preferem a morte a ter de abrir mão de farras como a de Cunha -ou do "direito" de sonhar com elas.
Não há solução para o escândalo da presença de Cunha à frente da Câmara no interior do próprio Congresso –sua bancada é a maior da Casa. Só há duas soluções possíveis para o caso Cunha no âmbito da democracia: as ruas ou o Judiciário.
Cunha é o que é. A imprensa faz de conta que não vê o meio bilhão do sultão e sua máquina de fazer bancada. Prefere cuidar dos pedalinhos do torneiro mecânico.
O golpe em marcha, entre centenas de milhões de reais, ódio, farra e um condutor: o sultão.»
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Esta reportagem foi republicada em 28 de março de 2016 na página dos Jornalistas Livres no Facebook (leia aqui) e no site de comunicação independente Outras Palavras (leia aqui).

segunda-feira, 28 de março de 2016

As mentiras que os professores portugueses são obrigados a ensinar nas escolas contraditadas aqui sobre o Brasil a escravatura e a desumanidade do Padre António Vieira

«[...] 2. Com esse nome, o Brasil viveu 322 anos de ocupação portuguesa e 194 de independência. Se alguém acredita que o tempo da independência poderia já ter curado o tempo da ocupação, precisa de voltar à história luso-brasileira, porque o alcance da violência vai longe, e em muitas direcções. Esses 322 anos actuam diariamente naquilo que é hoje o Brasil, na clivagem entre São Paulo e o Nordeste, nos milhões que ainda moram em favelas, na relação Casa-Grande & Senzala das elites com os empregados, na violência da polícia que continua a ser militar, do desmando oligárquico dos que controlam aparelhos e estados, no saque catastrófico da natureza, na traição aos grupos indígenas, na evangelização dos pobres, radicalizando o conservadorismo num país onde se morre de aborto. Não é elenco para uma crónica, tem sido e será para muitas, livros, bibliotecas.

O lulismo fez coisas importantes contra parte dessa herança (nas desigualdades mais urgentes, na cultura), não fez o suficiente contra boa parte disto (na educação, na saúde, na polícia), fez coisas que pioraram isto (um capitalismo com consequências devastadoras no ambiente e nas questões indígenas), e historicamente produziu uma geração que o critica e supera pela esquerda, num caldo inédito de periferias politicamente empoderadas e uma nova faixa politizada vinda da elite. Então, qualquer discurso maniqueísta de besta ou bestial não dará conta de Luiz Inácio Lula da Silva, figura complexa, decisiva, que ainda desafiará a história quando já não restar memória de quem agora, com reconhecível sobranceria colonial, o tenta reduzir. O prazer de ver alguém cair sempre fez dos homens uma alcateia. E a recente lista de subornos da Odebrecht é um exemplo de como a corrupção se mantém transversal na política.

3. A violência sistémica brasileira tem raízes nas duas violências fundadoras da colonização portuguesa, extermínio indígena e escravatura africana. Os portugueses não inventaram a escravatura, mas inauguraram o tráfico em grande escala. Dos 12 milhões de indivíduos que as potências europeias deportaram de África até ao século XVIII, 5,8 milhões foram traficados por Portugal. Isto significa 47 por cento, ou seja quase metade do tráfico foi assegurado por Portugal, e a grande maioria destinava-se a sustentar a colonização do Brasil (os números podem variar consoante os estudos, estes são do recente Racismos, de Francisco Bethencourt).

A escravatura é um horror antiquíssimo, sim, e entre os séculos XV e XVIII a forma portuguesa de a praticar foi secundada por ingleses, espanhóis, franceses, holandeses, sim. Mas a Portugal coube esta iniciativa: deportação em massa, para nela assentar a exploração brutal de um território gigante, à custa do qual um território minúsculo viveu, como toda uma bibliografia tem mostrado de forma cada vez mais desassombrada. Não aprendi isto na escola, e tenho sérias dúvidas de que a maior parte dos portugueses faça ideia de que Portugal, sozinho, deportou tantos africanos como os judeus mortos no Holocausto, com a ajuda teológica e logística da Igreja Católica, depois de ter levado ao extermínio de ninguém sabe quantos índios, provavelmente não menos de um milhão.

Enquanto isto (e tudo o que nisto diz respeito a África, claro, e o tanto que falta do Oriente, etc, etc) não entrar a sério nos programas escolares, o império colonial português será futuro por enfrentar, e não passado: é um problema nosso. Ao Brasil, mais do que nunca, cabe superar o que o Brasil-colónia deixou no Brasil-independente, depois república, ditadura, democracia. A Portugal cabe integrar as várias partes desta história que foram deixadas para trás, por razões pesudo-patrióticas que só bloqueiam os portugueses. Feito, aventura, audácia seria descobrir o encoberto, que não é o de Álcacer-Quibir, mas o que nos recusamos a saber.

Não se trata de auto-flagelação, desculpabilização do Brasil independente, ódio a Portugal ou substituição de uma versão por outra, mas, como já escrevi a propósito da posse de Marcelo, de ter coragem para integrar na história outros factos, torná-la mais prismática e liberta de serviços. Não é possível usar um pedaço de história na lapela, remetendo os outros para um tempo anacrónico, com o argumento: nesse tempo era assim. Foi assim porque os portugueses também fizeram muito por isso. E nem sempre era assim, e para muitos não foi assim, a história está cheia de exemplos de quem se opôs, sempre houve embates, o espanhol Bartolomé de las Casas não partilhava a visão concentracionária dos jesuítas portugueses em relação aos ameríndios, tal como várias vozes se foram levantando contra a escravatura africana: mas o Brasil escravocrata, herdeiro dos privilégios, foi o último país americano a aboli-la, em 1888. Dito de outro modo, a história é presente, faz-nos e é feita por nós, agora. Mas, claro, podemos continuar bloqueados no pensamento único de como fomos grandes, e os brasileiros não têm emenda, no mínimo uns bons selvagens, como na célebre metáfora das esculturas em murta do padre António Vieira, esse sem dúvida brilhante orador do império, e idealizador do quinto império, que não viu obstáculos morais a substituir a escravatura indígena pela africana. [...]» (Alexandra Lucas Coelho in jornal «Público» net)

domingo, 27 de março de 2016

A corrupção na União Europeia IV - Fraude fiscal, roubo, tortura e homicídio

A União Europeia, na prática, tem praticado roubo, tortura e homicídio sobre os refugiados de guerra.

"A Europa pode sobreviver?




«El último acto formal de la desintegración europea fue la reciente negociación entre los 28 líderes europeos y el primer ministro de Turquía, Ahmet Davutoğlu. (…)
Esto es sólo una manera de evitar una posición común sobre los refugiados. De hecho, se trata de mantener a la gente fuera de Europa. Como el presidente de la UE, Donald Tusk, ha advertido explícitamente “manténganse fuera, porque no son bienvenidos”, a lo que se une la absoluta inexistencia de una política europea sobre este tema. Los 28 aprobaban por mayoría un plan de reasentamiento de 60.000 refugiados, una gota en los más de un millón varados en Europa. (…)
La marea de inmigrantes ha puesto en evidencia algo que todo el mundo cómodamente pasó por alto: Europa del Este ingresó en las instituciones europeas para tener beneficios, no obligaciones. Consideran que Europa Occidental les debe dar los medios para eliminar la brecha económica y social, creada por la cortina de hierro, pese a que si el dominio soviético ha desaparecido, se debe a Estados Unidos y no a Europa. ¿Y de repente, la UE les está pidiendo tomar refugiados que escapan de conflictos con los cuales no tienen nada que ver, como Siria y Libia, que son básicamente asuntos de europeos occidentales? (…)
No hay ningún país europeo, con la excepción de Portugal y de España –donde el Partido Popular de Mariano Rajoy logra abarcar todas las posiciones de derecha–, en que la extrema derecha y los partidos xenófobos no haya crecido desde la crisis de 2009 y que a menudo son el punto de inflexión en los parlamentos nacionales. Con elecciones próximas, un cambio de la marea va a pasar por toda Europa. El cedazo será el de la derecha, incluso en países que eran símbolo de tolerancia e inclusión, como los nórdicos y Holanda.
Europa es ahora una simple recopilación de 28 países, cada uno con su propia agenda nacional como prioridad. De forma individual, han recurrido a una serie de medidas ilegales, como la construcción de muros de contención y alambre de púas, sin ningún tipo de coordinación europea. (…)
En 1900, Europa constituía 24% de la población mundial. Al final de este siglo, será de 4%, hecho que por supuesto es acompañado por una disminución de la relevancia europea en el mundo. (…)

La idea de una Europa integrada, con un fuerte componente social, de alguna manera era una idea progresista. Pero el nacionalismo y la xenofobia están regresando, gracias a la visión neoliberal, donde los mercados son los únicos actores de las sociedades, con la imposición de la austeridad y el fin de la solidaridad de los países europeos más ricos.»

Roberto Savio" [Cit in blog «Entre as brumas de memória»]

Corrupção em Portugal a propósito do Brasil

"Samba glacial




«Não há palavras para descrever a situação no Brasil. Os brasileiros deviam começar a dar nomes de corruptos às prisões. Não pode ser só a ruas e avenidas. Os portugueses estão chocados com o que se passa no país irmão. Nunca vimos nada assim.
Felizmente que, isto da corrupção, é uma coisa muito brasileira e cá não temos nada disso. Nem tivemos um PM preso, nem ministros acusados, ou um gestor condecorado pelo PR que, 15 dias depois, se sabe ter ajudado a rebentar a maior empresa do país. Aquilo é degradante. (…)
Vejo as manifestações no Brasil e penso que é natural que o povo brasileiro esteja revoltado, porque depois de tantos sacrifícios já é o quarto banco que são chamados a salvar! Não pode ser. Lemos as notícias do "impeachment" e dou por mim a pensar, de zero a Carlos Costa, qual o grau de dificuldade em obter a renúncia de Dilma?
Foi a divulgação de escutas telefónicas, entre Lula e membros do PT, incluindo Dilma, que provocou o encher das ruas. O juiz Carlos Alexandre deve estar psicologicamente destruído, tanta escuta divulgada e nem meia dúzia de pessoas foram para a rua gritar. É impressionante como os corruptos continuam a ser apanhados ao telefone. Se eu fosse brasileiro, e corrupto, só comunicava por aviões com uma faixa na praia - "O cargo é teu, deposita 1M." Ficavam todos na praia a olhar uns para os outros e metade ia à água para disfarçar.
Não podemos esquecer que o Brasil, há poucas décadas, era uma ditadura. Uma democracia ainda frágil, em que os juízes divulgam escutas, porque querem fazer política, e onde, facilmente, há quem peça aos militares que intervenham depois de anos de ditadura militar (e dizem que a saudade é portuguesa) ou surge alguém que propõe que, se calhar, mais valia o Brasil suspender seis meses a democracia. Muito perigoso.»

João Quadros" [In blog «Entre as brumas da memória»]

O que os corruptos da Rede Globo, da Folha de São Paulo, da TVI, da SIC, da RTP e do Canal CM querem para o Brasil é o fascismo, mostrado aqui em 3 imagens, uma do Chile e duas da Argentina

"Argentina: e se isto fosse uma foto da sua família?



A ler: Discurso a 40 años del golpe genocida." [In blog «Entre as brumas da memória»]

«A 40 años del golpe genocida, que le causó tanto daño a nuestro pueblo, con miles de asesinados, detenidos-desaparecidos, presas y presos políticos, exiliados, con un pueblo hundido en la pobreza, sin justicia social y con mucho miedo, estamos en esta Plaza de Mayo para reivindicar las luchas de los 30.000.
Son 40 años de aquel 24 de marzo de 1976, cuando los genocidas ocuparon la Casa Rosada para decidir sobre la vida y la muerte. Con el terror sistemático como método, buscaron imponer un plan económico, político, social y cultural de hambre y exclusión con la receta escrita por los grupos económicos, el Gobierno de Estados Unidos, la cúpula de la Iglesia y con la participación de la corporación judicial.» [In «ABUELAS DE PLAZA DE MAYO» net]

São estas selvajarias fascistas que a Rede Globo, a Folha de São Paulo, os juízes corruptos, a TVI, a SIC, a RTP e o Canal CM querem para o Brasil em 2016.

sexta-feira, 25 de março de 2016

A corrupção podridão na União Europeia III - Fraude fiscal, roubo, tortura e homicídio

Os contribuintes são roubados quando o governo vende uma empresa por ser altamente lucrativa. E depois os contribuintes são roubados ainda porque são obrigados a pagar os prejuízos de empresas privadas mal geridas.

«Confirmado !


Governo PSD-CDS vendeu os
CTT (e uma licença bancária)

por 10/12 anos de lucros, a
seguir é sempre abichar pelo privados


aqui post antigos sobre a
 privatização dos CTT» [In blog «O tempo das cerejas»]

quinta-feira, 24 de março de 2016

A revolução fascista brasileira está a organizar-se em Lisboa. Os que perderam as eleições querem ser eles a governar...






« [...] A data é simbólica: 31 de Março de 2016, exactamente 52 anos depois do golpe militar que depôs o Presidente eleito João Goulart, Jango, e instaurou uma ditadura militar no Brasil que durou 21 anos. É precisamente nesse dia que termina, em Lisboa, um seminário luso-brasileiro de Direito com um tema sugestivo: Constituição e Crise – A Constituição no contexto das crises política e económica. Mas é o “quem” desta história que está a levantar várias ondas na relação entre Portugal e o Brasil. É que entre os oradores do seminário estão os principais dirigentes da oposição a Dilma Rousseff – os senadores Aécio Neves e José Serrao juiz que impediu Lula da Silva de regressar ao Governo Federal, Gilmar Mendes, e o vice de Dilma Rousseff, do PMDB, Michel Temer, que pode nos próximos dias romper a coligação com o Partido dos Trabalhadores (PT) e formar a maioria no Congresso que votará a favor do impeachment(destituição) de a Presidente. [...]» (In jornal «Público» net)

«O que torna a compreensão particularmente difícil é o facto de as duas questões se confundirem. Confunde-se porque os juízes tomam partido na guerra civil, como diversos exemplos o comprovam: o juiz Sérgio Moro, responsável pelo processo Lava Jato, publicou um comunicado a agradecer o apoio dos manifestantes que defendiam o impeachment da Presidente; o juiz que suspendeu a tomada de posse de Lula da Silva tinha na sua página de Facebook uma selfie com o slogan “Fora Dilma”; e os procuradores que pediram a prisão preventiva de Lula da Silva fizeram declarações sobre o desagrado que “Marx e Hegel” (que confundiram com Engels) teriam, se fossem vivos, com o líder do PT.» (Álvaro Vasconcelos in jornal «Público» net). Estes procuradores além de desonestos são burros e ignorantes. O fascismo brasileiro é a tomada do poder pelos burros.

«Em Portugal, a maioria da imprensa tem alinhado a sua análise dos factos pela narrativa desenvolvida pela TV Globo ou de jornais que se afirmam como órgãos políticos, como o Estado de S. Paulo ou a Folha de S. Paulo. Mas é fundamental não esquecer que um dos problemas da democracia brasileira é a sua imprensa, que não procura ser objectiva e apoiou no passado as conspirações anti-constitucionais contra as forças políticas que consideram de esquerda – ou seja, contrárias aos interesses da Casa Grande, como se diz no Brasil. Foi assim na conspiração que levou ao golpe militar de 1964, que derrubou João Goulart, um presidente democrático, e impôs uma ditadura militar, que teve o apoio e incentivo da Globo, da Folha e do Estado de São Paulo(Álvaro Vasconcelos in jornal «Público» net)

Foi o Estado Islâmico que realizou os atentados de Bruxelas e quem financia o Estado Islâmico?

Quem apoia o Estado Islâmico? Quem lhe vende o petróleo? Quem lhe compra o petróleo? Quem bombardeia os Curdos para eles não poderem atacar o Estado Islâmico?


«O Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), ou Estado Islâmico do Iraque e da Síria (EIIS), é uma organização jihadista islamita de orientação Wahhabita que opera majoritariamente no Oriente Médio. Também é conhecido pelos acrônimos na língua inglesa ISIS ou ISIL.[10] [11] O nome em árabe, ad-Dawlat al-Islāmiyah fī al-ʿIrāq wa sh-Shām, leva ao acrônimo Da'ish, ou Daeshaportuguesado como Daexe.[10] [12][13] Em 29 de junho de 2014, o grupo passou a se autointitular simplesmente "Estado Islâmico" (em árabeالدولة الإسلاميةad-Dawlat al-Islāmiyah). Um califado foi proclamado, com Abu Bakr al-Baghdadi como seu califa, ainda que sem o reconhecimento pela comunidade internacional. [...]» (In Wikipedia)

«[...] O EI conquistou Mossul, no Iraque, em Junho passado, e já exerce poder sobre uma área maior do que o Reino Unido. Desde Maio de 2010 que Abu Bakr al-Baghdadi é o seu líder, mas até ao Verão passado, a última vez que tinha sido filmado fora sob cativeiro americano em Camp Bucca durante a ocupação do Iraque, onde aparecia numas imagens granuladas. Então, a 5 de Julho do ano passado, durante o Ramadão, subiu ao púlpito da Grande Mesquita de al-Nuri, em Mossul, para um sermão em que se autodeclarava o primeiro califa ao fim de várias gerações — fazendo um up grade na resolução da sua imagem, que passou de granulada a alta definição, e da sua posição de guerrilheiro fugido das autoridades a comandante de todos os muçulmanos. O afluxo de jihadistas que se seguiu, vindo de todo o mundo, foi inédito em ritmo e quantidade, e ainda não parou.  [...]» (In jornal «Público» net)

quarta-feira, 23 de março de 2016

Uma análise aprofundada do acordo União Europeia - Turquia sobre os refugiados


«A História em vias de se repetir

O suicídio Europeu face à Turquia

Ao assinar um acordo —diga-se de passagem, ilegal no Direito Internacional— com a Turquia para abrandar o afluxo de migrantes, os dirigentes da União Europeia envolveram-se um pouco mais num pacto com o diabo. Uma grande parte dos 3 mil milhões (bilhões-br) alocados a Ancara servirá para financiar o apoio aos jiadistas e, por conseguinte, a aumentar o número de migrantes que fogem à guerra. Acima de tudo, revogando, nos próximos meses, os vistos com a Turquia, os Europeus instituem a livre circulação entre os campos da Al-Qaida, na Turquia, e Bruxelas. Esmagando assim os povos iraquiano e sírio sob a opressão dos jiadistas, que eles financiam indirectamente, e abandonando o povo turco à ditadura do Presidente Erdoğan, preparam as bases de um vasto enfrentamento do qual virão a ser as vítimas.

| Damasco (Síria)
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Aquando da conferência de imprensa de 18 Março de 2016, o presidente da União Europeia, Donald Tusk (um Polaco que defende os interesses da Alemanha), parecia tentar acalmar a fúria do presidente da Comissão, Jean-Claude Juncker (um Luxemburguês que defende os interesses dos E.U.A.). Para enorme satisfação de um Primeiro-ministro Turco, tranquilamente irónico, Ahmet Davutoğlu.
© União europeia
«A democracia é como um tramway, subimos para ir aonde queremos e aí chegados descemos»
Recep Tayyip Erdoğan (1996)
O Conselho Europeu de 17 e 18 de Março de 2016 adoptou um plano visando resolver o problema colocado pelo afluxo maciço de migrantes provindo da Turquia [1]. Os 28 chefes de Estado e de governo submeteram-se a todas as exigências de Ancara.
Nós havíamos já analisado a maneira pela qual os Estados Unidos entendiam utilizar os acontecimentos do Próximo-Oriente para enfraquecer a União Europeia [2]. No início da actual crise dos «refugiados», fomos os primeiros a observar simultaneamente que este evento tinha sido deliberadamente provocado, e os problemas insolúveis que ele ia colocar [3]. Infelizmente, todas as nossas análises acabaram provadas, e as nossas posições foram, depois, amplamente adoptadas pelos nossos detractores de então.
Indo mais longe, interessa-nos avaliar a maneira como a Turquia tomou conta do jogo e a cegueira da União Europeia, que persiste em estar um passo atrás.

O jogo de Recep Tayyip Erdoğan

O presidente Erdoğan não é um homem político como os outros. E, não parece que os Europeus, nem os povos, nem os seus dirigentes, tenham tomado plena consciência disso.
• Primeiro, ele veio da Millî Görüş, um movimento islâmico pan-turquista ligado aos Irmãos Muçulmanos do Egipto e defensor do restabelecimento do Califado [4]. Segundo ele —como, aliás, segundo os seus aliados do Milliyetçi Hareket Partisi (MHP)— os Turcos são os descendentes dos Hunos de Átila, eles próprios filhos do lobo das estepes da Ásia Central, do qual herdariam a resistência e a crueza. Formam uma raça superior chamada a governar o mundo. A sua alma é o Islão.
O presidente Erdoğan é o único chefe de Estado do mundo a reivindicar-se de uma ideologia supremacista étnica, perfeitamente comparável ao arianismo nazista. É, igualmente, o único chefe de Estado no mundo a negar os crimes da sua história, nomeadamente os massacres de não-muçulmanos pelo Sultão Abdulhamid II (os massacres hamidianos de 1894-1895: pelo menos 80. 000 Cristãos mortos e 100.000 Cristãs incorporadas à força nos haréns), depois pelos Jovens Turcos (genocídio dos Arménios, dos Assírios, dos Caldeus, dos Siríacos, dos Gregos pônticos e dos Yazidis de 1915 a 1923: pelo menos 1,2 milhões de mortos); um genocídio que foi executado com a ajuda de oficiais alemães, entre os quais Rudolf Höss, futuro director do campo de Auschwitz [5].
Ao celebrar o 70º aniversário da libertação do pesadelo nazista, o presidente Vladimir Putin sublinhou que «as ideias de supremacia racial e de exclusivismo provocaram a guerra mais sangrenta da História» [6]. Depois, aquando de uma marcha —e sem nomear a Turquia—, ele apelou a todos os Russos para estarem prontos a renovar o sacrifício dos seus avós, se necessário, afim de salvar o princípio da própria igualdade entre os homens.
• Em segundo lugar, o presidente Erdogan, que apenas tem o apoio de um terço da sua população, governa sozinho o país pela força. É impossível saber com precisão o que pensa o povo turco, uma vez que a publicação de qualquer informação pondo em causa a legitimidade do presidente Erdoğan é agora considerada como uma violação da segurança do Estado, e conduz imediatamente à prisão. No entanto, se nos referirmos aos mais recentes estudos publicados, em outubro de 2015, menos de um terço do eleitorado o apoia. O que é nitidamente menos que os nazistas em 1933, que dispunham, então, de 43% dos votos. Esta foi a razão pela qual o presidente Erdoğan só pode ganhar as eleições legislativas após uma grosseira falsificação.
Entre outras:
- Os média (mídia-br) da oposição foram amordaçados: os grandes jornais quotidianos Hürriyet e Sabah assim como a televisão ATV foram atacadas por homens de mão do partido no poder; foram lançadas investigações visando jornalistas e órgãos de imprensa acusados de apoiar o «terrorismo» ou de ter feito comentários difamatórios contra o Presidente Erdoğan; “sites” web foram bloqueados; prestadores de serviços digitais suprimiram do seu cartaz os canais de televisão da oposição; três dos cinco canais de televisão nacionais, entre os quais a emissora pública, foram nos seus programas claramente partidários do partido no poder; outros canais de televisão nacional, o Bugün TV e Kanalturk, foram fechadas pela polícia.
- Um estado estrangeiro, a Arábia Saudita, derramou £ 7 mil milhões (bilhões-br) de «donativos» para «convencer» os eleitores a apoiar o presidente Erdoğan (ou seja cerca de 2 mil milhões de euros).
- 128 sedes políticas do Partido de esquerda (HDP) foram atacadas por sicários do partido do presidente Erdoğan. Inúmeros candidatos e suas equipes foram espancados. Mais de 300 lojas curdas foram saqueadas. Dezenas de candidatos HDP foram presos e colocados em prisão preventiva durante a campanha.
- Mais de 2. 000 opositores foram mortos durante a campanha eleitoral, quer pelos ataques, quer por causa da repressão governamental visando o PKK. Várias aldeias do sudeste do país foram parcialmente destruídas por tanques do exército.
Desde a sua «eleição», uma cortina de chumbo desceu sobre o país. Tornou-se impossível alguém poder informar-se sobre o estado da Turquia através da sua imprensa nacional. O principal diário da oposição, Zaman, foi colocado sob tutela e limita-se agora a louvar a grandeza do «sultão» Erdoğan. A guerra civil, que lavra já no Leste do país, estende-se, com atentados em Ancara e até Istambul, perante a total indiferença dos Europeus [7].
Erdoğan governa quase só, rodeado por um grupo restrito, no qual se inclui o Primeiro-ministro Ahmet Davutoglu. Ele declarou publicamente, durante a campanha eleitoral, que não respeitava mais a Constituição e que, agora, todos os poderes lhe estavam entregues.
A 14 de março de 2016, o presidente Erdogan declarou que face aos Curdos: «A democracia, a liberdade e o estado de direito não têm mais o menor valor». Ele anunciou sua intenção de alargar a definição legal de «terroristas» para incluir todos os que são «inimigos dos Turcos» —quer dizer os Turcos e não-Turcos que se opõem ao seu supremacismo—.
Por metade de mil milhões de euros, Recep Tayyip Erdoğan, fez construir para si próprio, o maior palácio jamais ocupado por um chefe de Estado na história mundial. O «palácio branco», em referência à cor do seu partido, o AKP. Ele estende-se por 200. 000 metros quadrados e compreende todo o tipo de serviços, entre os quais “bunkers” de segurança ultra-modernos ligados a satélites.
• Terceiro, o presidente Erdoğan utiliza os poderes que anti-constitucionalmente se atribuiu para transformar o Estado turco em padrinho do jiadismo internacional. Em Dezembro de 2015, a polícia e a Justiça turcas conseguiram estabelecer os laços pessoais de Erdoğan e do seu filho Bilal com Yasin al-Qadi, o banqueiro global da Al-Qaida. Ele despediu, pois, os policias e os magistrados que tinham ousado «pôr em causa os superiores interesses da Turquia» (sic), enquanto Yasin al-Qadi e o Estado colocavam um processo judicial ao quotidiano de esquerda BirGün por ter reproduzido o meu editorial, «Al-Qaida, eterna reserva da Otan».
Em Fevereiro último, a Federação da Rússia entregava um relatório de Inteligência ao Conselho de Segurança da ONU atestando o apoio do Estado turco ao jiadismo internacional, em violação de inúmeras resoluções [8]. Eu publiquei um estudo aprofundado sobre estas acusações, imediatamente censurado na Turquia [9].

A resposta da União Europeia

A União Europeia tinha enviado uma delegação para vigiar as eleições legislativas em novembro de 2015. Ela adiou longamente a publicação do seu relatório, depois resolveu-se a publicar sobre isso uma curta versão, adocicada.
Em pânico pelas respostas das suas populações reagindo duramente à entrada maciça de migrantes —e, para os Alemães, à abolição do salário mínimo que daí resultou—, os 28 Chefes de Estado e de Governo da União finalizaram com a Turquia um procedimento para que ela resolva os seus problemas. O Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados, Filippo Grandi, declarou, de imediato, que a solução escolhida viola o direito internacional, mas, mesmo supondo, a propósito, que as coisas possam ser melhoradas, nem é este o principal problema.
A União comprometeu-se a
- pagar 3 mil milhões de Euros anuais à Turquia para a ajudar a fazer face às suas obrigações, mas sem qualquer mecanismo de verificação da utilização destes fundos;
- pôr fim aos vistos exigidos aos Turcos para entrar na União [10] —o deve ser feito em alguns meses, ou até semanas— ;
- acelerar as negociações de adesão da Turquia à União —o que, pelo contrário, será muito mais demorado e aleatório—.
Por outras palavras, cegos pela recente derrota eleitoral de Angela Merkel [11], os dirigentes Europeus contentaram-se em encontrar uma solução provisória para abrandar o fluxo dos migrantes, sem procurar resolver a origem do problema e sem ter em conta a infiltração de jiadistas neste fluxo.
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Que fizemos?
© União europeia

O precedente de Munique

Nos anos 30, as elites europeias e norte-americanas consideravam que a URSS, devido ao seu modelo, ameaçava os seus interesses de classe. Eles apoiavam pois, colectivamente, o projecto nazi de colonização da Europa Oriental e de destruição dos povos eslavos. Apesar dos repetidos apelos de Moscovo para a criação de uma vasta aliança contra o nazismo, os dirigentes europeus aceitaram todas as reivindicações do chanceler Hitler, incluindo a anexação das regiões povoadas pelos Sudetas. Foi o Acordo de Munique (1938), conduzindo a URSS a adoptar o salve-se quem puder e a concluir o Pacto germano-soviético—1939—(Molotov-Ribbentrop- ndT). Só muito tardiamente é que certos dirigentes europeus, depois norte-americanos, perceberam o erro e decidiram aliar-se com Moscovo contra os nazis.
Diante de nossos olhos repetem-se os mesmos erros. As elites europeias consideram a República da Síria como um inimigo, seja porque defendem o ponto de vista colonial de Israel, seja porque esperam recolonizar, eles mesmos, o Levante apropriar-se das suas gigantescas reservas de gás ainda inexplorado. Elas apoiaram, pois, a operação secreta norte-americana de «mudança do regime» e fingiram acreditar na fábula da «Primavera Árabe». Após cinco anos de guerra por procuração, constatando que o presidente Bashar el-Assad ainda está lá, embora tivessem mil vezes anunciado a sua demissão, os Europeus decidiram financiar pelo montante de 3 mil milhões de euros anuais o apoio turco anual aos jiadistas. O que, segundo a sua lógica, deveria permitir a sua vitória e, portanto pôr um fim às migrações. Eles não tardarão a perceber [12], mas já muito tarde, que ao abolirem os vistos para os cidadãos turcos, autorizaram a livre-circulação entre os campos da Al-Qaida na Turquia e Bruxelas [13].
A comparação com o final dos anos 30 é tanto mais parecida quando na altura do Acordo de Munique o Reich nazista já havia anexado a Áustria, sem provocar reação notável de outros Estados europeus. Ora, hoje em dia, a Turquia ocupa já o Nordeste de um Estado-Membro da União Europeia, Chipre, e uma faixa de alguns quilómetros de profundidade na Síria, que administra através de um walli (prefeito) nomeado para este efeito. Não apenas a U.E. aceita isso, como pela sua atitude, ela encoraja Ancara a prosseguir as suas anexações com total desprezo pelo Direito internacional. A lógica comum ao chanceler Hitler e ao presidente Erdoğan é baseada na unificação da «raça» e na purificação da população. O primeiro queria unir as populações de «raça alemã» e purificá-las de elementos «estrangeiros» (Judeus e Roma), o segundo quer unir as populações de «raça turca» e purificá-las de elementos «estrangeiros» (os Curdos e Cristãos).
Em 1938, acreditavam na boa fé do chanceler Hitler, hoje em dia na do presidente Erdoğan.
Tradução
Alva
[1] “Next operational steps in EU-Turkey cooperation in the field of migration”, Voltaire Network, 16 March 2016.
[2] “A cegueira da União Europeia face à estratégia militar dos Estados Unidos”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 27 de Abril de 2015.
[3] “A falsa «crise dos refugiados»”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 7 de Setembro de 2015.
[4] “Em direção ao fim do sistema Erdoğan”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 17 de Junho de 2015.
[5] « La Turquie d’aujourd’hui poursuit le génocide arménien », par Thierry Meyssan, Réseau Voltaire, 26 avril 2015.
[6] « Выступление Президента России на параде, посвящённом 70-летию Победы в Великой Отечественной войне », Владимир В. Путин, Сеть Вольтер, 9 мая 2015.
[7] « L’Union européenne a abandonné ceux qui se battent pour défendre les libertés en Turquie », par Can Dündar, Le Monde (France) , Réseau Voltaire, 18 mars 2016.
[8] “Relatório da inteligência russa sobre a atual assistência da Turquia ao Daesh”, Tradução Marisa Choguill, Rede Voltaire, 19 de Fevereiro de 2016.
[9] “Como a Turquia apoia os jiadistas”, Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 22 de Fevereiro de 2016.
[10] “Roadmap towards a visa-free regime with Turkey”, Voltaire Network, 16 March 2016.
[11] „Alternative für Deutschland nimmt kein Blatt vor den Mund“, von Ian Blohm, Übersetzung Horst Frohlich, Strategic Culture Foundation (Russland) , Voltaire Netzwerk, 12. März 2016.
[12] « Lettre ouverte aux Européens coincés derrière le rideau de fer israélo-US », par Hassan Hamadé, Réseau Voltaire, 21 mai 2014.
[13] “Israeli general says al Qaeda’s Syria fighters set up in Turkey”, Dan Williams, Reuters, January 29, 2014.» (In «Red Voltaire»)