quarta-feira, 18 de outubro de 2017

O aquecimento global e as árvores assassinas


O documentário de Al Gore sobre o aquecimento global mostra, claramente, que a poluição está a fazer aquecer o planeta Terra. O documentário de Leonardo di Caprio sobre o mesmo tema reforça as conclusões anteriormente divulgadas por Al Gore.
Só que o aquecimento global está a ser mais rápido do que o previsto. O aquecimento global já chegou a Portugal – o Verão é a época do calor, mas o calor do Verão é cada vez mais intenso. Ao calor associamos a seca, a falta de água.
Já o arquitecto Ribeiro Teles tinha salientado a necessidade de diminuir a floresta, de fazer cortes nas grandes manchas verdes de eucaliptos e de pinheiros bravos. Há floresta a mais para as condições climatéricas existentes.
O fulcro da questão é este: há manchas verdes de eucaliptos e de pinheiros bravos demasiado grandes.
Há muitas pessoas a pegar fogo às florestas, ou por pura acção criminosa ou por negligência.
Por outro lado, há manchas florestais que entram pelas aldeias dentro, que entram pelas vilas dentro, que entram por algumas cidades dentro. É preciso abater muitas árvores que são um perigo iminente para muitas casas, para muitas fábricas, há que criar perímetros de segurança, sem material combustível à volta das aldeias, à volta das zonas industriais, à volta das vilas, à volta das cidades.
O aquecimento global já chegou a Portugal, há que adaptar as florestas à nova realidade.
As árvores quando ardem com tempo muito seco e com ventos fortes tornam-se árvores assassinas, porque matam pessoas.

E quando começam as árvores a arder é preciso ter meios de combate às chamas eficazes, dirigidos por pessoas preparadas para tal.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

O insucesso escolar do cabrão do filho da puta que escreveu isto no blog «Aventar»

Este cabrão deste filho da puta que escreveu isto, no blog «Aventar», é uma grande besta o cabrão do filho da puta chamado Carlos. Este Carlos além de cabrão é burro, evidencia a estética da Direita portuguesa, mas além de burro, este filho da puta deste cabrão deste Carlos é muito burro, além de muito burro é um grande cabrão. Aqui vai um texto do Carlos Burro  Cabrão Filho da Puta dum Cabrão.  


«Vai-te embora, cabrão.


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Disse-o há 2 anos e repito-o hoje e as vezes que forem precisas: Costa é bem mais desonesto que Sócrates. Pode “não meter para a blusa” como o Engenheiro, mas, politicamente, é muito mais mentiroso, falso e trapaceiro. É o rei do embuste.

Costa não governa. Porque nem sabe nem quer. Nem está preocupado com isso (pelo menos, não estava até há uns dias atrás). Costa só se preocupa em gastar dinheiro. O que lhe deixaram, o que nos suga nos impostos que descem, mas afinal nem por isso, o que vai acrescentando à dívida, o que cativa, etc. Para quê? Para que as pessoas pensem que descobriu uma fórmula mágica que nos deu a prosperidade da noite para o dia e que os outros que estiveram antes é que eram uns pérfidos que só queriam fazer mal ao nosso querido País. E já agora, aproveita e dá uns brindes à dupla Jerónimo e Catarina que assim, também, brilham e podem dizer que cumpriram e que defenderam com unhas e dentes o proletariado. Quando vier a factura, arranjam-se as desculpas do costume: foram os “investidores”, foram os mercados, foi o Trump, e a preferida, foi a Merkel. E nessa altura, infelizmente, e como aqueles dois sabem bem, será o tal proletariado cujos interesses, “agora”, se defendem intransigentemente, quem mais sofrerá.
Tudo isto é, cuidadosamente, oferecido num embrulho lindo e ilusório alinhavado por “spin doctors” e agências de comunicação, tolerado e dissimulado por uma comunicação social alinhada e complacente e, ingenuamente, aceite por quem estava à míngua de esperança.
Só que para azar dele, Costa, para muito mais azar nosso e, pior ainda, para o infortúnio trágico de alguns, os “focus groups” não apagam incêndios.
Se com Sócrates, pagamos a interesseira agenda dele com muito suor e sacrifício, com Costa, o povo português está a pagar a sua inexistência governativa com sangue.»

[In blog «Aventar»)

As grandes manchas florestais de eucaliptos e de pinheiros bravos tornaram-se um grave perigo para a vida de muitos portugueses e portuguesas

«Isto não pode ficar na mesma




Em Portugal, a comunidade científica foi seriamente ouvida quanto às implicações das alterações climáticas? Que mudanças foram feitas nas políticas de ordenamento do território nas últimas décadas? Que mudanças foram feitas pelos últimos governos na política de ataque aos incêndios e na estrutura da Protecção Civil? Há algum planeamento efectivo, organizado com peritos reconhecidamente competentes, para enfrentar um sismo de grande magnitude? As regras de construção, em regiões de risco sísmico, estão a ser mesmo fiscalizadas?
Portugal falhou dramaticamente no que toca ao chamado “problema dos incêndios”. Houve uma abordagem amadora, há negócios suspeitos, olharam para a escala local sem perceber que a prevenção e o combate aos incêndios tem uma escala supramunicipal e, o mais grave, colocaram nos postos de comando e nas estruturas do sistema muita gente que não estava qualificada para as funções que deviam desempenhar. O amiguismo e a rede partidária funcionaram bem mas o País ficou muito mal.
Em geral, os gabinetes dos ministérios e as estruturas da administração pública estão ocupadas por pessoas do partido que governa, ou são simpatizantes de longa data que fazem parte da rede de relações dos partidos, tanto no plano local como no regional e nacional. Foram nomeados sem qualquer procedimento de recrutamento que avalie as competências técnicas para o exercício das funções. O que hoje sabemos através do Relatório Independente elaborado na sequência do grande incêndio de Pedrógão Grande confirma o que já se suspeitava. A Protecção Civil e o sistema de que faz parte são um caso paradigmático da forma como o país tem sido governado. Um desastre com consequências fatais.
No resto da administração pública é igual. Pode não causar mortes nesta escala, mas pelo menos no sector da saúde também mata. Os boys ocupam o Serviço Nacional de Saúde e a sua conivência com os interesses privados, a sua incompetência, a arrogância das administrações e chefias com cobertura política garantida, desmoralizam os funcionários sensíveis ao serviço do bem-comum. Importaram o modelo neoliberal do Banco Mundial e aplicam-no como se fosse politicamente indiscutível, uma questão de gestão técnica. Não foram recrutados por concursos sérios, não são escrutinados por comissões de utentes, encobrem e negam a degradação que o sistema está a sofrer, esmagam muitos médicos e enfermeiros. Neste caso, também é impossível executar uma nova política que reabilite o SNS enquanto não mudarmos o sistema de recrutamento dos quadros da administração tornando-o independente das máquinas partidárias. Este assunto é crucial para uma estratégia de desenvolvimento do País.
Na Educação, na Segurança Social, na RTP, no Banco de Portugal, por todo o lado salta aos olhos que em Portugal há uma razão de fundo que impede a elaboração e execução de políticas fundamentadas no melhor conhecimento científico disponível, com objectivos e etapas planeadas, com os recursos adequados e com procedimentos de avaliação e responsabilização. A questão dos incêndios pôs a nu um problema que não temos querido enfrentar porque incomoda muitos. A acusação no “caso” Operação Marquês diz-nos que esse problema envolve partidos até ao mais alto nível e tem múltiplas ramificações. Muita gente fingiu que não sabia de nada e, por isso, foi conivente por omissão.
O problema é este: temos sido governados por gente que não devia ter acedido aos cargos que ocuparam ou ainda ocupam. O País tem estado aliviado com o "poucochinho" que o actual governo conseguiu, mas agora está confrontado com uma realidade nua e crua que não pode ignorar. As políticas que têm efeitos a médio e longo prazo precisam de dinheiro para o muito investimento público que Bruxelas não permite; precisam de uma administração pública purgada dos boys que a ocupam, mas os partidos que têm governado metem a cabeça debaixo da areia porque eles são isso mesmo, no essencial uma estrutura de assalto à administração pública; precisam de uma Assembleia da República repleta de deputados qualificados de onde saiam governos responsabilizados, mas os partidos colocam nas listas os carreiristas e, sabendo que estão desacreditados, lá vão disfarçando através do convite a algumas personalidades, indiscutivelmente competentes, mas sem influência política relevante.
O apodrecimento técnico, político e moral dos partidos que nos têm governado deu nisto. Não, depois deste choque de realidade, o País tem de mergulhar a fundo no debate sobre o essencial. Precisamos de organizar uma resposta aos discursos oficiais que vão passar ao lado desse essencial. Precisamos de uma mudança profunda no sistema de recrutamento para a Administração do Estado e um aprofundamento radical da nossa democracia que ponha em causa o sistema político-partidário dominado pelo "centrão". Não chega "mudar de modelo" mantendo o sistema de relações que nos conduziu até aqui. Temos mesmo de dizer basta. 
Finalmente, a chuva chegou. Estou a ouvi-la cair e pergunto, fica tudo na mesma?»

[In blog «Ladrões de Bicicletas», Jorge Bateira]

domingo, 15 de outubro de 2017

A distopia em que vivemos – o regresso, em força, do fascismo falangista-franquista


Para os fascistas falangistas a Catalunha tem o dever de ser uma colónia de Castela. Este ponto de vista é partilhado por Rajoy, pelo rei de Espanha, pela União Europeia e pela NATO, especialmente pelos militares da NATO destacados para o Kosovo.

sábado, 14 de outubro de 2017

O caso José Sócrates e as conclusões neoliberais

«Para lá da operação marquês

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José Sócrates poderá estar apostado em transformar a operação marquês num processo político, levando para o julgamento a sua acção governativa, acreditando que a dificuldade que existe em provar casos de corrupção em Tribunal, resultará a seu favor. Sabemos dos prazos da Justiça portuguesa, da complexidade deste processo, pelo que dificilmente existirá uma decisão em primeira instância antes de 2020. Nessa altura previsivelmente António Costa continuará Primeiro-Ministro e até poderá obter uma maioria absoluta. Obviamente que existe em Portugal separação de poderes, e tal facto é por si suficiente para descredibilizar hoje a tese do julgamento político, quanto mais colocados perante um cenário em que o seu antigo número dois chefia o governo há vários anos. Mas claro está que o pior cego sempre foi o que não quer ver e crédulos por aí não faltam…
Ricardo Salgado prescindiu do auxílio da troika para financiar o BES, que entretanto haveria que falir. A verdade é que até ao momento em que lhe retiraram o tapete no Banco de Portugal, tudo foi controlando, mesmo afundando a PT quando tal foi necessário. Sempre que foi necessário financiar o Estado, entenda-se os sucessivos governos, não apenas os governos de José Sócrates, o homem esteve presente, é natural que tenha recebido contrapartidas e exigido garantias ao longo dos tempos. Não existem almoços grátis, embora tal não signifique por si só que todos os negócios constituem ilícitos, muitos seguramente terão sido perfeitamente legais. Mas basta que alguns não o tenham sido, para ficarmos perante um problema, que nasceu da promiscuidade entre políticos e financeiros.
Bem sei que Portugal é um país pequeno, os cargos são poucos, todos se conhecem, mas o facto das pessoas transitarem dos governos para os Bancos, empresas públicas, ou privadas que negoceiam com o Estado, é um grande problema para o país. Um ministro tutela um negócio com uma empresa com quem estabelece uma PPP e no final do mandato os seus serviços são contratados pela empresa com quem negociou em nome do interesse público. Outro governante salta do ministério para a administração do Banco com quem negociou financiamentos e pelo qual serão pagos juros. Isto permitiu ao longo das últimas décadas o florescimento de fortunas injustificáveis, enquanto Portugal vai definhando de crise em crise, aumentando a dívida pública aos limites do insuportável.
Quando José Sócrates se tornou Primeiro-Ministro o Estado já era demasiado omnipotente e omnipresente em Portugal, e continuou após a sua queda. Culpabilizar agora José Sócrates por todas as desgraças do país, seria manifestamente um exagero. O mesmo poderemos dizer de Ricardo Salgado, que por mais influente que tenha sido, jamais foi o dono disto tudo, existiu e felizmente existe mundo financeiro para lá do BES. Mas enquanto o Estado for demasiado poderoso e consumir metade dos rendimentos do país, sob as suas diferentes formas e necessidades, o problema irá persistir, a tentação será demasiado grande para quem ocupar o poder…»
[In blog «Aventar»]
Vou continuar a conclusão deste texto.
Se fecharmos todos os hospitais públicos poupa-se muito dinheiro, morrem muitos homens e mulheres que andam a dar prejuízo e assim o Estado fica menos poderoso e passará a consumir menos rendimentos do país...!!! Mas, se fecharmos também todas as Escolas públicas o Estado ficará ainda menos poderoso e consumirá muito menos dos rendimentos do país...!!!   Morram os portugueses e viva o neoliberlismo...!!!!!

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Os inquisidores da civilização distópica em que vivemos


As luvas pagas pelo Goldman Sachs são luvas boas, as falcatruas do BCE são falcatruas boas, os crimes do Eurogrupo são crimes bons, os crimes praticados por Trump são crimes bons.

Vivemos numa civilização distópica onde a criminalidade é dita boa ou má conforme quem a pratica.

As luvas oferecidas pelos dirigentes do Goldman Sachs, são luvas boas, as luvas de Ricardo Salgado são luvas más. As luvas ditas legais que o BCE cobra à Grécia e a Portugal pelos empréstimos são consideradas boas luvas.
As falcatruas de Ângela Merkel e Donald Trump são boas falcatruas, as eventuais falcatruas de José Sócrates são más falcatruas.
Os inquisidores que atacam José Sócrates e Ricardo Salgado quase todos apoiam procedimentos iguais ou muito piores de  Ângela Merkel e de Donald Trump.

Vivemos numa civilização distópica onde a maior criminalidade, como por exemplo os crimes de guerra contra a Grécia e os raptos, torturas e assassinatos da Rede Guantánamo e Sucursais são considerados crimes bons.


Os roubos mafiosos do BCE

Os criminosos e criminosas de guerra, ladrões e ladras, torturadores e torturadoras, assassinos e assassinas que dirigem a União Europeia, torturam, matam e roubam alegremente. O país  mais lesado pelos crimes de guerra da chamada União Europeia foi a Grécia.

«A economia política do Banco Central Europeu



Já sabíamos que o BCE havia lucrado, entre 2011 e 2016, €4.8 mil milhões de euros em juros da dívida pública portuguesa comprada em Mercado secundário no âmbito do SMP, o Securities Market Programme, e que estes lucros em vez de serem repatriados para o Estado Português acabaram nos bolsos do governo alemão, francês e italiano, os principais accionistas do BCE. Se considerarmos a OT 4.35% 15/Out/2017 que vence no próximo domingo, esse valor aumenta para 5.2 mil milhões de euros.

Juros pagos ao BCE no âmbito do SMP

Sabemos agora que o BCE lucrou, no âmbito do mesmo programa, 7.8 mil milhões de euros, repartidos entre juros e ganhos de capital, em dívida pública grega, conforme resposta do BCE ao Eurodeputado grego Nikolaus Chountis do passado dia 10 de Outubro.

Já sabíamos que esta operação - acumulação por expropriação - configura uma das mais predatórias práticas capitalistas de captação de rendas por parte das autoridades de cariz público e supranacional contra os cidadãos de um país. Neste caso o banco central, sob a capa de uma suposta independência, é instrumentalizado ao serviço do sistema financeiro e ao serviço dos países de origem dos credores financeiros privados, o centro europeu, contra as periferias europeias.

Para além de quantificar a apropriação indevida de recursos que deveriam pertencer às autoridades nacionais, esta carta espelha também a contraditória dialéctica intrínseca à economia política do BCE. Por um lado, invoca-se o principio da independência do banco central em linha com o artigo 130 do tratado de funcionamento da UE que salvaguarda a instrumentalização do banco central ao serviço dos governos nacionais com aspirações de se perpetuarem no poder.

Porém, logo mais adiante, quando confrontado com o facto da Grécia não estar a receber a sua proporção dos lucros do SMP em linha com a chave de capital (migalhas ao lado dos cupões pagos...), o BCE argumenta que isto já foi feito no passado mas foi suspenso e carece de nova autorização do Eurogrupo. Isto para não mencionar o facto do BCE ter adiado sine die a implementação das medidas de alívio acordadas no âmbito das negociações do seu segundo resgate, em Novembro de 2012, especificamente o mencionado repatriamento dos ganhos do SMP, e ameaçado cortar o acesso à facilidade de cedência de liquidez de emergência à banca grega quando o Eurogrupo enveredou pela coação e chantagem como forma de fazer o governo grego ceder perante a vontade referendada de um povo. Ao ceder às vontades do informal e arbitrário grupo de Ministros das Finanças, o BCE tornou-se ele próprio instrumento da hegemonia alemã.

Não sendo novas, estas práticas não deixam de chocar, causar indignação e tornar urgente um debate profundo sobre o actual enquadramento ideológico da União Europeia.»

[In blog « Ladrões de Bicicletas», EugéniaPires]

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Quem controla o dinheiro?

«"Não há dinheiro"


Antes de criticar o aumento de escalões de IRS, desafio qualquer ministro ou dirigente partidário - sobretudo de direita liberal - a explicar a razão por que o Estado dá a 35 mil entidades um conjunto de benefícios fiscais que, só em 2016, totalizaram cerca de 2481 milhões de euros.

Nesses apoios, estão reduções de taxas de IRC no valor de 831 milhões de euros e entre esses, uns 100 milhões de euros de entidades com actividade na Zona Franca da Madeira.

Quando se trata de conceder apoios sociais não contributivos, os seus beneficiários são obrigados a prestar provas de que necessitam efectivamente deles. Mas quando se trata de benefícios fiscais, esses apoios não estão sujeito a essa "condição de recursos", nem a uma avaliação de eficácia.

Olhe-se para os apoios concedidos. A lista dos beneficiários de 2016 pode ser encontrada aqui E a lista dos benefícios dados entre 2010 e 2016 aqui.

Não é uma tarefa fácil porque se trata de uma lista exaustiva de entidades beneficiadas. O que é curioso é olhar para a multiplicidade de benefícios e tentar perceber do que se trata. E aí julgo que serão muito poucos - talvez os fiscalistas das consultoras internacionais - que sabem o que existe.

Por exemplo, só em 2016, como o jornal Público noticiou, há apoios a empresas do universo da EDP (terá a ver com a privatização e ninguém nos disse?) e à TAP (terá a ver com a privatização e ninguém nos disse?). Faz sentido? Devem empresas ligadas ao universo Sonae receber dinheiro do Estado (vários milhões de euros, inclusivamente através de incentivos à investigação e desenvolvimento empresarial na SGPS da Sonae) ou a Corticeira Amorim com mais de 6 milhões de euros?

Claro que há medidas de isenção (nomeadamente de IVA) a entidades ligadas à Igreja Católica e Misericórdias e que possivelmente estão ao abrigo das medidas fiscais negociadas na Concordata entre o Estado e a Igreja Católica. Mas estar-se-á a avaliar a sua eficácia efectiva ou é automático? Até a Igreja Universal do Reino de Deus não paga uns 99 mil euros. Ou a Fundação Duque de Bragança ou a Casa de Trabalho doutor Oliveira Salazar.

Como em tudo, há sempre falsos sensos comuns. E também os há em matéria fiscal. Um deles é aquele que diz: "Não há dinheiro". Na verdade, há sempre dinheiro, o problema é que, muitas vezes, é aplicado em medidas cuja lógica económica não se entende ou que está distante da sua intenção inicial ou aplicam-se a entidades que mal precisam delas ou em montantes que são desproporcionados.

Se calhar, os benefícios farão sentido, mas alguém avalia todos estes "investimentos" públicos? Duvido muito.» [In blog «Ladrões de Bicicletas», João Ramos de Almeida]

O governo de Portugal prestou vassalagem a Castela

Já sabíamos que Portgal prestava vassalagem aos Estados Unidos, seja qual for o presidente, através da NATO. Portugal presta vassalagem à Alemanha por ser da União Europeia.
E agora presta vassalagem a Castela, contra a Liberdade, contra a Democracia e contra os Direitos Humanos.

Como será quando os castelhanos começarem a assassinar os homens e as mulheres da Catalunha que não querem que a Catalunha seja uma colónia de Castela?

A independência de Portugal exigiu muita luta.

A primeira tarde portuguesa, Acácio Lino

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Sou a favor da independência da Catalunha pelas mesmas razões por que já fui contra

Já fui contra a independência da Catalunha, porque não me parecia haver opressão colonial de Castela, porque me parecia que os catalães estavam na Espanha porque queriam estar.

Depois das prisões políticas e dos espancamentos policiais por motivos políticos, acho que a Catalunha está a ser oprimida pelos castelhanos, e para se libertar dessa opressão só lhe resta a independência.












                                           Fotos in «Le Nouvel Oservateur»

«Polícias a espancarem barbaramente civis que cometiam o “crime” de votar, que ensanguentaram cabeleiras brancas de mulheres que protegiam urnas de voto e que, a uma delas partiram, um a um, todos os dedos de uma mão, são coisas do foro “interno do Estado espanhol”? Nove centenas de cidadãos europeus feridos pelas forças que existem para os proteger são coisa interna de um estado membro ou, antes, matéria civilizacional que a todos importa?

O hibridismo do discurso diplomático e a contenção expressiva que o exercício politicamente correcto de determinados cargos recomenda podem obrigar a silêncios cobardes. Mas não justificam que se remeta para o remanso doméstico o comportamento protofascista de Mariano Rajoy. Murcham os afectos quando as mãos que os distribuem mergulham na pia de Pilatos! […]»

[In blog «Aventar», Santana Castilho]

O medo tomou conta do governo da Catalunha

O governo da Catlunha tem medo, tem medo dos castelhanos; adiou a declaração da independência, por causa do medo.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Os nossos inimigos e as nossas inimigas querem fazer-nos mal

Não devemos esquecer que a escravatura é o trabalho mais barato, que o trabalho escravo gera maiores lucros para as empresas.

«Como se nada fosse


A comentadora económica da Antena 1 Helena Garrido deu um exemplo para explicar ideias do recém-nomeado Prémio do Banco Central da Suécia para as Ciências Económicas, o economista norte-americano Richard H. Thaler.

A ideia era mais ou menos esta:

Os modelos económicos dizem que se os trabalhadores aceitassem uma redução dos salários, o desemprego não subia tanto. Mas como os trabalhadores consideram que isso não é justo, não aceitam. E geram mais conflitualidade, prejudicando a vida das empresas. Por isso, é que se diz que os mercados devem ser flexíveis, para que possam gerar todos esses efeitos. Mas o pensamento das pessoas também tem um papel.

Ou seja, os trabalhadores tomam decisões irracionais - impedir que os salários desçam - porque acham que não são justas. E essa decisão não seria justa porque estaria a impedir o emprego (barato!) do próximo. Por outras palavras, é apresentado aos trabalhadores um - falso - dilema, de forma a que a parte do capital no produto criado se mantenha constante...   

Na cabeça da Helena Garrido nem por sombras se questiona aquilo que ela designa por modelos. Todos os modelos - simplificações da realidade usadas para tentar prever o futuro - têm subjacentes pressupostos e sistemas de ideias, algumas mesmos ideológicas. Mas chamar-lhe modelos dá-lhe uma patine de universalidade e infalibilidade que esses ditos modelos estão longe de ter. Sobretudo quando as ideias subjacentes são aquelas em que Helena Garrido foi formada (Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa).

Veja-se a conjuntura de 2010 a 2013 em Portugal.

Os modelos aplicados tinham essa ideia precisamente: corte-se nos salários, desvalorize-se a remuneração do trabalho e a economia crescerá. Porquê? Essa parte não era totalmente dita: porque esse corte salarial se traduz numa apropriação pelas empresas de valor criado, e essa apropriação poderia - poderia... - gerar mais investimento.

E a vida das pessoas que recebem salários? E a desigualdade de rendimento? E mais não seja, o papel impulsionador da procura interna gerado pelos rendimentos do trabalho? Como crescer se a procura interna for deprimida?

Perguntas básicas e essenciais. Mas a Helena Garrido estava longe de as aceitar como tal. E por isso defendeu sempre o contrário. Vejam-se alguns exemplos:


“Tudo seria mais simples se o despedimento individual fosse, mesmo que marginalmente, flexibilizado. E as indemnizações reduzidas para todos com a justiça a garantir que seriam pagas” (25/1/2011).
“Claro que é preciso alterar a legislação laboral para permitir que se possa reduzir salários. (...) E a folha [de salários] é, frequentemente, a única parcela dos custos em que podem mexer” (18/11/2011).
"Por outro lado, essa pressão sobre o mercado de trabalho tem outras vantagens como a descida salarial para evitar a subida do desemprego (16/4/2012)
“Os salários dos funcionários públicos vão ter de ser cortados tal como as pensões de reforma. De forma definitiva” (21/2/2014).
“Proibir o despedimento, congelar rendimentos ou regras de aumentos salariais quando a empresa vende menos ou o Estado recebe menos impostos, ou tem de gastar mais para apoiar quem mais precisa, é reivindicar o direito a ter sol todos os dias” (7/3/2014).

O que aconteceu a seguir todos sabemos: uma depressão económica nunca vista antes. O investimento caiu a pique! A destruição de 400 mil postos de trabalho desde 2010 a 2013, a criação de um exercício de reserva de 1,5 milhões de pessoas que queriam trabalhar ou trabalhar mais e não podiam.

A consequência disto foi uma emigração histórica que ainda ocorre, uma redução nunca vista dos salários nominais (cada novo contrato que se cria, tem uma remuneração mais baixa que o anterior), uma perda continuada de população com o consequente envelhecimento social, que põem em perigo os equilíbrios sociais, de protecção social e até orçamentais. A ponto de terem sido invertidas desde 2013 pelos seus defensores.

Eis os modelos da Helena Garrido. E as ideias que, apesar de tudo o que geraram, continuam a ser vendidas como se tivessem sido validadas pela realidade...»

[In blog «Ladrões de Bicicletas», João Ramos de Almeida]

Resposta a uma dúvida de uma bloquista

«Momentos do dia

17:00 – Declaração, ou não, da independência da Catalunha;
19:45 – Vitória, ou não, de Portugal sobre a Suíça;
22:00 – Anúncio, ou não, da candidatura de Santana Lopes à presidência do PSD.
Dos três acontecimentos, qual será aquele a que mais portugueses darão maior importância? Alguma dúvida?»

[Joana Lopes, in blog «Entre as brumas da memória»]

A resposta é óbvia para a maioria dos portugueses - a vitória de Portugal sobre a Suíça, porque isso diz-nos, directamente, respeito. Se Portugal ganhar iremos ver a nossa selecção jogar contra as melhores equipas do Mundo.

Pela mesma razão aos catalães interessa-lhes libertarem-se da opressão colonial de Castela, porque lhes diz respeito. Os castelhanos andaram a espancar homens e mulheres da Catalunha, baseados no Direito Colonial, baseados no poder dos donos do campeonato colonial. Para sairem desse campeonato dos espancamentos, os catalães só o conseguem declarando unilateralmente a independência.

Rui Rio ou Santana Lopes ou Passos Coelho é a mesma coisa - empobrecimento, cortes nos rendimentos, e mais cortes, e depois mais cortes ainda.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Os troikanos portuguesese a apologia das desigualdades e do trabalho escravo

"O poder que nunca teriam nas urnas


«Por que é que a direita mais radical, a versão nacional da alt-right americana, que tem como órgão de expressão o Observador, não se preocupa com o CDS, mas sim com o PSD? (...) Porque instrumentalmente é o PSD que tem os votos e não o CDS, e é o PSD que pode, como se viu, prosseguir uma política agressiva que corresponda aos seus interesses e visão do mundo. (...) A nossa alt-right está para o PSD e Passos Coelho como a sua congénere americana está para Trump: não o reconhecem como sendo dos “deles”, mas têm perfeitamente consciência que foi ele que lhes deu o poder que nunca teriam nas urnas. (...) Acresce que a direita tipo do PNR não lhes serve para nada, visto que é o exercício do poder político que lhes interessa e não a ortodoxia política, nem mimetismos das “frentes nacionais” europeias. Como tiveram a sorte grande, agora não lhes basta a terminação.
(...) Começaram a construir uma rede de influência na comunicação social (o projecto do Observador é isso mesmo), nas redes sociais, nos think tanks das universidades e fundações, num establishment intelectual e de influência que conta com poderosos apoios financeiros. Tiveram uma história com algumas ambiguidades, desde a fase de “filhos do Independente”, depois ligados ao surto dos blogues, e em que cultivavam uma aliança natural, geracional, cultural com uma parte da esquerda, com troca mútua de cumprimentos e elogios, uniram-se nos programas do “engraçadismo” e partilharam algumas causas do “politicamente correcto” que agora abominam. Depois passaram para o serious business.
(...) Não é uma direita nacionalista e isolacionista, perceberam a importância que a Europa e os seus diktats económicos tinham em permitir-lhes uma tentativa de engenharia social que nunca passaria nas urnas se fosse apresentada aos eleitores. Esta foi, aliás, uma função essencial do PSD de Passos Coelho e que os levou a abandonarem as suas reservas ao federalismo e intervencionismo cosmopolita da Europa, para se tornarem europeístas. Não é por acaso que estão contra o nacionalismo catalão, não só pela sua afinidade com o espanholismo de génese falangista, mas também porque os equilíbrios do poder na Europa precisam do PP espanhol, como cá precisam do PSD.
(...) O que eles não querem é que o PSD olhe de novo, com uma visão reformista, para os problemas sociais da sociedade portuguesa, para a enorme pobreza que subsiste, para a dignidade do trabalho, para o controlo dos grupos económicos, para uma política de emigração equilibrada e justa, para uma constante preocupação com a existência de um elevador social que precisa do Estado e de impostos progressivos, que garanta direitos mínimos aos portugueses no plano da educação, habitação e da saúde. (...) Por que é que isto afronta a nossa alt-right? Porque, ao diminuir o enorme fosso que separa a riqueza da pobreza e ao dar poder “aos de baixo”, seja sob a forma de direitos sociais, de educação, de trabalho, de viver uma vida digna, põe em causa o direito que os poderosos acham que têm pelo nascimento ou pela natureza à sua liberdade.»

José Pacheco Pereira, O pavor da nossa alt-right com a possibilidade de lhes fugir o PSD

(na foto, sessão no Beato do «Compromisso Portugal», o movimento iniciado em 2004 e que, como oportunamente assinalou o João Ramos de Almeida, regressaria em 2014 sob a forma de «Observador»)"

[In blog «Ladrões de Bicicletas»]

Catalunha - adeus à Espanha e ao sangue azul


[Foto in blog «Entre as brumas da memória»]

domingo, 8 de outubro de 2017

Orgia colonial contra o direito da Catalunha à independência


Depois das prisões políticas, depois dos espancamentos dos cidadãos e cidadãs da Catalunha, estamos a assistir a uma orgia colonial contra o direito da Catalunha à independência.

sábado, 7 de outubro de 2017

O suicídio da Monarquia portuguesa e a implantação da República


D. Carlos I assessorado por João Franco impôs uma Ditadura monárquica em 1906.
A Ditadura de D. Carlos I-João Franco representou o suicídio da Monarquia portuguesa.

Em 1908 o rei de Portugal D. Carlos I foi assassinado pelos republicanos, em Lisboa no Terreiro do Paço, assim como o herdeiro directo do trono D. Luís Filipe.
Assim subiu ao trono D. Manuel II filho de D. Carlos I, que tentou a «acalmação», com uma política de compromissos. Tarde demais, porque D. Carlos I tinha ido longe demais.
Em 5 de Outubro de 1910 triunfou a Revolução Republicana.

Salazar era monárquico, tal como Mussolini, de quem tinha uma fotografia sobre a secretária. Mas Salazar nunca teve força política para restaurar a monarquia. O hino da I República permaneceu, assim como a bandeira e já vamos na III República – I República 1910 - 28 de Maio de 1926; II República 1926 – 25 de Abril de 1974; III República 1974 – 2017.
A II República foi uma Ditadura, mas  não havia o presidente da Monarquia, mas sim o presidente da República.

Passos Coelho proibiu o feriado de 5 de Outubro. Com Passos Coelho estiveram no poder os traidores, às ordens da Troika, Berlim, CE + Berlim, BCE + Washington, FMI. E é claro os traidores proibiram o feriado de 1 de Dezembro, o da restauração da independência de Portugal, em 1640.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Catalunha - opiniões contra a ocupação colonial pelos castelhanos

[In «The Guardian»]

«[...] Lembrei-me delas quando ouvi o rei de Espanha esta semana demonstrar compreensão apenas para com os catalães que não concordam com o governo catalão, e de novo quando ouvi no Parlamento Europeu o líder liberal Guy Verhofstadt alegar que a solução evidente para a questão catalã seria a de “uma Espanha federal numa Europa federal”. Pode ser que sim. Mas o problema de Madrid é o típico nestes casos: as soluções federais só aparecem quando já é tarde demais.
Há poucos anos, todos os catalães que eu conhecia eram favoráveis à solução federal em Espanha. Hoje, muitos deles estão do lado da declaração unilateral de independência que o Tribunal Constitucional espanhol tenta impedir suspendendo na prática o parlamento catalão; alguns desses catalães estão dispostos a ser presos por isso, e todos me dizem que as segundas linhas do independentismo serão mais radicais do que as primeiras.
A lição é que perder países é fácil quando há uma incapacidade imaginativa em nos pormos no lugar dos outros. Assim foi com Portugal e o Brasil. Assim está a ser com a Espanha e a Catalunha. Pode um dia voltar a ser assim com Portugal ou qualquer outro país. Nesse dia, não vale a pena alegar que não há razões “históricas, culturais ou sociais” para as independências. Quem acaba decidindo dessas razões são aqueles que, vendo-se bloqueados, se tornam independentistas. E, em geral, decidem-no muito rápido.»
                                                   [Rui Tavares in «Público» pt]


«MANUEL LOFF
FERNANDO ROSAS
OPINIÃO
Catalunha: pela democracia, contra a repressão
Mais até do que o legítimo direito à autodeterminação dos catalães, o que está hoje em causa na Catalunha é a democracia e a liberdade.
6 de Outubro de 2017, 6:50 Partilhar notícia

O Parlamento da Catalunha, democraticamente eleito há dois anos, convocou para o dia 1 de outubro um referendo de autodeterminação através do qual se pretendia decidir do futuro da Catalunha, uma "nacionalidade" no seio do Estado espanhol segundo os termos fixados pela Constituição de 1978. Para nós, a independência da Catalunha, a manutenção do atual estado de coisas ou qualquer outra solução política é uma questão que deve ser decidida pelos catalães, sobre a qual não nos pronunciamos. Mas, cidadãos de uma República cuja Constituição estabelece que "Portugal reconhece o direito dos povos à autodeterminação e independência e ao desenvolvimento, bem como o direito à insurreição contra todas as formas de opressão" (art. 7.º), não podemos ficar indiferentes perante a forma tão evidente pela qual as autoridades espanholas (sejam elas o Governo, a polícia ou os tribunais) desrespeitam o direito do povo catalão a "dispor de si próprio" e, "em virtude deste direito, determinar livremente o seu estatuto político e assegurar livremente o seu desenvolvimento económico, social e cultural", como estabelecem tratados internacionais assinados pelo próprio Estado espanhol (e todos os Estados europeus) como o Pacto Internacional dos Direitos Cívicos e Políticos (1966). E não calamos a nossa indignação perante a multiplicidade de atropelos aos direitos cívicos, políticos e humanos que, sobre a questão catalã e por intermédio da polícia, do Ministério Público e dos tribunais, o Governo espanhol cometeu e continua a cometer na Catalunha.

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Contra a liberdade de associação, e ainda antes do referendo de domingo passado, a polícia espanhola cercou a sede de um partido político e fez buscas em tipografias e meios de comunicação para apreender propaganda eleitoral, encerrou centenas de páginas web, designadamente de associações cívicas, como a Assemblea Nacional de Catalunya ou a Ómnium Cultural, acusou dirigentes e ativistas políticos de crimes de desobediência e de "sedição", cuja pena pode ascender até 15 anos de prisão. Face a um movimento cívico perfeitamente pacífico, e por não confiar na polícia catalã (denunciada por "desobediência" no próprio dia do referendo), o Governo espanhol enviou dez mil polícias para a Catalunha, num ato deliberado de intimidação que não tem precedentes em 40 anos de democracia.

Contra a liberdade de expressão, a polícia espanhola apreendeu material político relativo ao referendo, impediu a realização de debates sobre o referendo dentro de qualquer instituição pública, seja ela de âmbito central, regional ou municipal, e mandou encerrar contas nas redes sociais de membros do Governo catalão ou de qualquer cidadão que se atreva a divulgar a localização de assembleias de voto!

Contra os direitos cívicos e políticos, a polícia espanhola prendeu antes do referendo altos funcionários do Governo catalão (e ameaçara antes ainda do referendo prender o seu próprio presidente), ameaça com multas exorbitantes milhares de diretores de escolas e funcionários públicos e três quartos dos autarcas democraticamente eleitos da Catalunha, por sua vez ameaçados de prisão e de perda de mandato, numa atitude de intimidação que não tem paralelo nos últimos 40 anos. A situação antes do dia 1 de outubro era já tão grave que, no dia 28 de setembro, em Genebra, o próprio Conselho dos Direitos Humanos das Nações Unidas se mostrou "preocupado com as medidas a que estamos a assistir porque violam direitos individuais fundamentais, censurando informação pública e impedindo o debate num momento crítico para a democracia em Espanha". Como este organismo da ONU, entendemos que "as autoridades espanholas têm a responsabilidade de respeitar os direitos cívicos e políticos que são essenciais nas sociedades democráticas".

Os piores receios confirmaram-se quando, ao longo do dia 1, assistimos a uma intervenção deliberadamente violenta da polícia espanhola nas assembleias de voto de toda a Catalunha, carregando sobre milhares de pessoas que pretendiam votar ou que exerciam as suas funções de escrutinadores, provocando centenas de feridos, destruindo equipamentos públicos para apreender urnas e boletins de voto, detendo cidadãos. Ao contrário do que diz o Governo espanhol, nenhuma "democracia consolidada" se comporta desta forma perante, não dezenas ou centenas, mas milhões de cidadãos catalães que não usaram da violência.

Optando pela via da repressão e da intimidação, suspendendo de facto a autonomia da Catalunha que custou séculos a conquistar, o Governo espanhol assume a atitude que, no passado, abriu caminho para o pior da história de Espanha. Ignorando o seu "dever de promover a realização do direito dos povos a disporem deles mesmos e respeitar esse direito, em conformidade com as disposições da Carta das Nações Unidas", e ofendendo um sem número de direitos prescritos na Carta Europeia dos Direitos Fundamentais, o Governo espanhol coloca-se fora do campo democrático e perde qualquer legitimidade em solicitar a solidariedade dos países e dos povos democráticos. A História demonstra amplamente que, para negar o direito dos povos e direitos cívicos tão básicos, é inútil esgrimir a legalidade, porque são ilegítimas as formas de legalidade que ofendam direitos universais.

Associamo-nos, assim, aos apelos internacionais para que se consiga uma solução política negociada entre as autoridades que representam o Estado espanhol e a Comunidade Autónoma da Catalunha. Mais até do que o legítimo direito à autodeterminação dos catalães, o que está hoje em causa na Catalunha é a democracia e a liberdade. Dos catalães e dos espanhóis, e de todos nós.

Os autores escrevem segundo o novo Acordo Ortográfico

Subscritores
Alfredo Barroso, cronista e ensaísta
André Freire, politólogo, professor, ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa
Boaventura de Sousa Santos, Investigador, Centro de Estudos Sociais da UC
Cipriano Justo, médico
Francisco Louçã, professor, ISEG/UL
Isabel Moreira, deputada do PS à Assembleia da República
J-M. Nobre-Correia, professor emérito, Université Libre de Bruxelles
José Pacheco Pereira, historiador
João Arsénio Nunes, investigador, CEI-Instituto Universitário de Lisboa
José Manuel Pureza, deputado do BE à Assembleia da República
Manuel Alegre, poeta, ex-deputado do PS à Assembleia da República
Miguel Vale de Almeida, antropólogo, professor ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa
Pedro Bacelar de Vasconcelos, deputado do PS à Assembleia da República
Rogério Reis, professor, Faculdade de Ciências da UP
Rui Sá, engenheiro e deputado da CDU na Assembleia Municipal do Porto
Alain Pereira, Engenheiro, Câmara Municipal de Almada
Alda Sousa, professora ICBAS/UP
Alice Samara, professora, investigadora no Instituto de História Contemporânea/NOVA
Álvaro Garrido, professor, Faculdade de Letras da UC
Ana Bela Ribeiro, investigadora
Ana Luísa Correia da Costa, psicóloga
Ana Maria Pereirinha Pires, editora
Ana Paula Silvestre, terapeuta e sonoplasta
Ana Sofia Ferreira, investigadora, Instituto de História Contemporânea/NOVA
Anabela Dinis Branco de Oliveira, professora, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Antónia Pedroso de Lima, professora, ISCTE-Instituto Universitário de LisboaAntónio Alberto Alves, livreiro e sociólogo
Antonio Chora, sindicalista
António Loja Neves, jornalista
António Pedro Braga, técnico de informática, aposentado
Bruno Loff, investigador pós-doutoral, UP
Bruno Sena Martins, investigador, Vice-Presidente do Conselho Científico do Centro de Estudos Sociais da UC
Carla Malafaia, Investigadora, Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação UP
Carlos Carujo, professor
Cristina Nogueira, educadora de infância, investigadora no Instituto de História Contemporânea/NOVA
Diana Andringa, jornalista
Diana Dionísio, arquivista
Dulce Simões, antropóloga
Eduarda Dionísio, escritora
Eduarda Rovisco, antropóloga
Elísio Estanque, Investigador, Centro de Estudos Sociais da UC
Fernando Cordeiro Cruz, técnico especialista
Filipe M. Rosas, Geólogo, professor universitário
Filipe Piedade, investigador, Instituto de História Contemporânea/NOVA
Filipe Rosas, médico
Francisco Xavier de Oliveira Martins Coelho, professor
Hélder Ferraz, investigador em Ciências da Educação
Heloísa Paulo, Investigadora do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX da UC
Henrique Rodrigues, professor, Instituto Politécnico Viana do Castelo
Inês Godinho, desempregada
Irene Pimentel, investigadora, Instituto de História Contemporânea/NOVA
Isabel Allegro de Magalhães, professora catedrática da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/NOVA (aposentada)
Isabel Menezes, professora, Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação UP
Isabel Serra, professora Faculdade de Ciências da UL, aposentada
Joana Craveiro, encenadora teatral
João Bau, Investigador Coordenador
João Madeira, investigador, Instituto de História Contemporânea/NOVA
João Loff Barreto, advogado
João Miguel Almeida, Historiador
João Queirós, investigador e docente do ensino superior
João Semedo, médico
João Teixeira Lopes, professor Faculdade de Letras da UP
João Veloso, linguista, professor Faculdade de Letras UP
José Alves Pereira, professor do Ensino Politécnico, aposentado
José Castro Caldas, investigador, Centro de Estudos Sociais da UC
José Eduardo Silva, actor, encenador e investigador CIIE/Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação UP/CEH Universidade do Minho
José Miguel Leal da Silva, investigador, Instituto de História Contemporânea/NOVA
José Pedro Amorim, investigador, CIIE/Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação UP
José Soeiro, deputado do BE à Assembleia da República
José Viale Moutinho, escritor
Levi Leonido Fernandes da Silva, professor, Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Luciana Soutelo, investigadora do Instituto de História Contemporânea/NOVA
Luís Moita, professor universitário
Luís Monteiro, deputado do BE à Assembleia da República
Marcos Farias Ferreira, professor no ISCSP-UL
Margarida Neves Pereira, jornalista
Maria de Jesus Lima, docente do Ensino Politécnico, aposentada
Maria Luísa Cabral, investigadora CHAM/NOVA
Maria Olinda Rodrigues Santana, professora da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Mariana Oliveira, psicóloga
Miguel Cardina, Investigador, Centro de Estudos Sociais da UC
Miguel Januário, designer e artista plástico
Nair Alexandra, investigadora
Nelma Moreira, Professora, Faculdade de Ciências da UP
Norberto de Sousa Ribeiro, investigador da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação UP
Nuno Milagre, técnico de cinema
Nuno Teles, economista, investigador do Centro de Estudos Sociais da UC
Paula Godinho, antropóloga, professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/NOVA
Paula Soares, professora, Faculdade de Medicina da UP
Raquel Bagullho, engenheira agrónoma
Rita Tavares de Sousa, investigadora em Ciências da Educação
Rui Bebiano, Investigador, Centro de Estudos Sociais da UC
Rui Pereira, professor
Sofia Castanheira Pais, investigadora, Centro de Estudos Sociais da UC, e CIIE da Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da UP
Sónia Ferreira, investigadora universitária
Teresa de Almeida Cravo, professora Faculdade de Economia da UC
Teresa Loff Barreto, professora aposentada
Tiago Neves, professor, Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação UP
Vanessa de Almeida, investigadora do IHC/NOVA
Vera Marques Alves, antropóloga
Vítor Neto, professor, Faculdade de Letras da UC
Wladimir Brito, professor, Escola de Direito, Universidade do Minho
Youri Paiva, estudante, Técnico de Comunicação
Xerardo Pereiro, antropólogo sociocultural, professor, Universidade de Trás-os-Montes e Alto-Douro»

[In «Público» pt]

A legalidade é a Democracia é o direito de votar, a ilegalidade é a selvajaria policial

Os castelhanos já andam a chamar traidores aos catalães, por não quererem ser humilhados por Castela.

Rajoy é galego, mas comporta-se como um castelhano colonialista e fascista.
O governo de Rajoy e o PSOE  já declararam guerra à Catalunha, como tinha feito o fascista Franco. Rajoy e o PSOE são apoiados pela NATO e pela União Europeia, as tais do Kosovo, a NATO kosovista e a União Europeia kosovista!!!!
Franco foi apoiado por Hitler e por Mussolini.

Depois dos espancamentos de civis catalães Rajoy e o PSOE prometem assassinatos, mas eu penso que os espancadores e os assassinos se vão dar mal. 

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Eleições em Portugal - análise

  «A crise da direita e como viver com o PS


Eis algumas contas sobre os resultados nacionais das diversas eleições autárquicas desde 2001. Valem o que valem.

Por "direita", considerou-se o PSD e o CDS, além das coligações entre esses partidos e outros, somando ainda o PNR. Por "esquerdas", o PS, a CDU e o Bloco de Esquerda, e quem tenha se coligado com o PS ou outras forças, como o MAS.

É interessante ver que, não é apenas o PSD que está em crise. Toda a direita está em queda. E não conseguiu inverter a queda de 2013, após a sua governação desastrosa. Mesmo quando se observa as votações do CDS quando concorreu separadamente, a sua votação perdeu em 16 anos quase 44 mil votos face a 195 mil votos obtidos em 2001. Mais de 20%!

Lisboa é exemplar. No caso de Lisboa em 2017, tão empolado como um resultado histórico pelo CDS - e pela comunicação social que, face ao vazio da candidata do PSD, a cobriu quase duplamente - o CDS teve 52 mil votos, contra 28 mil do PSD. Ora, em 2001, separados, tiveram 156 mil votos. Em 2005, separados tiveram 134 mil votos. Em 2009, coligados tiveram 108 mil. Em 2013, coligados - e em plena crise de confiança do povo português com a direita - tiveram 51 mil votos. Agora separados, tiveram cerca de 80 mil. Não é propriamente uma festa nem um resultado histórico, pois não?

É igualmente interessante ver que é sobretudo a direita que é prejudicada pelas candidaturas de grupos de cidadãos, crescentemente apoiadas. Resta saber se esta é uma linha de fundo ou circunstancial.  E se o PSD não será fustigado pela tenaz dos "independentes" e do CDS. Veremos.

À esquerda, e olhando para a longa linha do passado, parece não ter havido alterações de monta.

Mas isso não deve omitir o que se passou em 15 anos. Nesse período, se a direita perdeu 464 mil votos, o PS ganhou em termos acumulados 228 mil votos, o Bloco de Esquerda ganhou 108 mil votos, em ascensão desde 2001 - recorde-se que em 2001 teve 62 mil votos - mas muito aquém da sua votação para o Parlamento,  enquanto que a CDU - com os seus 557 mil votos em 2001 - perdeu desde aí, em 16 anos, uns 68 mil votos. Ou seja, uns 12%, e muito possivelmente não definitivamente.»

[In blog «Ladrões de Bicicletas», João Ramos deAlmeida]  

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Assassino consegue matar 59 pessoas num único dia



Em Las Vegas um assassino de raça branca conseguiu matar 59 pessoas a tiro num único dia.

Os inimigos da Catalunha espumam de raiva e preparam-se para matar

Quem liga as televisões portuguesas RTP, SIC e TVI fica convencido que quem manda em Portugal é Rajoy, fica convencido que Portugal é uma colónia da Espanha.

Os inimigos da Catalunha preparam-se para matar, preparam o regresso ao fascismo franquista.

No entanto, parece-me que a invasão e a ocupação colonial da Catalunha não vão resultar.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A Catalunha fica na Jugoslávia, para Berlim e para os seus lacaios?

«[...]A propósito deste tema, uma nota final sobre o caminho tortuoso da política externa da União Europeia (e, em algumas situações, também da NATO). O caso mais ignóbil foi o do Kosovo. Ainda que de maioria albanesa, o Kosovo era uma província da Sérvia. Por razões da guerra surda Ocidente-Rússia, a UE e a NATO acharam que o melhor era bombardear e ajoelhar Belgrado. Já em 1992 haviam apoiado vivamente o referendo independentista na Bósnia, com consequências bem dramáticas. Que coerência e autoridade têm face à Catalunha? Por isso, agora, nem uma palavra sobre Espanha e sobre a Catalunha. Perdida na sua errática política, a União faz-de-conta umas vezes e bombardeia outras vezes.»

[António Bagão Félix in «Público» pt]

A dignidade da Catalunha é incompatível com a ocupação colonial de Castela

"O dia em que Espanha perdeu a Catalunha
Puigdemont abre a porta à declaração unilateral de independência já nos próximos dias. “Votámos, votámos”, é o grito mais ouvido agora entre os catalães. “Independência, independência”, repetem. Rajoy não está a ouvir.
 SOFIA LORENA , em Barcelona
1 de Outubro de 2017, 22:52

Celebração do referendo na praça da Catalunha, em Barcelona SANTI DONAIRE/EPA"


      Foto in «The Guardian»
           Foto in «Libération»
      Fotos in «Le Nouvel Observateur»


Vídeo in «The Guardian»

"O primeiro-ministro espanhol parece não ter-se dado conta, mas este domingo a Catalunha ficou mais longe do que nunca da Espanha pós-guerra civil e pós-franquismo. “Fizemos o que tínhamos de fazer e cumprimos a nossa obrigação, actuando dentro da lei e sempre dentro da lei”, afirmou, ao início da noite. Da boca de Mariano Rajoy não saiu uma palavra sobre os 847 feridos, alguns em estado grave, nem dele se ouviu a expressão carga policial.
Já se sabia que a distância política entre Barcelona e Madrid é cada vez maior do que a geográfica. Mas este domingo bastava a Rajoy ter saído à rua, talvez bastasse ir à janela, e teria ouvido os manifestantes que se juntaram nas Portas do Sol de Madrid para condenar a repressão com que a Polícia Nacional e Guarda Civil desalojaram assembleias de voto por toda a Catalunha. “Madrid está com o povo catalão”, cantou-se.

Entre cravos e cargas policiais, os catalães saíram à rua para votar

As imagens, essas já nunca vão desaparecer. Foram vistas em Espanha e no resto do mundo. Terão de passar anos até começarem a ficar menos nítidas nas mentes de muitos catalães. Agentes a lançarem civis de diferentes idades escadas abaixo, a arrastarem gente pelos cabelos, a deixarem senhoras de cabelo branco de rosto ensanguentado, a espancarem jovens e menos jovens ou a arrancar urnas de voto da mão de voluntários e eleitores.
Marta Torrecilla fazia parte de uma mesa de voto na escola Pau Claris, de Barcelona. Há um vídeo onde se vê a ser arrastada pelo chão e depois por umas escadas, às mãos de membros da Polícia Nacional. “Só estava a tentar defender as pessoas mais velhas”, explicou depois, ouvida por diferentes jornais e rádios. “Nas escadas mexeram-me, com a roupa levantada, e depois partiram-me todos os dedos da mão, um a um. É muita maldade.”
“Viste os vídeos da violência? Eu já não consigo ver mais. No fim, entraram em poucas escolas, mas onde foram portaram-se como bárbaros.” Albert acordou domingo já muito nervoso, mal dormiu na verdade. “Fui eu que trouxe as urnas”, conta, sentado na sala de aulas que foi assembleia de volta e quando a contagem está mesmo a terminar na escola Joan Miró, no bairro residencial de Eixample.
“Dei voltas e voltas antes de entrar. Tinha as urnas em casa, mas só quiseram entregá-las de véspera. Nem imaginas os nervos com que andada. Nem nos deixavam levar os telemóveis para as reuniões”, descreve. Albert aguentou até aqui mas não pode mais. Baixa a cabeça e começa a chorar, é o momento de descompressão que adiou até poder.

Apesar de tudo, votou-se e dois milhões disseram “sim” à independência

“Rajoy faz o que quer”
Albert recompõe-se mas não consegue esquecer as imagens de catalães espancados nem as palavras do primeiro-ministro. “Se fosse outro, isto mudaria tudo. É o Rajoy, ele faz o que quer, não ouve ninguém.”
Horas antes, outro catalão que votou numa assembleia ali ao lado, no Liceu Ernest Lluch (o socialista catalão assassinado pela ETA em 2000), olhava incrédulo para o ecrã do seu telemóvel, vídeo após vídeo, imagens de outras escolas, algumas tão perto, e um cenário assustadoramente diferente. “Já viste isto?”, pergunta Carles, sentado num café. “Depois disto, como é que esperam que continuemos no país desta polícia, no país que dá estas ordens?”.
Carles tem outras dúvidas. Por exemplo: “Eles não diziam que isto não valia nada, que era uma brincadeira sem valor? Então, para quê tudo isso?”, pergunta. Depois de uns momentos em silêncio, parece ter chegado a algum tipo de conclusão. “Assim, foram eles que tornaram o nosso referendo importante, não é?”

Dezenas de crianças dormiram na sala onde milhares votaram

Um país “livre”
Haverá certamente muitos catalães que não esperam continuar em Espanha, e é para o presidente da Generalitat que olham agora. “Ganhámos o direito a ter um Estado independente que se vai constituir em forma de república”, disse Carles Puigdemont, já a noite ia longa, numa intervenção transmitida pela televisão catalã e recebida na Praça da Catalunha aos gritos de “Independência, independência”.
“Tudo aconteceu de acordo com a Lei do Referendo e terá consequências”, garante o líder catalão, falando da lei aprovada pelo parlamento autonómico, suspensa pelo Tribunal Constitucional e considerada ilegal por Madrid. “Os catalães ganharam o direito a serem respeitados na Europa”, afirmou, antes de descrever Espanha como “este Estado que se comporta de forma autoritária”.
Rajoy falou em reunir com os partidos com representação no Congresso a partir de segunda-feira. Puigdemont em cumprir com o que foi aprovado pela maioria independentista no parlamento autonómico. “Temos direito a decidir o nosso futuro. Temos direito a viver em liberdade e em paz”, disse. Esse novo país, descreve, será “livre, digno e democrático”.
Greve geral
As milhares de pessoas que se juntaram na praça mais central de Barcelona para seguirem a noite gostaram do que ouviram. Logo depois da intervenção de Puigdemont cantou-se o hino catalão, Els Segadors. Depois, houve mais gritos de “Independência” seguidos da palavra de ordem que se ouve pela cidade desde as 20h: “Votámos, votámos”.
Antes do líder catalão falar já membros de alguns dos partidos que integram a coligação que o apoia, Juntos pelo Sim, tinham defendido uma greve geral a partir de dia 3, como já tinham antecipado algumas centrais sindicais antes do referendo. O mesmo fez a CUP (Candidatura de Unidade Popular), o partido à esquerda da coligação cujos votos são essenciais para assegurar a maioria que sustenta a actual Generalitat. “As ruas serão sempre nossas”, é outras das frases que mais se diz por Barcelona.
Da parte das formações que Rajoy voltou a insistir ter a seu lado, o Cidadãos (partido que nasceu na Catalunha para combater o independentismo) e o PSOE, ouviu-se o apoio do primeiro e as críticas do segundo. O líder socialista, Pedro Sánchez, condenou as cargas policiais e a repressão e pediu a Rajoy que inicie uma negociação com o governo catalão. Pablo Iglesias, do Podemos, defendeu aquilo que se esperava, a realização de um referendo negociado e vinculativo.

Os catalães chegaram a este dia com uma certeza: acontecesse o que acontecesse, este não seria mais um 9-N, como ficou conhecida a consulta de 2014. Agora, muitos não querem ouvir falar de negociações nem muito menos de outra ida às urnas. Em Madrid não se ouviu ainda, mas o que agora se grita em Barcelona é mesmo “Votámos, votámos”." [In «Público» pt]

Catalunha disse sim à independência e à dignidade














[In «THE INDEPENDENT»]

[In «The Guardian»]

As forças piratas enviadas pelo ladrão e torturador Rajoy, apoiado pelo PSOE, pela NATO e pela União Europeia, para ocuparem a Catalunha e espancarem os cidadãos e cidadãs da Catalunha e para os balearem provocaram mais de 800 feridos.

Estes actos de selvajaria pirata foram apoiados pelo PSOE, pela NATO e pela UniãoEuropeia.