domingo, 31 de julho de 2016

IV Reich - o bizantinismo dos dirigentes e indícios de derrota


Ou a submissão ao IV Reich ou o fim do Mundo. «Não há alternativa». Ai não? Ou há mesmo alternativas à podridão do IV Reich?

"Desfoque




«Como há-de alguém perceber a Europa? Como há-de alguém perceber que, no mesmo dia em que um padre é degolado pelo ISIS no norte de França, em Bruxelas a preocupação central seja debater e decidir sobre penalizações a aplicar a Portugal e Espanha? O resultado da discussão, após semanas de intrigas, ameaças e burburinho, com todo o mérito dos envolvidos, foi que a multa é zero - vamos a ver se a coisa fica por aqui ou se ainda há mais trapalhadas. Mas a questão fundamental é esta: a Europa ficou refém da morte anunciada pelo ISIS, de atentados que se repetem, de sobressaltos no dia-a-dia dos cidadãos. O problema principal da Europa é político, tem que ver com decisões que vão além do défice, tem que ver com a sua relação com os seus cidadãos. A Comissão Europeia continua a achar que a sua missão é vigiar o Pacto de Estabilidade, apesar de, literalmente, todos os dias lhe rebentar uma bomba nas mãos, que mata inocentes e agrava a insegurança. Qualquer dia, o Pacto de Estabilidade pode estar a ser cumprido a 100%, mas entretanto o terror dominou a Europa. Sobre o que se passa na Turquia, nota-se que significativamente não surge nem uma palavra.
A Europa é uma entidade muito mal gerida do ponto de vista político e, do ponto de vista económico, os maus resultados estão à vista na falta de crescimento, na ruína do sistema financeiro, no próprio Euro. Com um desgoverno assim, não admira que haja quem dele queira sair. Sobre isto, sobre a política na Europa, não há reflexão séria transnacional, apenas se vêem fundamentalistas de opereta como Dijsselbloem a falarem sobre fantasias, e Junckers de humor variável a ensaiar represálias aos ingleses. O maior problema está na falta de uma atitude clara da Europa perante as ameaças que a atacam todas as semanas. A casa está a arder e há quem pense no que deve ser a sua decoração, mesmo quando as salas já estão em labaredas.»

Manuel Falcão" [Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

sábado, 30 de julho de 2016

Crítica à Direita política

"Revisitar o pós-troika da direita



Num momento em que o FMI vem reconhecer os erros do programa de «ajustamento» (mesmo que com uma intenção meramente instrumental, como sugere o João Rodrigues), afirmando que a aplicação da austeridade em Portugal foi como «pôr um cão a perseguir a própria cauda»; e quando as teses da direita, sobre o «cenário negro», o «diabo que vem aí» e o «não há alternativa», esbarram de forma cada vez mais violenta com a realidade, vale a pena rever este vídeo do Ricardo Paes Mamede, sobre os planos orçamentais que a PAF tinha para o período 2014-2018 (caso tivesse conseguido eleger uma maioria parlamentar nas últimas legislativas)."
[In blog «Ladrões de Bicicletas»]

IV Reich - Portugal e os condicionalismos reichianos

O imperialismo alemão do IV Reich usa Bruxelas e Frankfurt como extensões de Berlim. Os países da chamada «União Europeia» são todos condicionados por Berlim. Em alguns, como Portugal, os condicionalismos reichianos ou imperiais sentem-se mais.

"A Europa vista pelo Presidente da República – (2) O lado de dentro




José Pacheco Pereira no Público de hoje:
«Voltando à intervenção do Presidente da República há duas semanas e acrescentando-lhe várias outras declarações entretanto feitas sobre a mesma matéria — Marcelo produz declarações a um ritmo, digamos, de forma eufemística, acelerado —, vamos agora ver o “lado de dentro” dessas declarações, ou seja, o que elas revelam sobre Portugal e a União. Este é, aliás, o aspecto pior dessas declarações, visto que Marcelo acaba por ser o porta-voz do atentismo voluntarista que explica por que razão a nossa consciência crítica e a nossa vontade cívica soçobram face àquilo que hoje a Europa é contra os interesses nacionais, insisto, contra os interesses nacionais.
Eu sou mais europeísta do que eles, porque estou consciente do caminho para o desastre que se está a seguir e mais próximo da Europa dos fundadores, que de há muito renegaram. E, sim, o facto de não haver sanções não justifica nenhum dos elogios que estão a ser feitos à União, porque eles assentam numa análise asséptica das razões por que não houve sanções.
O facto de não haver sanções foi o resultado de um combate político que se fez exactamente contra a Europa dos europeístas, em vez da atitude de submissão que era e é a norma. Se há mérito, não é da Europa das “regras”, mas do Governo português, que a contestou, mesmo que não o diga. Este combate travado pela primeira vez por um governo do lado débil do Sul é em si uma novidade, mas está longe de significar uma mudança qualitativa da União.
Se este sucesso tem continuidade, é o que se vai ver, espero que sim, mas duvido que tenha, em particular pela reafirmação do garrote do Tratado Orçamental, um instrumento contra o desenvolvimento económico dos países da Europa que mais precisam de alguma folga prudente, consistente mas continuada. Aliás, é com ironia que vejo o FMI juntar-se aos perigosos esquerdistas que falavam da reestruturação da dívida e do desastre que foi o programa da troika e, por maioria de razão, o modo como foi aplicado em Portugal. O recente documento do FMI é um libelo contra as políticas do Tratado Orçamental impostas pelo Eurogrupo e apoiadas com entusiasmo pelo Governo PSD-CDS, que queria, de forma pouco disfarçada, que Portugal sofresse sanções... pela política de 2016. (…)
Voltando ao discurso presidencial, um dos seus pontos-chave é o ataque à proposta de referendo que foi feita pelo BE, caso houvesse sanções. O BE andou para trás e para a frente com a proposta, deixou-se enredar nas críticas do Presidente e do PCP sobre a não possibilidade de haver referendos a tratados internacionais. Claro que a questão não precisa de ser constitucional ou a pergunta ser sobre um tratado, até porque há muitas maneiras de perguntar ao povo português sobre a Europa sem violar a Constituição. Marcelo deve conhecer pelo menos vinte.
O problema é outro: é a demonização do referendo cuja proposta, seja sob que forma for, é considerado quase uma proposta criminosa e antinacional, própria de fascistas, nacionalistas, comunistas e diversos extremistas. É irónico que Marcelo seja hoje um porta-voz dessa demonização, ele que fez parte do partido com mais tradição referendária e que propôs ele próprio pelo menos um referendo. (…)
Aliás, por que razão é que pensam que a reivindicação referendária tem crescido, a não ser pela consciência crescente de que o bloco PPE-PSE que domina a Europa retira o pluralismo da discussão política da União para o entregar a maiorias pouco sadias, e de costas cada vez mais voltadas para a opinião popular? É por saberem que partidos como o PS e o PSD, assim como os seus congéneres europeus, não entram em conta com o crescente sentimento hostil à União Europeia, e que nenhuma discussão parlamentar exprime os seus pontos de vista a não ser rotulando-os de nacionalistas, extremistas, quiçá fascistas, que a pressão referendária aumenta.
À medida que a democracia nacional é sugada pela burocracia de Bruxelas e pelos países mais poderosos, que os parlamentos enfraquecidos e subordinados se transformam em entidades vazias, apenas resta às pessoas a exigência referendária. Se a democracia parlamentar funcionasse como devia, representando as opiniões reais e não directórios partidários, e o Parlamento tivesse os poderes de dizer que não em muitas matérias em que foi desapossado desse poder sub-repticiamente, a pressão referendária era menor.
Foi o que aconteceu no Reino Unido, é o que acontece por regra quando se leva ao voto popular medidas propostas pela União, que ou chumbam, ou passam ao milímetro quando não tem de se repetir referendos até dar o resultado “certo”. A deslegitimação democrática do processo europeu é a fonte da pressão referendária.
E não, senhor Presidente, Portugal não “se sente bem na União Europeia”.» " [Cit in blog «Entre as brumas da memória» ]

quarta-feira, 27 de julho de 2016

IV Reich - a podridão do PPE, do PSE e da Nova Divisão Azul da Nova Wehrmacht


26 julho 2016

Uma nação de joelhos ?

Breves linhas que dizem
tudo sobre o mais indigno,

revoltante e inaceitável
É tão simples e clamoroso como isto: o défice para 2016 consta do Orçamento de Estado aprovado pela AR no final de 2015 pelos deputados eleitos pelo povo português.

A que título podem as instituições europeias, a meio de 2016, fixar uma nova meta para o défice de 2016 por cima e contra as decisões da representação nacional ?

Será que ainda teremos de concluir que, mal «acomparado», que o ultimato inglès de 1890 (afinal uma disputa entre potências coloniais) era uma brincadeira de crianças ?» [In blog «O Tempo das Cerejas 2»]

Terrorismo de base religiosa - mais uma análise

  

«Viva a Guerra!


Goya

Aí temos os Bushs de França a tocar a arrebate a todos os crentes, após o assassinato de um padre na pequena localidade de Saint-Etienne-du-Rouvray (27 mil habitantes).  

É catastrófico este apelo governamental à guerra! É de curtas vistas associar este acto como um ataque aos católicos, como se a sociedade se dividisse por religiões. Nice já provocou uma onda de racismo para com os mulçulmanos. As declarações feitas ontem a quente são explosivas. 

Mas o Governo francês embarcou numa perigosa deriva em que tenta salvar a cabeça a todo o custo, antes das eleições que se perdem para a extrema-direita. O problema é que quanto mais a esquerda imitar a direita, quanto mais não conseguir ter uma visão própria, um discurso próprio, mais isso tende a promover a direita. 

Que triste pedagogia para os jovens, que vazia e criminosa promoção à guerra geral. 

Veja-se a seguir algumas declarações recolhidas ontem pela BFMTV, que podem ser encontradas na totalidade aqui

13h27 - O ministro do interior Bernard Cazeneuve, recém chegado à localidade,  associa-se à "grande solidariedade" com os católicos.  

13h30 - O ex-primeiro-primeiro-ministro francês Jean-Marc Ayrault apela à unidade do povo francês. "Nestas circunstâncias, só pode haver uma mensagem: 'Mantenhamo-nos unidos'. Aqueles que estão na origem destes atentados, penso no de Nice e ainda nos dos últimos dias na Alemanha, querem dividir as sociedades, as democracias, a nossa forma de vida conjunta entre crentes e não crentes, entre católicos e muçulmanos, entre laicos e crentes".   
13h34 - François Hollande apela ao apoio à guerra. Recém-chegado a Saint-Etienne-du-Rouvray, François Hollande denunciou o "cobarde atentado de um padre da paróquia , por dois terroristas do Daesh". "A ameaça continua muito elevada. O grupo do Daesh declarou-nos guerra . Nós devemos levara cabo esta guerra [contra o Daesh], no respeito pela lei". "O meu pensamento está com todos os católicos da França".


  13h45 - Um dos homens é reconhecido

Segundo informações, um dos dois assaltantes à Igreja é reconhecido visualmente. A sua identidade foi confirmada. Poderá tratar-se de um homem que quia fazer parte da Jihad, mas que teria sido impedido na fronteira com a Turquia. Teria estado preso em 2015 e colocado com pulseira electrónica em Março de 2016.   


14h15 - O Daesh reivindica o ataque

14h30 - "Nós devemos ser impiedosos", diz Sarkozy


"É a guerra", lançou o antido chefe de Estado francês. Não há "outra escolha senão levá-la a cabo e ganhá-la". "O nosso inimigo não tem tabus, de limites, de moral, de fronteira. Nós devemos ser impiedosos". E pede ao governo para aplicar o mais rapidamente possível as propostas da direita contra o terrorismo.



15h - Marine Le Pen cavalga a fúria contra o islão.


Num comunicado, a Frente Nacional precisa: "Nos dois últimos quinquenatos, os de Sarkozy e Hollande, a deriva islamita não conheceu nenhum entrave e a subida da delinquência que a serve de viveiro não foi travada". O partido apela à aplicação das propostas anti-terroristas como a repressão da imigração. 


16h - Tocam os sinos em sinal de unidade e de solidariedade. O bispo de Bayonne convidou os padres da sua região a "tocar os sinos"das igrejas às 19h.


16h40 - São conhecidas descrições do assalto e assassinato feitas pelas freiras.


16h45 - A autarquia de Saint-Etienne-du-Rouvray apela a que os seus habitantes venham "exprimir as suas emoções, a asua dor, a sua indignação junto da sede da autarquia. 

17h - Torna-se conhecido que os assaltantes tinham como armas uma arma branca, tipo faca, e uma pistola "inoperativa" e um dispositivo fictício a fingir ser de explosivos, segundo fones próximos do dossier.

17h30 -A Casa Branca apresenta condolências.


"A França e os Estados Unidos têm um compromisso comum de proteger a liberdade religiosa para todos os cultos, e a violência de hoje não encobrirá esse compromisso". 


17h35 - Os católicos apelam a uma oração na 6ª feira.


18h50 - Ao contrário da Casa Branca, Holanda volta a virar-se para os católicos. "Tudo será feito para proteger as nossas igrejas e nossos locais de culto", diz Hollande. Interessante este possessivo...


19h40 - Alain Juppé apela aos franceses para "fazer bloco contra os bárbaros".  


20h - Hollande continua na sua deriva: Matar um padre "é profanar a República". "Façamos bloco", continuou. "É assim que ganharemos a guerra contra o ódio e o famatismo". Brilhante!


20h15 - Para o primeiro-ministro Valls, que parece inverter um pouco o discurso do Presidente, "o objectivo" é o de "criar uma guerra de religiões". "A cada atentado, não vamos inventar uma nova lei, um novo dispositivo". Mas garante que "esta guerra vai ser longa, difícil". Mas que "a nossa união será a nossa força e é graças a ela que a vamos ganhar". 

20h25 - O cardeal André Vingh-Trois afirmou que "um exército moderno pode exterminar o Daesh", mas não o fanatismo.  

Pois, esse combate é ainda mais longo e um exército moderno em nada ajudará a ganhar essa guerra. Como está à vista desde 2001.» [João Ramos de Almeida in blog «Ladrões de Bicicletas»] 

terça-feira, 26 de julho de 2016

O turismo e o lixo tóxico

«O maior desafio que alguma vez tivemos de enfrentar

JOSÉ VÍTOR MALHEIROS 26/07/2016 - 00:05
Combater o petróleo e o gás não é só a coisa correcta a fazer. É uma questão de sobrevivência.

Aquilo que vamos fazer nas próximas semanas pode ser histórico.

Eu sei que há muita gente de férias e quem vá começar as férias daqui a dias. Mas aquilo que cada um de nós fizer nas próximas semanas, mesmo durante as férias, vai ajudar a decidir o nosso futuro.

Nas próximas semanas vamos ter de enfrentar um dos maiores desafios que alguma vez tivemos pela frente.

Nas próximas semanas e nos próximos meses cada um de nós vai ter de se envolver num combate contra a exploração de petróleo e gás em Portugal, contra as empresas petrolíferas que detêm os direitos de prospecção e exploração desses combustíveis (há 15 concessões atribuídas para exploração e produção de petróleo e gás em todo o país, com especial incidência no Algarve) e contra os que estão no bolso dessas empresas. Empresas poderosas, habituadas a dominar o poder político e a contornar as leis e as regras.

Devido a esses contratos (alguns assinados pelo governo PSD-CDS duas semanas antes das eleições de Outubro de 2015) o ambiente do Algarve e do país vão ser destruídos, a economia nacional e a qualidade de vida das populações vão ser postas em causa. Em nome da ganância de meia dúzia de grandes empresas.

Permitir que esses contratos prossigam não é um erro. É um crime. Um crime de tais proporções que admira como é que pessoas com um mínimo de decência e de sentido de justiça possam defender a sua prática. É um crime contra as pessoas, contra a paisagem e contra o planeta. A exploração dos combustíveis fósseis é contra todas as coisas vivas e só tem um móbil: produzir dinheiro, muito e depressa, para um número limitado de milionários.

A exploração de combustíveis fósseis não faz sentido por razões globais. O planeta está a sufocar devido ao excesso de carbono que lançamos na atmosfera, o clima está a mudar de uma forma que ameaça a produção de alimentos e o acesso a água doce, todos os anos desaparecem mais de 2.000 espécies animais e vegetais, as secas estão a aumentar de intensidade matando 4.000 crianças por dia, as tempestades estão a aumentar de intensidade.

A verdade insofismável é que a humanidade enfrenta um risco de sobrevivência.

O acordo de Paris obteve um consenso para limitar o aumento da temperatura global (em relação à era pré-industrial) de 2 graus e tentar reduzi-lo a apenas 1,5 graus, mas a verdade é que ninguém na comunidade científica sabe ao certo se esse aumento será compatível com a sobrevivência da humanidade. Ninguém sabe se, dentro de dez anos, de cinco, de seis meses, não ocorrerá um acontecimento climático que dê origem a uma cascata de consequências globais catastróficas. O que sabemos é que continuar a apostar na queima de combustíveis fósseis é uma loucura e um acto de genocídio.

A prospecção de combustíveis fósseis não faz sentido porque se sabe que é preciso deixar 80 ou 90 por cento das reservas de combustíveis fósseis conhecidas no solo se queremos respeitar o objectivo dos 2 graus. Só precisamos de procurar mais petróleo se quisermos rebentar com a Terra não só uma vez mais várias vezes.

A exploração de combustíveis fósseis não faz sentido por razões nacionais e locais porque, mesmo que ela gerasse rendimento financeiro no curto prazo (e não gera, os rendimentos prometidos são insignificantes), iria destruir muito mais rendimento do que aquele que criaria, ao destruir a paisagem e o turismo, ao destruir a qualidade de vida e a saúde das populações, ao destruir a agricultura e os recursos aquíferos.

A exploração de combustíveis fósseis não faz sentido porque não só a queima de combustíveis fósseis constitui um risco existencial, como a sua exploração destrói o ambiente. Não há prospecção limpa, não há exploração limpa.

O que podemos fazer? Tudo. Precisamos de fazer ouvir a nossa voz de cidadãos. Precisamos de fazer o governo compreender que deve suspender todos os contratos de exploração de petróleo e gás e relançar um sério investimento em energias renováveis, na melhoria da eficiência energética, nos transportes eleéctricos, na ferrovia, na qualidade do ambiente. Um programa nacional que mobilize toda a população e todos os recursos e que seja um exemplo mundial. Precisamos de deixar claro que esse é o mundo que queremos e que não vendemos o futuro dos nossos filhos por um prato de lentilhas.

Precisamos de exigir a todas as organizações a que pertencemos que abracem esta mesma causa e que a transformem em actos. Precisamos de dizer ao nosso banco que, se investir nas empresas petrolíferas que envenenam o planeta teremos de mudar de banco. Precisamos de assinar petições e de juntar a nossa voz à das manifestações que estão a acontecer por todo o país. Não é só a coisa correcta a fazer. É uma questão de sobrevivência.

Acham que somos fracos para combater os gigantes do petróleo? Enganam-se. Só somos fracos quando ficamos calados e quietos. Para ganhar esta batalha basta querer. A alternativa é ficar a olhar enquanto cavam a nossa sepultura. Há melhores maneiras de passar o verão.


jvmalheiros@gmail.com»

 [Opinião de José Vítor Malheiros in jornal «Público» net]

IV Reich 2016 - a podridão no PPE e PSE




"Liquidação total



«O cómico Bob Hope dizia que era extremamente fácil descobrir onde o antigo Presidente norte-americano Gerald Ford estava a jogar golfe: bastava seguir a fila de feridos. A Europa tem, neste momento, vários praticantes de golfe político.
Basta seguir a chacina que a partir do "green" de Bruxelas se tem produzido. Em forma de danos laterais, colaterais e semânticos. As soluções para a Grécia foram um desastre. A saída do Reino Unido da UE é um colapso existencial. As sanções a Portugal, depois de um programa de austeridade radical, são cianeto disfarçado de esteróide anabolizante. A forma como a UE tratou o problema dos migrantes, da crise na Ucrânia e, no seu conjunto, da defesa e da segurança é digna do inferno de Dante.
O euro, em vez de unir, está a estilhaçar as economias mais frágeis. Bruxelas pulula de burocratas que pensam primeiro em si e só depois no interesse geral. Não admira que esta Europa pareça uma piroga com um buraco no casco. Vivem-se tempos de ruptura acelerados.
Talvez por isso António Costa, no grupo parlamentar do PS, tenha dito que a Europa que conhecíamos acabou. Que a divisão já não se faz por famílias políticas (deu como exemplo Jeroen Dijsselbloem, que sendo social-democrata na aparência não entende o problema português), mas por grupos de interesses (o do Norte da Europa, o do Leste com o manto diáfano alemão por cima). E que, por isso, mais do que apelar ao espírito de família política (os socialistas europeus), Portugal tem de pensar em termos de um futuro bloco do Sul. De outra forma seremos os párias desta Europa. Estilhaçam-se as velhas cumplicidades. Também aqui, neste jardim à beira-mar especado.»

Fernando Sobral" [Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

Ser da alta burguesia e não pagar impostos

  • Elisabete  Miranda
«Elisabete Miranda
As 1000 famílias que mandam nisto tudo (e não pagam impostos)Elisabete Miranda | elisabetemiranda@negocios.pt | 12 Dezembro 2015, 12:30Depois de ter passado sete anos à frente da Direcção-geral dos Impostos mergulhado num silêncio sepulcral, José Azevedo Pereira concedeu uma entrevista à SIC-Notícias (a segunda no espaço de poucos meses) que vale a pena ouvir.
Entre o muito que não diz mas insinua, e as conclusões que consente que se tirem sobre a manipulação política a que o Fisco terá sido sujeito durante o último Governo, há uma informação que deixou cair sem ambiguidade: em 2014, quando saiu da Autoridade Tributária, uma equipa especial por si chefiada tinha identificado cerca de 1.000 famílias ricas – os chamados "high net worth individuals" – que, por definição, acumulavam 25 milhões de euros de património ou, alternativamente, recebiam 5 milhões de euros de rendimento por ano.

Ora, "em qualquer país que leva os impostos a sério", este grupo de privilegiados garante habitualmente cerca de 25% da receita do IRS do ano (palavras de Azevedo Pereira). Por cá, os nossos multimilionários apenas asseguravam 0,5% do total de imposto pessoal. Ou seja, (conclusão nossa), como estamos em Portugal, onde estas coisas da igualdade perante a lei e a equidade tributária são aplicadas com alguma flexibilidade, os "multimilionários" pagam 500 vezes menos do que seria suposto.

Sem nunca se querer comprometer muito, Azevedo Pereira descreve que, em Portugal como no resto do mundo, estamos perante grupos de cidadãos que têm acesso fácil aos decisores políticos e grande capacidade de influenciar a feitura das leis. Mas se, como assinala e bem, este não é um fenómeno exclusivamente nacional, e lá por fora os ricos sempre vão pagando mais impostos, presume-se que em Portugal a permeabilidade dos nossos governantes e deputados tem sido bem maior (conclusão nossa).

A situação não é uma fatalidade, pode remediar-se "desde que haja  vontade política", sendo certo que o grupo de funcionários do Fisco que estava a trabalhar neste tema até 2014 foi entretanto desmantelado (palavras de Azevedo Pereira).

Citando apenas meia dúzia de números elucidativos, e sem quebrar qualquer dever de confidencialidade, o antigo director-geral dos impostos prestou um importante serviço público. Só é pena que tenha demorado oito anos a começar a falar e que, oito anos depois, a Autoridade Tributária continue a ser uma estrutura opaca, que silencia informação estatística fundamental para se fazerem debates informados, e que subtrai do conhecimento geral todas as valiosas interpretações que adopta. Não é só o acesso privilegiado de um punhado de contribuintes ao poder que distorce a democracia e desvia milhões dos cofres públicos. A falta de transparência das instituições públicas também.»  [In «Negócios» net]

domingo, 24 de julho de 2016

IV Reich ou o império das sanções e do empobrecimento





A União Europeia é o que é (o IV império alemão)  e não o que os europeístas dizem que é, nem o que devia ser.


"A crise da Europa. E da democracia




«Há alguns anos, Victor Cunha Rego deu uma entrevista ao "Independente", que nalguns momentos parece ser premonitória. Dizia ele: "A democracia que nós vivemos hoje em dia assenta, praticamente, exclusivamente nas políticas chamadas sociais. É um regime suicidário." Mais: "No momento em que as políticas sociais falharem, a democracia acaba". E Cunha Rego concluía: "Ao contrário da maioria, considero que nós, e quando digo nós não estou a falar só de Portugal, estou a falar da Europa, caminhamos para o fascismo". (…)
O terrorismo vai condicionar cada vez mais as liberdades individuais na Europa, porque a insegurança criada pelos militantes suicidas do Daesh vai manter-se durante anos. Por outro lado, a pressão migratória vinda de África (e há milhões, na zona sub-sahariana à espera de atravessar o Mediterrâneo) vai levar à criação de cada vez maiores barreiras à sua entrada. (…)
O estertor da social-democracia e da democracia-cristã tem muito a ver com a hegemonia da ideologia liberal que saltou da economia para a política criando um vai-vem entre ambas.
As políticas de austeridade, que estão a destruir o que resta da Europa social, caminham no mesmo sentido. E depois há quem se admire com a cada vez maior eficácia de tribunos populistas, de Trump a Boris Johnson, ou mesmo de políticos radicais (como na Polónia ou na Hungria), que vão conquistando os deserdados que ficaram pelo caminho (os párias do sector industrial que perderam os empregos que foram, temporariamente, criados na Ásia e que, a curto prazo, serão substituídos pela robotização, a classe média sufocada por impostos e a perder a mobilidade social, os jovens sem emprego e os mais velhos tementes da sua segurança).
Se juntarmos a isso a incapacidade de a Europa ter uma política de segurança temos o caldo perfeito para um futuro para o qual temos de olhar de óculos escuros. A democracia assentava no contrato social e numa forte classe média que não deseja sobressaltos. Sem as duas coisas começam a ser notórias as tentações da maioria dos povos de seguirem à boleia de quem lhes promete um pouco de esperança. Como dizia Cunha Rego, a Europa caminha para o suicídio. Entre a austeridade e o fim do Estado social. E ainda há quem pareça contente com tudo isto.»

Fernando Sobral" [Cit in blog «Entre as brumas da nemória»]

Terrorismo - uma explicação política

  

«Sobre o vírus "radicalizado"


Fonte: Europol, relatórios sobre terrorismo
(Este post foi escrito antes do atentado de ontem em Munique)

De cada vez que há um atentado, surgem as declarações oficiais de que, subitamente, os terroristas se tinham "radicalizado". Como se tratasse de um vírus apanhado algures, longe de todos nós, as pessoas normais. Aqueles que nunca matariam.

Há dias, a comunicação social citou o relatório da Europol para alertar os portugueses de que Portugal estava cada vez mais na lista de ataques terroristas. Não acompanhei a generalidade dos jornais sobre o assunto, mas pelos destaques com que fui impactado, presumo que não tenham ido mais longe.

O assunto é, contudo, demasiado sério para que nos possamos ficar por meras declarações de que, mais dia menos dia, estaremos igualmente a ser bombardeados com declarações - à la Valls - de que teremos de nos habituar a viver sob terrorismo. Não temos. Queremos viver em paz. Mas na minha opinião, a política externa ocidental não tem contribuído para isso. Pelo contrário.

Olhe-se para o gráfico acima, para os números do que se passa na Europa, partindo da mesma fonte, citada pela comunicação social, mas trabalhando os dados relativos aos anos de 2006 a 2015. Estranhamente, os relatórios da Europol omitem - nos anexos exaustivos - o número de mortos dos atentados cometidos. Incluí nos "ataques" e nas "pessoas detidas" tanto os cometidos - como se refere nos relatórios - pela extrema-direita, pela extrema-esquerda, por actos religiosos, etc., porque me interessa o ambiente de violência latente, o caldo gerador do terrorismo.

E agora compare-se com o que se passa no outro lado do mundo. E veja-se as linhas desse gráfico.



A semelhança de tendências é a abismal. E já estamos a prender na Europa mais de mil pessoas por ano. Nada parece, pois, parar.

Agora, olhemos para outro conjunto de dois gráficos.
Fonte: Europol
(Acrescentei - depois de ontem - mais um gráfico...


E agora olhe-se para o gráfico seguinte, relativo ao número de combatentes estrangeiros no Iraque e na Síria em 2015, em que estimativas vão das mais conservadoras (cor mais carregada) para as mais elevadas (cor mais ligeira).
 

Parece haver uma relação entre os dois fenómenos, entre os detidos na UE e as estimativas de combatentes estrangeiros no Iraque e na Síria. A França é de longe o país europeu com mais combatentes estrangeiros e com mais detidos. E depois há uns países com pequenos números que se situam próximos da França (Alemanha, Holanda, Bélgica, Dinamarca). Há uma segunda linha de incidentes relacionados com a Itália e Grécia e todos os países daquela zona que ficam, sim, próximos das fronteiras naturais das regiões em conflito. E o Reino Unido. Mas eu gostaria de aprofundar mais - noutro post, talvez - para perceber por que razão é a França, de longe, o país com maior tensão interior. Talvez devêssemos olhar para a "eficácia" das agendas económicas e sociais dos últimos dez anos.

Mas agora olhe para este gráfico que mede o peso das pessoas detidas dos 9 países do gráfico acima no total das detenções verificadas na Europa:


Em dez anos, o peso daqueles países reduziu-se quase 10 pontos percentuais. Ou seja, outros países começaram a surgir no radar das autoridades. Em dez anos, as medidas adoptadas pela Europa não está a conter os fenómenos violentos, mas a alargar, a expandi-los. A Europa é um continente cada vez mais violento. Mas não está sozinho no Mundo. O Mundo está a ficar mais agressivo. O relatório da Europol dá conta de que foram detectados dois roubos na Polónia de material radioactivo. E verificou.-se tentativas de compra de material radioactivo na Moldova, Ucrânia e Turquia. 


E agora, dizem-lhe que Portugal vai ser possivelmente um país onde os terroristas vão actuar.
Acha que essa é a questão essencial deste problema?

Deixo-lhe agora 3 minutos de pânico na Síria no carro de socorro à população em aflição. E a pergunta: Acredita mesmo que as coisas vão mudar se tudo se mantiver como até aqui?

Algo terá de ser feito para parar esta carnificina. Porque essa é a razão de existência do vírus "radicalizado".

PS: No dia seguinte ao atentado de Munique que fez 10 mortos, explodiu uma bomba em Cabul, Afeganistão, com "dezenas de mortos". Na emissão da BBC, a cobertura teve 30 segundos de atenção no noticiário. O atentado de Munique já vai em horas seguidas de emissão... É isto.» [João Ramos se Almeida in blog «Ladrões de Bicicetas»] 

sábado, 23 de julho de 2016

Quando os cristão tomaram o poder no Império Romano muitos intelectuais romanos disseram: «- o deus dos cristãos é tão verdadeiro ou tão falso como os outros». E foram assassinados em nome da proibição da liberdade religiosa.

Quem ler o livro do filósofo da alta nobreza do País de Gales, Bertarnd Russell, intitulado «Por que não sou cristão» é confrontado com o racionalismo a desmontar todos os mitos do cristianismo.

"Ainda não vimos nada




«O fascismo islâmico alimenta-se da violência aleatória e banal. Não tem propriamente um programa político para lá da submissão, voluntária ou imposta, a preceitos religiosos irracionais, como o são todos. Visa a criação de uma nova idade das trevas, antiliberdade, anticonhecimento, anti aquilo a que chamamos civilização e não necessariamente só a ocidental. (…)
As declarações dos políticos europeus a cada vez que há um atentado são patéticas. Falam dos ataques cobardes, os quais na verdade são atos de coragem ainda que estúpidos e criminosos; apelam à serenidade e manutenção do "nosso" estilo de vida, quando na realidade já se vive na insegurança e medo de sair à rua; e que irão combater por todas as formas esta ameaça, o que objetivamente não fazem quando, sob a capa da religião, se permite uma sistemática e bem montada máquina de recrutamento de jovens muçulmanos e, não menos importante, se promovem regimes, empresas e negociatas que apoiam e financiam o ISIS e outros grupos similares.
O desfecho deste jogo será contudo bastante acelerado quando suceder o inevitável. As armas convencionais, as singelas facas, darão um dia lugar a algo mais substancial e mortífero. O grande risco, reconhecido por todos, está na utilização por um destes suicidas de um engenho nuclear, biológico ou químico, ou seja, as chamadas armas de destruição maciça. Eliminando de uma só vez uma considerável parte da população de uma grande cidade. (…)
Em suma, incapazes de resolver o problema indo à raiz, acabando de vez com as cumplicidades de alguns bem conhecidos aliados, travando a ganância dos negócios de armas e do petróleo que alimentam o fascismo islâmico em toda a sua extensão, os dirigentes europeus colocam em sério risco os seus povos ao mesmo tempo que militarizam as soluções. Mais, arriscam o desfecho, pois a guerra sabe-se como começa, mas não se sabe como acaba. A possibilidade de uma escalada é evidente.
A Europa já está a sofrer muito com este conflito insano. A radicalização da política, manifesta no aumento da extrema-direita, da xenofobia, discriminação e racismo, mas também nas posições dos chamados moderados, está a tornar o nosso quotidiano insuportável. Não foi para isto que ao longo dos séculos tanta gente lutou para criar um mundo mais livre e melhor. Para todos.»
Leonel Moura" [Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

quarta-feira, 20 de julho de 2016

A ditadura de Erdogan apoia-se nas massas, aspecto de inspiração europeia


A ditadura edorgânica

A ditadura erdogânica, deriva do chefe da ditadura Erdogan. Os tempos que correm favorecem ditaduras  erdogânicas. A ditadura de Erdogan é financiada pela União Europeia e pela NATO.

"Quando as purgas não são golpe


Pelos vistos, as listas
estavam prontinhas

Quatre jours après la tentative de putsch, la purge menée d’une main de fer par le président Erdogan s’amplifie. Après l’armée et la justice, elle touche désormais le monde de l’enseignement.

Le ministère de l’éducation turc a annoncé mardi 19 juillet la suspension de plus de 15 000 de ses employés soupçonnés d’être liés au prédicateur Fethullah Gülen, accusé d’être derrière le putsch manqué et dont Ankara veut demander l’extradition aux Etats-Unis. Le ministère a annoncé dans un communiqué :
« 15 200 fonctionnaires du ministère de l’éducation (...) ont été suspendus, une enquête à été ouverte au sujet de ces individus »
Le Conseil de l’enseignement supérieur (YÖK) – l’organisme étatique qui supervise l’organisation des universités – a pour sa part demandé la démission de plus de 1 500 recteurs et doyens d’université, rapporte l’agence de presse gouvernementale Anatolie. Cette décision concerne les 1 577 recteurs et doyens des universités publiques et celles rattachées à des fondations privées, selon l’agence.

Em Le Monde" [In blog «O Tempo das Cerejas»]

terça-feira, 19 de julho de 2016

A ditadura de Erdogan e a ditadura de Berlim sobre a União Europeia

«Não há alternativa» - é uma frase típica de uma ditadura. Esta frase é típica do IV Reich e dos seus colaboracionistas. O europeísmo de 2016 é uma religião, porque se baseia na fé; não tem fundamentação no racionalismo. A ditadura de Erdogan baseia-se na fé.


"É mesmo a isto que chamamos democracia?

«Um golpe de estado militar na Turquia. Um golpe falhado e esmagado, graças à oposição popular e a um iPhone com FaceTime. Mas, durante umas horas, a expectativa em todo o mundo, com prudentes declarações dos poderes políticos mundiais, que exprimem a sua “preocupação” e a absoluta necessidade de manter a “estabilidade” política na Turquia e que se abstêm de declarações de apoio a qualquer dos lados. (…) Durante umas horas, a ténue esperança de que este golpe de estado (cujos autores anunciam que querem “restaurar a ordem constitucional, os direitos humanos, as liberdades e o primado da lei”) possa restabelecer a abalada democracia e o estado de direito laico, de forma semelhante ao que aconteceu no 25 de Abril em Portugal.
Mas estas dúvidas duram apenas umas horas, porque o regime depressa abafa a rebelião, captura os revoltosos e passa à ofensiva, prendendo 6.000 militares e 1500 civis, suspendendo ou detendo 2750 juízes e procuradores. O golpe foi “uma oferenda de Deus” diz o próprio presidente Recep Tayyip Erdogan, que aponta as alterações que quer pôr em prática na sua “nova Turquia”: mais poderes presidenciais e menos poderes para as elites laicas, incluindo o sistema judicial. (…)
Mas será isto uma democracia? Este país que expulsa os jornalistas estrangeiros independentes e lança na cadeia os turcos que se atrevem a escrever sobre a corrupção do governo? Que pede anos de cadeia por “insulto ao presidente” para os que criticam a sua política? Que reprime pela força protestos e prende peticionários? Que quer restaurar a pena de morte para condenar os autores deste golpe? Este país que é o número 151 (entre 180) do ranking da liberdade de imprensa? (…)
As perguntas não têm sentido apenas para os países muçulmanos ou para os povos de tez morena.

Vivemos numa democracia quando toda a nossa vida pública é condicionada por tratados europeus que não aprovámos em eleições e cujo teor e consequências não discutimos? Vivemos sob o primado da lei quando pertencemos a uma organização onde as regras (e as sanções) não são iguais para todos? (…)

A democracia é a capacidade de eleger parlamentos, governos e presidentes e a capacidade de os demitir e substituir, mas é algo ainda mais importante: a capacidade de escolher as políticas, de escolher não aqueles a quem vamos obedecer, mas a forma como vamos viver. Não apenas os governantes, mas a vida pública. É por isso que elegemos partidos na base de programas eleitorais. Uma democracia que elege ditadores não é uma democracia. As formalidades são essenciais à democracia mas precisamos de respeitar todas as formalidades: os direitos humanos, o primado da lei, as regras institucionais, os compromissos assumidos, a transparência. (...)"
[José Vítor Malheiros, in jornal «Público» net] 

O IV Reich e a destruição do poder do Estado nos países colonizados por Berlim, via Frankfurt e via Bruxelas




«O velho sonho de entrar na CGD


Nada disto é novo. A velha questão que se está a perfilar nos mais recentes episódios sobre a Caixa Geral de Depósitos (CGD) é apenas a pressão à abertura ao capital privado - leia-se estrangeiro - da principal instituição financeira nacional que, por acaso, é pública.

O BCE - como supervisor do sistema financeiro europeu - está a tentar reduzir ao máximo o número de instituições financeiras a controlar. E acaba por se comportar como um intermediário dos grandes interesses financeiros internacionais. Foi assim com o Banif. E tudo parece se concretizar no caso da CGD. Nem que isso represente passar por cima da vontade do poder político soberano nacional.

Começou por limitar-se a possibilidade pelo Estado para reforçar o capital da CGD. Depois, face ao absurdo que era a UE permitir o reforço do capital dos bancos privados, mas não o dos públicos, surgem por parte das instâncias comunitárias as limitações à aplicação de verbas públicas por prejudicar as metas orçamentais previstas. Aplicam-se sanções, nem que sejam simbólicas, mas tudo aparenta ter outro objectivo. As metas não são importantes: a meta é a CGD.

Neste contexto, o PSD tem-se comportado nos últimos anos como um agente de mão dessa vontade. E Marques Mendes acentua esse disparate, até para o seu próprio partido. Veja-se a recente cronologia.


* Em 2008, ainda longe do poder, Passos Coelho defendia irresponsavelmente a privatização total da CGD, mesmo indo contra os interesses da banca privada nacional que sentia os perigos da banca internacional. Veja-se este comentário de Ricardo Salgado em 2010 em que dá a entender que a privatização global iria contra os próprios interesses nomeadamente do BES: a privatização parcial da CGD «poderia dar entrada nos cofres do Estado de capitais e também permitir o reforço da capitalização» do banco. Mas se a CGD for totalmente privatizada «poderá ser facilmente adquirida» por um grupo internacional global tendo em conta a sua dimensão.

* Em 2010, Passos Coelho já arrepiava caminho: "Julgo não ter avaliado bem a reacção das pessoas, que mostraram intranquilidade perante a minha ideia. As pessoas percepcionam essa intervenção como reguladora, apesar de não competir à Caixa essa intervenção”, disse Passos Coelho, numa entrevista ao i. A posição da privatização surge no programa eleitoral do PSD.

* Em 2011, Passos Coelho voltava à carga. «E julgo que precisaremos abrir o capital da Caixa Geral de Depósitos a privados também. Significa empreender um processo de privatização, não que conduza a que Estado fique numa posição minoritária». «O Estado deve manter a maioria do capital da Caixa, mas precisaremos de dispersar uma parte de novo capital por pequenos aforradores, em Portugal, em bolsa».

* Em 2012, a questão da CGD volta a surgir no debate político. O PS de António José Seguro declara que o PS estará contra a privatização da CGD. O projecto não avança. O momento não era o mais apropriado. O país estava em recessão profunda com a aplicação de um programa de austeridade, os mercados sobrevoavam o país. O tema caiu.

* Mas em 2013, regressa de novo o velho tema, para de novo ser afastado.

* Em 2015, Passos Coelho dá uma entrevista que é interpretada pela oposição como a tentativa de concretização da privatização da CGD.

* E finalmente em 2016, o PSD dá o dito por não dito ao longo de tantos anos e afirma que afinal afasta a privatização da CGD. Mas pressiona a realização de uma comissão de inquérito à CGD. Marques Mendes surge a fazer mais um número sobre a CGD. Tudo ao mesmo tempo que a Comissão Europeia e o BCE actuam para limitar o reforço de capital da CGD pelo Estado. Caso a posição do BCE vá para a frente, o que - caso se concretize - conduzirá forçosamente à privatização parcial do capital da CGD. E nesta linha, a posição do PSD apenas terá servido para desvalorizar a CGD, tudo em sintonia com quem possa vir a comprar esses títulos.

Alguém acredita que o problema do PSD tem por base qualquer papel estratégico por parte da CGD, como referência do sistema financeiro nacional ou como instituição necessária para a execução de uma política financeira nacional e soberana? O PSD transformou-se nisto: uma delegação estrangeira da Comissão Europeia e do BCE.»
[João Ramos de Almeida in blog «Ladrões de Bicicletas»]

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Hitler com a Legião Condor e Mussolini com a sua infantaria foram decisivos para a vitória do fascismo espanhol

"De 17 para 18 de Julho


Há 80 anos,
o criminoso e sanguinário
levantamento franquista
contra a República espanhola






A despedida das Brigadas Internacionais

Quanto a mim, entre tantos outros, há um dado maior que basta para ilustrar o levantamento militar franquista como uma cruzada de extermínio e "purificação": 
o facto de, já depois da sua vitória militar em Abril de 1939, o franquismo ter executado cerca de 200.000 
republicanos.
Na sua obra «Autobiografia do General Franco», o escritor Vasquez Montalban declarava recusar-me terminantemente a baixar esse número."

[In blog «O Tempo das Cerejas 2»]