quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Análise das mudanças no voto dos eleitores

« A esquerda perante a direita populista


Toda a esquerda deve reflectir em como responder à ascensão da direita nacional-populista. Esse debate começou no Reino Unido aquando da vitória referendária da Brexit - em que estranhamente muita esquerda portuguesa via virtudes - mas a vitória de Trump na eleição presidencial dos EUA torna-o globalmente inadiável. As hipóteses seguintes de escalada serão avaliadas já no próximo Domingo (segunda volta da presidencial austríaca), e mais decisivamente em Abril, quando parece certo que Marine Le Pen chegará à segunda volta da presidencial francesa.

A direita nacional-populista rejeita a globalização, o establishment político, mediático e financeiro, e denuncia a (real ou suposta) «corrupção» dos políticos centristas; apela à xenofobia (ou mesmo ao racismo) e à islamofobia; preconiza o isolacionismo, o protecionismo e a «preferência nacional» ou até a expulsão de imigrantes, e a limitação à liberdade de culto dos muçulmanos. Este discurso não aliena os apoios habituais da direita, mas acrescenta-lhe sectores que habitualmente votariam à esquerda. Sistematizo abaixo cinco problemas - quase nenhum deles fácil para a generalidade da esquerda - e possíveis soluções.
Primeiro problema, os «perdedores da globalização»: concretamente, os tão falados  trabalhadores das regiões desindustrializadas do norte da Inglaterra, do Midwest ou do nordeste da França. É necessário reconhecer que a livre deslocalização de empregos para o terceiro mundo e restante evolução económica e laboral dos últimos vinte cinco anos trouxe-lhes principalmente o desemprego e o aumento da desigualdade. Fala-se menos das classes ex-médias cujos salários estagnaram, e que viram cavar-se um fosso face às elites. É bem possível que mais à frente estas pessoas descubram que o «regresso à identidade nacional» que a direita radical lhes oferece não lhes dará dinheirinho. Mas entretanto, a quimera do regresso ao mercado dentro das fronteiras do Estado-nação terá algum sucesso, ao qual só se pode responder opondo uma regulação muito mais dura da globalização através de instâncias supra-nacionais (não exclusivamente a UE), que não deixe toda a liberdade às multinacionais.
Segundo, a politização do combate à corrupção redefiniu o que era antes um crime de forma a ser agora qualquer falta ética ou de transparência. Mais importante: a corrupção hoje só existe no discurso público enquanto acto cometido por políticos no poder, e mais especificamente no poder executivo: só os políticos são corruptos. Logo, teve maior impacto Clinton usar um servidor privado de email para assuntos de Estado do que a evasão fiscal do empresário Trump. Tal como sendo Dilma Rousseff Presidente (poder executivo) a desorçamentação de despesa («pedalada fiscal»), foi causa formal para a destituir, enquanto as acusações de corrupção passiva (no sentido exacto - criminal - do termo) mal beliscaram o seu maior acusador, o deputado Eduardo Cunha (poder legislativo), que passou sem manifestações embora hoje - ao contrário de Dilma - esteja preso. O discurso contra a corrupção tem que ser despolitizado e remetido ao seu lugar natural no sistema judicial.
Terceiro, há que lidar com as limitações da política identitária. Ter elegido um negro presidente dos EUA foi uma vitória simbólica contra o racismo, mas não trouxe mudança substancial para os afro-americanos (muito menos para África), como comprovado pela continuação da violência policial «racialmente» direccionada. Eleger uma  mulher teria sido uma vitória simbólica contra a misoginia, mas é lícito duvidar que significasse um grande progresso na desigualdade de género nos salários. Mais perversamente, a acção de afirmar uma identidade gera uma reacção histérica das identidades contrárias, como o birtherism ou o machismo de Trump contra Clinton (ou da direita brasileira contra Dilma). A esquerda deve continuar sempre a combater as discriminações étnicas e de género, mas a prioridade tem que ser a mudança substancial, económica.
Quarto, e como repito há mais de dez anos neste blogue e alhures, a esquerda responde erradamente ao islamofascismo se se limitar a combater a islamofobia. Negar a realidade da existência de uma ideologia autoritária, sexista e homofóbica de inspiração islâmica é uma contradição com as denúncias que se fazem desses preconceitos quando vêm de outras origens (religiosas ou não). Pior: só desajuda os progressistas que na Europa, nos EUA ou no «mundo muçulmano» combatem os extremistas. A defesa da laicidade e a crítica do integrismo religioso deve ser feita contra todas as religiões, maioritárias ou minoritárias, do Ocidente ou do Oriente.
Quinto, o melhor precedente histórico de Trump não é Mussolini, mas sim Berlusconi: empresários que sabem dominar os media e abrir telejornais todos os dias, desbocados, narcisistas e pouco confiáveis. Não são fascistas, embora ambos tenham levado fascistas, mais ou menos disfarçados, para o governo. Insistir em chamar «fascista» a uma direita radical que anda há duas décadas a reconstruir-se, é falhar o alvo. Estamos perante um problema diferente, que usará armas muito diferentes. O que não torna a defesa da democracia e do pluralismo menos importante.»

[Ricardo Alves in blog «Equerda Republicana»]

terça-feira, 29 de novembro de 2016

A eleição indirecta nos Estados Unidos pode colocar fora do poder quem teve muito mais votos

«Que grande lata !


Rangel no seu melhor

Imodéstia à parte, nem precisava de ler o artigo de Paulo Rangel hoje no Público para saber que argumento fundamental que iria usar para tentar justificar um tão escabroso título: nem mais menos que os EUA são uma República Federal, daí o Colégio Eleitoral e, no fundo, uma espécie de eleição indirecta do  Presidente. Mas tem azar Paulo Rangel: é que, por exemplo, o Brasil também é um República Federal e não consta que lá alguma vez o segundo mais votado tenha sido eleito Presidente.  Bem no fundo, Paulo Rangel, tal como outros, refugia-se num formalismo seco onde a vontade real e maioritária dos votantes é um pormenor a esquecer depressa, onde o princípio fundador de um homem - um voto é esmagado por obsoletas e velhas regras com 186 anos e através do qual aqueles que atiram para o lixo dois milhões de votos são capazes depois de perorar candidamente sobre o desencanto dos cidadãos com a política.»

[In blog «O tempo das Cerejas 2»]

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Fidel Castro ou o homem-alvo dos assassinatos falhados da CIA

«Ben Jennings no «Guardian ou...


... o cartoonista que lembrou
o que muitíssimos quiseram
esquecer: as centenas de tentativas norte-americanas de assassinato
de Fidel Castro»



[In blog «O Tempo das Cerejas 2»]

sábado, 26 de novembro de 2016

Fidel Castro viveu 90 anos (1926 - 2016), foi uma das figuras mais marcantes da Esquerda marxista na segunda metade do século XX


Fidel Castro, oriundo de uma família da alta burguesia cubana, juntamente com Che Guevara dirigiu a Revolução Cubana contra a ditadura fascista de Fulgêncio Baptista.
Muitos presidentes dos Estados Unidos tentaram assassiná-lo, através da CIA, sem sucesso.
Barack Obama, enquanto presidente dos Estados Unidos, restabeleceu as relações diplomáticas com Cuba.
A Revolução Cubana está ligada aos sucessos e aos fracassos do marxismo-leninismo. A evolução não foi a esperada, hoje pensa-se que a Humanidade gosta das desigualdades sociais e que odeia a ideia de diminuir, acentuadamente as desigualdades sociais. Como será daqui por mil anos? E daqui por 20 mil anos? Não sei.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

A crise da Democracia na Europa é porque temos duas extremas-direitas: a de Marine Le Pen e a de Ângela Merkel, esta a germânica é a mais letal



Não há alternativa, Heil Hitler, não há alternativa, Heil Angela Merkel.
Ângela Merkel está a fazer tanto mal à Grécia como fez Adolf Hitler.

Marine Le Pen pretende fazer mal aos franceses e às francesas, no domínio dos direitos e liberdades fundamentais, mas na política externa pretende libertar a França do imperialismo alemão.

O Passos e o Coelho dizem uma coisa e o seu contrário

«Pensamentos precários


Pedro Passos Coelho já sabe como vai votar no projecto de lei que visa a integração dos precários na administração pública: vai votar contra. Porquê? Porque, segundo diz, não é assim que se fazem reformas.

Já nem falo das reformas que ele tentou introduzir no Estado: além dos cortes de vencimentos e pensões, promoveu - à porta fechada - uns debates sobre as funções do Estado e pediu um estudo ao FMI. E depois adiou até às eleições aquilo que achava ser O problema nacional - um Estado enorme, gerador de défices e de falta de competitividade nacional...

Agora, tendo sido incapaz de formar governo, diz às segundas, quartas e sextas-feiras que há carências de pessoas no Estado e que o Governo está a degradar o Estado Social.

Às terças, quintas e sábados afirma que "há muitos anos houve um governo do PS que disse uma coisa simpática: há muitos precários no Estado, é preciso passar essas pessoas para o Estado e foram quase 100 mil. Depois veio a troika e tivemos de pôr fora 80 mil".

Ao domingo, adormece e esquece-se do que disse antes...»

[João Ramos de Almeida in blog «Ladrões de Bicicletas»]

Hillary Clinton teve mais de dois milhões de votos que Donald Trump

"Contagem a chegar ao fim


Encerrando o assunto,
uma observação amarga





Sim, despeço-me deste assunto, com uma observação amarga. Trata-se de afirmar que nunca tive nenhuma dúvida de que Hillary é uma belicista, uma lídima representante dos interesses de Wall Street e do «establishment» e que isto  seria sempre verdade, fossem quais fossem os seus resultados eleitorais.
O que me chocou profundamente foi ver sectores e personalidades de esquerda, em Portugal e nos EUA, a crucificarem H. Clinton invocando a sua «estrondosa derrota eleitoral», lembrando «o vendaval Trump» e alinhando noutras fantasias quando ela acaba por ter mais dois milhões de votos que Trump que é o único dado que exprime a real vontade dos americanos que foram às urnas. É que nenhuma crítica política lúcida ou promissora se pode basear em premissas falsas.
E assim, seja para equiparar Hillary a Trump, seja alegadamente para desacreditar o «sistema», muito boa gente de esquerda, ao desprezar os votos populares nas presidenciais norte-americanas, perdeu uma oportunidade soberana de pôr em evidência uma fraude congénita da «grande democracia americana»."

[In blog «O Tempo das Cerejas 2»] 

O modelo presidencialista europeu é o da França, seguido por Portugal e pelo Brasil. Neste modelo  o que conta é a soma de todos os votos em cada candidato, independentemente do voto por região ou por Estado.

O conceito pós-verdade ou novo nome da mentira

«A pós-verdade não começou em 2016



Está muito na moda entre as elites do poder falar da preocupante entrada numa era da “pós-verdade”. Foi até considerada a palavra do ano. É preciso ter descaramento, já que, na economia política, há muito que muitas dessas mesmas elites nos vendem mentiras descaradas, da direita a uma certa esquerda. Lembram-se quando a modernização financeira era sinónimo de privatização e liberalização financeiras, à boleia da hipótese dos mercados eficientes, processo em que a UE esteve na vanguarda? Num registo que não fosse de pós-verdade, a crise financeira devia ter enterrado tais ideias.

Mas eis que elas sobrevivem a toda a evidência e por todo o lado: da Comissão Europeia e da sua defesa da privatização bancária, ecoada pelo principal blogue da direita, à chamada Europa 2020, que tem como uma das suas brilhantes ideias promover os mercados financeiros como mecanismos de resolução de problemas sociais, à boleia da ideia de “investimento social” (o segredo é colocar social à frente de tudo a ver se cola…). Pelos vistos, no governo há quem goste desta última ficção da política de direita, bem exposta por Sílvia Ferreira.

Como isto também está tudo ligado pelo mesmo desrespeito pela realidade, o que dizer da ideia segundo a qual a propriedade pública já não interessaria para nada numa época dita pós-nacional, parte da ficção segundo a qual a soberania política não teria qualquer relevância para o desenvolvimento económico? Nos jornais, que sobrevivem da publicidade paga por muitas empresas privatizadas, ou seja, controladas por estrangeiros, e que geralmente querem saber pouco da verdade, poucos são ainda os comentadores económicos que assinalam a mentira e a verdade neste campo. Nicolau Santos é uma excepção e num dos últimos Expresso Curtos escreveu:

“[U]m país que não controla os seus portos, os seus aeroportos, a sua energia (quer a produção quer a distribuição) nem o seu sistema financeiro na quase totalidade (escapa a CGD) é seguramente um país que terá no futuro cada vez mais dificuldades em definir uma estratégia nacional de desenvolvimento.”

Bem visto. Agora, posso continuar com “pós-verdades”? Mais algumas: a UE, em geral, e o Euro, em particular, são factores de convergência e de coesão, o aumento da desigualdade é o preço a pagar pela prosperidade, o comércio livre é o segredo do crescimento económico, a austeridade é expansionista. Na economia política, já há algumas décadas que entrámos na era da pós-verdade. Pode bem dizer-se que é o outro nome do neoliberalismo. Os neoliberais, conscientes e inconscientes, dos vários partidos não podem agora queixar-se das invenções populistas: a verdade parece resumir-se ao preço.

Entretanto, populismos há muitos e os diádicos conseguem colocar em cima da mesa verdades bem incómodas. Não sei se só a verdade é que é revolucionária, mas creio que tem um viés bem desfavorável ao status quo…»

[João Rodrgues in blog «Ladrões de Bicicletas»]

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Donald Trump – as duas faces da moeda


1)
«Heil Trump» gritaram os nazis estadunidenses com o braço direito estendido, os tais que costumam gritar «Heil Hitler».
Trump é racista, é xenófobo e quer meter na cadeia as mulheres que praticam aborto.
Trump quer que as pessoas que não têm seguro de saúde morram, por ausência de cuidados médicos.
Aquilo que classificamos de direitos e liberdades individuais vai estar sob ataque de Trump, neste campo teremos um retrocesso civilizacional de grande envergadura.

2) Na política externa, Trump nega o aquecimento global, é obscurantista, neste campo é muito perigoso para a Humanidade inteira.
No entanto, o que deslocou muitos votos para a sua candidatura foi o desemprego provocado pela globalização sem regras, tal como ela é.
Neste campo, Trump veio dar uma ajuda à Esquerda europeia que é contra a globalização, tal como ela é.

Berlim apoia a globalização sem regras porque a Alemanha tem muitas indústrias exportadoras. E ao lado da globalização, Berlim, via Bruxelas e via Frankfurt, impõe o empobrecimento a que chama austeridade, passar fome passou a chamar-se austeridade, dos portugueses, dos gregos, dos espanhóis, dos italianos…

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Desejo que o traidor Renzi perca o referendo de Dezembro na Itália por KO


Para aqueles que vêem, objectivamente, que a União Europeia é o IV Império da Alemanha ou IV Reich, que está a arruinar a indústria da Itália, a derrota do traidor italiano Renzi no referendo de  5 de Dezembro  de 2016 seria um grande passo em frente no enfraquecimento do IV Reich, o famigerado IV Reich que arruinou a Itália, que arruinou a Grécia, que arruinou Portugal, que está a espalhar desgraças pela Europa. A queda do IV Reich é fundamental para os povos europeus se livrarem das selvajarias do imperialismo alemão.

A Esquerda nos meios de comunicação social da Direita

«Uma faca de dois legumes


Estou a ver a RTP3 e já é a terceira vez que os notíciários são abertos com declarações do secretário-geral do PCP. Nunca isto aconteceu na comunicação social.

Isto pode ser muito interessante. Sendo o Bloco de Esquerda e o PCP parceiros do governo socialista, cujo apoio parlamentar é imprescindível, o seu pensamento é necessariamente tido em conta. E por isso os jornalistas são levados a ouvi-los cada vez mais.

Por um lado, é razoável que isso aconteça: é lá que está muita da informação. Mas ao fazê-lo, acaba por tentar-se a usual estratégia de suscitar diferenças para criar um debate, uma polémica. Implicitamente, a tendência da comunicação social é a de tentar prever em que altura, em que foco de desacordo se abrirá a brecha entre esses partidos e o Partido Socialista que possa - finalmente! - levar a uma ruptura do acordo que será a grande notícia.

Ora, este maior tempo de antena dado aos dois partidos pode ser um pau de dois bicos para a direita e para o pensamento dominante na comunicação social.

Sim, é possível que se alimente aquela tensão entre Governo e BE e PCP. Mas ao mesmo tempo está a dar-se um espaço na comunicação social aos dois partidos mais à esquerda no panorama político português que nunca teve nas páginas dos jornais, nas emissões de rádio ou de televisão. Mesmo quando defendiam ideias essenciais para a melhoria da vida dos portugueses.

Será que a direita, dominante na comunicação social, vai - ao arrepio da sua intenção - alimentar a notoriedade do Bloco e do PCP?»

[João Ramos de Almeida in blog «Ladrões de Bicicletas»]

A revolução Trump


[In blog «Entre as brumas da memória»]

domingo, 20 de novembro de 2016

Trump e o IV Reich, chamado de União Europeia

«Linhas vermelhas?



«A Alemanha e os EUA estão ligados por valores. A democracia, a liberdade, o respeito pelo direito, a dignidade do homem independentemente da sua cor de pele, da sua religião, do seu sexo, da sua orientação sexual ou das suas convicções políticas. É na base desses valores que eu proponho uma cooperação estreita ao futuro presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.»

Angela Merkel, naquela que foi, surpreendentemente, uma das reações mais frontais, claras e corajosas à vitória de Donald Trump. Para ser consequente, como deve - e retirar todas as ilações que resultam da sua própria declaração - a chanceler terá contudo que começar por assumir o impacto que as políticas de austeridade e os atropelos à soberania dos Estados tiveram no recrudescer da extrema-direita na Europa (como sucedeu de forma particularmente clara e grave na Grécia) e tomar posições concretas, e igualmente firmes, caso a administração norte-americana ponha em causa os tais valores de que depende, segundo Merkel, a futura cooperação com os EUA.»

[Nuno Serra in blog «Ladrões de Bicicletas»]

sábado, 19 de novembro de 2016

Muitos jornalistas e comentadores portugueses dizem que têm medo de Marine Le Pen e apoiam o fascismo militar-judicial em Portugal


Para mim é repugnante constatar que os mesmos que têm medo de Marine Le Pen apoiam o fascismo militar-judicial, que existe agora, em Portugal.

O fascismo em Portugal em 2015 e 2016 nos comandos e no poder judicial


Os Crimes contra a Humanidade cometidos pelo Regimento de Comandos em África, nomeadamente em Moçambique ficaram impunes, como o assassinato de crianças.
Os crimes gravíssimos cometidos pelo poder judicial nos Tribunais Plenários fascistas ficaram impunes.
Todas estas impunidades trouxeram o fascismo para Portugal, para 2015 e 2016.
José Sócrates ficou em prisão preventiva, de acordo com as normas fascistas, da perseguição política, e nunca matou ninguém.
Os oficiais dos comandos que praticaram torturas graves e torturas e homicídio sobre dois instruendos não ficaram em prisão preventiva.
O médico nazista dos comandos não ficou em prisão preventiva.

Estes factos demonstram que o fascismo já está de volta a Portugal, com a prisão política de José Sócrates e com o colaboracionismo do poder judicial com as torturas e os homicídios praticados pelos Comandos do Exército.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Trump e a derrota da globalização, tal como ela é

«Estaremos à altura deste desafio?



Declaração da associação Democracia Solidária sobre a vitória de Trump:

A vitória de Trump nas eleições norte-americanas pode ser surpreendente face às sondagens e às expectativas de muitos de nós. O que não é surpreendente, porém, é a tendência de que ela faz parte, aliás em forte desenvolvimento na UE.


“É a xenofobia, estúpido!”, proclamam alguns, procurando pôr de lado a hipótese de estes fenómenos terem origem no mal-estar económico que se faz sentir nas nossas sociedades. O que até seria plausível se a rejeição do centro se fizesse sempre, e em toda a parte, na direcção das direitas xenófobas. Mas o certo é que as esquerdas radicais também têm beneficiado desta tendência centrífuga, embora em menor medida, apesar de se reverem, mais ainda que as esquerdas centristas, em agendas politicamente correctas.

Não é a xenofobia, estúpido, é a desigualdade e a precariedade! O “outro”, o imigrante, o refugiado, o muçulmano, o negro são muitas vezes o alvo da ira que cresce; mas é assim porque são visíveis e têm, como não tem “o capital” nem “as multinacionais”, corpo e rosto. Atravessam as fronteiras e cruzam-se connosco na rua e vivem ao nosso lado. São o rosto da globalização para quem nem sequer conhece a palavra.

Precisamos do ponto de vista da Economia Política crítica para perceber que as relações interpessoais e de grupo são moldadas pela totalidade de um sistema que, sendo por natureza sociocultural, também se transforma na dinâmica do quotidiano. Não há economia, de um lado, e cultura do outro; não há povo ignorante, de um lado, e estruturas económicas capitalistas do outro. A realidade social é complexa e as explicações simplistas impedem-nos de compreender porque há milhões de desesperançados, pobres e da classe média frustrada, que manifestam a sua raiva através da abstenção ou pelo voto num demagogo que julgam capaz de mudar o seu destino. O capitalismo neoliberal, financeirizado e predador, enfrenta nada menos do que a insurreição das suas vítimas. Uma insurreição por vezes surda, por vezes inconsciente, por vezes suicida ou depressiva, muitas vezes errada quanto ao alvo a abater – mas não menos generalizada por isso.

Acrescentemos a captura da democracia dos Estados Unidos por uma rede mediática de intoxicação propagandística, de formatação das mentes e espectacularização da política. Trump é também um produto desse sistema mediático, cada vez mais dominador, como vemos no Brasil. A velha Europa da cultura e das “boas maneiras” corre também o sério risco de ver a sua democracia capturada por estes poderes.

Nesta sucessão de catástrofes, qual será a próxima? A desagregação desordenada do Euro e da União Europeia? Uma confrontação militar no leste Europeu, ou no Oceano Pacífico? O regresso das ditaduras sul-americanas? A África, enlouquecida de fome e guerra, a despejar-se na Europa? Tudo isto, ou nada disto? Não sabemos. Só sabemos que a História não chegou ao fim e que a crise continua a avolumar-se.

Não será a direita que porá termo a esta vertigem suicida. Pelo contrário, atiçará o lume. Quanto às esquerdas, não terão sucesso se ficarem pela reciclagem do socialismo marxista-leninista, ou continuarem a alimentar a ilusão de uma UE progressista. Aliás, o quadro partidário existente é incapaz de produzir uma alternativa ao sistema; o seu governo só se mantém com uma política de “mal menor”.

Para pôr termo a esta vertigem suicida, precisamos de uma frente mobilizadora de todos os democratas que rejeitam as soluções neoliberais e a cosmética reformista de que o sistema precisa para se manter. Este contra-movimento terá de dar uma resposta, não só às vítimas do costume, mas também aos “deploráveis” que votaram em Trump e se preparam para votar em Le Pen. Saibamos nós estar à altura do desafio com que estamos confrontados.»

[Jorge Bateira in blog «Ladrões de Bicicletas»]

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Trump presidente dos Estados Unidos - um grande retrocesso civilizacional nos direitos e liberdades individuais e nos direitos humanos, mas não somente

Trump é desumano, é racista, vai construir mais um muro na fronteira EUA - México, pois já há um, com cerca de mil quilómetros, e vai deportar milhões de emigrantes.

Com Trumpt triunfou o ódio às minorias e aos direitos e liberdades individuais, triunfou o ódio aos Direitos Humanos.
Triunfou também o ódio ao Planeta Terra, triunfou o amor às petrolíferas e ao aquecimento glogal.

No entanto, numa coisa concordo com Trump, é preciso acabar com a globalização, tal como ela é.

A austeridade foi mesmo desastrosa para a União Europeia

«Conservador, ponderado e pessimista


Martin Wolf, colunista do Financial Times, dia 14/11/2016 na Fundação Gulbenkian:

* Em 2020 o PIB das economias avançadas será 20% inferior ao que teria sido caso se mantivesse a tendência anterior à da crise internacional de 2008.

* Apesar de nunca se ter assistido a um período tão longo de taxas de juro tão baixas nos países mais ricos, a recuperação das economias nunca foi tão lenta em anteriores recessões.

* Mesmo nos EUA, que recuperaram muito melhor do que a UE, a taxa de desemprego ainda é superior ao período anterior à crise.

* Nos EUA a retoma foi conseguida por via do crescimento da procura interna; por contraste, graças à estratégia da austeridade, a procura interna na UE caiu de forma acentuada a partir de 2011, tornando ainda mais difícil a recuperação.

* A crise na UE agravou os desequilíbrios das contas externas entre países deficitários e excedentários em 20%, tornando ainda mais graves os problemas que estiveram na origem da crise da zona euro (quanto maiores estas diferenças mais os investidores fogem das economias periféricas para as do centro).

* O esforço de ajustamento dos défices externos dos países da UE recaiu exclusivamente sobre os países com maiores problemas económicos, condenando-os a uma crise prolongada.

* As regras da UE retiraram espaço de manobra aos Estados nacionais, sem serem compensados pela criação de mecanismos de ajustamento económico à escala europeia; a probabilidade destes virem a ser criados no futuro próximo é nula.

* Mais cedo ou mais tarde será eleito como líder de um governo de um Estado Membro da UE com uma relevância decisiva alguém que desafiará a falta de liberdade de decisão política à escala nacional. Esse será o início da desagregação da UE.

Digamos que para alguém que é conhecido pela sua ponderação e razoabilidade, bem como pelo seu europeísmo convicto, este não é um diagnóstico optimista sobre a situação da UE.»

[Ricardo Paes Mamede in blog «Ladrões de Bicicletas»]

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Donald Trump venceu, mas com menos votos que Hillary Clinton

«Desculpem insistir


Seis dias passados,
os 130 mil votos de vantagem
de H. Clinton já vão em 668 mil !


Embora discorde da relativa displicência com que o autor  remata o assunto («Não nos devemos queixar de um sistema eleitoral que era conhecido e é legítimo»), a crónica de Rui Tavares hoje no Público incorpora algumas informações úteis ainda na ressaca das presidenciais norte-americanas. Aí se pode ler que «Na vozearia dos últimos dias, os trumpistas e os seus acólitos pretendem disfarçar a sua maior fraqueza: não são maioritários na sociedade americana. Hillary Clinton tem neste momento quase dois milhões de votos a mais do que Donald Trump [não creio, ver imagem], que tem menos votos que o candidato republicano derrotado em 2012, Mitt Romney [ver aqui].  Uma boa estratégia geográfica e a carambola do colégio eleitoral -com uma diferença de cem mil votos em três Estados- deu a Trump a Casa Branca».
Começando por referir que deve dar muita saúde à democracia e confiança no «sistema» esta coisa de serem contados mais meio milhão de votos sem que isso altere seja análises seja o que for, saliento que, por cá, passados estes sete dias, o silêncio inicial sobre os votos populares, evoluiu para o «en passant» e a nota de rodapé, continuando todas as classificações e análises como se esta diferença (a única que expressa a vontade maioritária dos eleitores) não significasse nada.
E, em boa verdade, que eu visse, não encontrei nenhum comentador que fosse capaz de, antes de começar a falar, perguntar a si próprio: «mas o que eu diria se, com mais cem mil votos dos seus seiscentos mil de vantagem, H. Clinton tivesse ganho os tais três Estados e a maioria do colégio eleitoral ?»

[In blog «O Tempo das Cerejas 2»]

domingo, 13 de novembro de 2016

Trump, o populismo e o descontentamento profundo

«Populismos



Porque entendo o voto do Brexit como um passo no caminho de desconstrução da UE, uma condição necessária para a instauração de políticas progressistas, sou um populista?

Porque entendo a eleição de Trump como um voto de raiva contra um sistema gerador de repetidas crises que criaram miséria, polarizaram a distribuição do rendimento de forma escandalosa, suscitaram inseguranças várias, produziram violência, guerras, corrupção, e cinismo ao mais alto nível, sou um populista?

Porque entendo a ascenção do Front National e Marine Le Pen como o resultado das políticas económicas e de emigração e integração erradas, associadas à opção de François Mitterrand pelo salto federalista na integração europeia, e ao desrespeito pelo resultado do referendo de 2005 ao Tratado Constitucional, sou um populista?

Este povo que vota contra o sistema, mobilizado por um discurso simplista contra as elites, feito por líderes carismáticos vindos do próprio sistema, é um povo racista? É um povo inculto, politicamente imaturo, que não sabe o que é melhor para o país? E quem sabe o que é melhor para o país? São os partidos do centrão, os governantes e as organizações internacionais que apresentam os seus interesses como sendo o interesse nacional, rotulando todos os que se lhe opõem de ‘populistas’? Portanto, Bernie Sanders é um populista, tal como Donald Trump? Jean-Luc Mélenchon é um populista, tal como Marine Le Pen? Jeremy Corbin é um populista, tal como Nigel Farage?

O conceito de populismo é suficientemente plástico para, evocando conotações negativas da História, permitir aos defensores do sistema meter tudo no mesmo saco e, desse modo, desqualificar os que têm programa alternativo consistente e querem sintonizar com os anseios do povo, ainda que expressos de forma tosca e até deplorável. Uma coisa é certa: muita desta raiva foi produzida pela demagogia das elites do sistema, com destaque para os media onde Trump fez carreira.

Dizem ao povo que a crise foi culpa dele, que a austeridade é inevitável e que o novo emprego da pseudo-recuperação só pode ser com salários miseráveis, e estão à espera de quê? A manipulação dos media tornou-se descarada e o povo sente que as elites vivem noutro país. Pouco a pouco, a paciência esgota e o povo sobe o nível do seu desprezo pelos meios que ainda tem ao dispor, ignorando as eleições e votando em palhaços.

Confesso que já não tenho paciência para o discurso politicamente correcto. Como diz alguém que estuda estas coisas, “antes de olhar do alto para os furiosos e desorientados eleitores que vão atrás de demagogos, ou desqualificar todos os ‘radicais’ chamando-lhes ‘populistas’, seria melhor parar por um momento e perceber como é que esses agentes se sentem, e perguntar-lhe o que desejam.”»

[Jorge Bateira in blog «Ladrões de Bicicletas»]

Síria - a guerra planeada pelos neoconservadores apoiada por Obama e por Hillary Clinton



«Preparativos para la liberación del este de Alepo



+



Unos 10 000 yihadistas de al-Qaeda, bajo las órdenes del jeque saudita Abdullah al-Muhaysini, ocupan actualmente los barrios del este de Alepo.
Bajo el asedio del Ejército Árabe Sirio y unidades del Hezbollah, los yihadistas, apoyados por la coalición internacional encabezada por Estados Unidos que los presenta como «revolucionarios sirios» o «rebeldes moderados», seguían recibiendo la semana pasada abastecimiento y armas a través de una extensa red de túneles.
A pesar de los reiterados intentos de Rusia por abrir corredores humanitarios para permitir un repliegue de civiles y combatientes hacia Idlib, nadie ha podido salir de los barrios del este de Alepo, donde el tribunal islámico de los yihadistas impone el terror. Los civiles que han tratado de escapar hacia la parte de Alepo bajo control del gobierno sirio han sido sistemáticamente abatidos por los francotiradores de los yihadistas.
El presidente ruso Vladimir Putin solicitó a su estado mayor la suspensión de las operaciones contra los yihadistas atrincherados en Alepo hasta el fin de la campaña electoral estadounidense, por estimar que toda acción militar rusa contra los terroristas sería explotada a favor de la elección de Hillary Clinton.
La OTAN aprovechó estos días de tregua para tratar de romper el cerco y enviar refuerzos al este de Alepo. Pero, a pesar de los ataques simultáneos iniciados por los yihadistas del este de Alepo y por los refuerzos enviados a estos últimos, las unidades del Hezbollah que defienden la importante vía de comunicación situada al suroeste de la ciudad han logrado mantener sus posiciones y conservar el control de ese eje.
Por su parte, el Ejército Árabe Sirio ha podido destruir numerosos túneles, de manera que los yihadistas y sus rehenes ya no disponen de reservas de alimentos.
En ese contexto, los ministros de Defensa de Siria, Rusia e Irán y responsables del Hezbollah se reunirían próximamente para coordinar la liberación inminente del este de Alepo. Debido a la táctica de los yihadistas consistente en recurrir al uso de kamikazes, la batalla final se iniciaría con una serie de bombardeos mientras que las fuerzas terrestres mantendrían sus posiciones y tomarían prisioneros a los yihadistas que prefieran rendirse.
La siguiente etapa, después de la liberación del este de Alepo, sería la liberación de Idlib.»

[In «Red Voltaire»]

A NATO sempre foi uma aberração, protectora do fascismo de Salazar e do colonialiasmo, sempre odiou a Democracia. Se esta aberração que apoia os jiadistas islâmicos e as suas selvajarias acabasse, se esta aberração que iniciou a Guerra da Jugoslávia, se esta aberração que iniciou a Guerra na Ucrânia, se esta aberração que coloca tropas a provocar a Rússia, nas colónias bálticas da Alemanha, se esta aberração que apoiou e apoia os nazistas da Croácia e os seu homicídios monstruosos, se esta aberração que impôs uma ditadura selvátca na Grécia, se esta aberração acabasse a Europa ficaria muito melhor.

O desejo de mudar o que está mal

Eu sempre fui a favor do Brexit. Parte da Esquerda ficou incomodada com o referendo sobre o Brexit, ficou incomodada com a democracia directa. A vitória do Brexit foi uma derrota do IV Reich, e eu sou a favor da queda do IV Reich, quanto antes. O IV Reich hunilhou e humilha a Esquerda grega e o Syriza que representa parte dela. A humilhação do Syriza  impôs vingança e a vingança foi a invasão da União Europeia ou IV Reich pelos refugiados de guerra. O IV Reich fez muito mal à Esquerda da Grécia, mas a Esquerda da Grécia já fez mais mal ao IV Reich. O Brexit venceu, em parte, devido ao caos na União Europeia provocado pela entrada massiva dos refugiados de guerra na União Europeia.

"A seta da história, o progresso, a Tina e Trump



José Pacheco Pereira no Público de hoje 

«No debate à volta de Trump há uma contínua recorrência de um argumento que vai de uma interpretação da história para a política e que curiosamente é usado quer à esquerda, quer à direita. Esse argumento pode ser enunciado da seguinte forma simples: “não se pode voltar para trás”, na história há o “velho” e o “novo” e a tentativa de manter o “velho” contra o “novo” é inútil e reaccionária, a história “anda sempre para a frente”. Quando se traduz esse argumento nas várias partes em que é usado, encontramos diversas variantes que vão do pregressismo comteano à esquerda ao “não há alternativa” (Tina) à direita, tendo todos em comum a ideia de que na história há uma seta do tempo que define um “progresso”, e que, a partir dela, se pode definir e classificar determinados eventos como indo no sentido da história e outros não. (…)
É interessante verificar como a eleição de Trump nas suas interpretações é vista à luz desta teoria da história. Nesse sentido, repetem-se muitos argumentos do "Brexit", muita discussão sobre a globalização, muita da transposição social e política daquilo que se entendem ser os efeitos das novas tecnologias, muito do deslumbramento psicológico com as “redes sociais”, os “mundos virtuais”, etc., etc. (…)
O anátema do “velho” é hoje um instrumento do conflito social usado como classificação para homens como Jeremy Corbin ou Bernie Sanders que são o “velho Labour” ou o “velho socialismo dos anos 60”, para os jornais em papel que estão caducos, porque ler em papel está “ultrapassado” por “ler” nos telemóveis, para justificar a desregulação, a Uber, o fim da privacidade, o trabalho precário, tudo aquilo a que nos temos de “habituar”, porque é o “mundo novo” que as “novas” tecnologias e globalização trazem inevitavelmente, tornando “ultrapassado” as soberanias, o proteccionismo, as nações, e por aí adiante. (…) Foi do “caixote do lixo da história” que se levantaram muitos milhões de eleitores de Trump, dos campos ignorados pela nossa ideia da América, das cidades industriais póstumas, de uma coorte de pessoas a quem a crise financeira tirou as casas e os rendimentos e as fez passar de uma vida que lhes parecia mais digna para outra muito menos digna. (…)
A vontade de mudar, o elemento mais decisivo nestas eleições, foi parar às piores das mãos, mas foram as únicas que lhes apareceram. Quando Bernie Sanders, outro “antiquado”, cuja candidatura “falava” para estas mesmas pessoas, foi afastado – conhece-se hoje o papel de um conjunto de manobras dos amigos de Hillary Clinton no Partido Democrático –, ficou apenas Trump. E, como já disse, não tenho a mínima simpatia por Trump, a mínima. Mas tenho uma imensa simpatia pela vontade de mudar, que tanta falta faz nos dias de hoje nas democracias esgotadas na América e na Europa.»"

[Cit in blog «Entre as brumas da memória»] 

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Vitória de Trump - uma explicação objectiva

A falência de empresas industriais ou a sua deslocalização, devido à globalização, deu origem a grande empobrecimento nos Estados Unidos, pela perda de um emprego relativamente bom,  a que se seguiu o desemprego ou então outro emprego, mas com salário muito inferior. Nos Estados da Pensilvânia, Ohio, Wisconsin e Iowa, os operarários empobrecidos pela globalização votaram contra o sistema que os arruinou.

« Sturm und drang=Trump with a bang


Trump ganhou. Na aritmética do colégio eleitoral, o factor decisivo foi a mudança de Obama para Trump de quatro Estados do Midwest pós-industrial - Pensilvânia, Ohio, Wisconsin, Iowa - (e um quinto alhures, a Florida). Foi aos trabalhadores destes Estados que viram os seus empregos deslocalizados para o estrangeiro que Trump, logo nas primárias, prometera renegociar os tratados de livre comércio «culpados» do desemprego (como Michael Moore notou prescientemente em Julho).


Esperou-se durante toda a campanha que Clintou compensasse as suas perdas nos votos dos «brancos trabalhadores» com os votos das mulheres e dos latinos, eventualmente dos negros. Falhou: Trump teve 29% dos votos dos latinos e 8% dos votos dos negros (respectivamente +8 p.p. e + 7p.p. do que Romney em 2012); entre as mulheres Clinton teve 54% (+1 p.p. do que Obama) mas Trump teve 53% do voto masculino (+5 p.p. do que Romney).

Ideologicamente, o movimento de Trump (tal como o do Brexit), é estridentemente contra as elites «globalistas» e «corruptas». Ser contra a globalização mobiliza aqueles que viram os seus empregos fugir por obsolescência ou deslocalização, e que nada têm a ganhar com os empregos da economia digital, geralmente para jovens qualificados. No entanto, o voto em Trump (e a acreditar nas sondagens) foi mais directamente motivado pela rejeição da imigração (e do terrorismo) do que do comércio livre. E (sinal da descristianização dos EUA) parece mais indiferente do que hostil ao liberalismo social (direitos das mulheres, contracepção, casamentos gaylegalização da marijuana).

A corrupção é o outro grande tema do voto «contra o sistema». E incrivelmente, foi considerada mais corrupta a candidata que apenas usou um servidor de email privado do que o candidato que assumiu em debates ser praticamente um evasor fiscal.

A maldição de Trump será não poder cumprir as expectativas que criou. A maior parte das bojardas que lhe permitiram dominar os noticiários são incumpríveis: construir um muro pago pelo México, prender Clinton, proibir a imigração de muçulmanos. E na realidade, foi um erro tratá-las como promessas, porque eram apenas bandeiras, provocações que anunciam intenções mas não decisões. Mas que os seus apoiantes lhe cobrarão daqui a quatro anos.



Do lado dos democratas, e embora territorialmente a divisão entre o campo e as cidades (ver o mapa acima) seja impressionante, a esperança reside em o eleitorado de Clinton ser mais jovem, mais urbano, mais latino e mais irreligioso, todas categorias demográficas em ascensão. A vitória de Trump pode portanto não se repetir. Mas será mais avisado que da próxima vez o candidato democrata seja alguém que possa corporizar melhor a revolta dos trabalhadores descontentes: alguém mais como Sanders e menos como Clinton.
Nota final: segue-se um ciclo na Europa em que o populismo de direita poderá ter novas vitórias.»

[In blog «Esquerda Republicana»]

Donald Trump ou o triunfo do Mal


Desde o pensamento iluminista do século XVIII havia a ideia de que a Humanidade tinha um rumo, para melhor, para cada vez melhor.
O triunfo eleitoral de Hitler no país mais desenvolvido da Europa, e as selvajarias nazistas provaram que a ideia optimista do iluminismo não era verdadeira.
A vitória de Donald Trump mostra que o Mal que vencera na Alemanha em 1932, venceu nos Estados Unidos em 2016.
Muitas correntes existencialistas disseram uma verdade amarga, que a responsabilidade pelas selvajarias do nazismo pertence ao povo alemão, que escolheu Hitler, para governar a Alemanha.

A responsabilidade pelas prometidas selvajarias de Trump pertence às pessoas que votaram nele.

Ku klux Klan reanima com a vitória de Donald Trump

"Trump êxito



«Foi uma surpresa? Foi. As empresas de sondagens tornaram-se especialistas em surpreender o comum mortal e os outros mais espertos. A derrota de Trump estava anunciada por números e opiniões de gente com profundo conhecimento na matéria. (…)
Detesto a atitude "Cavacal" de dizer - "eu bem disse" -, mas há uns meses escrevi neste jornal que Hillary era um Mister José Peseiro da política. Lembro-me bem da vantagem que Hillary tinha, em relação a Obama, no início das eleições democratas há oito anos. Ao intervalo, estava a ganhar por 4-0. Obama tinha um "Yes We Can", Hillary tinha sete páginas de números e estatísticas. Trump tinha um "Making America Great Again" e uma multidão furiosa, Hillary tinha um estudo de mercado e malta que foi ver o concerto da Beyoncé. Os archotes venceram os telemóveis e isqueiros. (…)
Após a vitória de Trump, David Duke, um ex-líder dos Ku Klux Klan, disse que aquela era "one of the most exciting nights of my life" - e imaginem o que ele já não deve ter feito de noite. Se, para um "indivíduo" do Ku Klux Klan, a vitória de Trump é razão para festejos, sou tentado a pensar que o que aí vem não vai ser divertido.
O resultado das eleições nos EUA é uma espécie de montanha russa gigante do que já vamos vendo por aqui, na Europa, em formato de carrossel. É um sinal com mau aspecto visto à lupa. E o diagnóstico não é agradável. Posso ser pessimista, e se quiserem vão procurar uma segunda opinião, mas a minha análise é que, a continuar assim, dificilmente vai haver uma colecção de Primavera/Verão 2017 United Colors of Benetton.
Não há aqui nada de novo. É outra vez o ovo da serpente, mas, agora, na Sala Oval. Querem os ovos mexidos ou estrelados?»

João Quadros"

[Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Hillary Clinton teve mais votos que Trump

«É o NYT que o diz...


... e ninguém (ou quase) fala
que Clinton teve mais votos
que Trump ?


 clicar para aumentar
ver aqui
H. Clinton -59,344,398 votos (47.7%)
D. Trump - 59,179,214 votos (47.5%)»

[In blog «O Tempo das Cerejas 2»]

A globalização abriu caminho à vitória de Trump

«Este é o resultado da sua globalização


O centrão político - conservadores, liberais, social-democratas, trabalhistas - anda há mais de vinte anos a liberalizar os movimentos de capitais, a desregulamentar as actividades financeiras, a promover o "comércio livre", menorizando as consequências resdistributivas destas opções. Andaram a promover a ideia de que o mundo é mais bem gerido pela "mão invisível" dos mercados do que pelos poderes democraticamente eleitos. De que é que precisam mais para perceber que este é o resultado da sua globalização: que Marine Le Pen vença as presidenciais francesas?»

[Ricardo Paes Mamede in blog «Ladrões de Bicicletas»]

Trump venceu Hillary Clinton – foi a vitória do racismo, da xenofobia, da perseguição aos direitos e liberdades individuais e do ódio ao planeta Terra


Trump em si é corrupção, representa a vitória de um homem corrupto a pregar contra a corrupção. Trump é também o candidato das petrolíferas que querem destruir o planeta Terra, através do aquecimento global.

Em termos de política económica, a vitória de Trump representa, porém, a derrota da globalização tal como ela é, sem regras.

"O nosso país desconhecido




Vale a pena ler este texto de Paul Krugman, que corre mundo:
«Nós pensávamos que a nação, embora longe de ter ultrapassado o preconceito racial e a misoginia, se tinha tornado muito mais aberta e tolerante ao longo do tempo.
Nós pensávamos que a grande maioria dos americanos valorizavam as normas democráticas e do Estado de Direito.
A verdade é que estávamos errados.»

Na íntegra AQUI."

[Cit. in blog «Entre as brumas da memória»]

terça-feira, 8 de novembro de 2016

O IV Reich em queda?


«Que pensar então de tudo isto? Primeiro, que este projeto europeu bateu no fundo, mesmo para quem achava que não havia mais fundo para bater. É uma teia de mentiras, de jogos de dissimulação e de degradação democrática. Segundo, que a única atitude digna é desvincularmo-nos de um embuste que nos aprisiona. Esse embuste chama-se Tratado Orçamental e tem vindo a destruir as democracias e a própria União. A mentira é apenas o outro lado da estupidez das regras deste Tratado. Com elas, não há Europa que sobreviva.»"

[Cit in blog «Entre as brumas da memória»]

O presidente do Eurogrupo mentiu nas suas qualificações académicas, os portugueses mentem por qualificações mais baixas

 «Sempre as qualificações académicas


Dizem-me que a aldrabice com graus académicos não é um exclusivo português. Talvez seja verdade, só que em Espanha, tal como na Alemanha ou na Holanda (o presidente do Eurogrupo) aldrabam-se pós graduações ou mesmo doutoramentos, enquanto em Portugal se aldrabam licenciaturas. Deveria ser um objetivo político do governo: aumentar as qualificações dos portugueses de modo a que passem a aldrabar não licenciaturas mas doutoramentos, como nos países desenvolvidos.»

[In blog «Esquerda Republicana»]

A colónia grande da Alemanha e as colónias pequenas em 2016

«Portugal não tem um ministro das Finanças como o Presidente francês François Hollande. Que pode explicar à vista desarmada num livro que negociou um défice falso com a Comissão Europeia (seja com a de Durão Barroso, seja com a de Juncker), sabendo que nunca cumpriria os 3%. E que do outro lado tenha contado com a compreensão dos mosqueteiros de Bruxelas que lhe explicaram que tinha de fingir para que fosse possível pressionar outros países (como Portugal) a cumprir o défice mesmo que isso fosse destruir-lhes a economia e o tecido social. Aí está, preto no branco, como funciona a UE: todos são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros.»
[Fernando Sobral in «negocios»]

A colónia grande da Alemanha é a França, um país governado por traidores no século XXI, os principais Nicolas Sarkozy e François Hollande, que servem os interresses da França como serviu Pétain.
As colónias pequenas são as colónias bálticas, a Grécia, Portugal e outras.
A Grécia e Portugal, na qualidade de colónias da Alemanha, foram nações devastadas pela Troika dirigida pela aliança Berlim-Washington. A CE e o BCE obedecem directamente a Berlim e o FMI obedece ao regime dos Estados Unidos.

Enquanto que Passos Coelho ainda quis arruinar Portugal para além da ruína exigida pela Troika, o actual governo luta contra o empobrecimento imposto pela colonização alemã.

domingo, 6 de novembro de 2016

Estados Unidos - eleições à porta

"O dia seguinte




«É pouco provável que Donald Trump vença as eleições. Mas pode acontecer, dada a peculiar democracia americana e sobretudo o estado de alienação a que chegou uma parte significativa da população.
Embrutecidos pela religião e pelos media muitos americanos aderem a ideias francamente retrógradas, contraditórias, claramente prejudiciais para as suas próprias existências. (…)
A eleição presidencial norte-americana é um bom exemplo. Muitos americanos e ainda mais não-americanos terão ficado surpreendidos com o baixo nível da campanha de Trump. Não tanto pela sua personalidade grotesca, mas por haver tanta gente a segui-lo. Um dos países mais avançados do mundo, uma das mais importantes economias do planeta, revela que tem uma percentagem muito significativa da sua população atrás de um alucinado, um tonto, um perigoso demagogo que insulta tudo e todos e que promete, se for eleito, antagonizar o mundo. Como muito bem afirma a campanha de Hillary Clinton: "Alguém está disposto a entregar o poder nuclear a este homem?" Pelos vistos muita gente está.
O maior problema destas eleições não é por isso o seu resultado. Seria uma enorme surpresa e um susto para o mundo se Trump ganhasse. Ainda que, nesse caso, o sistema não o deixaria governar, a começar pelos republicanos. A sua passagem pela presidência seria curta e o dano mínimo.
O maior problema começa no dia a seguir à eleição de Hillary Clinton. A América está francamente doente e cabe perguntar "como foi possível chegar a isto?" Uma parte significativa da sociedade é decadente, atrasada, ignorante, isolacionista, incapaz de se enquadrar no mundo global e responder aos desafios da acelerada evolução tecnológica. Não por acaso os Estados Unidos estão a perder terreno em várias frentes tecnológicas. Ideias primitivas, como o fanatismo religioso ou a falsa livre iniciativa, já que os Estados Unidos são dos países mais intervencionistas do mundo, impedem o desenvolvimento social, cultural e político.
As eleições revelam a falência do sistema de ensino norte-americano. Que criou gente tão ignorante capaz de acreditar nos maiores disparates. Como dizia uma jovem apoiante de Trump: prefiro Deus a oxigénio, porque este só foi inventado no século XVIII e Deus é desde sempre.»

Leonel Moura"

[Cit. in blog «Entre as brumas da memória»]

O melhor prognóstico para o confronto nas presidenciais dos Estados Undidos é depois de se saberem os resultados. Maioritariamente, as previsões continuam a apontar para uma vitória de Hillary Clinton. As previsões continuam a apontar para uma vitória dos azuis e para a consequente derrota dos vermelhos.
Não concordo, porém, com as laudas altamente elogiosas de Leonel Moura à globalização, que tal como ela é neste momento representa uma grande desgraça para a  Humanidade.

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Liberdade de expressão para criticar um político troikânico servo da Alemanha não há

«Isto não pode ficar assim


Sim, há juízes que são a

peste negra da Justiça.
E agora processem-me .




O deputado do PSD Carlos Peixoto identificou os idosos do país com uma «peste grisalha». O idoso António Figueiredo e Silva respondeu-lhe então assim, de uma forma até muito elegante e delicada, sobretudo se comparado com o que muitos escrevemos então nas redes sociais:

Os loucos por vezes curam-se,
os imbecis nunca.
(Óscar Wilde)
A PESTE GRISALHA 
(Carta aberta a deputado do PSD)
Exmo. sr.
António Carlos Sousa Gomes da Silva Peixoto
Por tardio não peca.
Eu sou um trazedor da peste grisalha cuja endemia o seu partido se tem empenhado em expurgar, através do Ministério da Saúde e outros “valorosos” meios ao seu alcance, todavia algo tenho para lhe dizer.
A dimensão do nome que o titula como cidadão deve ser inversamente proporcional à inteligência – se ela existe – que o faz blaterar descarada e ostensivamente, composições sonoras que irritam os tímpanos do mais recatado português.
Face às clavas da revolta que me flagelam, era motivo para isso, no entanto, vou fazer o possível para não atingir o cume da parvoíce que foi suplantado por si, como deputado do PSD e afecto à governação, sr. Carlos Peixoto, quando ao defecar que “a nossa pátria foi contaminada com a já conhecida peste grisalha”, se esqueceu do papel higiénico para limpar o estomago e de dois dedos de testa para aferir a sua inteligência.
A figura triste que fez, cuja imbecilidade latente o forçou à encenação de uma triste figura, certamente que para além de pouca educação e civismo que demonstrou, deve ter ciliciado bem as partes mais sensíveis de muitos portugueses, inclusivamente aqueles que deram origem à sua existência – se é que os conhece. Já me apraz pensar, caro sr., que também haja granjeado, porém à custa da peste grisalha, um oco canudo, segundo os cânones do método bolonhês. Só pode ter sido isso.
Ainda estou para saber como é que um homolitus de tão refinado calibre conseguiu entrar no círculo governativo. Os “intelectuais” que o escolheram deviam andar atrapalhados no meio do deserto onde o sol torra, a sede aperta a miragem engana e até um dromedário parece gente.
É por isso que este país anda em crónica claudicação e por este andar, não tarda muito, ficará entrevado.
Sabe sr. Carlos Peixoto, quando uma pessoa que se preze está em posição cimeira, deve pensar, medir e pesar muito bem a massa específica das “sentenças”, ou dos grunhidos, - segundo a capacidade genética e intelectual de cada um - que vai bolçar cá para fora. É que, milhares pessoas de apurados sentidos não apreciam o cheiro pestilento do vomitado, como o sr. também sente um asco sem sentido e doentio, à peste grisalha. Pode estar errado, mas está no seu direito… ainda que torto.
Pela parte que me toca, essa maleita não o deve molestar muito, porque já sou portador de uma tonsura bastante avantajada, no entanto, para que o sr. não venha a sofrer dessa moléstia, é meu desejo que não chegue a ser contaminado pelo vírus da peste grisalha e vá andando antes de atingir esse limite e ficar sujeito a ouvir bacoradas iguais ou de carácter mais acintoso do que aquelas que preteritamente narrou como um “grande”, porém falhado “artista”.
E mais devo dizer-lhe: quando num cesto de maçãs uma está podre, essa deve ser banida, quando não, infecta as restantes; se isso não suceder, creio que o partido de que faz parte, o PSD, irá por certo sofrer graves consequências decorrentes da peste grisalha na época da colheita eleitoral. Pode contar comigo para a poda.
Atentamente.
António Figueiredo e Silva
Coimbra, 28/04/2013
www.antoniofigueiredo.pt.vu


O tribunal da Relação de Coimbra acaba de dar razão ao deputado Carlos Peixoto condenando António Figueiredo e Silva a pagar ao Peixoto a quantia de 3 mil euros e 2 mil à Justiça.

E pronto, quem não se faz respeitar no exercício das suas funções, não pode esperar qualquer tipo de respeito.»

[In blog «O Tempo das Cerejas 2»]